Esta terça nas Finais da NBA: “Fantasma de Donaghy” assombra jogo 3

Publicado em: Colunas, Esta semana na NBA
Tags: ,

11/06/2008 | 11:57

Publicado por Adriano Albuquerque

Aconteceu. Lembram-se que eu falei em algumas colunas passadas que o “fantasma de Tim Donaghy” ainda ia voltar, e podia estragar a “temporada dos sonhos” da NBA? Pois bem. Justamente no dia do jogo 3 das Finais entre Boston Celtics e Los Angeles Lakers, logo após a um jogo 2 apitado bizarramente, os advogados do ex-árbitro, que aguarda sentença por apostas ilegais e lavagem de dinheiro, lançaram uma carta pública com uma série de acusações a árbitros e executivos da liga, sem citar nomes mas com detalhes o suficiente para identificação de jogos que teriam sido manipulados por essas pessoas.

O comissário David Stern e o vice-presidente executivo da NBA, Richard Buchanan, negaram veementemente as acusações, mais uma vez. Buchanan lembrou que essas acusações de Donaghy foram feitas meses atrás em seus depoimentos ao FBI, e tanto ele quanto Stern disseram que foi comprovado que elas não têm base. O comissário chamou o ex-árbitro de “criminoso” e “réu confesso”, dizendo que por isso suas palavras devem ser ignoradas como “atos de um homem desesperado.

Volto a dizer: agir desta forma não silencia as dúvidas em torno das acusações. Ah, então elas não têm base? Então por que vocês não disponibilizam transcrições das entrevistas com os árbitros e executivos envolvidos? Podem pelo menos explicar o que e por onde investigaram?

É óbvio que a carta é um ato desesperado; diga-nos algo que não sabemos. Donaghy quer comprovar que vem cooperando com o FBI e quer evitar ter de pagar US$ 1 milhão em restituição à NBA - a liga fez esta exigência recentemente, alegando que este foi o custo de sua investigação interna, e se o ex-árbitro não puder pagar, sua pena será maior. A intenção de seus advogados é forçar a liga a desistir da restituição, ou pelo menos alvejá-la como resposta, no estilo “seu eu vou cair, vou te levar comigo”.

Mas a carta fala de jogos e acontecimentos que sempre foram questionados pelos torcedores e que agora podem se tornar mais do que meras “teorias de conspiração”. Pode até ser que Donaghy tenha simplesmente pego alguns exemplos aleatórios de jogos polêmicos e usado, sabendo que eles chamariam atenção e criariam tumulto; mas se este é o caso, por que a NBA não mostra evidência palpável de que se trata de um mero blefe?

As duas acusações que mais chamam atenção são o jogo 6 das finais da Conferência Oeste de 2002, em que o Lakers derrotou o Sacramento Kings por 106 a 102, em que Donaghy diz que dois árbitros, que “sempre agem de acordo com os interesses da liga”, planejaram e influenciaram a vitória do Lakers - ó, que coincidência, Bob Delaney, que errou várias marcações no jogo 2 a favor do Celtics, era um dos árbitros nesta partida -; e a série de primeira rodada entre Houston Rockets e Dallas Mavericks em 2005, quando um executivo da NBA teria ordenado que os árbitros - incluindo Donaghy - fossem rigorosos com corta-luzes ilegais apenas do pivô chinês Yao Ming após reclamação de Mark Cuban depois dos dois primeiros jogos, o que acabou ajudando na virada do Mavs na série.

Na época, o técnico Jeff Van Gundy disse à imprensa que um árbitro havia lhe contado sobre esta situação, mas foi multado em US$ 100 mil pela liga. Hoje trabalhando como comentarista da rede de TV americana ABC, Van Gundy deu um passo pra trás, dizendo que não dava credibilidade às palavras de Donaghy. (Curioso como todo mundo na NBA resolveu que as palavras de um “criminoso” não merecem crédito, embora a liga sempre tente minimizar o preconceito com seus vários jogadores condenados por atividades ilegais menores.) Talvez JVG esteja tentando evitar novas polêmicas para não minar suas chances de voltar a treinar uma equipe da NBA, ou para não perder seu emprego na emissora oficial da liga. Ele disse, porém, que ainda acha que Yao estava sendo perseguido.

Quanto ao jogo 6 de Lakers x Kings - aquele em que Los Angeles teve 27 lances livres no último quarto - os outros dois árbitros eram Ted Bernhardt e - vou te dar um segundo para você lembrar ou adivinhar… - Dick Bavetta. A crença de que Bavetta e Delaney são “árbitros da casa”, assim como Bennett Salvatore, é antiga, e se reforçou justamente neste jogo, o que torna a acusação de Donaghy ou em uma comprovação de uma antiga suspeita, ou em oportunismo, usando um caso que estava vivo na memória popular para criar dúvida e contestação à NBA.

