Guia Olímpico Basketbrasil masculino: Estados Unidos são favoritos para reconquistar o ouro

Publicado em: CAPA, DESTAQUES, Internacional, Seleções
Tags: , , ,

6/08/2008 | 8:23

Publicado por Redação

Confira nesta quarta-feira a série “Guia Olímpico Basketbrasil”, com as apresentações das 12 seleções que disputam o torneio masculino dos Jogos de Pequim-2008, incluindo fotos, vídeos, histórico e muito mais. A seleção americana liderada por Kobe Bryant, o MVP da temporada da NBA pelo Los Angeles Lakers, tenta recuperar o orgulho perdido após as últimas derrotas em competições internacionais. Quinta-feira tem o guia completo do torneio feminino.

ESTADOS UNIDOS

A seleção americana é sempre favorita ao ouro em qualquer competição de basquete, mas os americanos não vencem uma grande competição da Fiba desde os Jogos de Sydney-2000, quando escapou por pouco da eliminação na semifinal e conquistou o título em uma final pouco inspirada contra a França. De lá para cá, o time amargou uma sexta posição no Mundial disputado em casa, em Indianápolis, em 2002, perdeu três vezes nos Jogos de Atenas-2004 e ficou apenas com o bronze e voltou a ser terceiro colocado no Mundial do Japão-2006.

As humilhantes derrotas em Atenas para Porto Rico - na estréia e por dígitos duplos! - Lituânia e Argentina acenderam o alerta na federação americana de basquete, a USA Basketball, que decidiu reformular o sistema de convocação e treino para as Olimpíadas. Os americanos juraram não mandar mais simples times de All-Stars para os Jogos, realizando um intenso processo de seleção envolvendo mais de 20 jogadores e exigindo compromissos de três anos de cada um deles. Aparentemente, o projeto deu certo e hoje os Estados Unidos chegam a Pequim novamente como maiores favoritos ao título olímpico. Nos dois anos em que esteve junta, a nova seleção venceu 23 dos 24 jogos que disputou, perdendo apenas para a Grécia na semifinal do Mundial de 2006, primeira competição do novo regime. Em 2007, o time encantou na Copa América de Las Vegas e conquistou o título com 10 vitórias convincentes.

A expectativa para os Jogos é de um time americano muito mais entrosado e preparado para as regras da Fiba, cujas diferenças para o regulamento da NBA sempre os confundiu. Desta vez, em vez de All-Stars selecionados a esmo, o elenco conta com jogadores escolhidos para funções específicas, como o ala-armador Michael Redd, levado para ser o chutador de três pontos e válvula de escape contra defesas por zona, e o ala Tayshaun Prince, um dos melhores defensores dos Estados Unidos. E os astros desta safra estão em grande fase: Kobe Bryant é o atual MVP da NBA, LeBron James e o reserva Chris Paul estiveram na briga pelo prêmio durante a temporada, o pivô Dwight Howard é considerado o melhor da liga em sua posição junto com o chinês Yao Ming e o ala Carmelo Anthony brilhou pela seleção nos últimos dois anos.

Kobe Bryant foi MVP da NBA neste ano

A equipe vem dominando a maioria dos amistosos, mas ainda mostra algumas deficiências que podem ser exploradas por bons times como Espanha e Grécia. O time ainda tem dificuldades quando enfrenta marcações por zona, depende muito do jogo de transição por causa de um ataque de meia-quadra mediano, e às vezes dá espaço quando arrisca roubos de bola para puxar contra-ataques. Outra fonte de preocupação é a carência de grandes pivôs; o time está levando apenas um pivô de ofício, Howard, e dois alas-pivôs para sua reserva, Chris Bosh e Carlos Boozer. Durante a preparação para os Jogos, até LeBron James ganhou tempo na posição 5. Mesmo assim, o talento, capacidade atlética superior e motivação dos EUA os torna favoritos máximos à medalha de ouro.

