Publicado por Adriano Albuquerque
Com a NBA apenas em torneios de verão (que aliás, pelo que eu tenho lido e visto em alguns vídeos, estão bem interessantes este ano) e o Pré-Olímpico Mundial em pura ação, é compreensível que você não esteja prestando muita atenção ao basquete americano no momento. Eu mesmo estou um pouco distante, tamanho é o trabalho para acompanhar o torneio da Fiba aqui no BasketBrasil. Os fãs do bom basquetebol, entretanto, devem a si mesmos prestar mais atenção à WNBA, que vive um ótimo momento e terá, neste fim-de-semana, um ótimo evento para novos torcedores passarem a acompanhá-la mais de perto: o Liberty Outdoor Classic, primeiro jogo de temporada regular ao ar livre na história do basquete profissional americano.
A partida deste sábado vai envolver o New York Liberty, que manda o jogo no estádio Arthur Ashe Stadium, mesmo lugar aonde acontecem as finais do Grand Slam de tênis US Open, e o Indiana Fever, ambos times que brigam por vaga nos playoffs da Conferência Leste. O Liberty é terceiro colocado, com 11v-9d, e conta com os destaques Shameka Christon, Essence Carson e Ashley Battle, todas alas. O Fever, quarto com 10v-10d, tem a bela ala-armadora Katie Douglas, ex-MVP do Jogo das Estrelas, a ala da seleção americana Tamika Catchings, a armadora campeã mundial com a seleção australiana Tully Bevilaqua e a pivô da seleção canadense Tammy Sutton-Brown. Tem tudo para ser um jogão, com o espírito dos jogos em quadras públicas, do basquete de rua.
Mas é só um pequeno exemplo do belo basquete que vem sendo praticado na WNBA. Na Conferência Leste, a ponta está sendo disputada pelo Detroit Shock, finalista nos últimos dois anos e campeão de 2006, que conta com um trio dinâmico em Katie Smith, Deanna Nolan e Cheryl Ford, e pelo Connecticut Sun, da armadora candidata a MVP Lindsay Whalen, da ala Ashja Jones, da pivô Barbara Turner e do técnico ex-campeão com o Sacramento Monarchs, Mike Thibault. Muitos esperavam que Indiana superasse o Sun neste ano, mas o time vem jogando ótimo basquete coletivo.
Já a Conferência Oeste é tão competitiva quanto a masculina. O Phoenix Mercury, atual campeão, é apenas o sexto colocado, com 9v-12d, e estaria fora dos playoffs se começassem hoje. O Minnesota Lynx vem surpreendendo na quarta posição com um grupo formidável de calouras ao redor da veterana armadora da seleção americana, Seimone Augustus. O San Antonio Silver Stars tem a excelente armadora Becky Hammon, que vai defender a Rússia nas Olimpíadas e é candidata ao prêmio de MVP pelo segundo ano seguido, levando o time à primeira posição ao lado de Sophia Young.
Os times mais interessantes da liga, entretanto, são o Seattle Storm e o Los Angeles Sparks, respectivamente segundo e terceiro colocados. O Storm é tão lotado de jogadoras fora-de-série que a pivô brasileira Kelly mal tem lugar no banco de reservas, é a 11ª jogadora do elenco. Veja a lista de titulares: a armadora Sue Bird, da seleção americana, a ala Sheryl Swoopes, três vezes MVP da WNBA e multicampeã com o Houston Comets (ao lado de Janeth), a ala Swin Cash, ex-MVP das finais da WNBA, a ala-pivô Lauren Jackson, atual MVP e campeã mundial com a Austrália, e a pivô Yolanda Griffith, ex-MVP das finais. Um timaço que venceu seus últimos seis jogos e marcha em direção à primeira posição.
Já o Los Angeles Sparks conta com a melhor jogadora do basquete feminino atual, a ala-pivô Candace Parker. Esta jogadora já me encanta desde seus primeiros anos de faculdade em Tennessee e não pára de evoluir. Encantou alguns brasileiros com sua incrível habilidade aqui no Mundial de São Paulo-2006 e está tomando de assalto a WNBA. Na semana passada, marcou 40 pontos e 16 rebotes em um jogo, e na semana retrasada deu duas enterradas em jogos consecutivos, algo inédito na história da liga. Parker tem tudo a crescer ainda mais jogando ao lado da veterana pivô Lisa Leslie, tricampeã olímpica e bicampeã da WNBA, que cedeu os holofotes à aprendiz e se tornou uma “coadjuvante de luxo” e muita categoria no time, a la David Robinson após a chegada de Tim Duncan.
As comparações são justas, principalmente porque os jogos são parecidos: Duncan e Parker são os jovens de talento no jogo de frente para cesta, nos chutes usando a tabela e nas penetrações para enterradas, Robinson e Leslie são os jogadores mais vibrantes e bons defensores que ajudam nas poucas “dores de crescimento” dos novatos. Tem tudo para dominar a liga nos próximos anos; neste ano, já é bom o suficiente para competir de igual para igual com os outros grandes poderes.
Se você não conseguir ver o Liberty Outdoor Classic, que não deve ser transmitido na TV a cabo e acontece às 20h30min (horário de Brasília) deste sábado, talvez seja transmitido em webcast pelo WNBA.com, outra excelente chance é o confronto entre o Sparks de Parker/Leslie e o Shock de Smith/Nolan/Ford, que deve ser transmitido pela ESPN Internacional com comentários da ex-Houston Janeth Arcain, às 20h (de Brasília). Um jogão entre dois possíveis finalistas em Detroit, e o Shock ganhou sua primeira final, em 2003, justamente sobre L.A.
Trocas pela NBA
Após muitas negociações irem por água abaixo, o Denver Nuggets desiste em pleno julho e resolve dar Marcus Camby de graça para o Los Angeles Clippers, em troca de espaço no teto salarial? Com muito tempo de mercado de passe livre para outros times se desesperarem e aceitarem trocas de pânico mais vantajosas, o Nuggets decidiu entregar seu único defensor titular confiável para continuar pagando rios de dinheiro a Nenê, Kenyon Martin e Carmelo Anthony, e possivelmente oferecer ainda mais grana para JR Smith. Sem ofensas, adoro Nenê e estou muito feliz que ele provavelmente será titular a partir de agora, mas Camby tem sido bem mais valioso que tanto ele quanto Martin nos últimos três anos e custava muito menos. O time poderia pelo menos ter obtido algum valor pessoal em troca e talvez se livrar de outros contratos junto, mas está colhendo o fruto de ter gastado além do que tinha na poupança.
Pressentimento para hoje
Acho que Gregg Popovich e o Spurs vão ganhar motivos para rescindir o contrato de Splitter com o Tau imediatamente e trazer de volta o Alex… Sinto grandes atuações dos dois para o Brasil hoje… Vamos lá BRASIL!!!
Adriano Albuquerque
Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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