Esta semana na NBA: A Classe de 2008 do Hall da Fama do Basquete

Publicado em: CAPA, Colunas, Esta semana na NBA
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5/09/2008 | 18:45

Publicado por Adriano Albuquerque

Nesta sexta-feira, acontece a introdução oficial da Classe de 2008 do Naismith Memorial Basketball Hall of Fame, ou Hall da Fama do Basquete como chamamos aqui no Brasil. A cerimônia acontece às 20h30min (horário de Brasília). Dos sete novos homenageados, seis têm relações diretas com a NBA, sendo quatro deles ex-jogadores. Vamos falar deles na coluna desta semana.

O principal nome da classe é o pivô Hakeem Olajuwon, cuja trajetória foi bem coberta na nossa coluna Biografias. O jogador originário de Lagos, Nigéria, foi um dos maiores (literalmente) nomes do basquete internacional nos anos 80 e 90, marcando época na cidade de Houston por suas atuações tanto pela universidade local quanto pelo Houston Rockets da NBA, onde conquistou dois títulos, em 1994 e 95, um prêmio de MVP (Jogador Mais Valioso) da temporada em 1994 e dois MVPs das Finais. Olajuwon ainda é o líder em tocos da NBA em todos os tempos, com 3.830, perseguido ainda de longe por Dikembe Mutombo, com 3.278. A coroação de sua carreira veio em 1996, quando, reconhecido como cidadão americano, disputou os Jogos Olímpicos de Atlanta-1996 e conquistou a medalha de ouro pela seleção dos Estados Unidos.

Apelidado “The Dream” (”O sonho”), Hakeem impressionava por sua agilidade e leveza incomuns para um homem de sua estatura. Até hoje, os torcedores do Rockets rezam para encontrar um jogador com a mesma capacidade no garrafão, e Olajuwon já foi até recrutado para treinar o chinês Yao Ming. Ao fazer uma compilação dos melhores momentos da carreira dele, o site oficial da NBA achou tão difícil montar apenas um Top 10 que resolveu publicar dois mixes de vídeos. Veja ambos aqui:

Top 10 do Olajuwon

Mix com outras grandes jogadoras de Hakeem

O segundo nome mais famoso da classe de 2008 é Patrick Ewing, maior ídolo do New York Knicks nos anos 80 e 90. O pivô foi outro jogador nascido fora dos EUA, na Jamaica, mas que representou o “Team USA” nas Olimpíadas, primeiro como universitário em Los Angeles-1984, depois como parte do histórico “Dream Team” original que encantou o mundo e levou o ouro nos Jogos de Barcelona-1992. Ewing foi o melhor jogador universitário de sua era, levando a universidade de Georgetown a três finais nacionais em seus quatro anos e conquistando o título em 84, contra o Houston de Olajuwon - Hakeem teria sua vingança na NBA, em 94, quando derrotou o Knicks nas únicas Finais que Ewing disputou em sua carreira (ele estava no elenco quando o New York chegou à decisão de 1999, mas, lesionado, não jogou). Ewing foi tão bom em sua carreira universitária que a NBA criou a loteria do draft exatamente para prevenir que as equipes perdessem jogos de propósito para ganhar a primeira escolha e selecioná-lo (o que, convenhamos, não funcionou muita coisa).

Olajuwon e Ewing protagonizaram diversos duelos em suas carreiras

Mesmo com a mudança, ainda hoje há controvérsias sobre um esquema para beneficiar o Knicks, franquia-chave da NBA. No final das contas, Ewing jamais conquistou um título da liga, freqüentemente esbarrando no Chicago Bulls de Michael Jordan em seu caminho às Finais. Apesar disso, Ewing teve uma carreira profissional brilhante, com 11 participações no Jogo das Estrelas, o prêmio de Calouro do Ano de 1986, inclusões no Primeiro Time da NBA em 1990 e no Segundo Time em outras seis ocasiões, e foi considerado um dos 50 melhores jogadores da história no aniversário de 50 anos da liga. Teve médias de 21 pontos, 9,8 rebotes e 2,4 tocos por jogo na carreira, compilando totais de 24.815 pontos, 15º na história da NBA, 11.607 rebotes, 22º, e 2.894 tocos, sexto de todos os tempos.

Top 13 de Ewing na NBA

Assim como Ewing, o ala-armador Adrian Dantley nunca conquistou um título da NBA. Um dos maiores cestinhas da liga em todos os tempos, atualmente 18º com 23.177 pontos, Dantley esteve às portas de um título quando jogou pelo Detroit Pistons, entre 1986 e 89. Em 88, o time tinha vantagem de 3 a 2 contra o Los Angeles Lakers nas Finais e esteve à frente nos últimos quartos dos dois jogos seguintes, mas sofreu a virada do time angelino, que conquistou o bicampeonato. Em 89, Detroit conquistaria seu primeiro título, mas sem o ala-armador, que foi trocado com o Dallas Mavericks por Mark Aguirre no meio do campeonato.

Acabou sendo uma pequena decepção já próximo do final de uma grande carreira. Dantley se destacou como ala pela universidade Notre Dame entre 1973 e 76, tornando-se o segundo maior pontuador da história da instituição com 2.223 pontos, além de ser o recordista em lances livres tentados (769) e acertados (615). Como calouro, foi um dos protagonistas de um dos maiores jogos da história do basquete universitário americano, a primeira derrota de UCLA após uma invencibilidade de 88 jogos. Dantley foi o jogador universitário do ano em 1976, ano em que disputou os Jogos de Montreal e conquistou a medalha de ouro pelos EUA. No mesmo ano, foi o sexto selecionado do draft da NBA, pelo Buffalo Braves, e foi Calouro do Ano em 77. Apesar disso, o ala-armador foi trocado e não se firmou nem no Indiana Pacers, nem no Lakers, finalmente encontrando seu espaço com o Utah Jazz em 1979.

