Publicado por Adriano Albuquerque
O assunto da semana na coluna e na NBA não poderia ser outro: a troca entre Detroit Pistons e Denver Nuggets, enviando Allen Iverson para Motown e Chauncey Billups, Antonio McDyess e Cheikh Samb para as Montanhas Rochosas. Curiosamente, em todos os lugares que eu procurei, dizem que Detroit “venceu” a troca, com exceção da imprensa brasileira, da imprensa de Denver e do analista John Hollinger, “papa” das estatísticas e ídolo do Denis Botana, do Bola Presa e colunista nosso. Será que a imprensa brasileira, desacostumada por causa do nosso basquete nacional decadente, perdeu o juízo? Ou estaria na vanguarda crítica mundial, dando olé até nos “experts” americanos? Um pouco de ambos.
Na verdade, os americanos são hipnotizados pelo “poder de estrela” dos jogadores da NBA e só conseguem pensar por este viés. Há dois anos, quando Iverson foi para o Denver em troca com o Philadelphia 76ers, toda a imprensa americana achou que o Nuggets “ganhou” a troca, e questionaram se o Sixers recebeu muito pouco pelo seu maior ídolo. Dois anos depois, Iverson já saiu de Denver, que teve os mesmos resultados nestes dois anos que vinha tendo sem ele, enquanto Andre Miller, principal jogador recebido pelo Philadelphia, é titular absoluto e considerado chave para o sucesso do time, ajudando no desenvolvimento do ala Andre Iguodala e do reserva Louis Williams. Uma das escolhas de draft recebidas pelo Sixers resultou no ala Thaddeus Young, atual titular na posição 3, e o espaço na folha salarial que ficou após a troca ajudou o time a pescar Elton Brand no mercado de passe livre. Philly voltou aos playoffs no ano passado após três anos de ausência e é um dos favoritos deste ano. Quem venceu agora, hein?
Influenciados pelo ordem do basquete internacional da Fiba, nós temos uma visão mais coletiva do esporte. Mesmo que nossos times estejam mal das pernas, estamos acostumados a ver tantos jogos de seleções internacionais, Euroleague na TV, etc, que vemos o jogo mais por aí. Neste respeito, fica claro porque Denver se beneficia com a troca: Chauncey Billups é um armador de verdade - embora digam que ele é um “puro” armador, eu não chegaria a tanto; ele é um pouco de armador de combinação, mas certamente um bom distribuidor de jogadas. A diferença entre ele e Iverson é que A.I. sempre tenta o mais complicado e, ao acertar, nos deixa maravilhados. Billups raramente tenta o mais difícil; joga o passe fácil, a jogada simples, mas que é eficiente.
Iverson é um talento extraordinário e único, mas que não encaixava no time do Nuggets, que precisa de movimentação, de jogo coletivo, para funcionar. Seus arremessadores são limitados, seus jogadores precisam de orientação em quadra. Billups é bom de timing, é um comandante, passa a bola limpa. Além disso, é bom de chute de fora, o que desafoga o congestionamento de jogadores de garrafão (Carmelo Anthony, Kenyon Martin e Nenê), e é bom de jogo de costas para a cesta também. Ele pode levar um armador para dentro do garrafão e trocar de posição com seus pivôs, promovendo trocas de marcação e vantagens para o resto do time. Nenê, Anthony e Martin vão crescer suas produções bastante com os pick-and-rolls e pick-and-pops perfeitos que Billups realizou tantas vezes com Rasheed Wallace e Antonio McDyess.
Outro aspecto positivo é sua defesa. Billups não é daqueles jogadores que fica arriscando o roubo toda hora e deixa seus pivôs vendidos. Ele protege sua área, e é capaz de marcar jogadores mais altos também. Seu problema é com armadores mais rápidos; no passado, ele teve problemas com Tony Parker, Chris Paul e até Daniel Gibson. No Oeste, terá de encarar Paul, Steve Nash e Deron Williams várias vezes no ano.
O que a imprensa brasileira não vê é como o Nuggets se contradiz e se complica em termos financeiros. Primeiro, porque Antonio McDyess não deve nem jogar, e nem o segundoanista Cheikh Samb; ou seja, peso morto apenas para balancear os números. E enquanto o time se livrou de pagar US$ 21,8 milhões para Iverson neste ano, Billups receberá um milhão de dólares a mais a cada ano nos quatro anos restantes de seu contrato, começando em US$ 11,05 milhões neste ano, e McDyess tinha uma cláusula que lhe dá um aumento de 10% em caso de troca. Ou seja, US$ 7,48 milhões neste ano e no próximo por um jogador que nem quer estar lá. O Nuggets, que estava tão preocupado com sua saúde fiscal que mandou Marcus Camby para o L.A. Clippers em troca de um saco de vento, se coloca de volta na taxa de luxo da NBA, devendo US$ 4,75 milhões ao escritório da liga, quantia excedente ao teto de sua folha salarial.
