Muitos analistas e torcedores americanos culpam os europeus e outros estrangeiros em geral por levar o chamado "flop" para a NBA. O Flop nada mais é do que a nossa boa e velha cavada de falta, ela pode ser aquela cavada no ataque, para ganhar lances livres, ou na defesa, para causar a falta de ataque. Mas não se pode confundir o Flop com a simples falta de ataque, falta é falta, Flop é quando não foi realmente falta e o jogador faz toda uma encenação para simula-la.
O flop, porém, levou a mídia americana a analisar e a dar maior importância para as faltas ofensivas, criando os que a adoram e acham parte essencial da defesa, e criando também os que a condenam, dizendo que não é uma maneira limpa de se jogar na defesa e que acham que a grande maioria das faltas de ataque são inventadas, Flops. Também há uma discussão enorme para saber se o número de faltas de ataque sofridas pode ser contado como um número positivo na hora de "medir" um talento defensivo.
Como esta é uma coluna sobre números, não podemos julgar quem inventa faltas e quem apenas se posiciona na defesa, mas podemos ver quem são os jogadores que mais sofreram faltas de ataque nos últimos anos, suas posições, características pessoais e da equipe de cada um.
Vamos começar pelo primeiro ano em que esses números foram contados, na temporada 2005-06.
2005-06
Nesse ano, o campeão de faltas ofensivas foi Raja Bell, que é conhecido pela sua defesa mesmo. Ele sofreu 76 faltas de ataque em toda a temporada regular, num ano em que ele perdeu três jogos apenas, ou seja, foram 76 faltas em 79 jogos, quase uma por partida. Atrás dele, com nove faltas a menos vem Andrés Nocioni, com 67. O argentino estava apenas em sua segunda temporada na liga e disputou todos os 82 jogos nesse ano, mas apenas 43 como titular.
Ainda na casa das 60 faltas na temporada estão Andrew Bogut, que estava na sua temporada de novato pelo Milwaukee Bucks, o pivô Jarron Collins do Utah Jazz e o ala Mike Dunleavy Jr, então no Golden State Warriors.
Em comum, eles têm apenas a vocação defensiva. Bell e Collins são conhecidos como especialistas na área, Bogut e Nocioni, se não são reconhecidos como no topo da liga em defesa, são famosos pelo menos como defensores dedicados e lutadores, assim como Mike Dunleavy Jr., que mesmo nunca alcançando o potencial esperado, nunca deixou de ser o chamado jogador "brigador". Essa estatística é interessante porque ela traduz em números algo que antes era vago, que falávamos basicamente das nossas memórias, que é a coisa do jogador que sacrifica seu corpo em nome do time. Seja para cavar uma falta que não foi ou para realmente tomar o contato, você apanha na hora de tomar uma falta de ataque. Todos os jogadores, para estar na liga, têm um preparo físico acima do comum para agüentar as pancadas, mas temos que lembrar que quem dá as porradas são jogadores muito fortes também.
Além desses jogadores que lideram a lista temos, seguindo de perto, Ben Wallace, Nenad Kristic, Derek Fisher, Desmond Mason, Shane Battier e Manú Ginóbili. Essa continuação até o 11º colocado talvez até tenha mais fama que a primeira parte da lista em sacrificar o corpo no campo defensivo em nome do time, Shane Battier e Fisher especialmente. A surpresa fica em Nenad Kristic, que muita gente até criticava por não ser físico o bastante quando joga, como dizem nos EUA, por ser muito "Soft" (“mole”). Com esse termo, eles falam dos jogadores que fogem, por não se sentirem confortáveis, de jogo muito bruto dentro do garrafão, perdendo rebotes e preferindo o arremesso de meia distância à infiltração.
Merecem destaque ainda na lista de 30 primeiros nos que mais sofreram faltas de ataque os pequenos Kirk Hinrich (13º, com 46), Allen Iverson (14º, com 44), Speedy Claxton (19º, com 38) e Steve Nash (23º, com 36), já que todos são armadores com um físico pouco avantajado e que mesmo assim correm o risco da contusão se colocando na frente de adversários que partem para a cesta.
