Esta semana na NBA: O Celtics foi melhor, o Lakers foi uma ilusão de ótica

Publicado em: Colunas, DESTAQUES, Esta semana na NBA
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20/06/2008 | 0:02

Publicado por Adriano Albuquerque

O novo “velho” campeão da NBA foi coroado nesta terça-feira, com a humilhante, esculachante, determinante, acachapante vitória do Boston Celtics sobre o Los Angeles Lakers no Jogo 6 das Finais da NBA, 131 a 92 em casa, fazendo 4 a 2 na série melhor-de-sete. Não poderia ser mais justo, não só pela série em si, em que o Celtics foi claramente o time superior, mas por toda a temporada 2007-08. Embora tenha sido uma das mais disputadas e brigadas dos últimos tempos, desde o seu início já se tinha a impressão de que seria o ano do Boston.

Mas se já se tinha essa impressão, por que diabos eu apostei no Lakers antes do início do confronto? Por que eu coloquei Lakers 4 a 2 e genuinamente acreditei que Kobe Bryant e Phil Jackson seriam suficientes para superar o Celtics?

Não sei, o Los Angeles Lakers tem algo de hipnotizante que, quando embala, parece que vai passar por todo mundo. Talvez seja culpa da imprensa americana e da liga, que criam o oba-oba em cima do Lakers. Eu outro dia discutia com meu irmão os times grandes brasileiros de futebol correspondentes aos times da NBA e cheguei à conclusão que o Lakers é igual ao Flamengo. Pode ver como todos os paralelos estão lá: os dois times jogam em cidades litorâneas e cosmopolitas, onde está o grosso e o fino da produção artística do país; ambos têm as maiores torcidas, e por isso mesmo ambos têm muitos torcedores casuais que entram no bonde nos bons momentos, mas o time nunca fica sem torcida; ambos são beneficiados rotineiramente pelas arbitragens e são “queridinhos” da imprensa; e como se isso tudo não fosse suficiente, ambos tiveram seus ápices nos anos 80, com as eras Magic/Zico.

(E se você ficou curioso pra saber o resto, eu decidi que o Knicks é o Corinthians e o Spurs é o São Paulo, mas não consegui avançar muito em relação ao resto. Dê suas opiniões sobre que time é igual a qual nos comentários!)

Desde que Pau Gasol chegou ao Lakers e o ataque do time passou a fluir com tanta facilidade e rapidez, fiquei deslumbrado com a equipe. Acreditei em seu potencial e banquei. No final da temporada, o Celtics já havia mostrado que era o melhor time da liga e eu mesmo reconheci isto, os colocando na primeira posição do Ranking de Forças pelos últimos dois meses, mas a performance pífia nas duas primeiras rodadas dos playoffs reergueram minhas dúvidas sobre se o time estava preparado para vencer nos playoffs. Já L.A. passeou contra o Denver Nuggets e dominou o Utah Jazz a maior parte do tempo, dando a impressão que os jogos mais próximos da série foram mais frutos de desatenção e conforto com boas vantagens do que um sinal de problemas maiores pelo caminho. A série contra o Spurs, com uma vitória mais diferente da outra, me deu a impressão que o Lakers era versátil o suficiente para se adaptar a qualquer situação.

Aparentemente, não para se adaptar a enfrentar um time melhor. E isso é exatamente o que o Celtics foi nesta temporada, o melhor time. No papel, a união de Ray Allen, Paul Pierce e Kevin Garnett já era assustadora durante a offseason - um trio com chute de 3, chute de média distância, agilidade para penetrações e cestas no garrafão, três líderes e um misto de velocidade, bom jogo de pernas e QI para defender. O Grande Trio facilitou o jogo para seu elenco de apoio recheado de novatos e jovens e até para seu técnico, e o time só cresceu com o decorrer do ano e a chegada de reforços veteranos como Eddie House, James Posey, PJ Brown e Sam Cassell. A vontade de vencer e união do grupo os empurrou por sobre os momentos de dificuldades.

Nos playoffs, a superioridade do Celtics esteve em evidência mesmo nas duas primeiras rodadas, quando o time parecia ainda um pouco perdido e deslumbrado. Quando Boston era pior e perdia, era só um pouco pior, enquanto quando era melhor, era muito melhor; isso geralmente é o sinal de um time superior. Uma vez que o Alviverde se viu numa situação de necessidade de vitória na estrada e afirmação pessoal, ao sofrer sua primeira derrota em casa durante as finais do Leste contra o Detroit Pistons, o time respondeu com a intensidade e vontade de um campeão e dominou o Pistons fora de casa. Por toda a pós-temporada, o Celtics jamais esteve atrás em nenhuma série, o que significa que por pior que a situação tenha parecido em algum momento dos playoffs, a equipe nunca esteve em uma situação de desvantagem.

Contra o Lakers, o Celtics jogou certo e melhor quase toda a série. Houve poucos momentos em que L.A. realmente jogou melhor que o rival; seus (poucos) melhores momentos foram mais resultado de maior vontade e luta dos jogadores do que de acertos táticos ou técnicos. É o que foi tão decepcionante e humilhante do jogo 6; como notado pelo Zé Boquinha e Eduardo Agra, os jogadores do Lakers pareciam nem mesmo querer estar em quadra. O time parecia simplesmente chocado e conformado que o Celtics era o melhor time e que eles não conseguiriam reagir. Em uma defesa tão fraca quanto a que o Lakers exibiu nas Finais, você precisa compensar com raça.

