Publicado por João Guilherme
A seleção feminina da Austrália confirmou o favoritismo na abertura do basquetebol nos Jogos Olímpicos de Pequim, na China. As atuais campeãs mundiais comandaram o placar desde a metade do primeiro quarto e, sem sustos, venceram a Bielorússia por 83 a 64 (44 a 28 no intervalo). O principal nome do jogo foi a ala-pivô Lauren Jackson. A musa australiana finalizou a partida com um duplo-duplo, 18 pontos e 10 rebotes, e comandou o triunfo das Opalas.
A outra estrela da equipe australiana, a ala-armadora Penny Taylor, também teve uma apresentação importante, contribuindo com 14 pontos, mesmo número de tentos conectados pela pivô Suzy Batkovic, que surpreendeu também ao pegar 12 rebotes. Outra atleta da Austrália que atingiu os dígitos duplos foi a ala Laura Summerton, que conectou 12 tentos.


Lauren Jackson e Penny Taylor combinaram para 32 pontos e comandaram a vitória australiana
Pelo jovem time da Bielorússia estreante em Olimpíadas, duas jogadoras foram cestinhas. A ala-armadora Tatyana Troina e a pivô Yelena Leuchanka, ambas com 13 pontos. A gigante Leuchanka ainda coletou 10 rebotes. A jovem ala-pivô Anastasyia Verameyenka, de apenas 21 anos, também se destacou com 10 tentos e nove rebotes em sua primeira partida olímpica na carreira.
A partida começou equilibrada e nervosa, como de costume em estréias. A seleção da Bielorússia chegou a surpreender defensivamente nos primeiros minutos, causando problemas para as estrelas australianas Lauren Jackson e Penny Taylor, que erraram suas primeiras tentativas. Entretanto, a “segurança defensiva” durou pouco tempo. Uma série de cestas de longe das australianas fez com que a vantagem das atuais campeãs mundiais subisse para oito pontos, 14 a 6, forçando o técnico bielorusso Anatoly Buyalski a pedir tempo para arrumar a casa.
Porém, o pedido de tempo da comandante do time europeu não parece ter surtido efeito. As bielorussas continuaram sentindo a pressão da Austrália e abusaram dos erros ofensivos. Para sorte da jovem equipe bielorussa, o favorito time oceânico não estava tão inspirado no primeiro quarto, forçando vários arremessos e errando a maioria. Mesmo não jogando bem, a seleção da técnica Jan Stirling fechou o primeiro quarto com uma vantagem, até certo ponto, confortável, 19 a 12.
Arrancada australiana: Lauren Jackson deu números iniciais ao segundo período com um chute certeiro dentro do garrafão, com isso a Austrália aumentou sua liderança para nove pontos, 21 a 12. Porém, o melhor estava por vir, a equipe australiana aproveitou um ataque desperdiçado pela Bielorússia e mandou o castigo no ataque seguinte com um chute perfeito da ala-armadora Penny Taylor, 24 a 12. O jovem time europeu só conseguiu sua primeira cesta no segundo período com um arremesso preciso de Katsiaryna Snytsina, isso com quase dois minutos de bola quicando.
O surpreendente é que, após esta cesta de Snytsina, as belas meninas bielorussas se animaram e encaixaram uma sequência de quatro cestas contra apenas uma da Austrália. Graças a esta boa seqüência, a vantagem das oceânicas foi reduzida para sete pontos, 29 a 22, e forçou a técnica Jan Stirling a parar o jogo. O pedido de tempo surtiu efeito, pois as australianas acordaram e voltaram a impor um ritmo cruel ao jogo. Com rapidez nas trocas de passe, a estrela Penny Taylor foi achada duas vezes livre e conseguiu seis pontos seguidos para as australianas, sem obter resposta das adversárias. Isso consolidou a diferença em treze tentos, 35 a 22, restando 5min28s para o intervalo.
