Esta quinta nas Finais da NBA: Doc Rivers dá uma aula a Phil Jackson

Publicado em: Colunas, Esta semana na NBA
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13/06/2008 | 3:29

Publicado por Adriano Albuquerque

Uau. As altas expectativas que todos tínhamos para as Finais da NBA de 2008 foram enfim correspondidas de verdade nesta quinta-feira, com a incrível vitória de virada do Boston Celtics, 97 a 91 sobre o Los Angeles Lakers, em pleno Staples Center de L.A. Após o primeiro jogo apresentar muita promessa e os dois jogos seguintes decepcionarem um pouco, a quarta partida foi de arrepiar, uma virada histórica do Celtics após estar atrás por 24 pontos no primeiro tempo. Pena que a série talvez tenha apenas mais um jogo restante, caso o Alviverde continue a exercer seu domínio e feche o confronto sem precisar voltar a Boston.

Foi um jogo de dois tempos muito distintos, e eu quero começar dando crédito a um cara que é criticado muito por mim e por vários outros: o técnico Doc Rivers. Antes das Finais, minha previsão era que o nove vezes campeão Phil Jackson era tão mais técnico que Rivers que isso seria suficiente para o Lakers vencer. Não sei se o espírito de Red Auerbach desceu em Doc, mas o fato é que ele mexeu melhor no time e fez os ajustes que mudaram o jogo e garantiram a vitória.

Foram simples ajustes: colocar Paul Pierce em cima de Kobe Bryant. Eddie House no lugar de Rajon Rondo. Kendrick Perkins se machucou? Então vamos de James Posey, vamos jogar com um time menor.

No primeiro tempo, Ray Allen não estava sendo bastante para segurar Kobe Bryant. É verdade, ele ainda não havia acertado nenhum arremesso, mas bateu Allen inúmeras vezes e chamou a marcação dupla, tripla, quádrupla - houve momentos em que o time inteiro do Celtics se encolheu em torno dele - e, ao contrário do jogo 3, os companheiros de Bryant estavam aproveitando o espaço. Nenhum deles mais do que Lamar Odom, que já tinha 15 pontos no intervalo. O que colocar Pierce em cima de Kobe mudou nisso? Bem, PP é, depois de Kevin Garnett, o melhor defensor do Boston, e ele tem corpo para segurar Bryant no post-up e agilidade o suficiente para ficar na sua frente. Isto diminuiu consideravelmente a necessidade de dobras na marcação.

Com Pierce em Bryant, Rivers mandou seu time ficar mais atrás nos pick-and-rolls. No primeiro tempo, o Celtics estava sendo agressivo em prender Kobe quando o Lakers fazia picks e Odom e Pau Gasol ficavam livres. No segundo tempo, o time passou a pressionar menos Kobe e marcar melhor individualmente, basicamente invertendo o approach do início do jogo: em vez de fazer o resto do Lakers jogar, vamos forçar Kobe a nos vencer sozinho. Boston foi o melhor time defensivo da temporada, então pode fazer isto.

O armador Rajon Rondo claramente sentia ainda os efeitos da lesão no tornozelo direito e não tinha a mesma velocidade para fazer cortes e penetrar, e sem essa capacidade ele é inútil para o ataque. Na defesa, a lesão também prejudicou sua movimentação lateral e o Lakers lhe atacou várias vezes. Entre um armador capenga dos dois lados e um armador capenga só na defesa, melhor ficar com o segundo, né? Eddie House não é grande coisa defensivamente, mas Derek Fisher e Jordan Farmar não são grande preocupação também, não é nada que House não pudesse dar conta. Rivers o colocou em quadra e deixou a responsabilidade de criação mais nas mãos de Pierce e Allen. House é um chutador, e com ele em quadra, o Lakers também foi forçado a marcar todo mundo mais de perto, e isso abriu a quadra para as penetrações de Pierce e Allen.

A saída de Perkins no meio do terceiro quarto, com uma torção no ombro esquerdo, também preocupou o Celtics. Rivers inicialmente lançou PJ Brown, um pivô veterano bom de defesa, mas apenas mediano no ataque. Embora Boston tenha construído boa parte de sua reação com ele em quadra, Brown ainda era o elo fraco do ataque, e seus marcadores, ora Odom, ora Ronny Turiaf, o deixavam para dobrar em KG. Entra Posey, excelente defensor e bom chutador de 3, para abrir ainda mais o garrafão. Se o Lakers marcava no mano-a-mano, Garnett tinha apenas Gasol ou Turiaf para bater; se L.A. tentava uma zona ou dobrava em alguém, o Celtics movia a bola até achar um chutador livre.

Sabe qual é o sinal claro de uma jogada de mestre? Quando o adversário muda para uma formação que nunca usou apenas para combater a sua, mesmo estando à frente. Jackson, o “Mestre Zen”, foi garoto e colocou uma formação mais baixa para igualar ao Celtics - Farmar para pôr pressão na bola em House (só que House raramente carregou a bola), Sasha Vujacic, Kobe, Trevor Ariza e Gasol. O Celtics cortou a diferença para dois pontos, e “Big Phil” começou o último quarto com Turiaf no lugar de Gasol. Colega torcedor do Lakers, é esta a formação que você quer jogando um quarto período nas Finais com seu time à frente apenas por dois pontos??