A minha maior decepção com estas Finais foi que, apesar da grande rivalidade cercando as duas franquias e de tudo que estava em jogo para o legado de cada jogador em ambos os lados, esta série não teve nenhum momento mais esquentado, nenhuma discussão, nenhuma briga. Embora seja maluco, Kevin Garnett é um jogador de muita classe e respeito em quadra, assim como Ray Allen; Paul Pierce, Sam Cassell e PJ Brown são mais do tipo de falar besteira, provocar e até entrar em brigas. No Lakers, aparentemente, ninguém tinha as “bolas” para gritar com ninguém, nem criar uma briga para levantar os ânimos. Kobe Bryant gritou com todo mundo, mas como foi bastante noticiado por todas as Finais, parece que ninguém no time ouve ele no final das contas. Pau Gasol adora gritar quando faz uma cesta, mas não mostra a mesma raça quando o time está atrás nem na defesa. Sasha Vujacic foi quem chegou mais perto de começar alguma coisa - se você considera se jogar no chão e fazer caras de choro “tentar começar algo”.

Hoje todo mundo tem tanto medo de ser suspenso que ninguém faz nada mais. Que saudades daquele Phoenix Suns x Los Angeles Lakers de 2006, quando o Kobe discutiu com Steve Nash e jogou Raja Bell no chão, e Kwame Brown fez o mesmo com Boris Diaw. Que saudades de Lakers x Celtics nos anos 80, quando o Kevin McHale colou Kurt Rambis no chão e iniciou a guerra. As Finais de 2008 ficarão marcadas sim, mas menos pela reunião dos dois maiores campeões e mais pelo Boston, que providenciou todos os momentos inesquecíveis da série: o retorno dramático de Paul Pierce no jogo 1, a magnífica surpresa que foi a atuação de Leon Powe no jogo 2, a reação inacreditável e vitória fora de casa em pleno jogo 4, os 38 pontos e grande atuação de Paul Pierce no jogo 5 e o rolo compressor alviverde da última partida, a segunda maior diferença de um jogo de Finais da NBA. Do Lakers, o que vamos lembrar? O colapso do jogo 4, as tijoladas de Kobe, o sumiço de Lamar Odom, Pau Gasol e do banco e a gostosona Ashanti cantando o hino no jogo 5.

Parabéns ao Boston Celtics. É verdade, eles foram os melhores.

Novidades no BasketBrasil

Peço desculpas a todos por não ter publicado a coluna depois dos dois últimos jogos da série. Não foi porque eu estava envergonhado por ter escolhido o Lakers não; eram os ajustes finais para o lançamento do novo BasketBrasil, que saiu poucas horas antes do jogo 6. Eu e o resto da equipe passamos bastante tempo ajeitando tudo, mexendo em muita coisa que ainda precisa ser mexida para que você tenha o melhor BasketBrasil que pode haver. Prometo que chegaremos lá!

Isso que me ocupou. Valeu a pena, não é? E agora vocês podem comentar em todas as colunas, notícias, entrevistas, etc. Antes eu recebia pouquíssimos e-mails, não tinha a opinião de quem me lia. Pois bem, agora é só você se cadastrar no site que poderá me cornetar o quanto quiser! Muito fácil. E a gente responde, conversa, tudo tranqüilo, na boa…

Valeu!

Adriano Albuquerque Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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Comentários

4 Comentários »

  1. Comentário por Paulo Roberto — June 20, 2008 @ 6:51 am

    O Boston é o Santos, glorioso passado, e finalmente saiu da fila.

  2. Comentário por Adriano Albuquerque — June 20, 2008 @ 7:54 am

    é, eu tava pensando no Boston como Santos também, mas e o Bulls? o Santos tinha o Pelé, o Bulls tinha o Jordan… e aí?? ou o Bulls é o Palmeiras, que ganhou tudo nos anos 90? ou será que o Bulls é o Vasco, que tbm teve suas glórias nos anos 90 atrás de um ídolo (Edmundo)? não, o Vasco não pode ser o Bulls, tem q ser um time de proprietário malandro, pra ser que nem o Eurico… o Dallas se encaixa bem… tem o Mark Cuban e a rivalidade com o Lakers/Mengo…
    é complicado esse negócio!!

  3. Comentário por Paulo Roberto — June 20, 2008 @ 4:30 pm

    Vasco é o Dallas do Mark Cuban mesmo, que na grande chance de ser campeão amarelou e foi vitima da síndrome do vice. O Bulls fica bem como Palmeiras ou São Paulo. Botafogo é um dos times cavalos paraguaios da Califórnia para dar rivalidade com o Lakers, Golden State é uma boa. E o Miami é rubro-negro como o Sport Recife, ganhou o seu único grande título roubado e no ano seguinte vai ser uma decepção, pode apostar. Detroit pode ser o Grêmio ou o Cruzeiro, um time azul copeiro que sempre vai longe em mata-mata, mas não é lá muito agradável de assistir. E para completar os times do Rio, o Phoenix Suns é o Fluminense da vez.

  4. Comentário por anselmot — June 22, 2008 @ 2:30 am

    Lakers foi humilhado no último jogo!
    Deveria ter a humildade antes de começar uma final!
    Eles tavam se sentindo muito superior!

    NBA ETC E TAL

    Entrem e comentem!

    http://www.nba-etc-etal.com/

    Abraços

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