Publicado por Adriano Albuquerque
O período de negociação com jogadores de passe livre começou na terça-feira na NBA, mas o acordo mais importante do mercado já aconteceu logo na quarta: o acordo entre o governo de Seattle e os proprietários do SuperSonics, que pagarão US$ 75 milhões para tirar a franquia da cidade imediatamente e mudar para Oklahoma City, deixando o nome, logo, cores e história do time original lá.
Ou seja, agora temos uma franquia de passe livre, embora seu acordo com OK-City já esteja firmado há muito tempo, através de seu grupo de proprietários oriundos da cidade, liderado por Clay Bennett. Só que o clube não tem mais nome, não tem mais cores, não tem nem história. É essencialmente uma nova franquia totalmente. Ora, não era mais fácil simplesmente ter dado uma franquia nova, zerada para Bennett e Oklahoma logo de cara, em vez de tirar o clube de Seattle e fazer todo esse drama?
Nem tanto. É só ver as declarações do comissário da NBA, David Stern, após o acordo entre Sonics e Seattle: se a cidade quiser ter um novo time e recuperar seu SuperSonics, precisa ter um plano de renovação da KeyArena - ou de construção de um novo ginásio - em até 18 meses. Esse seria o primeiro passo em um processo que, segundo Stern, pode levar até cinco anos - cinco! - e que inclui contratação de pessoal, avaliação de jogadores, um draft de expansão da liga e, enfim, a seleção no draft geral, em que o Sonics poderia ter, no máximo, a segunda escolha, e não teria nem jogadores nem outras escolhas para usar em trocas. Seu teto salarial, nas duas primeiras temporadas, também é inferior ao resto da liga. Tudo isso antes de jogar a primeira partida.
Nós vimos este processo recentemente, nesta década, com o Charlotte Bobcats. Após quatro anos, o Bobcats ainda não conseguiu nem sentir o cheiro da pós-temporada, e já está em seu terceiro técnico. O time não tem superastros ou mesmo astros - Gerald Wallace é uma maravilha atlética e estatística, mas ainda não se firmou como grande nome, e o pivô Emeka Okafor ainda não provou ser o franchise player que se esperava. O último time de expansão a ser campeão foi o Miami Heat, em 2006 - 18 anos após ser fundado.
O “seqüestro” do Sonics, por sua vez, levou apenas dois anos. Em dois anos, Bennett comprou a franquia, alienou os torcedores e a cidade com seus “apelos” por uma arena multimilionária, não precisou construir uma nova arena porque sua cidade-alvo tinha acabado de provar que poderia receber um time da NBA - quando hospedou o New Orleans Hornets por duas temporadas no Ford Center. Em vez de participar de um draft de expansão e escolher entre os “rejeitados” da liga, Bennett pegou um elenco formado, com alguns jogadores de qualidade e futuro, peças de troca, escolhas livres no draft e uma folha salarial sem restrições extras. Talvez, após uma temporada ruim nas últimas colocações da duríssima Conferência Oeste, o Sonics não esteja muito avançado no caminho de um título, mas pelo menos não está na estaca zero, onde estaria se fosse uma franquia totalmente nova.
Agora, sem todo o circo que tumultuou a temporada do clube neste ano, o time de Bennett só vai precisar se concentrar em jogar basquete, com uma platéia completamente nova, empolgadíssima por ter uma equipe profissional toda sua - não que os torcedores de Seattle não fossem ótimos, mas os últimos dois anos foram mais sobre preocupação e engajamento do que sobre o que acontecia em quadra. No máximo, alguns torcedores farão protestos em outras arenas - quem sabe os torcedores de Seattle viajem para Portland, que é ali pertinho, para protestar quando Oklahoma City visitar durante a temporada - mas todo o drama deve ficar no passado, em Seattle, junto com as cores, uniformes, logos e história do SuperSonics.
É exatamente como ser um jogador de passe livre que muda de time. Você pega um jogador pronto, já experiente, que deixa uma história com outro clube para trás e vai jogar frente a uma nova torcida, em vez de pegar um novo talento no draft, um cara que ainda tem de aprender as diferenças da NBA para o basquete colegial ou universitário ou internacional.
Mercado de passe livre
Legal o Baron Davis assinar com o Los Angeles Clippers, mas se o Elton Brand assinar com o Golden State Warriors, de que adianta? Eles deveriam ter combinado isso melhor, não acham? Será que se o Brand anunciar que vai pro Warriors, o Davis volta atrás e assina com G-State também?
Passe livre mundial
Falando em passe livre, as Olimpíadas viraram uma competição de free agents, hein? Chris Kaman representando a Alemanha, Becky Hammon jogando pela Rússia… Nós já estamos acostumados a ver brasileiros jogando futebol por outros países, como recentemente o Marcos Senna, campeão europeu com a Espanha - aliás, na Eurocopa tinha o Mehmet Aurélio na Turquia, o Deco e o Pepe em Portugal, o Kuranyi na Alemanha…
No basquete é que a prática está se popularizando. Alguns americanos já jogaram por outros países distantes antes, mas agora há cada vez mais. Será que faria alguma diferença para nós? Melhor não, né?? Imagina o que o Oscar ia achar disso!!! (Calma, Oscar, é só uma brincadeira, eu também não gosto da idéia…)
Marquinhos
Desejemos toda a sorte do mundo ao Marquinhos (enquanto não acontecer nada de novo, aposentei o apelido “polêmico”), que vai tentar voltar à NBA jogando a liga de verão de Las Vegas com o Phoenix Suns. Essas ligas são um ponto razoável de partida para se jogar nos Estados Unidos, mas também geram muitas oportunidades na Europa. Aí vai caber ao lateral brasileiro decidir o que é melhor para ele. Que ele tenha grandes atuações e volte a brilhar e mostrar a promessa que exibiu nos Jogos Pan-Americanos do Rio-2007 e em ação pelo Pinheiros na SuperCopa.
Adriano Albuquerque
Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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