Outra maneira de medir as faltas de ataque é levar em conta o número de minutos que cada um jogou ao longo da temporada, afinal, como qualquer estatística, tem sempre aquele cara que é bom no que faz, mas o faz por pouco tempo. No quesito de sofrer faltas ofensivas, quem venceu em 2005-06 foi o brasileiro Anderson Varejão, que apenas um ano depois, nos playoffs de 2007, ganhou fama por isso. Ele teve média, em seu segundo ano na liga, de 1 falta de ataque sofrida a cada 23,7 minutos.
Ele é seguido de perto apenas pelo pequeno armador Darrell Armstrong, com uma falta sofrida a cada 24,9 minutos. Raja Bell, líder no geral, ficou em 16º na lista de minutos, sofrendo uma falta ofensiva a cada 38,8 minutos. Antes dele aparecem seus concorrentes diretos na lista de total: Nocioni foi o sétimo e Ginóbili, o 13º. Também aparecem na lista bons jogadores de defesa que realmente jogavam poucos minutos, como Mark Madsen, Royal Ivey e Grant Hill.
Nesse mesmo ano, o time que mais sofreu faltas de ataque foi o Chicago Bulls, seguido de perto pelo Utah Jazz. Os dois times eram realmente conhecidos na época pela defesa forte e pelo jogo físico. O time que mais cometeu faltas de ataque foi o New York Knicks, do líder individual em cometer faltas de ataque, Eddy Curry. Comparando as duas listas, o time que mais se aproveitava disso era o Phoenix Suns, que forçou 247 faltas de ataque dos oponentes e cometeu apenas 133.
2006-07
Na temporada seguinte, a de 2006-07, a liga ganhou um novo líder em sofrer faltas de ataque. Se na temporada anterior Raja Bell tinha liderado com 77 no ano todo, dessa vez era Anderson Varejão o líder com impressionantes (e talvez insuperáveis) 99 faltas de ataque sofridas em toda temporada. Ele jogou 81 jogos no ano, seis deles como titular, e teve apenas 23 minutos por jogo. Mesmo assim, teve uma vantagem de 22 faltas ofensivas sobe o segundo colocado, o armador Devin Harris, então do Dallas Mavericks, com 77. Ele também não aparecia nem entre os 30 melhores no ano anterior. Levando em consideração os minutos, Varejão melhorou sua marca para uma falta sofrida a cada 19,5 minutos. Harris ficou bem atrás, com uma falta sofrida a cada 27 minutos.
No resto da lista dos 10 que mais sofreram faltas de ataque, vemos rostos mais conhecidos, como Bogut, Bell, Nocioni, Dunleavy e Battier. Mas entraram também na lista Steve Nash, Jermaine O'Neal e o jogador que mais evoluiu naquele ano, Monta Ellis.
Nesse ano, com a melhora de Nash e a entrada de Ellis e Harris na lista, vemos sete armadores principais entre os 20 primeiros. Além dos três citados, temos Derek Fisher, Allen Iverson, Kirk Hinrich e Smush Parker. Interessante reparar que Ellis, Nash e Parker são muitas vezes citados como alguns dos piores marcadores em suas posições na NBA. Hinrich, apesar de até já ter entrado em lista de times defensivos, também tem muitos críticos. Por isso temos que lembrar que se posicionar bem para sofrer faltas de ataque mostra um lado de talento defensivo sim, talvez um lado que até devesse ser mais respeitado nesses jogadores, mas de maneira alguma faz qualquer um deles ser melhor jogador na marcação individual, na marcação homem a homem. As faltas ofensivas, não sempre, mas geralmente, aparecem na cobertura, quando um jogador passa por seu marcador e encontra outro bem posicionado em seguida. Então Nash ser o sexto melhor do ano em sofrer faltas de ataque não quer dizer que ele na época seria mais capaz de parar Tony Parker.
O brasileiro Leandrinho aparece na lista em 30º, com 31 faltas sofridas, empatado com Jarron Collins, Kevin Martin, o famoso defensor Bruce Bowen e uma dupla de polêmicos argentinos, Manú Ginóbili e Fabrício Oberto.