Dantley em três momentos: com o Pistons (esq), Jazz (centro) e Mavs (dir)

No clube de Salt Lake City, ele foi duas vezes cestinha da liga, seis vezes All-Star e duas vezes incluído no Segundo Time da NBA, produzindo média superior a 30 pontos em cada uma das temporadas entre 1981 e 84. Após sete anos em Utah, se juntou ao forte time do Pistons, que contava ainda com Isiah Thomas, Joe Dumars, Vinnie Johnson, Rick Mahorn e Bill Laimbeer. Após a troca para Dallas, jogou mais duas temporadas, se aposentando após 10 partidas com o Milwaukee Bucks em 91.

Melhores momentos da carreira de Dantley

Há ainda Pat Riley, que foi campeão da NBA como jogador do Los Angeles Lakers, mas deixou sua marca e é introduzido ao Hall da Fama por suas contribuições como treinador. Riley foi considerado, na ocasião do aniversário de 50 anos da NBA, um dos 10 melhores técnicos da história da liga, e tem cinco anéis de campeão nesta função: com o Lakers em 1982, 85, 87 e 88, e com o Miami Heat em 2006. O único time em que não foi campeão foi o Knicks, que comandou entre 1991 e 95, durante o auge de Ewing. Na época, New York travou batalhas épicas com o Bulls e muito do fascínio pelo confronto vinha também do duelo de mentes no banco, entre Riley e o “Mestre Zen” Phil Jackson, que acusava o rival de incitar seus jogadores a usarem violência para intimidar o Bulls. Apesar de sair sem um anel, Riley levou o time às Finais de 1994, em que teve vantagem de 3 a 2 antes de sofrer a virada do Rockets. Riley foi três vezes Técnico do Ano da NBA.

Jogadores do Miami Heat de 2006 falam de Riley como líder motivador

Pat Riley posa junto a Patrick Ewing em sua época de técnico do New York Knicks

Momentos da carreira de Riley como treinador

Os outros homenageados com ligações com a NBA são o comentarista e ex-treinador Dick Vitale e o contribuidor Bill Davidson. Ambos estão relacionados entre si: Davidson é proprietário maioritário do Detroit Pistons desde 1974 e contratou Vitale como técnico da equipe para a temporada 1978-79. Vitale, entretanto, só venceu 34 jogos e perdeu 60 em sua curta passagem pelo time, sendo demitido com apenas 12 jogos passados em sua segunda temporada. Dickie V, como é conhecido nos EUA, ficou mais famoso por suas participações histriônicas como comentarista do basquete universitário americano, repleto de jargões e frases de efeito. Apesar de ser amado e odiado por muitos, o comentarista se tornou sinônimo com basquete universitário e um dos rostos mais reconhecíveis da TV a cabo americana, ajudando a popularizar as transmissões do canal ESPN desde 1979, na época ainda em busca de afirmação.

Davidson ajudou a colocar o Pistons, um dos times mais fracos e ignorados da liga em suas primeiras décadas, entre as franquias de ponta da NBA. O clube foi o primeiro entre as ligas profissionais americanas a ter seu próprio avião, o Roundball One, que, em 1998, foi substituído pelo Roudnball Two, uma versão modernizada com 42 assentos de luxo e sistema de vídeo. Em 1988, inaugurou o Palace of Auburn Hills, uma das maiores arenas da liga, e Davidson contribuiu para manter o basquete como esporte de massa na cidade, mesmo frente à competição de três outros times profissionais. O Pistons foi a franquia de melhor comparecimento de torcida na NBA na temporada 2007-08, com sua lotação de 22.076 pessoas esgotada em todas as partidas, e o Detroit Shock, também de propriedade de Davidson, esgotou a capacidade da arena para o terceiro jogo das Finais de 2003, contra o L.A. Sparks, batendo o recorde de público em uma decisão da WNBA. O “velhinho”, que senta na lateral da quadra em todos os jogos do Pistons, é o único proprietário de esportes profissionais americanos a ser campeão em três ligas diferentes: Tricampeão da NBA com o Pistons em 1989, 90 e 2004, bicampeão da WNBA com o Shock em 2003 e 2006, e campeão da NHL, liga de hóquei no gelo, com o Tampa Bay Lightning em 2004.

A única mulher da classe é Cathy Rush, ex-treinadora do time feminino da pequenina universidade Immaculata, de Filadélfia. Na época com apenas 500 estudantes, Immaculata colocou seu nome no mapa graças ao time comandado por Rush entre 1972-77, que conquistou o tricampeonato nacional em 1972, 73 e 74 e foi à decisão outras três vezes. Em sua carreira, Rush teve apenas 15 derrotas e 149 vitórias, um aproveitamento de quase 91%, e treinou a seleção americana feminina que conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1975. Os feitos de Rush e Immaculate ajudaram a popularizar o basquete feminino no estádio da Pensilvânia, e ela foi aceita no Hall da Fama estadual e no Hall da Fama do Basquete Feminino, do qual também fazem parte as brasileiras Hortência e Paula.

Adriano Albuquerque Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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