Esta semana na NBA: Os últimos 735 dias de uma lenda da NBA

Publicado em: Colunas, DESTAQUES, Esta semana na NBA
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12/09/2008 | 17:16

Publicado por Adriano Albuquerque

Anotem nas suas agendas, galera: 16 de setembro de 2010 será o último dia da carreira de Shaquille O’Neal, talvez o jogador em atividade na NBA mais famoso no mundo. Pelo menos foi o que ele disse ao canal de TV News 13, em Orlando, Flórida, nesta quinta-feira, 11 de setembro. Suas palavras foram: “Minha carreira no basquete vai terminar em 735 dias”. Pelas minhas contas… 19 dias restando em setembro, mais 92 dias entre outubro e dezembro, 365 dias em 2009, 181 dias de primeiro semestre em 2010, mais 62 dias de julho e agosto… 719. Mais 16 dias em setembro e chegamos ao número mágico: 735 dias.

Por que exatamente 735 dias? É a data final da extensão de contrato assinada com o Miami Heat em agosto de 2005, US$ 100 milhões por cinco anos. Mas mesmo que o Phoenix Suns - se é que Shaq ainda estará no Suns daqui a dois anos - chegue às Finais da NBA em 2009-10 e jogue sete jogos para decidir o campeonato, os jogos terminam em junho. A carreira de O’Neal já vai ter terminado bem antes de setembro.

Ou será que “Shaq-Attack” tem surpresas guardadas na manga? Uma participação no Mundial da Turquia-2010 com a seleção americana? Um jogo de despedida? Eu gostaria de ver um jogo de despedida em que o Shaq escolhesse 11 caras pra jogar ao lado dele contra o Kobe Bryant e mais 11. E pra garantir que o Shaq não seria humilhado em sua despedida, as únicas opções do Kobe para pivô seriam Shawn Bradley, Greg Ostertag, Bryant Reeves e Manute Bol. E o Yinka Dare com vaga garantida.

Esse negócio de marcar data pra aposentadoria não costuma dar certo. Pergunta pro Romário e pro Oscar! O Oscar teve tantas despedidas, que eu nem sei direito quando que ele se aposentou. É difícil dizer adeus. Eu não consigo dizer adeus nem pra pilha esgotada. Dá uma peninha ver aquilo indo pra lata de lixo. “De repente eu ainda consigo arrumar outra função pra ela…”, testo em todo tipo de equipamento eletrônico até ter certeza absoluta que a pilha acabou.

É claro, ídolos como Romário, Oscar e Shaq têm milhares de oportunidades esperando por eles pós-carreira esportiva que outros jogadores não têm. Romário pode jogar futebol de areia que nem o Júnior, é carismático o suficiente pra ser ator ou apresentador ou mesmo comentarista, é esperto pra investir em negócios e pode ser homem-propaganda (chamar de “garoto-propaganda” um cara de mais de 40 anos é sacanagem) pelo resto da vida. O Oscar, embora tenha entrado em conflito com os dirigentes do basquete nacional repetidas vezes, sempre será uma referência e “oráculo” para qualquer mente basquetebolística. Também tem muito carisma para ser comentarista, ator, homem-propaganda e, até onde sei, tem faro para negócios.

Quantos dos atuais NBA foram capa da Rolling Stone?

Shaq foi um passo além deles e já vem preparando sua carreira pós-basquete há muito tempo. Primeiro, com seus trabalhos paralelos como ator - a carreira como rapper, acho que já passou, e provavelmente nunca deveria ter existido, embora, confesso, eu tenha algumas músicas dele no meu HD. Depois, vem preparando o caminho para se integrar à polícia há anos, treinando com os departamentos de Los Angeles, Long Beach e Phoenix para ser oficial reserva. Seria legal se o Diesel viesse combater o crime aqui no Rio de Janeiro. Imagina aquele monstro de 2,16m subindo o Complexo do Alemão atrás de traficantes! Ele só precisaria de kevlar pra todo o corpo, porque com aquele tamanho todo, não tem jeito de ele não levar uma bala perdida.

O que será da NBA sem Shaq? Claro, temos novos talentos impressionantes como LeBron James, Dwyane Wade e Chris Paul, temos gigantes brincalhões como Dwight Howard, Greg Oden e Chris Bosh, e temos personagens carismáticos com declarações absurdas como Gilbert Arenas. Mas quem engloba tudo isso como O’Neal? Ele é provavelmente o último cara que pessoas comuns (ou seja, gente que não é viciado em basquete e não acompanha a NBA) conhecem, o último personagem remanescente da época em que os jogos da NBA ainda passavam na TV aberta. Claro, algumas ainda lembram do Kobe Bryant, algumas agora conhecem o LeBron James e o Yao Ming por causa das Olimpíadas, mas nenhum deles tem a mesma fama e reúne todas as características únicas que o Shaq tinha.

Mas talvez eu já esteja lamentando a aposentadoria dele muito cedo. Afinal, ele disse que ainda tem 735 dias de basquete… Vamos aproveitá-los. Afinal, já tivemos 16 anos de Shaq e ainda teremos mais dois. Compare isso a outra “lenda” do Orlando Magic que anunciou sua aposentadoria oficial nesta quinta: o ala Pat Garrity. (“Quem?”, perguntam as pessoas comuns) Garrity só durou 10 anos, tendo sido draftado em 1998. Pra falar a verdade, quando eu li a nota ontem à noite, pensei, “Ele ainda estava jogando??” Robert “Tractor” Traylor não durou nem isso tudo, e foi escolha de loteria do draft! Isso só falando dos que não se aposentaram prematuramente por causa de lesões - e o Shaq teve MUITAS delas.

Então, brindemos agora aos dois anos finais da carreira do Shaq, e torçamos para que ele possa jogar essas duas temporadas ao máximo. E, se no meio do caminho, ele puder lançar outro disco de rap pra eu baixar (agora nem tanto) secretamente, melhor ainda.

Adriano Albuquerque Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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