8 ou 80 está de volta: Para começar a entender o teto salarial da NBA

Publicado em: 8 ou 80, Blogs, DESTAQUES
Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

13/08/2009 | 10:20

Publicado por Redação BasketBrasil

Por Denis Botana

Bem pessoal, depois de uma longa pausa na coluna “8 ou 80″ aqui no BasketBrasil resolvemos, eu e o pessoal do site, transformar a coluna em um blog. O assunto será o mesmo, estatísticas e números na NBA. O que muda é apenas o formato. Agora serão atualizações mais frequentes e textos (um pouco) menores e mais soltos. Espero que todos gostem e acompanhem regularmente! Serão anunciados novos textos na página inicial do BasketBrasil e farei o mesmo lá na minha terra natal, o Bola Presa.


No meio da offseason, pode parecer que não se tem muito assunto na NBA, mas a verdade é que se você pensar bem o período é ideal para começar um blog sobre números.

São 10 milhões de dólares por ano pra cá, limite salarial pra lá, mid-level exception e outros nomes estranhos acolá e de repente o sucesso de um time na busca de um elenco digno de título está em saber lidar com as nuances das complicadas regras salariais da NBA. Então para nós que estamos sempre dando palpite na hora de dizer se um jogador merece tal salário ou se outro time é burro na hora de suas contratações, é essencial entender essas regras.

Por isso vamos começar esse blog tentando entender o que é o tal “salary cap“, o teto salarial da NBA. O teto salarial foi criado na temporada 84-85, estabelecendo o limite de 3,6 milhões de dólares em gastos para cada equipe. Antes disso ainda havia acontecido uma outra tentativa de implantação de teto salarial nos anos 40 mas foi abandonada pouco tempo dpois. O teto salarial é definido pela CBA antes do início de cada temporada, em julho, usando previsões de ganhos da liga na temporada seguinte, o BRI (Basketball Related Income), como parâmetro.

A CBA não é a “Continental Basketball Association“, liga de basquete famosa nos EUA, e sim a “Collective Bargaining Agreement“, um contrato legal entre a NBA e a Associação de jogadores que definem o salary cap e outras questões relacionadas a contratos e direitos dos jogadores.

Já o BRI, usado para definir o valor do teto, implica basicamente em tudo o que a NBA vai faturar. Isso quer dizer dinheiro de ingressos para jogos de temporada regular e playoff, direitos de transmissão para TV, estacionamento das arenas, patrocínios, dinheiro ganho por aparições de mascotes e equipes de cheerleadres em eventos, porcentagem por uso de área de propaganda nas arenas, venda do pacote de League Pass ao redor do mundo e etc, etc e etc.

Depois de analisar tudo isso o teto-salarial da temporada que vem ficou em 57,7 milhões de dólares, 1 milhão a menos do que na temporada passada. Essa queda de um ano para o outro não é normal, foi apenas a segunda vez que isso aconteceu. A primeira foi entre as temporadas 2001-02 e 2002-03, quando caiu de 42,5 milhões para 40,3. A justificativa foi que a crise econômica atual faria o dinheiro ganho pela NBA cair um bocado.

Uma característica importante do salary cap da NBA é que ele é um “soft cap“, ao contrário das ligas de hockey e de futebol americano que são “hard cap“. Isso quer dizer que o teto dessas outras ligas são duros como pedra, praticamente não tem como escapar dele, o da NBA tem um teto solar pra dar uma escapada.

As ligas com “soft cap” tem algumas exceções que fazem com que o limite possa ser ultrapassado em alguns casos. E a verdade é que quase sempre os times da NBA estão acima desse limite. Apenas 5 equipes, Grizzlies, Thunder, Clippers, Blazers e Nets, estão dentro dos 57,7 milhões estabelecidos para a temporada 2009-10.

Se dá pra escapar, por que ter um limite salarial, afinal? A sacada do “soft cap” é que você pode escapar do limite mas paga por isso, ou seja, você pode escapar mas não tanto, com o risco de ter enormes prejuízos. Isso faz com que a diferença entre a maior folha salarial da NBA hoje, do Lakers (91 milhões de dólares) e a menor, do Grizziles (53 milhões de dólares) seja de “apenas” 38 milhões. Você entende o “apenas” quando vê que na MLB, liga profissional de baseball, a diferença entre a folha salarial do NY Yakees e do Florida Marlins é de aproximadamente 165 milhões de dólares.

