Entrevista exclusiva com Rafael Araújo

Publicado em: Entrevistas

29/01/2008 | 13:09

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O pivô brasileiro Rafael Araújo, de 2,11m e 27 anos, falou com exclusividade ao BasketBrasil, diretamente da Rússia, sobre sua adaptação à sua nova equipe, o Spartak St. Petersburg, e ao novo país, além de seleção brasileira e de sua passagem pela NCAA e pela NBA. O atleta revelou que teve propostas de duas equipes da NBA, mas preferiu jogar na Europa para ter mais tempo em quadra. Além disso, contou que seu novo treinador vem ajudando-o a reduzir seu número de faltas por jogo - uma das reclamações de seus ex-técnicos na NBA - e disse que quer jogar o Pré-Olímpico Mundial mesmo se estiver sem contrato, situação que o tirou da Copa América de Las Vegas no ano passado.

 

Baby está realizando uma boa temporada pela fraca equipe do Spartak, que ocupa atualmente a antepenúltima colocação da Liga Russa (Superleague) e está eliminada da Euro Cup. Na competição local, o jogador tem médias de 12,8 pontos (59% de aproveitamento nos arremessos) e 7,8 rebotes em 22 minutos. Já na competição européia, ele tem 9,9 pontos e 6 rebotes de média em 20 minutos.

Na Rússia é muito mais frio que Utah? Como você está lidando com o clima local?

O clima está legal, é um pouco mais frio que Utah, mas está normal. O máximo que chegou foi a -10ºC. O pior daqui é que não tem sol, está sempre nublado.

Como sua família está se adaptando ao novo país?

Aqui é bem diferente, para a minha família está sendo difícil pelo idioma, alimentação e cultura, mas é uma nova experiência. Para mim é bem mais fácil a adaptação.

Como foi recebido pela torcida do Spartak e como a torcida local se comporta dentro e fora do ginásio?

A torcida gosta de mim, são fanáticos como as torcidas de times de futebol. Como esta temporada a equipe não está indo bem, não está indo muito gente no ginásio. Mas os que vão sempre estão apoiando a equipe.

Está decepcionado com os resultados do Spartak, apesar de suas boas atuações? Pretende trocar de equipe na próxima temporada?

Não sei bem o que vai acontecer no meu futuro, já que tenho contrato até o final dessa temporada no Spartak. Estou cansado de perder e tenho que pensar no meu futuro como jogador de basquete. Mudamos de treinador a pouco tempo e tem muitos jogadores jovens na equipe. O armador argentino Antonio Porta (lesionado) está fazendo muita falta à equipe, já que Joseph Smith está jogando em seu lugar improvisado, pois ele é ala-armador.

Como é seu dia-a-dia na Rússia, um país com uma cultura diferente do Brasil e EUA?

Treino duas vezes por dia todos os dias, entre os intervalos procuro relaxar. A comida, o idioma e as pessoas são muito diferente, mas tenho que me adaptar. O treinador fala inglês e com os jogadores me comunico o básico para jogar basquete. Com certeza é uma grande experiência de vida.

Pretende jogar a Euroleague por uma equipe de maior expressão?

Sim, pretendo jogar em uma grande equipe européia, mas tudo depende do Spartak. É claro que desejo jogar em uma grande competição como a Euroleague.

Como avalia seu desempenho na atual temporada?

Estou evoluindo, pegando ritmo de jogo. Comecei com altos e baixos, mas estou me adaptando ao novo estilo de jogo que é praticado na Europa. O antigo treinador (Oleg Okulov) não sabia me usar corretamente. O novo treinador, Igor Miglinieks, é experiente e gabaritado, e está ajudando muito no meu jogo, inclusive diminuindo o meu número de faltas nas partidas.

Você tinha proposta de continuar na NBA, antes de assinar com o Spartak?

Tinha do Boston Celtics e Minnesota Timberwolves. Decide sair da NBA e ir para a Europa porque eu queria tempo de jogo. Não adianta estar na NBA e infeliz, eu quero jogar.

Quais suas metas como jogador de basquete?

Primeiro ficar com saúde e depois quero jogar basquete enquanto minhas pernas suportarem. Gostaria de jogar na Euroleague, a principal competição da Europa e, daqui uns anos, voltar a jogar na NBA.

Você acha que foi "queimado" no Toronto Raptors, pois foi draftado pela carência na posição de pivô no time e não supostamente pelo melhor talento disponível? Você sofreu muita pressão pela alta escolha no draft, se fosse escolhido em uma posição mais alta teria se dado melhor na NBA?

Eu não sentia pressão, queria jogar basquete. O time todo era novo, o técnico era novo e queria fazer o seu nome. Quando o GM foi mandado embora (Rob Babcock) as coisas ficaram ruins para mim, pois foi ele quem me draftou. Se eu fosse escolhido em uma posição mais alta, com certeza teria melhor sorte na liga.

O treinador Sam Mitchell, do Toronto Raptors, o colocava como titular e o tirava jogando bem ou jogando mal. Não seria melhor entrar como reserva, jogando contra os reservas adversários? Guarda ressentimentos contra Sam Mitchell?

Não tenho nenhum problema com ele, ele achava que isso era melhor para a equipe. Conversei com ele sobre isso, mas era ele que decidia. Não tenho nenhum rancor dele, ele é um bom técnico que está fazendo um grande trabalho à frente do Toronto Raptors, sendo escolhido o melhor treinador da última temporada (Coach Of the Year) da NBA. Eu estou tranquilo, porque fiz o meu trabalho e dei o melhor de mim, mas quem tomava as decisões era Sam Mitchell.

