Publicado por Adriano Albuquerque
O segundo jogo das Finais da NBA não teve Dick Bavetta, Bennett Salvatore nem Joey Crawford, nem mesmo Tim Donaghy, entre seus árbitros, mas a arbitragem roubou o show do mesmo jeito. Sem querer desmerecer o Boston Celtics por sua vitória por 108 a 102, mas o trio formado por Ken Mauer, Dan Crawford e Bob Delaney fez tanto quanto o time para tirar o Los Angeles Lakers do jogo.
Desde o primeiro lance, o trio anunciou que seria rígido nas marcações ao apontar uma falta ofensiva do pivô Kendrick Perkins, mas então procedeu a marcar com rigidez apenas contra o Lakers. As duas faltas que penduraram Kobe Bryant no primeiro quarto - separadas por menos de um minuto e meio - foram pra lá de duvidosas, os tipos de marcação que Dwyane Wade recebeu a seu favor naquelas lamentáveis Finais de 2006. Do outro lado, os angelinos não conseguiam arrumar uma falta, mesmo com contato claro em vários de seus arremessos.
Como mais explicar os 19 lances livres do Celtics no primeiro tempo, contra apenas dois do Lakers? Sim, L.A. defendeu terrivelmente no primeiro tempo, mas fica difícil marcar quando os árbitros não toleram nenhum contato, e fica mais difícil ainda pontuar quando os árbitros ignoram qualquer contato do outro lado. O resultado é que Los Angeles, o time que teve mais lances livres nos playoffs, teve apenas 10 no domingo, sendo seis no último quarto, quando a arbitragem pareceu relaxar junto com o Celtics e expandiu seu trabalho péssimo à quadra inteira, ignorando falta em Paul Pierce e uma andada de Vladimir Radmanovic em um contra-ataque durante a reação do Lakers.
É difícil ter qualquer simpatia pelo Lakers por ter sido prejudicado pela arbitragem, já que o time costuma levar o benefício da dúvida nas marcações na maior parte dos jogos, assim como o San Antonio Spurs, mas o péssimo trabalho dos árbitros neste domingo merece ser notado. Os fãs do Celtics já estavam reclamando adiantado que a NBA provavelmente escalaria alguns dos três árbitros citados na primeira frase da coluna para os jogos em L.A, mas depois deste jogo 2, eles estão no lucro, e realmente não terão do que “chorar” se os árbitros compensarem no Staples Center nesta semana.
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O quase-colapso do Celtics no final não foi novidade. No jogo 5 das finais da Conferência Leste, o Alviverde também tinha uma vantagem de dígitos duplos contra o Detroit Pistons e permitiu que os rivais encostassem em um ponto nos minutos finais, dando emoção a um jogo que estava vencido. Foi a mesma coisa que aconteceu neste domingo. Paul Pierce disse que desta vez a lição foi aprendida e o time jogará 48 minutos em cada jogo que disputar a partir de agora.
Como disseram os comentaristas da ESPN, Zé Boquinha e Eduardo Agra, porém, a reação pode ter devolvido a confiança ao Lakers, que jogará agora em casa, onde está invicto em oito jogos na pós-temporada. Naquele jogo 5 contra Detroit, o Celtics fez 3 a 2 na série e deixou o Pistons contra a parede, em uma situação de vida ou morte, e a reação não teve muito efeito; o 2 a 0 coloca o Lakers em um buraco, mas ainda há tempo para reagir na série, e esse último quarto prova que o time pode encaixar seu estilo de jogo contra o Celtics.
No último quarto, L.A. fez tudo o que se esperava dele, só que não apareceu nos sete quartos anteriores: rebotes, roubos de bola, contra-ataques, Kobe penetrando no garrafão, chutes de 3 pontos. A briga nos rebotes, os californianos já haviam equilibrado desde o início do jogo, mas desta vez cometeram muitos turnovers, quase o mesmo número que Boston, e o adversário soube aproveitar melhor essas oportunidades.
Outro sinal bom para o Lakers é que Bryant deu sinais de vida. Seus 11 acertos em 23 arremessos não foram nada de outro mundo, mas já representam uma evolução em relação ao jogo 1. Em Los Angeles, com a torcida a seu favor, a aposta é que o ala-armador entre ainda mais agressivo e consiga um pouco mais de simpatia dos árbitros.
O que continua faltando para o Lakers, porém, é Pau Gasol. Ele mais uma vez pareceu que iria decolar com um ótimo primeiro tempo, em que pareceu motivado pelas cobranças da imprensa, e respondeu aquela enterrada de Garnett do final do jogo 1 com autoridade, colocando a bola no chão e partindo pra cima. Porém, quando Powe entrou e o Celtics passou a fazer marcação dupla nele, o catalão sumiu de novo. E sem Gasol, não tem Lamar Odom. O banco também anda sumido, continuando sua tendência de só jogar em casa.
O Celtics está fazendo seu trabalho direitinho e comprovando o que já se anunciava no papel: que é a equipe mais completa. Mesmo com nove anéis e 10 Finais nas costas, Phil Jackson ainda não conseguiu se sair com ajustes capazes de parar o “Grande Trio”, quanto mais para deter o armador Rajon Rondo, e ainda ganhou uma nova dor de cabeça com a ascensão de Leon Powe. Agora, é manter a compostura para jogar no Staples Center a partir de terça.
Só um detalhe: não é curioso que Pierce tenha tido um momento tão dramático, saindo carregado, sentando em uma cadeira de roda, e tenha jogado tanto na quinta quanto neste domingo sem nenhum sinal de dor, enquanto Kendrick Perkins saiu sem o menor estardalhaço na quinta e seja o jogador que mais preocupa o departamento médico do Celtics, jogando apenas 14 minutos desta vez?
Adriano Albuquerque
Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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Comentário por anselmot — June 22, 2008 @ 4:50 pm
Um joguinho roubado normalmente.
Sempre é assim na NBA!
NBA ETC E TAL
Entrem e comentem!
http://www.nba-etc-etal.com/
Abraços