Publicado por Adriano Albuquerque
Se você já acessou o site oficial da NBA nos últimos dois anos, sabe que a liga usa um sistema de Flash para circular por cinco manchetes diferentes durante o dia, certo? Bom, ao acordar hoje (sexta-feira, 11 de julho) e acessar o site, quatro das cinco matérias destacadas incluíam jogadores em novos times: a primeira tinha Elton Brand com a camisa retrô do Philadelphia 76ers e Baron Davis com o uniforme do L.A. Clippers; a segunda mostrava Jermaine O’Neal segurando a camisa do Toronto Raptors, cercado pelo técnico Sam Mitchell e o gerente geral Bryan Colangelo; a terceira era dos calouros OJ Mayo e Darrell Arthur com o uniforme do Memphis Grizzlies - ambos foram selecionados por outros times no draft e enviados para a equipe em trocas; e a quarta tinha a dupla Bobby Simmons e Yi Jianlian sendo apresentada pelo New Jersey Nets. Sinal de que a offseason está movimentada.
Geralmente, a offseason é a parte mais chata do ano. Muita especulação e pouca ação, mais até do que aquele período antes do prazo final de trocas da temporada. Se é chato para o leitor e torcedor, que quer ver a bola subir logo e os jogos começarem, imagina para o repórter, que tem de ler e escutar toda essa boataria e tentar desvendar fato de invenção, e às vezes tem de repassar a especulação por falta de assunto. Então, é muito bom quando coisas acontecem pra valer, jogadores trocam de times e interferem com a balança do poder na liga. Pra quem gosta de sonhar com o futuro, esta offseason tem sido um prato cheio.
A princípio, parece que o equilíbrio Leste-Oeste vai melhorar um pouco. É verdade, todos os anos temos esta impressão, mas nunca esteve tão palpável quanto agora. Primeiro, porque o melhor jogador do mercado de free agents, o ala-pivô Elton Brand, assinou com o 76ers, transformando um time que era “decente” numa potencial máquina, que tem um armador que distribui bem a bola e sabe chutar, um ala-armador explosivo, um ala em ascensão, um ala-pivô confiável no poste baixo e de média distância, um pivô de raça, bloqueador e reboteiro, e um banco com vários garotos promissores. A única coisa que falta de verdade para o Sixers se tornar um favorito é um especialista de longa distância - e olha só, o James Posey ainda está disponível no mercado…
Então, ao contrário do ano passado, em que Boston Celtics e Detroit Pistons estavam um passo a frente de todo o resto da conferência, já podemos acrescentar o Orlando Magic, que deu um passo enorme nos playoffs deste ano e só tem a melhorar com mais um ano juntos e a chegada do Mickael Pietrus, o Cleveland Cavaliers que é sempre perigoso com o LeBron James, e o Sixers. E o Raptors pode também dizer que está neste grupo: já havia se mantido num nível bom nesta temporada, e agora tem José Calderón livre para comandar o time como armador principal e Jermaine O’Neal ao lado de Chris Bosh, uma dupla de garrafão formidável. Com Jamario Moon, Carlos Delfino, Anthony Parker e Jason Kapono prontos para aproveitar as sobras nas alas, Toronto tem perigos em todos os cantos. E olha que coisa: a Divisão Atlântico, que agüentou piadas por tantos anos, tem de novo três times de nível, mais o New Jersey Nets que eu acho que vai surpreender muita gente com um Yi Jianlian mais à vontade e alguns novatos promissores.
Some o Miami Heat, com um ano inteiro de Dwyane Wade e Shawn Marion juntos, mais a promessa que Michael Beasley e Mario Chalmers demonstraram na Liga de Verão de Orlando, e você tem um time de playoffs. O Washington Wizards mantém a base que perdeu para o Cleveland Cavaliers por três anos seguidos nos playoffs; quem não garante que a quarta vez é a que dá certo? E o Chicago Bulls buscou o Derrick Rose no draft e tem agora uma carta na manga para obter o talento de garrafão que busca há anos; pode usar ou Ben Gordon ou Kirk Hinrich em uma troca e conseguir alguma coisa boa.
Outra razão é que a disputa entre Clippers e Warriors caiu bem naquela máxima de “dividir para conquistar”: Golden State foi a “nona força” do Oeste em 2007-08, e parecia ceder o posto ao Clippers quando os angelinos roubaram Baron Davis. O Warriors respondeu capturando Corey Maggette do Clippers, e Brand, disputado por ambos, acabou no Leste. L.A. provavelmente continuará no mesmo nível do ano passado, Golden State deve cair um pouco, e repentinamente o Oeste não parece tão profundo quanto antes. Entre os times fortes da conferência, a melhor contratação até agora foi do Houston Rockets, que pegou o veterano Brent “Bones” Barry do vizinho San Antonio Spurs para dar mais opções ofensivas ao técnico Rick Adelman e abrir a quadra para Yao Ming.
O melhor de tudo é que tudo isso aconteceu apenas na primeira semana do mercado. Ainda teremos muitas assinaturas, trocas de pânico e movimentações. Os boatos não param de circular, e está claro que, no Leste, o Pistons e o Celtics terão de fazer alguma coisa para manterem-se no topo. É esperar para ver.
Adriano Albuquerque
Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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