Nessa temporada, com a ajuda de Leandrinho, o Suns foi o time que mais cavou faltas de ataque, 265, seguido pelo líder do ano anterior, Chicago, e o Jazz caiu para a sexta posição. O interessante na lista dos times é ver as características de cada um. Nos seis primeiros vemos Phoenix, Chicago, New Jersey, Golden State, Indiana e Utah. Sem querer fazer jabá na própria coluna, mas é 8 ou 80. Os times que mais cavam faltas são ou os que mais correm ou os mais lentos. Phoenix e Golden State, com sua correria, sempre forçam o tempo do jogo, fazendo o time adversário correr também, aí é só usar a inteligência e o bom posicionamento para se aproveitar do time que está desacostumado a jogar na velocidade. Também é o jeito mais eficiente que um time tem para parar um jogador mais alto, se você não pode o marcar no um contra um, você pode se posicionar bem e cavar a falta. Mesma coisa vale para o Warriors.
Já tanto Bulls, Nets, Pacers e Jazz têm em comum o jogo defensivo e cadenciado,mas aqui cabe uma explicação. Por que eles estão aqui no topo e outros times como o Rockets (então do técnico Jeff Van Gundy) e o Spurs aparecem mais pra baixo, sofrendo menos faltas de ataque? A minha explicação está no jogo físico. Apesar de ter o Bowen no time, famoso por marcar bem fisicamente seus oponentes, o Spurs não é um time que marca o tempo todo encostando nos seus adversários. O Duncan é um dos melhores marcadores da NBA justamente porque encosta pouco, faz pouquíssimas faltas e mesmo assim anula o jogador adversário. Mesma característica, embora com menos sucesso, de Yao Ming, do Houston. Os dois times também são ótimos em coberturas, em marcar o pick-and-roll e em limitar o aproveitamento dos 3 pontos, tudo isso faz uma grande defesa mesmo sem se expor fisicamente.
Em compensação, o Jazz é conhecido e até odiado por ter sempre jogadores que jogam grudados aos adversários, na defesa e no ataque. Eles vivem de cortes para a cesta, corta-luz, de cestas no garrafão e tudo isso deixa o jogo mais físico no ataque, e eles também levam essa pegada para a defesa, assim como o Chicago de Scott Skiles.
Como curiosidade, nesse ano Eddy Curry foi novamente o jogador que mais cometeu faltas de ataque.
2007-08
Depois de acompanhar a história recente das faltas de ataque nos perguntamos: e nesta temporada, como foi?
Bom, pra começar temos um novo líder. Varejão perdeu seu posto e caiu para a 21ª posição com apenas 33 faltas de ataque sofridas, 66 a menos que no ano anterior. Muito por causa do tempo que passou fora do time negociando contrato, claro, mas sua média de minutos, que era de uma falta sofrida a cada 23 minutos, depois uma a cada 19, nesta temporada foi para apenas uma falta sofrida a cada 40 minutos. Uma queda impressionante. Devin Harris não ficou muito atrás não, caiu de segundo para 27º com apenas 31 faltas sofridas.
Nesta temporada, o líder foi Derek Fisher, do Los Angeles Lakers, com 54 faltas sofridas. Um número bem abaixo dos líderes anteriores, Varejão com 99 e Bell com 77. Atrás de Fisher, com uma a menos, veio o constante Andrew Bogut, que desde sua temporada de novato está aí entre os que mais sofrem falta de ataque. Algumas caras conhecidas ficaram entre os líderes ainda, como Battier, Iverson, Dunleavy, Jermaine e Nocioni. Mas o Top 5 foi tomado por novas caras. Além de Fisher, o terceiro foi Mikki Moore, do Kings, o quarto Kyle Lowry, do Grizzlies, e o quinto Joel Przybilla, do Blazers. Moore se encaixa no perfil de Varejão, Nocioni e outros entre aqueles conhecidos por jogar fisicamente e sacrificar o corpo pelo time. Já Lowry foi uma grata surpresa, explicando talvez os pontos que surpreendentemente recebeu de alguns jornalistas para o time de defesa da NBA, que ele não entrou, mas recebeu votos.