Uma coisa que eu nunca entendi é essa alegação de que alguns árbitros vão fazer o que puder no “melhor interesse da liga”. Tudo bem, o Lakers ganhar aquele jogo 6 era do interesse da NBA, óbvio. Mas era do interesse da liga que o time varresse o New Jersey Nets nas Finais? Era do interesse da liga que as Finais entre Detroit e Lakers em 2004 durassem só cinco jogos? Era do interesse da liga que o Cleveland Cavaliers fosse varrido no ano passado? Era do interesse da liga que o San Antonio Spurs fosse campeão três vezes em cinco anos? O interesse da NBA em uma vitória do Celtics no jogo 2 destas Finais e do Lakers no jogo 3 era óbvio, mas vocês acham que os juízes apitaram aquele segundo jogo tão mal só para ajudar Boston, quando eles claramente estavam fazendo um ótimo trabalho sem a ajuda? E nesta terça, o quanto a arbitragem ruim realmente ajudou o Lakers?

***

Como esperado, a NBA escalou dois de seus árbitros mais controversos - Bennett Salvatore e Joey Crawford - para apitar o jogo 3 das Finais junto a Mark Wunderlich. O primeiro tempo foi como uma repetição do jogo 2 ao contrário, com o Lakers chutando 22 lances livres contra sete do Celtics. Entretanto, o acontecimento me fez pensar menos na arbitragem e relevar as marcações de domingo passado - desta vez, Kobe Bryant estava tão agressivo, jogando como pivô para receber a bola já perto da cesta e atacando o aro furiosamente, que conseguiu as faltas que queria, enquanto em Boston, a postura mais passiva do time lhe prejudicou. No Garden, o que mais me incomodou foi a falta de critério, já que os árbitros começaram a partida rígidos, mas não apontaram algumas faltas óbvias. Nesta terça, o trio parecia mais com um trio antigo de NBA, deixando o jogo correr e a “porrada comer” de ambos os lados. A maioria das marcações favoreceu o time da casa, mas no segundo tempo a arbitragem reduziu bastante esta margem, até a falta ofensiva de Kevin Garnett na posse decisiva - eles tentaram compensar chamando a mesma falta para Odom do outro lado, mas já era tarde, já haviam estragado a chance do Celtics reagir.

O Lakers conseguiu fazer algumas coisas que são suas características e estavam sumidas, como sair em contra-ataque, acertar cestas de 3 e, basicamente, sair do caminho de Kobe e dar espaço para ele resolver. O principal ajuste dos angelinos foi usar Bryant mais nos postes baixos e defender mais agressivamente, forçando o Celtics a usar o máximo de seu bom movimento de bola. A troca de Kobe com Derek Fisher na marcação, com o MVP sempre recuado e dando espaço para Rajon Rondo chutar enquanto Fisher perseguia Ray Allen, funcionou até certo ponto: Allen teve seu melhor jogo na série, já que deixou Fisher na saudade inúmeras vezes, mas o novo approach impediu Rondo de ser muito eficiente e penetrar com a bola. De fato, o melhor momento do Celtics na partida veio justamente quando o armador saiu lesionado no terceiro período e Eddie House entrou. Boston já estava dependendo de passar a bola até um jogador livre, e com House a equipe tinha uma opção a mais para chute, enquanto Rondo não tem confiança em seus arremessos.

Na defesa, o Celtics começou com marcações individuais e deixou Allen sozinho contra Bryant após o sucesso do jogo 2. Desta vez, porém, Kobe estava um passo mais rápido que o rival, que também não é um grande defensor no poste baixo. O técnico Doc Rivers ajustou e voltou a mandar marcações duplas para prender Kobe quando ele pegava a bola ainda no começo da posse, mas aí Sasha Vujacic entrou bem e lhe fez pagar. Resultado: nas duas posses finais, Rivers desistiu e manteve Allen sozinho, e Kobe resolveu.

Em Boston, Kobe não foi agressivo; no jogo 3, foi Paul Pierce que perdeu em agressividade e tentou poucas penetrações e chutes de perto, justamente em seu retorno à sua cidade natal. Especulou-se que o ala estava enfim sentindo os efeitos da lesão no joelho, mas ele parecia estar se movendo sem problemas. Pierce só atacou o aro no último quarto, e KG teve o mesmo problema, passando a jogar mais perto da cesta no segundo tempo. Apesar disso tudo, o Celtics esteve perto de vencer, graças ao seu bom trabalho de marcação, que continuou, e às noites atrozes dos demais titulares do Lakers. O Alviverde tem de encarar o jogo 4 com otimismo de que está mais próximo de fazer 3 a 1 do que de sofrer o empate do time roxo-e-dourado.

A não ser que Bavetta e Delaney estejam envolvidos, né…

Adriano Albuquerque Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
Outros artigos publicados por Adriano Albuquerque

Comentários

1 Comentário »

  1. Comentário por anselmot — June 22, 2008 @ 4:50 pm

    shauhas
    esse titulo foi bom mesmo em!!

    shuahs

    NBA ETC E TAL

    Entrem e comentem!

    http://www.nba-etc-etal.com/

    Abraços

RSS feed para comentários neste post. TrackBack URL

Deixe um comentário

Você precisa estar logado para postar um comentário.

Notícias relacionadas

Newsletter

Digite seu email

Publicidade

Anuncie no BasketBrasil

© 2008 BasketBrasil. Todos os direitos reservados.

Sobre o BasketBrasil | Aviso legal | Contato

BasketBrasil pela rede: Youtube | Orkut | Facebook | Twitter

Anuncie no BasketBrasil | Ajuda | Faça parte da equipe