Publicado por Adriano Albuquerque
A atual campeã mundial Austrália confirmou o favoritismo e derrotou a República Tcheca com facilidade nesta terça-feira, por 79 a 46 (38 a 17 no primeiro tempo), pelas quartas-de-final do torneio de basquete feminino dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008. A equipe da Oceania jamais esteve atrás no placar durante toda a partida e obteve vaga nas semifinais, onde enfrentará na quinta-feira a anfitriã China e sua imensa torcida, que tem lotado o Wukesong Gymnasium. A expectativa é de mais uma vitória das Opals e uma terceira decisão olímpica consecutiva entre australianas e americanas - os EUA venceram os confrontos finais em Sydney-2000 e Atenas-2004.
No entanto, as australianas talvez tenham de fazê-lo sem uma de suas principais jogadoras, a ala Penny Taylor, eleita Melhor Jogadora do Mundial de São Paulo-2006. A lateral, que deixou de disputar a temporada da WNBA para se concentrar na preparação olímpica, torceu o tornozelo direito ao pisar no pé de uma adversária durante o terceiro quarto e virou dúvida para o resto da campanha. Chorando muito, ela passou o segundo tempo inteiro com o pé afundado em um balde de gelo.

Penny Taylor chora e leva a mão ao tornozelo após se lesionar
“A situação da Penny nos preocupa um pouco. Uma lesão no tornozelo como esta depende nas próximas 24 horas. Ela vai colocar gelo a cada duas horas. Parece ser bem significativa no momento. Se ela não puder jogar, o esporte é assim mesmo. Alguma outra pessoa terá de se apresentar. Sinto pela Penny, como sente o resto do time. Se não fora para ser, não é para ser”, disse a treinadora australiana, Jan Stirling. “Ela é uma das nossas jogadoras principais e nossa vice-capitã. Ela é nossa líder”, lamentou a ala-armadora Belinda Snell.
A armadora Kristi Harrower, por sua vez, confia na recuperação da lateral e lembrou que viveu situação semelhante durante a conquista do título mundial: “Eu não sei de nada no momento, mas não acho que estejamos preocupadas. Eu machuquei meu tornozelo dois anos atrás na semifinal contra o Brasil (no Mundial de São Paulo) e voltei para jogar a final dois dias depois. Desde que ela siga a rotina de colocar gelo a cada duas horas, espero que ela esteja em quadra conosco”.
Na ausência de Taylor, a esperança das campeãs mundiais é que a ala-pivô Lauren Jackson mantenha o nível da atuação desta terça pelo resto da competição. Considerada uma das melhores jogadoras do planeta e eleita MVP da WNBA no ano passado, Jackson comandou a vitória, com um duplo-duplo de 17 pontos e 12 rebotes e muita raça e luta no garrafão. Snell acertou três cestas de 3 pontos e marcou 15 pontos e nove rebotes.
Já a equipe do Leste Europeu não teve nenhuma jogadora com pontuação em dígitos duplos. A ala Ivana Vecerová e a armadora Hana Machová foram as cestinhas do time, com 8 pontos cada. “Acho que perder por 33 pontos, com a forma como jogamos, foi um resultado muito bom”, lamentou Vecerová.

Momentos bem distintos: Lauren Jackson sorri com a boa atuação, Taylor chora de dor com o pé no gelo
As tchecas erraram seus oito primeiros arremessos e saíram em desvantagem de 6 a 0, mas se mantiveram por perto com uma defesa agressiva, impedindo um aproveitamento muito bom das rivais. A Austrália impôs seu jogo na segunda metade do período, forçando quatro turnovers, e fez 9 a 1 para se desgarrar no placar, e mais quatro pontos que encerraram o primeiro quarto deixaram o placar em 23 a 10.
A defesa australiana continuou dominando o jogo e, apesar do ataque sofrer uma pequena baixa de rendimento contra a marcação por zona da República Tcheca, ainda acertou o suficiente para marcar 13 a 2 e levar a vantagem a 24 pontos. As européias descontaram com uma cesta de 3 de Mokrosová e de 2 de Sujanová, mas foram apenas sete pontos no total do segundo período, com três cestas em 17 arremessos, além de sete turnovers por todo o primeiro tempo. Penny Taylor acertou cesta de média distância no soar da sirene e as campeãs mundiais foram ao intervalo á frente por 38 a 17.
Apenas dois times na história das Olimpíadas fizeram menos pontos em um primeiro tempo: a antiga Tchecoslováquia, que em Seul-88 perdia para a Iugoslávia por 41 a 15 no intervalo, e Senegal, que só fez 12 pontos nos dois primeiros quartos de sua derrota para a Eslovênia.
O terceiro quarto começou mais movimentado e equilibrado. A contusão de Taylor aconteceu com menos de um minuto jogado no segundo tempo, quando a lateral batia para dentro e pisou no pé de Vecerová. Ela deu lugar a Jenni Screen, mas não fez falta: as Opals mantiveram as tchecas sem cestas por mais de sete minutos e marcaram 15 pontos consecutivos, indo ao período final com 61 a 27 no marcador. A Austrália lançou várias reservas no último quarto, mas continuou abrindo, jamais sendo ameaçada no resto da partida.

Batkovic passa por duas tchecas; a jovem Elhotova procura um alvo para o passe
Foi o fim da campanha da República Tcheca, que vem em decadência após ser finalista do EuroBasket em 2003 e campeã européia em 2005. Desde então, o time ficou em sétimo no Mundial de 2006 e quinto no campeonato continental do ano passado. Entretanto, o técnico Jan Bobrovsky recusou-se a apontar o fim da era de ouro do basquete feminino tcheco: “Não acho que seja o fim de uma geração. Este time ficou quatro meses jogando junto demais e é um pouco demais para as jogadoras jogarem tanto”.
FICHA TÉCNICA
AUSTRÁLIA (23 + 15 + 23 + 18 = 79)
Kristi Harrower (9 pontos e 4 assistências), Belinda Snell (15 pts, 9 rebs), Penny Taylor (8 pts, 6 rebs), Lauren Jackson (17 pts, 12 rebs) e Suzy Batkovic (8 pts, 9 rebs). Entraram depois: Rohanee Cox (10), Tully Bevilaqua (2 pts, 4 roubos), Laura Summerton (2), Hollie Grima (1), Jenni Screen (2), Erin Phillips (3) e Emma Randall (2).
Técnica: Jan Stirling
REPÚBLICA TCHECA (10 + 7 + 10 + 19 = 46)
Hana Machová (8 pontos e 4 assistências), Eva Vitecková (6), Jana Veselá (0 pts, 7 rebs, 3 tocos), Ivana Vecerová (8) e Petra Kulichová (2 pts, 5 rebs). Entraram depois: Edita Sujanová (4), Romana Hejdova (5), Michala Hartigová (2), Markéta Mokrosová (6) e Katerina Elhotova (5).
Técnico: Jan Bobrovsky
Adriano Albuquerque
Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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