As punições a quem ultrapassa o teto faz essa diferença ficar menor e assim a discrepância entre os resultados também. Alguns estudos matemáticos feitos na Universidade Estadual de NT em Oswego dizem que ter maiores salários não se traduzem em vitórias na NBA (só ver que o Knicks foi o time que mais gastou na última década), ao contrário da MLB onde, entre 95 e 2001, apenas times no entre os sete maiores salários venceram o título.

A primeira mamata na hora de ultrapassar o teto salarial da NBA está no chamado “tax level” que é uma quantidade determinada pela NBA da qual os times podem ultrapassar o teto salarial sem serem punidos por isso. Para a próxima temporada esse valor será de 69,9 milhões de dólares. Ou seja, embora apenas 5 times estejam dentro do limite salarial, não são todas as outras 25 equipes que pagarão multas, serão na verdade apenas 12. Porém as 5 antes citadas dentro do teto terão benefícios que outras não terão.

Essas 12 equipes que passaram desses 69,9 milhões de dólares terão que pagar 1 dólar de multa para cada dólar excedido. Ou seja, se o Lakers paga 91 milhões de dólares em salário terá que pagar 21,1 milhões de dólares em multas para a NBA. De todo o dinheiro arrecadado cada time dentro do salary cap, aqueles 5 times, recebem 1/30 dessa grana cada, o resto do dinheiro fica para a NBA gastar com ações da própria NBA, como eventos internacionais, jogo das estrelas e em alguns casos até podem ser repassados para algumas equipes caso seja necessário, como foi no ano passado quando alguns times estavam em apuros. Atualmente equipes como o Charlotte Bobcats, o New Orleans Hornets e o Memphis Grizzlies sofrem grandes problemas financeiros. Não é à toa que o Bobcats ainda não chegou em um acordo de contrato com Raymond Felton, que o Hornets trocou Tyson Chandler por Emeka Okafor para não ultrapassar esse “tax level” e que o Memphis Grizzlies fez trocas duvidosas para ter a menor folha de pagamento da NBA.

Isso foi o básico para entender os mecanismos dos salários na NBA. Mas não é tão simples assim, pessoal, quando tem gente envolvida com grana nunca é tão simples. As regras deles são mais confusas que cabeça de mulher na TPM. Ainda temos que falar da regra do Larry Bird, da regra do Allan Houston, dos mid-leve exceptions, dos bi-annual expections, non-bird exceptions, dos limites de salário mínimo e máximo e por aí vai. Agora só espero que aquela tolice de “O Segredo” esteja certa e que falar tanto de dinheiro sirva para atrair um pouquinho pra mim.

Redação BasketBrasil
Outros artigos publicados por Redação BasketBrasil

Comentários

3 Comentários »

  1. Comentário por rasmunssen — agosto 14, 2009 @ 3:44 pm

    Muito boa explicação Denis, sempre tive dificuldades para entender essas regras salariais da NBA vamos ver se dessa vez eu aprendo a pior parte ainda está por vir.

    Qto ao livro Segredo só serve como calço para a porta do meu quarto..rsrs

    http://www.piqueemrou.blogspot.com

  2. Comentário por Andre11 — agosto 14, 2009 @ 4:22 pm

    Parabéns pela iniciativa!

    Já vinha pedindo um post assim a muito tempo. Na realidade, uma série deles, como parece que você vai fazer.

  3. Comentário por Andre11 — agosto 14, 2009 @ 4:25 pm

    Desculpe o “a muito tempo”- leiam “há muito tempo”.

    Outra. Depois, não seria o caso de falar um pouco sobre os presidentes – investidores mais importantes? Me parece que o sucesso das franquias é bastante dependente deste quesito.

    Abraço,

    André

RSS feed para comentários neste post. URL de TrackBack

Deixe um comentário

Classificação da NBB
Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina

© 2009 BasketBrasil. Todos os direitos reservados.

Sobre o BasketBrasil | Contato

BasketBrasil pela rede: Youtube | Orkut | Facebook | Twitter

Anuncie no BasketBrasil | Ajuda