No Utah Jazz, sua dedicação nos treinos sempre foi elogiada por Jerry Sloan. Apesar disso teve poucas oportunidades na equipe, apesar de ter boas atuações quando entrava, como nos playoffs contra o San Antonio em que teve boa atuação contra Tim Duncan e na partida seguinte nem entrou. Por que Sloan usava mais o fraco Jarron Collins do que você?

Eu tenho a mesma pergunta, muitas pessoas a tem. Era uma decisão dele, Sloan é um treinador experiente e respeitado. Collins entrava primeiro que eu, não importando se eu jogasse bem ou mal. Talvez por ele ser um jogador com mais tempo na liga e mais respeitado ele jogava mais. Fiz o meu trabalho, quem toma as decisões é o técnico.

Deseja voltar a jogar na NBA? Essa possibilidade estaria vinculada a ter mais minutos de jogo para provar suas qualidades?

Tenho vontade de voltar para a NBA, porém só volto se tiver mais oportunidades. Caso contrário fico na Europa, o mais importante é ser feliz no que se faz, não adianta voltar para a NBA para não jogar.

Jogaria nas Ligas de Verão da NBA (Summer Leagues)? Aceitaria jogar novamente no Toronto Raptors?

Voltaria a jogar no Raptors sem problema. Nas Ligas de Verão talvez, tudo depende e será estudado.

Ainda mantém amizades com jogadores da NBA?

Sim, me comunico pela internet com jogadores como Aaron Williams, Deron Williams, Mehmet Okur e Carlos Boozer.

O que achou da escolha do novo treinador da seleção brasileira, o espanhol Moncho Monsalve?

Não conheço o seu trabalho, mas espero conhecê-lo no verão (europeu). Sei que é um bom técnico e experiente e o que ele fizer de bom será importante para o Brasil conseguir a classificação às Olímpiadas.

Como avalia o trabalho de Lula Ferreira no comando da seleção brasileira?

Ele fez um bom trabalho e o considero um bom treinador que trabalha jogadas e estuda o jogo. Acho que ele não teve sorte, tendo no Pré-Olímpico a minha ausência e do Anderson Varejão, além da contusão do Nenê.

Pretende disputar o Pré-Olímpico Mundial pelo Brasil? Isso depende de sua situação contratual com alguma equipe?

Sim, com certeza quero defender o Brasil. Meu contrato acaba no final dessa temporada e caso não tenha fechado com nenhuma equipe, tenho que conversar com meu agente, Jim McDowell. Mas acho que jogaria mesmo sem contrato.

Considera o Pré-Olímpico uma vitrine para o basquete mundial?

Claro, não tenha dúvida. Jogando um bom basquete, o Pré-Olímpico Mundial será uma grande vitrine.

Sabia da divisão no elenco da seleção brasileira no Pré-Olímpico de Las Vegas, como relatou o ala Marquinhos?

Nunca vi divisão no elenco quando estava com a seleção. Isso é minha opinião, não estava lá durante o Pré-Olímpico de Las Vegas para saber o que aconteceu.

Como lidou com as notícias sobre o estado de saúde de Nenê? É amigo pessoal dele?

Faz tempo que não troco e-mails com ele. Quando fiquei sabendo da notícia fiquei chocado, mas foi importante que foi diagnosticado cedo, poderia ter sido bem pior.

Como foi o Mundial de 2002? Qual era o clima do grupo? Tudo girava em torno de Marcelinho Machado?

Na época, eu cheguei no meio do campeonato. Para mim não havia nenhum problema de união entre os jogadores da equipe.

Como você avalia a atitude de Nezinho, que se recusou a entrar em quadra em uma partida, durante o último Pré-Olímpico, mesmo com a solicitação de Lula Ferreira?

Acho que o jogador tem que ser profissional, eu não faria isso em nenhuma situação representando o meu país. Mas eu não estava lá com a seleção brasileira para saber a situação do Nezinho.

Depois das declarações sobre divisão do elenco e falta de comando de Lula, Marquinhos tem clima para voltar a jogar pelo Brasil?

Quem vai tomar a decisão é o novo treinador da seleção brasileira. Mas se ele for fundamental para a seleção, não vejo porque não utilizá-lo.

Mesmo muito criticado, você tem muitos fãs de basquete principalmente em Toronto e no Brasil. Qual é a sua mensagem para seus fãs?

Obrigado pela força, o apoio de vocês é fundamental para eu melhorar e trabalhar cada vez mais. Tenho orgulho de jogar e é muito importante para mim como pessoa ter admiradores por várias partes no mundo.

Você já frequentou fóruns de basquete como o RealGM ou o Draft Brasil?

Não frequento fóruns de basquete na internet.

Você já atuou na NCAA, NBA e agora no basquete europeu. Comente sobre as diferenças de cada liga, desde o estilo de jogo às regras.

As regras e o estilo de jogo são um pouco diferentes. Na Europa e na NCAA, o jogo é mais físico, com os árbitros permitindo mais contato e a marcação é mais dura. Na NBA, o jogo é mais rápido.

Quais são suas recordações da NCAA?

Foram os melhores anos da minha vida, foi uma grande experiência de vida jogar no basquete universitário norte-americano vencendo jogos importantes. Vou ficar com saudades desse tempo.


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Comentários

1 Comentário »

  1. Comentário por anselmot — June 22, 2008 @ 5:16 pm

    Ele mostrou que tem vontade!
    Olha ele q foi convocado para a seleçao principal começou a treinar com a do sul-americano..

    Isso sim é vontade!

    NBA ETC E TAL

    Entrem e comentem!

    http://www.nba-etc-etal.com/

    Abraços

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