Publicado por Redação
Por Arthur Machado
Introdução: Magic Johnson foi um dos maiores jogadores que a NBA já conheceu. Foi ele, ao lado de Larry Bird, que virou o jogo para a liga, transformando-a de uma liga sem prestígio e decadente, num sucesso, com um público fiel e audiência crescente. Foi também um inovador no basquete, fazendo jogadas nunca vistas antes e, claro, deixou saudades pelos confrontos com Bird e os Celtics nos anos dourados de sua carreira. Vamos conhecê-lo melhor.
Começo: Earvin Johnson Jr. nasceu em 14/08/1959, em Lansing, Michigan, sendo o sexto de 10 filhos de Christine e Earvin Johnson Sr. Cresceu vendo jogadores como Earl Monroe (estrela do Washington Bullets e New York Knicks nos anos 70, e que possuía um estilo semelhante ao de Magic) e Marques Haynes (do Harlem Globetrotters, um exímio driblador). Passava grande parte do seu dia em posse de uma bola de basquete, treinando seu drible.
Ganhou o apelido de “Magic” aos 15 anos, quando jogava pela escola de Ensino Médio Everett, ao fazer um triplo-duplo com 36 pontos, 18 rebotes e 16 assistências. Após o jogo, Fred Stabley Jr, um escritor esportivo do Lansing State Journal, lhe deu a alcunha por sua performance, sendo que esta o seguiria por muito tempo.
O jogo que criou o apelido:
No verão anterior ao seu último ano de escola, seu melhor amigo, Reggie Chestaine, morreu num acidente automobilístico, e sua perda foi definida por Johnson como “devastadora”. Essa perda o fez prometer ganhar o campeonato estadual de Michigan por sua escola. A escola Everett faria uma campanha de 27 vitórias e uma derrota, com Johnson tendo médias de 28,8 pontos e 16,8 rebotes por jogo, e ganharia o título estadual, com Earvin agora sendo um dos colegiais mais procurados pelos programas de recrutamento esportivo do país.
Carreira universitária: Apesar de ter sido procurado por diversas universidades poderosas no basquete universitário, como UCLA e Indiana, preferiu escolher uma universidade que ficasse próxima à sua família. Embora sua primeira opção fosse a Universidade de Michigan, optou por Michigan State, porque o técnico Jud Heatcote, dos Spartans de State, lhe prometeu que ele jogaria como armador, algo inconcebível para alguns dos técnicos da NCAA na época, visto que Magic tinha quase 2,10m de altura.
No começo, não queria jogar profissionalmente, uma vez que ambicionava trabalhar na televisão, mas acabou percebendo que tinha um talento raro para o jogo, e na sua primeira temporada na NCAA teve médias de 17 pontos, 7,9 rebotes e 7,4 assistências, e levou o time a uma campanha de 25 vitórias e cinco derrotas, ao título da conferência Big Ten e a uma vaga no torneio da NCAA, alcançando o Elite Eight, a antepenúltima fase do torneio, até perder para o eventual campeão, Kentucky.
Antes de sua segunda temporada, foi capa da conceituada revista Sports Illustrated, que listou os 10 secundaristas mais promissores do esporte nacional. Nesta temporada, Michigan se qualificou outra vez para o torneio da NCAA, com Magic tendo médias de 17,1 pontos, 7,6 rebotes e 7,9 assistências. Desta vez, os Spartans avançaram até a final do torneio, batendo, na final, Indiana State, estrelada por Larry Bird (um presságio do que estava por vir na NBA), por 75 a 64, e com Earvin ganhando o prêmio de Jogador Mais Espetacular do Final Four (similar ao MVP das Finais da NBA). Aquela partida foi o jogo de basquete universitário mais assistido da história dos EUA na época, com um índice de 24,1 pontos, recorde de porcentagem que permanece até hoje – houve jogos mais assistidos, como a final de 1993 entre North Carolina e Michigan, já que o número de domicílios com aparelhos televisivos nos EUA cresceu bastante nos últimos 29 anos, mas em termos de porcentagem das TVs do país, a marca de 79 jamais foi batida.
Momentos finais da clássica final universitária de 1979:
Após a final, declarou que entraria no draft de 1979 da NBA, e assim, encerrou sua carreira em Michigan State em alta, como um dos jogadores mais cobiçados pelas franquias da liga profissional.
Estatísticas na NCAA
Temporada Universidade Jogos PTS REB AST
1977-78 Mich. St. 30 17.0 7.9 7.4
1978-79 Mich. St. 32 17.1 7.3 8.4
Temporada de novato na NBA: Apesar de uma campanha de 47 vitórias e 35 derrotas, e de ter alcançado as semifinais de conferência do Oeste, o Los Angeles Lakers tinha a primeira escolha do draft de 1979 devido a uma troca anterior com o New Orleans Jazz. Os homens fortes da franquia californiana não queriam escolher Johnson, por não acreditar que um armador tão alto poderia acompanhar o ritmo veloz da NBA, mas Jerry Buss, o novo dono da equipe, os persuadiu a escolhê-lo. Assinou um contrato no valor de US$ 500 mil por mês, o maior já rubricado por um novato na época.
