Hora de apoiar o BRASIL incondicionalmente

Publicado em: Blog da redação, DESTAQUES
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14/07/2008 | 18:09

Publicado por Adriano Albuquerque

E aí, amigo leitor. O Pré-Olímpico Mundial Masculino de Basquete começou nesta segunda-feira, mas nosso país, BRASIL, só entra em quadra amanhã, terça-feira, 15 de julho. Nossa chave é complicada, com a atual vice-campeã mundial Grécia no caminho e um provável confronto contra a Alemanha, reforçada por dois talentos da NBA, nas quartas-de-final, mas não importa; se é o caminho que precisamos trilhar, avante, isso só tornará a conquista ainda mais realizadora.

Eu estou esperançoso. A classificação da Seleção feminina no mês passado mostrou que, não importa a dificuldade, não importa o tamanho da crise, a vitória é possível. Como dizia uma daquelas mensagens de MSN que li no perfil de uma amiga minha dia desses, impossível é uma opinião (exceto quando se trata de física, claro…). O Brasil vai à guerra com jogadores que, com a pequena exceção de Jonathan Tavernari, estão completamente adaptados ao basquete da Fiba, e um time titular mais dois pivôs de bastante experiência contra a escola européia. Um técnico que comandou equipes em vários cantos do mundo e é versátil para se comunicar com todos os tipos de jogadores e árbitros, capaz de se adaptar a situações.

Este post é para firmar um compromisso pessoal e fazer um pedido a você que me lê, seja por me conhecer pessoalmente, por ser leitor assíduo dos meus textos e do BasketBrasil ou mesmo se estiver lendo pela primeira vez, por acidente. Caso a possibilidade que vou afastar da minha mente a partir de agora, nossa eliminação sem uma vaga olímpica, aconteça, eu não vou criticar ou reclamar de nenhum jogador ou técnico. Cabe aqui uma auto-crítica e pedido de desculpas público: em fracassos passados da Seleção, culpei os técnicos, culpei os jogadores, culpei a imprensa, culpei todo mundo - embora jamais tenha escrito isso aqui, culpei até a mim mesmo; “Eu devia ter tornado o BasketBrasil em um instrumento mais forte de opinião e mudança no nosso basquete”, “Eu devia ter sido mais ativo no cenário basqueteiro do país e da cidade”, “Eu devia ter usado aquela camisa da sorte”, “Eu devia ter aprendido a jogar basquete e estar lá no lugar deles”.

Claro, todos nós poderíamos ser mais ativos, fazer mais para mudar a cultura do basquete brasileiro. Mas não dá para culpar treinadores, se tivemos técnicos diferentes em cada um dos três ciclos olímpicos que perdemos. Não dá para culpar os jogadores, mesmo que sejam eles os que disputam os jogos, quando eles não têm a estrutura de apoio que necessitam para render em alto nível e quando a equipe muda tanto de elenco e padrão a cada competição. Não dá para culpar nem a imprensa nacional, que apesar de ser muitas vezes oportunista e sensacionalista, não é responsável pela desorganização e guerra velada que impera no nosso meio basqueteiro. O problema é além deles.

Torço pela Seleção Brasileira porque sou brasileiro, porque amo o BRASIL mesmo com todos os seus problemas e detratores. Torço pelos 12 jogadores que estão em Atenas porque eles partilham deste sentimento. Torço pelo Moncho porque ele, nascido tão longe e contratado para trabalhar como mero profissional, me conquistou com uma garra, cordialidade e espírito dignos de alguém nascido nesta “Ilha de Vera Cruz”, e demonstra o conhecimento do jogo e comando que esperávamos quando clamamos por um treinador estrangeiro para “atualizar” e pacificar nosso basquete - sem ofensas aos nossos ótimos técnicos atuais como Hélio Rubens, Guerrinha, Lula Ferreira, Paulo Sampaio, entre vários outros.

E torço para que você, meu amigo, caso o impensável aconteça, não caia na fácil armadilha de culpar Moncho por não ter nos classificado após ter apenas um mês para resolver nossa Seleção, ou de culpar nossos 12 jogadores após carecerem de um trabalho de longo prazo e lidarem com tantas dificuldades - é injusto até exigir a classificação se considerarmos tudo o que eles tiveram de passar nos últimos anos. Torço para que não caia no “bode expiatório” que imprensa e confederação jogarão no ventilador, a ausência dos três jogadores NBA mais Valtinho e Guilherme, quando eles não controlam as circunstâncias de suas vidas que causaram suas dispensas ou cortes. Torço para que você seja sagaz de reparar em um simples detalhe: qual é a única constante na Seleção Brasileira neste período sem Olimpíadas? Dica: ela não está em quadra.

Não é hora disso. Por hora, torço até por esta constante; afinal, ela certamente tomará os louros da vitória com nossa classificação. É justo, ninguém poderá tirar isto dela. O que importa, principalmente esta semana, é apoiar os 12 brasileiros e o nosso espanhol, pois apoiá-los é apoiar milhões de outros brasileiros cuja vida é o basquete.

Adriano Albuquerque Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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