Opalas mostram por que são campeãs mundiais: As australianas mostraram a boa rotação que têm, isso porque, mesmo com Lauren Jackson e Penny Taylor indo para o banco descansar, a seleção atual campeã mundial manteve um bom ritmo em quadra, inclusive melhorando sua produção ofensiva. Neste período, sem as “estrelas principais”, foi a vez da dupla de armação tomar conta do jogo. As veteranas Kristi Harrower e Tully Bevilaqua comandaram a armação com maestria fazendo com que as jogadoras mais novas ficassem à vontade. Lauren Jackson voltou inspirada, após ficar um tempo sentada no banco, para piorar a situação das bielorussas. A Austrália foi soberana nos instantes derradeiros e foi para o intervalo com 16 pontos de frente, 44 a 28.
Para se ter uma idéia da supremacia australiana nos primeiros 20 mintuos de embate, a equipe da técnica Jan Stirling acertou 48% de seus arremessos de dois pontos contra apenas 36% de aproveitamento das bielorussas, nos rebotes as Opalas também foram superiores, coletando 24 sobras contra 22 das européias. Entretanto, a diferença mais gritante foram nos chutes de média e longa distância. A defesa australiana se mostrou perfeita neste quesito, não permitindo nenhum arremesso certeiro das rivais da linha dos três pontos. A equipe bielorussa errou suas dez tentativas de longe. Além disso, nos erros de ataque a equipe oceânica também foi superior, errando oito vezes contra dez do adversário.
Bielorússia não desiste: Os primeiros minutos da segunda etapa mostraram uma pequena evolução no jogo da Bielorússia. A jovem equipe do técnico Anatoly Buyalski forçou um pouco mais a defesa e começou a acertar seus arremessos de longe. A torcida chinesa, que compareceu em bom número ao jogo de abertura do basquetebol, se animou após um chute certeiro de três pontos da ala-armadora Nathalia Marchanka, diminuindo a diferença para dez tentos, 38 a 48. Porém, a animação da torcida chinesa não adiantou muito, a resposta australiana foi rápida e em dose dupla. A cestinha Lauren Jackson mostrou sua versatilidade com dois chutes de três seguidos para recolocar a diferença de 15 pontos, 56 a 41.
Apesar da superioridade das Opalas, as bielorussas não se deram por vencidas e continuaram atacando a cesta das rivais. A grande responsável por manter a Bielorússia na partida neste momento do jogo foi a ala-armadora Katsiaryna Snytsina, que chegou a marcar três cestas seguidas no terceiro período. Com a bela partida de Snytsina, a Bielorússia chegou a diminuir a diferença para dez tentos novamente, mas dois ataques perfeitos da Austrália frearam a reação das européias. Ao soar da sirene, indicando o fim do terceiro quarto, o marcador mostrava 65 a 50 para as atuais vice-campeãs olímpicas.
Austrália acaba com esperança das rivais: Porém, todo o esforço do time do Leste Europeu no terceiro quarto foi por terra no início do último. Assim como acontecera no primeiro período, a Bielorússia teve um “branco”, tanto na defesa quanto no ataque. Experientes, as australianas perceberam a oscilada das adversárias e não desperdiçaram a chance de abrir uma vantagem confortável nos primeiros minutos do período derradeiro para depois só administrá-la. Com grandes atuações de Lauren Jackson e Suzy Batkovic, as Opalas abriram 21 pontos após um lance livre convertido pela ala Laura Summerton, isso com 5min49s por jogar.
O time bielorusso bem que tentou uma reação histórica nos cinco minutos finais do confronto, mas o nervosismo das mesmas não deixou que o plano se concretizasse. Atrapalhadas, as bielorussas abusaram dos erros e deram mais confiança ao time australiano, que nem precisou jogar tudo o que sabe nos instantes derradeiros para garantir uma boa vitória na abertura do basquetebol olímpico nos Jogos de Pequim 2008.
Agora, a equipe australiana lidera o Grupo A do torneio feminino de basquetebol com uma vitória. Nesta mesma chave estão Brasil, que estréia na madrugada deste sábado (às 5h45min) contra a Coréia do Sul, além de Letônia e Rússia.
Vídeo com os melhores momentos de Austrália 83 x 64 Bielorrússia, imagens do Sportv:
João Guilherme
Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete nacional e internacional.
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