A equipe tinha em seu elenco uma lenda viva, o pivô Kareem Abdul-Jabbar, considerado por alguns, na época, o melhor jogador da liga, mas que era criticado por não conseguir dar títulos ao Lakers, em virtude da pouca ajuda no elenco ou das várias lesões que tinha. Era esperado de Magic que ele fosse a tal “ajuda”, e ele mostraria que não seria apenas essa ajuda, mas sim o principal jogador do time nos anos seguintes.
Com médias de 18 pontos, 7,7 rebotes e 7,3 assistências, foi selecionado para ser titular no Jogo das Estrelas da temporada de 1979-80, e foi também escolhido para o time dos novatos daquele ano, embora tenha perdido o prêmio de Novato do Ano para Larry Bird.
O Lakers teve uma campanha de 60 vitórias e 22 derrotas na temporada regular e chegou às Finais da NBA, contra o Philadelphia 76ers, eliminando antes Phoenix Suns e Seattle SuperSonics. Com a série sendo liderada pelo Lakers por 3-2, o sexto jogo seria disputado na Filadélfia, e LA não contaria com Abdul-Jabbar (até então com 33 pontos de média na série), que havia machucado o tornozelo no jogo 5. Paul Westhead, técnico do Lakers, decidiu arriscar: colocou Magic como pivô para começar o jogo. Magic respondeu com uma das maiores atuações já vistas na NBA, fazendo 42 pontos, pegando 15 rebotes e dando 7 assistências, e liderou o Lakers a ganhar o jogo por 123 a 107, e à conquista do titulo. Foi eleito MVP das Finais, e conseguiu então um feito até hoje não alcançado por mais ninguém: Foi o primeiro novato a ganhar este prêmio. Tornou-se também um dos quatro jogadores a ganhar a NCAA e a NBA em anos consecutivos.
Veja o jogo 6 das Finais de 1980, dividido em 16 partes
Anos bons e ruins: Na temporada de 1980-81, o pivô do Atlanta Hawks, Tom Burleson, caiu sobre o joelho esquerdo de Magic, forçando-o a ficar de fora por 45 jogos. Voltou a tempo de jogar a primeiro rodada dos playoffs, contra o Houston Rockets de Moses Malone. No terceiro e último jogo, com um desempenho desastroso, acertou apenas dois de 13 arremessos, errando também o ultimo arremesso da partida, não acertando nem o aro, e o Rockets prevaleceu por 89-86.
No ano seguinte, 1981-82, se recuperou, levando o Lakers a vencer sua divisão, e o título da liga, mais uma vez sobre o Philadelphia 76ers, mas nem tudo foi tão calmo quanto pode parecer. No começo da temporada, Paul Westhead, então técnico, queria reestruturar o time, e Johnson imaginou que, ao fazer isso, ele teria um papel menor no time, e que assim, o Lakers se tornaria um time previsível e lento. Após perder um jogo para o Utah Jazz, explodiu na coletiva de imprensa, dizendo que enquanto mantivessem Westhead no comando, ele desejaria ser trocado. No dia seguinte, Westhead foi demitido, e seu assistente, Pat Riley, assumiu o time. Os torcedores ao redor da liga não perdoaram tal insubordinação, e até os própios fãs do Lakers chegaram a vaiá-lo. Para apagar essa memória, teve médias de 18,6 pontos, 9,6 rebotes e 9,5 assistências, o mais próximo que um jogador já chegou das médias de Oscar Robertson. Juntou-se ao próprio Oscar e a Wilt Chamberlain como únicos jogadores a acumularem 700 pontos, 700 rebotes e 700 assistências numa única temporada. Foi também o líder de roubadas de bola na liga, com 2,7 por jogo, e foi votado para o Segundo Time da NBA. Para verificar os efeitos ruins de sua briga com o ex-técnico, essa foi a única vez em que Magic, exceto quando esteve machucado, não começou como titular do Jogo das Estrelas. No sexto jogo das Finais contra o Sixers, fez um triplo-duplo e levou seu segundo MVP para casa, com médias na série de 16,2 pontos, 10,8 rebotes, 8 assistências e 2,5 roubadas. Foi nessa temporada, segundo Magic, que o Lakers se tornou um grande time que todos viriam a conhecer, e deu créditos a Pat Riley por fazer isso acontecer.
