Publicado por Wesley Brasil
REESTRÉIA DA COLUNA “SHOWTIME”, por Thiago Rocha
Assim como é uma honra voltar a escrever para os internautas do Basketbrasil, o melhor conteúdo de basquete da internet brasileira, faço questão de marcar esse retorno com uma das melhores notícias que a temporada 2008/09 da NBA pôde dar ao basquete brasileiro: a volta por cima de Nenê. Não digo isso só pelo fato de o pivô do Denver Nuggets ter se recuperado plenamente (e felizmente) de um câncer nos testículos, mas por mostrar em quadra que pode, sim, atender as expectativas de ser um dos melhores em sua posição na liga americana. Seus números já o colocam na seleta lista dos superpivôs.
Em sua sétima temporada na NBA, Nenê conseguiu, enfim, sair da sombra de Marcus Camby, atualmente no Los Angeles Clippers. Está também livre das lesões - parece que o problema de saúde o deixou mais forte do que nunca. Como titular da posição 5 do Denver, apresenta a melhor média de pontos de sua carreira na liga, com 14,7 por partida (até dia 20 de novembro). Ele também lidera a estatística de aproveitamento nos arremessos de quadra, com 65% de eficiência.
Firmar-se como titular e estar saudável são apenas alguns dos motivos que colocam Nenê entre os melhores pivôs da atual temporada da NBA - sem contar seu salário, de US$ 10 milhões por temporada. O Denver versão 2008/09 é bem mais equlibrado em quadra do que em anos anteriores, mesmo perdendo Camby, peça-chave na defesa e na briga pela bola no garrafão. Grande parte desse equilíbrio atende pelo nome de Chauncey Billups. Ter um armador de verdade, e não Allen Iverson, que joga só para ele, deixou o ataque da equipe do Colorado bem mais consistente. O Nuggets venceu sete de seus oito jogos com o novo “cérebro”, adquirido após megatroca com o Detroit Pistons, quatro deles de forma consecutiva.
Um armador de qualidade sabe aproveitar, e muito, os pivôs, nem que seja para abrir espaço para arremessos de fora. Sorte de Nenê e do Nuggets. E do Brasil, é claro, que pode ver uma de suas esperanças de dias melhores rendendo tudo o que pode.
O curioso é que Nenê nem aparece na lista para ser votado para o All Star Game - o único brasileiro é Leandrinho. Vai dizer que Yao Ming, que com certeza deve ser titular do Oeste graças aos milhões de votos vindos da China via internet, está melhor do que ele?
Que Nenê siga nessa toada. Por tudo que passou, ele merece ter uma temporada digna de um All Star.
PICK AND ROLL
- Sem base não há sustentação. Não existe frase melhor para definir o péssimo início de temporada do sempre favorito San Antonio Spurs. Perdeu seus três primeiros jogos, o pior início dos últimos 20 anos. O aproveitamento de pontos está abaixo de 50%. O motivo maior são as lesões de dois de seus alicerces: Ginóbili e Tony Parker. Só não está pior porque Tim Duncan é diferenciado - mesmo com seu jogo chatíssimo e burocrático - e Michael Finley quebra o galho.
- Notícia boa para o Brasil só vindo da NBA mesmo. Gerasime Bozikis, presidente da CBB desde 1997 e que deve ficar mais um mandato porque não se vê movimento de oposição para o pleito do ano que vem, agora foi eleito o dirigente máximo da Assosiação Sul-Americana. Tanto poder para o homem que ajudou a conduzir nosso basquete a um poço praticamente sem fundo. Se alguém entender o mérito para essa honraria, ficarei grato em ouvir a explicação.
- Não custa lembrar que a seqüência de fracassos do basquete brasileiro vai doer no bolso da CBB. A entidade, que recebeu R$ 2,2 milhões por ano da Lei Agnelo/Piva no último ciclo olímpico, agora vai ganhar R$ 1,5 milhão/ano até 2012. Grego chiou, como se tivesse motivo, já que o critério adotado pelo COB envolve méritos e resultados. Elementos que o basquete nacional perdeu na gestão Grego.
Wesley Brasil
é diretor de arte, está no BasketBrasil desde 2005, e cuida da estratégia online do portal.
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