Publicado por basketbrasil
Por causa dos pedidos de dispensas dos brasileiros da NBA, abriu-se uma discussão no país a sobre o famoso “respeito à pátria”. Talvez por isso muitos olhem para Dirk Nowitzki, o craque do Dallas Mavericks (também da liga americana), como exemplo de amor e dedicação à nação. Decidido a colocar um ponto final no jejum olímpico germânico que já durava 16 anos (os mesmos que o basquete masculino nacional viverá), o ala só tinha uma palavra em mente antes do Pré-Olímpico de Atenas: Pequim. E ele conseguiu. Com médias de 26,6 pontos e 8,2 rebotes (sendo 32 pontos na decisão contra Porto Rico), o jogador levou a Alemanha aos Jogos e conversou por e-mail com o Blog “DA LINHA DOS 3″ de Fábio Balassiano no Globo OnLine sobre a emoção de ter atingido o objetivo.
DA LINHA DOS 3: Depois da vitória que garantiu a vaga olímpica, você saiu da quadra com uma toalha na cabeça e parecia chorar bastante. Qual foi o seu sentimento naquele momento e qual a emoção de levar o seu país aos Jogos pela primeira vez desde 1992?
DIRK NOWITZKI: Cara, foram tantas emoções que eu nem me lembro exatamente o que aconteceu depois que a sirene tocou e nos classificamos. Só sei que estava extremamente feliz e muito tocado por ter atingido um dos objetivos da minha carreira. Este foi, sem dúvida alguma, um dos melhores momentos da minha vida profissional.
- A Alemanha enfrentou um Brasil muito desfalcado no Pré-Olímpico. Como foi aquela partida, já que aquele era um jogo de eliminação?
DIRK NOWITZKI: Aquele foi um duelo muito difícil para nós, de verdade. Mas não nos importamos com quem não estaria lá, e sim com os que estariam. Ganhamos porque estávamos em um bom dia e fomos o melhor time. Simples assim.
- Muita gente por aqui te vê como um exemplo de dedicação e amor ao país, porque, ao contrário dos jogadores brasileiros, você continua jogando pela sua seleção mesmo depois de tanto tempo na NBA. Afinal, quem pagou o seu seguro? E o que representa defender as cores de seu país em uma quadra de basquete?
DIRK NOWITZKI: Olha, muito se falou sobre seguros, mas não fui eu que paguei, e sim a Federação Alemã. Sobre jogar pela seleção, é simples: amo jogar basquete, e também amo muito jogar pelo meu país. Logo, não há nada melhor que jogar basquete pelo time nacional. É o meu pensamento, e sinceramente não quero me meter na situação deles (brasileiros). Cada um pensa e faz o que quer, mas eu só digo que atuar pelo seu país é mais que um prazer. É uma honra e um dever.
- O que esperar de seu time em Pequim, já que esta também deve ser a última competição de veteranos como Pascal Roller e Patrick Femerling? E mais: esta será a sua última competição com a Alemanha?
DIRK NOWITZKI: Tenho certeza de que teremos força para chegarmos às quartas-de-final. Chegando lá, tudo é possível. Sobre os veteranos, eles, assim como os mais jovens, ficaram muito orgulhosos de termos atingido um objetivo comum juntos. Somos um time, vamos enfrentar os rivais unidos e tenho certeza que com o Chris Kaman somos mais fortes. Sobre um descanso da seleção, isso é bem possível, mas não preciso decidir isso agora. Porém, uma coisa é clara: é um tempo ausente, e não uma aposentadoria definitiva.
- Dirk, é uma pergunta muito difícil, mas se você tivesse que escolher entre uma medalha olímpica e um título da NBA, com qual ficaria?
DIRK NOWITZKI: Eu não gosto muito de falar em cima de hipóteses. Mas posso dizer que agora já atingi um dos meus maiores objetivos, que era jogar uma Olimpíada. Meu segundo é ganhar um título da NBA, e vou atuar pelo Dallas com toda a vontade e concentração para também atingi-lo.
(Fabio Balassiano)
http://oglobo.globo.com/blogs/dalinhados3/
Equipe BasketBrasil
Outros artigos publicados por basketbrasil

