Espanha dá trabalho por três quartos, mas perde o fôlego e vê classificação russa

Publicado em: DESTAQUES, Internacional, Seleções
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19/08/2008 | 13:15

Publicado por João Guilherme

A Espanha chegou a ameaçar durante três quartos, mas na parcial decisiva a equipe espanhola perdeu o fôlego e acabou sendo derrotada pela Rússia por 84 a 65 (32 a 40 no intervalo). Com a vitória, a equipe russa se classifica às semifinais do torneio feminino de basquetebol e enfrentará os Estados Unidos na próxima fase, em jogo que servirá de revanche para as americanas, que perderam as semifinais do Mundial-2006, disputado no Brasil, para as próprias russas.

Apesar do placar dilatado no final, não pense que a vitória das russas foi fácil. As comandadas de Igor Grudin chegaram a estar perdendo por 18 pontos na primeira etapa e assumiram a liderança do jogo pela primeira vez apenas no final do terceiro quarto. No último período as vice-campeãs mundiais foram soberanas e confirmaram o favoritismo. A cestinha da Rússia foi a ala Tatiana Shchegoleva, autora de 19 pontos, ela foi seguida das estrelas Maria Stepanova, becky Hammon e Ilona Korstin. A armadora Hammon assinalou 17 pontos, Stepanova fez um duplo-duplo, 12 pontos e 10 rebotes, enquanto Korstin conectou 11 tentos e capturou sete sobras.

Pela Espanha, que acumula sua segunda eliminação olímpica seguida nas quartas-de-final, a cestinha foi a estrela Amaya Valdemoro, que encestou 16 pontos. Entretanto, isso não quer dizer que Valdemoro tenha jogado bem, ela acertou apenas quatro de suas onze tentativas no duelo. Além dela, apenas a ala-pivô Ana Montañana fez dígitos duplos, totalizando 13 pontos.

Russia vs. Spain Americana naturalizada russa, Becky Hammon enfrentará suas compatriotas na semifinal

O duelo entre Espanha e Rússia começou com uma surpresa. A seleção espanhola se impôs e não demorou para tomar conta do marcador. A equipe hispânica forçou o jogo defensivo e parou as principais armas ofensivas da Rússia, Maria Stepanova e Ilona Korstin. O curioso é que na arrancada espanhola, dada na metade do primeiro período, a principal estrela do plantel espanhol, a ala Amaya Valdemoro, foi apenas coadjuvante e assistiu o belo basquetebol desempenhado por suas companheiras. A estrela ibérica só saiu do zero a 2min do término do primeiro quarto quando conectou três lances livres. Para delírio da torcida espanhola presente na Arena Olímpica de Pequim, a ala Isabel sanchez acertou um arremesso no estouro do cronômetro e aumentou a liderança espanhola para onze tentos, 21 a 10, ao final do primeiro período.

Quem esperava uma reação russa na segunda parcial da partida, se assustou com a apatia da equipe treinada pelo técnico Igor Grudin. As espanholas continuaram dominando o duelo e chegaram a abrir dezoito pontos de frente após um tiro certeiro de Nuria Martinez, 30 a 12. Após esta lance, o técnico russo perdeu a paciência e pediu tempo para tentar ajeitar a casa. O pedido de tempo fez efeito e as vice-campeãs mundiais começaram a reagir. As líderes da reação foram Becky Hammon e Svetlana Abrasimova, que aproveitaram o “cochilo” para mostrarem suas miras calibradas de longe.

Russia vs. Spain Ana Montañana tenta arremesso marcada por Shchegoleva.

A diferença chegou a ser cortada para apenas quatro pontos, após um arremesso perfeito de Ilina Osipova, 34 a 30. No último minuto do primeiro tempo, a Espanha reacordou e conseguiu quatro pontos seguidos sem reação russa. O time do leste europeu ainda fez uma cesta com Tatiana Schchegoleva, diminuindo o prejuízo para seie tentos, 32 a 38, o que as russas não contavam, porém, é que a Espanha ainda conseguisse fazer mais dois pontos antes da sirene soar para sacramentar o fim do segundo quarto, 40 a 32 para as latinas.

O segundo tempo começou equilibrado e nervoso. Ambas as equipes se “esqueceram” de fazer cestas e só lembraram em fazer faltas. Neste período de partida, a equipe espanhola manteve a vantagem oscilando entre seis e oito pontos. Entretanto, a tranquilidade espanhola durou pouco, a equipe ibérica se perdeu durante alguns minutos e isto foi o suficiente para que a Rússia aproveitasse para mudar o rumo da partida.

Jogando um basquetebol agressivo, o time europeu conseguiu virar o jogo ainda no terceiro período, após um arremesso perfeito da armadora Olga Rakhmatulina, 50 a 49, forçando o técnico espanhol Evaristo Perez a pedir tempo. A parada técnica surtiu efeito e a Espanha voltou a se focar no jogo, não permitindo que as russas deslanchassem no placar. Entretanto, não foi suficiente para devolver a liderança para as espanholas ao final do terceiro período, 56 a 55 para a Rússia.

Russia vs. Spain Maria Stepanova foi importante na virada russa.

A equipe russa começou o último quarto disposta a aniquilar as chances de reação da Espanha. Usando uma forte defesa e abusando dos contra-ataques, as vices-campeãs mundiais não tiveram dificuldades para abrir uma boa vantagem. A diferença chegou a oito pontos após um arremesso perfeito da ala-pivô Maria Stepanova. Os primeiros pontos da Espanha no período final só vieram com uma bola de 3 de Maria Pascua, isso com 3min de bola quicando. Porém, a bola certeira de longe de Pascua não surtiu muito efeito, pois a Rússia continuou dominando o duelo. As estrelas Maria Stepanova e Ilona Korstin finalmente conseguiram furar o bloqueio espanhol e passaram a mostrar seu melhor basquete. Já as espanholas, descontroladas, não conseguiram impor novamente seu ritmo de partida e protagonizaram um festival de arremessos de 3 errados.

A 2min30seg do fim, a armadora americana naturalizada russa, Becky Hammon, protagonizou um lance pitoresco. Ela tentou uma infiltração e arremessou, mas a bola ficou presa entre a o aro e a tabela, arrancando um belo sorriso da camisa 7 russa. Já o duelo continuou sob domínio das belas do leste europeu. A Espanha bem que tentou, mas, jogando de forma desastrada, não chegou a ameaçar a classificação russa para as semifinais. As comandadas de Igor Grudin, inclusive, chegaram a aumentar a diferença para 19 pontos nos instantes finais do embate, mostrando todo o domínio que tiveram na parcial decisiva.

João Guilherme Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete nacional e internacional.
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