***

O time inteiro do Celtics está de parabéns por não ter desistido e voltado no jogo, mas Paul Pierce mostrou muita raça e foi o grande nome da partida. A não ser o Lakers consiga uma incrível virada - e nenhum time na história da NBA virou uma desvantagem de 3 a 1 nas Finais -, ele será o MVP (Jogador Mais Valioso) da decisão. Em todos os três jogos que Boston venceu, ele foi decisivo e cestinha da equipe; na única partida em que jogou mal, talvez um pouco contente demais por estar em sua cidade natal e provavelmente cansado por ter aproveitado a oportunidade para reencontrar muitos velhos amigos e familiares, o Celtics perdeu.

De acordo com Pierce, foi ele que pediu a Rivers para marcar Kobe, o que na verdade já deveria ter acontecido com mais regularidade na série - gastar seu talento na marcação de gente como Vladimir Radmanovic e Luke Walton é um desperdício - e ele fez muito bem o seu trabalho. “Para ser o melhor, você tem que enfrentar o melhor; eu queria enfrentar o melhor jogador do mundo”, disse Pierce à repórter Michelle Tafoya, da rede de TV americana ABC, após a partida.

Do outro lado, as mudanças feitas por Rivers ajudaram a livrar espaço para Pierce atacar, mas o jogador merece crédito por ter mudado sua atitude também. No primeiro tempo, ele parecia contente em tentar muitos arremessos de fora, como fez na terça-feira. No segundo tempo, Pierce atacou mesmo quando sabia que havia dois Lakers lhe esperando embaixo do aro. Ele conseguiu algumas belas cestas, cavou faltas importantes e deu o exemplo para seu time. Logo, Allen estava mais agressivo, Garnett estava mais agressivo e Pierce, mais confiante tanto por seu sucesso nas penetrações como na defesa de Kobe, começou a acertar mais chutes de média distância. Ele ainda foi malandro ao perceber Kobe mal posicionado e cavar uma falta numa das últimas posses do jogo, a 46s do fim, acertando ambos lances livres para ampliar a diferença a cinco pontos.

***

Ao Lakers, não resta outra coisa a dizer senão: que amarelada!!! Parece que se inspiraram na cor de suas camisas…

Onde foi parar toda a agressividade em ambos os lados? No começo do jogo, eu achava que o Lakers estava mais agressivo em ambos os lados, dobrando bem em cima de Garnett e Pierce, ajudando nas rotações, e contra-atacando com velocidade sempre que tinha uma oportunidade de transição. Lamar Odom acertou seus seis primeiros chutes e até Walton e Ariza estavam fazendo cestas! O jogo estava tão desequilibrado que eu até perdi alguns lances do segundo quarto vendo entrevistas coletivas do Campeonato Brasileiro no Sportv.

Pelo visto, não era tanto o Lakers que havia melhorado, mas o Celtics que estava um pouco prejudicado pela lesão de Rondo, e demorou para achar a forma ideal de enfrentar o rival. Quando Boston se ajeitou e começou a reagir, o resto do Lakers pareceu entrar em pânico e passou a batata quente para Kobe. “Vai, resolve aí”. Voltaram para o jogo 3. Jackson não ajudou em nada ao mexer completamente no time e só voltar com Fisher a 2min10s do fim. Apesar de marcado por Posey, mais baixo do que ele, no último período, Odom desapareceu.

Kobe fez o que pôde no ataque, mas ele também amarelou na defesa. Logo ele, o melhor defensor do time, por várias vezes no segundo tempo deixou de acompanhar seu homem e ficou olhando a jogada. O resto do Lakers é ruim na defesa. Gasol foi lento e mole demais em suas ajudas, jamais fechando o espaço para as penetrações e cometendo faltas por levantar o braço atrasado. Turiaf estava em um de seus piores dias e foi facilmente batido por Garnett algumas vezes. E aquela bandeja do Ray Allen no finalzinho… O Vujacic foi fintado e ficou na saudade, e ninguém veio para ajudar. Gasol chegou tarde; ele podia ter saído mais cedo da cobertura de KG. Se Allen passasse para Garnett, ele é longo o suficiente para pelo menos atrapalhar o chute, e na verdade, dos cinco Celtics em quadra, KG seria o que o Lakers preferiria que arremessasse, por sua notória tendência a encurtar o braço sob pressão.

Agora, Phil Jackson vai ter de reagrupar o Lakers e achar alguma forma de reagir após a primeira derrota do time em casa nesta pós-temporada. Boa sorte, Phil, você vai precisar.

***

Só espero que o Lakers não resolva jogar de branco no domingo. Ver o verde e amarelo em quadra é tão bonito. Acho que não tem outras duas equipes que combinem tão bem em quadra na NBA.

***

Não é excelente quando os árbitros ficam no lugar deles e não interferem no jogo?

Adriano Albuquerque Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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Comentários

1 Comentário »

  1. Comentário por anselmot — June 22, 2008 @ 4:51 pm

    Não foi Doc Rivers, mas sim os jogadores do Boston deu uma aula aos jogadores do LAKERS!!

    NBA ETC E TAL

    Entrem e comentem!

    http://www.nba-etc-etal.com/

    Abraços

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