Será que os americanos têm razão em dizer que os estrangeiros levaram o flop para a NBA? Como disse, não podemos julgar o que é falta verdadeira e o que é falta inventada, mas uma olhada em quantos estrangeiros temos no topo da lista pode indicar se eles pelo menos levaram a cultura da falta de ataque para a NBA.
Dos 30 jogadores que mais sofreram faltas de ataque nesta temporda, apenas oito são não-americanos. São eles Bogut, Luís Scola, Bell, Nocioni, Nash, Oberto, Varejão e Juan Carlos Navarro, sendo que destes tanto Bogut quanto Bell e Nash jogaram em universidades americanas antes de entrarem para a NBA. Se os estrangeiros levaram a cultura para os EUA, eles gostaram e aperfeiçoaram.
Quanto aos times, embora não tenha sido feita uma estatística sobre que time fez mais e quem sofreu mais faltas de ataque, é possível fazer algumas observações. A primeira é que as faltas de ataque, embora seja um número que significa um turnover, um desperdício de bola, do time adversário, não quer dizer que traduz que time é bom na defesa ou não. É apenas um número complementar, que ajuda no julgamento de que equipe tem mais talento defensivo, mas não. Tanto que na lista dos melhores, vemos jogadores dos mais diferentes times, como o Bucks de Bogut, o Kings de Moore e o Memphis de Lowry, todos times bem fracos defensivamente. E todos estão com números próximos e até maiores que Battier, Bowen ou Paul Pierce, de times que claramente são potências defensivas.
Podemos ver a mesma coisa sob outro número, o de turnovers forçados. Os times que mais forçaram erros do adversário nesta temporada foram Golden State Warriors e Denver Nuggets, porém bastou uma série de playoff para mostrar como a defesa do Nuggets não mete medo em ninguém. Em compensação, o San Antonio Spurs é o antepenúltimo neste quesito e forçam menos turnovers para o adversário que Knicks, Sonics e Heat, por exemplo. Em compensação, o Spurs é um dos melhores da NBA quando se fala do aproveitamento de arremessos dos adversários, enquanto Warriors e Nuggets estão entre os piores. Ou seja, cavar falta de ataque é forçar um erro, mas forçar erros não quer dizer que seu time é um time forte defensivamente. Embora as faltas de ataque possam mostrar uma qualidade defensiva, ela precisa andar de mãos dadas com outras qualidades para montar um time forte defensivamente. O melhor exemplo disso é o Cavs, um dos times que estão entre os melhores tanto em forçar erros dos adversários quanto em fazê-los ter baixo aproveitamento dos arremessos.
Depois de dois anos liderando a liga em faltas de ataque cometidas, Eddy Curry passou o bastão para outro pivô, Dwight Howard. O “Superman” do Orlando Magic cometeu 55 faltas de ataque na temporada, seguido por Carmelo Anthony com 52, Carlos Boozer com 49, Amaré Stoudemire com 44 e só então Eddy Curry com 43.
Outras faltas:
Mas não é só de falta de ataque que vive a NBA. Se quem sofre falta de ataque é herói, quem comete muita falta é vilão para seu time. Aqui estão os jogadores que mais cometeram os mais diferentes tipos de falta na temporada:
Falta no ato do arremesso (Shooting Foul)
1. Mikki Moore - 189
2. Andris Biendris - 175
3. Andrew Bogut - 164
4. Al Horford - 160
5. Mehmet Okur - 158
6. Josh Smith - 157
7. Nick Collison - 157
8. Amaré Stoudemire - 157
9. Samuel Dalembert - 156
10. Paul Millsap - 155
Falta fora do lance de bola (Loose Ball Foul)
É aquela falta que o jogador comete quando está atrás de uma bola que não está na posse de nenhum dos dois times. Acontece muito depois de rebotes ou tentativas de roubo.
1. Samuel Dalembert - 42
2. Tyson Chandler - 39
3. Reggie Evans - 38
4. Luís Scola - 34
5. Mikki Moore - 33
3 segundos no garrafão defensivo (Illegal Defense)
1. Kendrick Perkins - 19
2. Brendan Haywood - 18
3. Mikki Moore - 17
4. Troy Murphy - 17
5. Joel Przybilla - 15
Fontes:


Comentário por anselmot — June 22, 2008 @ 4:59 pm
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