Esta semana na NBA: A revolução dos sextos homens

Publicado em: Colunas, DESTAQUES, Esta semana na NBA
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30/08/2008 | 18:33

Publicado por Adriano Albuquerque

É claro que todo jogador quer ser titular; se você está lá sendo pago para jogar, você quer estar em quadra e não simplesmente olhando no melhor assento do ginásio. Mas o que vimos na última temporada com a ascensão de Manú Ginóbili como “sexto homem especialista” pelo San Antonio Spurs pode ser o início de uma revolução na posição, que teve grande desenvolvimento nestes Jogos Olímpicos de Pequim-2008.

Se na NBA víamos Ginóbili entrar e tomar o comando do time, em Pequim tivemos várias seleções com jogadores desempenhando funções parecidas. Dwyane Wade pelos Estados Unidos; Theo Papaloukas pela Grécia; Ricky Rubio pela Espanha; Carlos Delfino pela Argentina; e no feminino, Amaya Valdemoro fez o mesmo papel pela Espanha e Becky Hammon teve seus momentos como “sexta mulher” da Rússia. São jogadores que não são meros reservas e nem entram para mudar o ritmo do jogo, como por exemplo faz o Leandrinho no Phoenix Suns e fazia o Earl Boykins no Denver Nuggets (e outros trocentos times pelos quais passou). Antes, a definição clássica de sexto homem era isso, o cara que entrava para dar uma nova cara ao time. Dá até para dizer que Rubio faz isso também, mas não é só isso que ele traz.

São jogadores que jogam 30 ou mais minutos e mantém o ritmo e estilo de jogo da equipe, são tão talentosos ou mais que os titulares de suas posições e tornam-se o foco da equipe assim que entram. Papaloukas, Rubio e Hammon entravam para comandar a armação de suas equipes. Wade, Delfino e Valdemoro já tinham uma função ainda mais parecida com a de Ginóbili no Spurs, de entrar e se tornar ponto focal das jogadas ofensivas da equipe. Na defesa, são jogadores com permissão para arriscar o roubo no perímetro e puxar contra-ataques.

Muitos acreditam que D-Wade foi o MVP dos EUA na reconquista do ouro, enquanto Delfino teve suas madrugadas de Ginóbili, acertando tudo, Rubio virou jogos para a Espanha e comandou o time competentemente na final olímpica e Valdemoro era claramente a melhor jogadora entre as espanholas, ao lado de Anna Montañana e, às vezes, Alba Torrens. Papaloukas rendeu abaixo do esperado, mas sua contribuição como sexto homem já está bem documentada por seus feitos nos últimos quatro anos com a Grécia e pelos seus feitos na Euroleague. Hammon também não lidou bem com a função nos Jogos e melhorou quando entrou no time titular russo.

Podem contar que os sextos homens vão dar as caras nesta temporada da NBA também. Por que você acha que o Houston Rockets buscou Ron Artest? Ele pode sair do banco e jogar de 35 a 40 minutos. Manter a intensidade defensiva quando Shane Battier ou Tracy McGrady precisarem descansar, dobrá-la quando Battier e Yao estiverem ao seu lado, e é capaz de criar oportunidades de contra-ataque e chutar. James Posey foi parte importantíssima dos títulos do Miami Heat em 2006 e do Boston Celtics neste ano, e agora vai reforçar o banco do New Orleans Hornets, que sofreu fora de casa contra o Spurs. A torcida do Detroit Pistons pensa em Rodney Stuckey como o novo armador titular, mas ele talvez possa continuar saindo do banco, mas ficar em quadra por 35 minutos e manter Chauncey Billups e Richard Hamilton frescas para o final do jogo. Por outro lado, o Atlanta Hawks está preocupado agora que perdeu seu sexto homem, Josh Childress, para a Europa.

Isso significa que você deve sempre guardar um de seus quatro melhores jogadores no banco sempre? Claro que não. É claro que há questões de química e entrosamento envolvidos, de os reservas abraçarem a causa e entenderem o que trazem para a partida, jogarem bem mesmo entrando frios em quadra. Não adianta pegar qualquer jogador talentoso e colocar no banco. O técnico tem de saber usar essas peças extras, manusear seus egos.

O que acontece é que o basquete hoje é disputado em alto nível físico, muito atleticismo e força, e as peças de reposição ganharam ainda mais importância. Não preciso lhe dizer que times de um ou dois grandes jogadores somente não ganham mais campeonatos; no basquete profissional de nível internacional, nem cinco grandes titulares são suficientes mais. Detroit tem o quinteto titular mais entrosado e bem-armado da liga, e nos últimos três anos não conseguiu chegar. A Argentina tinha um quinteto praticamente todo NBA em Pequim e perdeu de 20 para os EUA. Vale a mesma coisa que no Campeonato Brasileiro de futebol: é preciso um elenco forte.