Se tivesse ficado mais um ano com Iverson e não renovasse seu contrato, o Nuggets simplesmente liberaria seu salário de sua conta e teria grana para investir em free agents agora e no já aguardado “verão de 2010″, quando os destaques da classe de 2003 do draft - LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh - estarão de passe livre. Agora, será o Pistons que terá este espaço - e ainda mais, já que o contrato de Rasheed Wallace também expira neste ano e, pelo histórico de Joe Dumars com astros em fim de carreira, está claro que nem ele, nem Iverson terão ofertas gordas e longas para ficar. Com um núcleo jovem promissor, que inclui Tayshaun Prince, Rodney Stuckey, Jason Maxiell, Arron Afflalo e Amir Johnson, mais Richard Hamilton como o veterano restante, Detroit tem todas as condições para atrair free agents de peso para sua linha de frente, maior deficiência da equipe nos últimos anos. Em vez de cair e reconstruir, o Pistons provavelmente se manterá entre a elite do Leste e da liga por mais muito tempo.
E Iverson é sim um reforço excelente para o Pistons. Este, sim, é um time que pode ter um jogador monopolizando a jogada e se infiltrando na defesa, atraindo marcações múltiplas, já que o Detroit tem bons arremessadores em todas as posições, que podem ficar esperando a bola passada para fora pra chutar. Na defesa, Iverson é do tipo que arrisca, mas o resto do time é disciplinado para consertar estas falhas. Além disso, Wallace é um dos defensores mais ativos e comunicadores da liga, orientando seus companheiros para tudo o que acontece em quadra. Ele vai ajudar muito a defesa de A.I. E vocês me conhecem, eu sou torcedor do Detroit mesmo… Estou animado. Eu adorava o Chauncey, era um dos meus jogadores favoritos, e como eu comentei com um colega de Detroit, é estranho ver o time com um mega-astro novamente. Nosso último superstar foi Grant Hill, que jamais passou da primeira rodada. Mas, como dizem na comunidade brasileira do Pistons no orkut, “se Joe D fez, eu ponho minha mão no fogo que vai dar certo”!
RANKING DE FORÇAS BASKETBRASIL
posição - time - posição anterior - campanha
1. Boston Celtics (1) 4v-1d
2. Los Angeles Lakers (2) 4v-0d
3. New Orleans Hornets (3) 3v-1d
4. Utah Jazz (8) 4v-0d
5. Houston Rockets (4) 3v-2d
6. Phoenix Suns (5) 4v-1d
7. Detroit Pistons (6) 4v-0d
8. Atlanta Hawks (15) 3v-0d
9. Toronto Raptors (11) 3v-1d
10. Cleveland Cavaliers (7) 3v-2d
11. Orlando Magic (12) 3v-2d
12. Dallas Mavericks (10) 2v-2d
13. San Antonio Spurs (9) 1v-3d
14. Portland Trail Blazers (16) 2v-3d
15. Philadelphia 76ers (14) 2v-4d
16. Denver Nuggets (13) 1v-3d
17. Milwaukee Bucks (25) 3v-2d
18. Indiana Pacers (24) 1v-2d
19. Miami Heat (21) 2v-2d
20. Memphis Grizzlies (28) 2v-3d
21. Chicago Bulls (20) 2v-3d
22. Golden State Warriors (17) 2v-3d
23. Washington Wizards (19) 0v-3d
24. New York Knicks (23) 2v-2d
25. Minnesota Timberwolves (29) 1v-3d
26. New Jersey Nets (22) 1v-2d
27. Sacramento Kings (26) 1v-4d
28. Charlotte Bobcats (27) 1v-3d
29. Los Angeles Clippers (18) 0v-5d
30. Oklahoma City Thunder (30) 1v-3d
Só pensando alto
Não sei quantos leitores tenho, nem quantos destes leitores são do Rio de Janeiro, e deste seleto grupo de leitores residentes da Cidade Maravilhosa, não sei nem se algum deles está freqüentando os jogos do Campeonato Carioca deste ano (provavelmente nenhum, já que o público do Carioca tem sido de dirigentes dos clubes, familiares de jogadores e meia dúzia de gatos pingados das torcidas organizadas do Flamengo). Mesmo assim, pergunto, para alguma viv’alma que por acaso tenha conferido alguma rodada: sou só eu, ou o Nilson, armador do Iguaçu, lembra o Baron Davis de rosto?? E por mais bizarro que isto seja, o Nilo, que eu não tenho certeza se é irmão do Nilson ou é apenas parecido, lembra o Tim Thomas! OK, eu posso estar só viajando. Não consegui tirar uma foto dos dois no último jogo, vou ver se consigo postar depois para vocês verem.
Adriano Albuquerque
Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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