Na temporada de 1982-83, teve médias de 16,8 pontos, 10,5 assistências e 8,6 rebotes, e foi finalmente nomeado para o Primeiro Time da NBA, assim como voltou a ser titular no Jogo das Estrelas, e como já dito, este posto não seria de mais ninguém até que ele se aposentasse. Los Angeles mais uma vez chegaria às Finais, mais uma vez contra o Philadelphia 76ers, só que desta vez, o favorito era o time de Julius Erving, que havia adquirido Moses Malone por troca, e que chegava à decisão com chances reais de massacrar o adversário. Com James Worthy (novato que formaria a espinha dorsal do “Showtime Lakers”, e que havia sido a primeira escolha do draft daquele ano), Bob McAdoo e Norm Nixon machucados, a equipe californiana não resistiu à boa equipe do Sixers e foi varrida, 4-0, com Malone levando o MVP das Finais.
Auge: No seu quinto ano de NBA, teve outra forte temporada, fazendo 17,6 pontos, 13,1 assistências e 7,3 rebotes por jogo. Foi nessa época que o Lakers começou a jogar um estilo rápido e gostoso de assistir de basquete, conhecido como Showtime, onde Magic armava o jogo, e passava rapidamente a bola buscando James Worthy, Michael Cooper e Byron Scott, mas quando necessário, jogava em ritmo mais lento, com Kareem sendo a principal arma do time nessas situações.
O mundo dos esportes esperava há muito tempo uma final entre Lakers e Celtics, considerados agora, em 1983-84, os dois melhores times da liga. Essa expectativa foi cumprida, e uma das melhores finais da história da liga estava prestes a ser jogada. O Lakers prevaleceu no primeiro jogo, vencendo por 115-109.
No segundo jogo, o Lakers liderava por dois pontos com 19s restando para o término e tinha a posse de bola , mas um passe de Worthy interceptado por Cedric Henderson, que concluiu com uma bandeja, empatou. O Lakers ainda tinha a chance para fazer uma cesta, mas Magic, em um de seus primeiros erros, nesta que seria uma série traumática para ele, não arremessou e apenas driblou a bola ate o fim do tempo. O jogo foi para a prorrogação, que foi vencida por Boston, 124-121.
O terceiro jogo foi dominado pelo Lakers, que ganhou facilmente por 137-104, levando um enfurecido Larry Bird a chamar seus colegas de equipe de “maricas”, o que acendeu o fogo no time do Celtics, provocados pelas palavras de sua estrela. No quarto jogo, o mais tenso da série, com várias discussões entre jogadores, empurrões e golpes baixos, com um minuto para o fim, Los Angeles liderava por cinco pontos, mas vários erros da equipe deixaram Boston empatar, incluindo um passe errado, pouco característico de Magic, pois passou diretamente nas mãos de Robert Parish quando buscava James Worthy, massacrado pela marcação do pivô. Na prorrogação, com menos de um minuto restando, jogo empatado, Magic errou dois lances livres e em seguida, Larry Bird acertou um arremesso em cima de sua marcação, e após isso, James Worthy também errou um lance livre, de dois cobrados, que poderia ter empatado o jogo. Para selar a vitória, ML Carr roubou a bola logo após um tempo pedido pelo Lakers e a enterrou, dando a Boston a vitória, 129-125. Por seus vários erros no jogo, Magic teve seu apelido trocado por “Tragic” (“Trágico”) por Kevin McHale.
No quinto jogo, num calor incrível, ainda para agravar a situação, a falta de ar-condicionado no Boston Garden levou os jogadores a terem de usar máscaras de oxigênio no banco durante os tempos, numa partida magistral de Larry Bird, que Boston levou por 121-103.
Os californianos empatariam a série no sexto jogo, 119-108, com o Lakers respondendo à intimidação física do time do Celtics, com Worthy empurrando Cedric Maxwell, que o chamara de “amarelão”depois do quarto jogo, contra o suporte da cesta.
O sétimo e último jogo se aproximava, e o velho tabu era conhecido. O Lakers nunca ganhara uma só série do Celtics, e tinha de jogar num Boston Garden enlouquecido e quente como o inferno. Boston disparou na frente, liderado por Bird e Maxwell, que fez 24 pontos, 8 rebotes e 8 assitências. Los Angeles respondeu cortando, no último quarto, uma diferença de 14 pontos para três no ultimo minuto, mas Magic, que vinha fazendo uma partida abaixo da média, perdeu a bola para Maxwell, que passou a Dennis Johnson, que sofreu falta e assim, Boston mais uma vez levou a melhor sobre o Lakers, com Magic sendo o principal culpado pela derrota da equipe.
NA PARTE 2, SEMANA QUE VEM: Magic se vinga de Bird, Lakers vira uma dinastia, armador contrai o vírus HIV, conquista o ouro olímpico e volta às quadras uma última vez
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