Uma rotação de sete jogadores desgasta demais o time. Se você vir o Boston desta temporada, a equipe ia de 1 a 9 em jogadores capazes. O Big Trio, Rondo e Perkins, Posey, Powe, PJ Brown, Sam Cassell/Eddie House (cada dia era um). Na Olimpíada, tanto croatas quanto gregos e lituanos tinham elencos ótimos de 1 a 9; os argentinos também tinham a mesma quantidade, mas perder Ginóbili foi um golpe decisivo contra os EUA, que ia de 1 a 11 (o Michael Redd não mostrou a que veio em Pequim). A Espanha ia de 1 a 12, mas a lesão em José Calderón a deixou em igualdade numérica com os americanos, e aí a maior qualidade do time do Tio Sam falou mais alto. No feminino, a Austrália tinha 3 jogadoras excepcionais, 2 muito boas e 4 ou 5 capazes. As duas craques, Penny Taylor e Lauren Jackson, senitram os efeitos de lesão e não foram páreo para o elenco completo de 12 craques americanas.

Portanto, quando for buscar os favoritos ao título da NBA ou da Euroleague neste ano, não busque somente os times com o melhor jogador ou jogador mais diferenciado. É o elenco mais balanceado que provavelmente vai estar nas primeiras posições no final do ano.

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Quanto ao Rubio, ele é demais, um jogadoraço, mas me lembra o Sebastian Telfair. Como se pode ver no documentário “Through the Fire” que retrata o último ano de Ensino Médio do Telfair, ele era o mesmo tipo de jogador, um armador veloz de personalidade para criar lances bonitos e passes perfeitos, além de boa capacidade defensiva… Mas sem um arremesso decente. Chegou na NBA, o arremesso faz uma falta danada. Claro, “Bassy” fez tudo contra moleques de 17 anos, enquanto Rubio estava fazendo isso nas OLIMPÍADAS, o que mostra que ele talvez esteja melhor preparado para os rigores de enfrentar os homens da liga americana, mas se desenvolvesse um arremesso confiável, ia virar a evolução do Tony Parker.

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A NBA precisa rever seu Acordo de Negociações Coletivas (CBA) logo. Não digo isso só pelo pequeno êxodo europeu ou por causa dos garotos que só ficam um ano na faculdade, mas por causa da troca indiscriminada de jogadores-fantasma na liga. Durante a temporada passada, foi o Keith Van Horn, que apesar de aposentado há dois anos foi incluído na troca que enviou Jason Kidd ao Dallas Mavericks apenas para acertar os números da negociação.

Agora, nesta semana, o New York Knicks usou os direitos de draft sobre Frédéric Weis - se lembra dele? - para obter o primogênito de seu maior ídolo nos anos 90, Patrick Ewing. O francês Weis foi selecionado com a 15ª escolha do draft de 1999, ridicularizado pela imprensa nova-iorquina; jogou uma liga de verão pelo time, foi mal à beça e nunca mais pisou nos Estados Unidos, jamais assinou com o time. Apesar de passar pelo Unicaja Málaga e jogar ao lado do Marcelinho Huertas no Iurbentia Bilbao na última temporada, ficou mais conhecido pela humilhante enterrada em que Vince Carter saltou sobre seus 2,18m de altura nas Olimpíadas de Sydney-2000. Hoje com 31 anos de idade, dificilmente vai pisar na NBA algum dia.

De que ele vale para o Houston Rockets? A não ser que o time esteja pensando num Plano C caso Yao Ming quebre a perna de novo e Dikembe Mutombo resolva finalmente se aposentar, não vale nada. Não que valha muita coisa para o Knicks também - o Ewing Jr. é um ala-pivô cuja grande contribuição na universidade Georgetown foi ser o Sexto Homem do Ano (olha o sexto homem aí de novo) na confereência Big East da NCAA. Ele nem começou a carreira profissional ainda e já foi trocado duas vezes - antes do Rockets repassá-lo ao Knicks, Ewing Jr. foi selecionado na segunda rodada do draft pelo Sacramento Kings e incluído na troca que mandou Ron Artest para Houston.

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Parece que a Fiba está decidida a ampliar o número de times masculinos nos Jogos Olímpicos de 12 para 16 já em Londres-2012. Vamos ver se o Brasil vai ter bala para entrar numa dessas quatro vagas extras… Se em Pequim fossem 16 times, será que, mesmo com Leandrinho, Nenê, Varejão e cia, conseguiríamos bater Eslovênia, Porto Rico, França, Itália e Turquia por um lugar? Lembrem-se que fomos 17º no Mundial do Japão-2006… Mantenho minha fé e torcerei, é um novo ciclo e temos tudo para evoluir, só estou lembrando este fato.

Adriano Albuquerque Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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