Participações em Olimpíadas: 1936, 1948, 1952, 1956, 1960, 1964, 1968, 1972, 1976, 1984, 1988, 1992, 1996, 2000, 2004 e 2008
Participações em Mundiais: 1950, 1954, 1959, 1963, 1967, 1970, 1974, 1978, 1982, 1986, 1990, 1994, 1998, 2002 e 2006
Ranking da Fiba: 1º colocado
Últimas Olimpíadas (Atenas-2004): 3º lugar
Campeonato Mundial (Japão-2006): 3º lugar
Copa América (Las Vegas-2007): Campeão

Técnico: Mike Krzyzewski

Mesmo nos EUA, poucos técnicos são tão condecorados quanto o “Coach K”, como é chamado para simplificar seu complicado sobrenome. Krzyzewski já está no Hall da Fama do Basquete e foi Técnico Universitário do Ano 12 vezes, tendo comandado a universidade de Duke a três títulos da NCAA. Além disso, o treinador esteve em 11 comissões técnicas diferentes da seleção americana, compilando um retrospecto de 73 vitórias e 7 derrotas através dos anos. Ele era um dos auxiliares de Chuck Daly em Barcelona-1992, quando o “Dream Team” original encantou o mundo. Desde que assumiu o cargo de treinador principal em 2005, Krzyzewski vem pregando uma filosofia de pressão defensiva para gerar oportunidades de transição para os EUA, e vem dando certo: são 23 vitórias em 24 partidas.

Os convocados:
Dwyane Wade - Ala-armador - 1,93m - 17/1/1982 - Miami Heat (EUA)
Carlos Boozer - Ala-pivô - 2,06m - 20/11/1981 - Utah Jazz (EUA)
Carmelo Anthony - Ala - 2,03m - 29/5/1984 - Denver Nuggets (EUA)
LeBron James  - Ala - 2,03m - 30/12/1984 - Cleveland Cavaliers (EUA)
Chris Bosh - Ala-pivô - 2,08m - 24/3/1984 - Toronto Raptors (CAN)
Kobe Bryant - Ala-armador - 1,98m - 23/8/1978 - Los Angeles Lakers (EUA)
Dwight Howard  - Pivô - 2,11m - 8/12/1985 - Orlando Magic (EUA)
Jason Kidd - Armador - 1,94m - 23/3/1973 - Dallas Mavericks (EUA)
Chris Paul - Armador - 1,83m - 6/5/1985 - New Orleans Hornets (EUA)
Tayshaun Prince - Ala - 2,06m - 28/2/1980 - Detroit Pistons (EUA)
Michael Redd - Ala-armador - 1,99m - 24/8/1979 - Milwaukee Bucks (EUA)
Deron Williams - Armador - 1,91m - 26/6/1984 - Utah Jazz (EUA)

Até os companheiros ficam encantados com as poderosas enterradas de LeBron James

História Olímpica dos EUA no Basquete

Estados Unidos em Olimpíada é sinônimo de medalhas, geralmente de ouro. Os americanos só não participaram de uma edição dos Jogos, por causa do boicote em 1980; em todas as demais edições do torneio olímpico de basquete, o time saiu com uma medalha, sendo 12 de ouro em 15 no total. Talvez por causa disso, seus fracassos ficaram mais marcados na memória do que seus sucessos.

Os americanos, fundadores e maiores difusores do esporte no mundo, venceram as sete primeiras edições do torneio. A primeira derrota do time, após 62 vitórias, veio nos Jogos de Munique-1972, em um dos jogos mais polêmicos da história do basquete. O adversário era a grande rival União Soviética, na época uma potência econômica e política que liderava o Bloco Comunista. Atrás por 50 a 49 com 3s restando por jogar, os soviéticos saíram com a bola logo em seguida, mas o árbitro brasileiro Renato Righetto apitou com um segundo restando: o técnico soviético Vladimir Kondrashin havia pedido tempo. A URSS recebeu uma segunda chance de sair com a bola, mas o fez mal, forçando um arremesso de longe no desespero que errou, e os americanos começaram a celebrar.

Entretanto, Kondrashin protestou que o relógio do jogo não havia sido reiniciado corretamente com 3s, e o secretário geral da Fiba, o britânico Renato Williams Jones, decidiu que o apelo fosse atendido e voltou o relógio, embora não tivesse autoridade para isso. Na terceira chance, os soviéticos colocaram a bola nas mãos de Aleksandr Belov, que fez a cesta do triunfo soviético. Revoltados e sentindo-se roubados, os americanos não subiram ao pódio e até hoje não aceitaram a medalha de prata. Renato Righetto e o responsável pela marcação dos pontos não assinaram a súmula após a partida, protestando contra a decisão de Jones. Os EUA fizeram um protesto oficial, mas um painel de cinco pessoas decidiu em favor dos soviéticos; a votação foi influenciada pela divisão da Guerra Fria, com os aliados americanos Porto Rico e Itália votando a favor do protesto e Hungria, Cuba e Romênia, do Bloco Comunista, apoiando a URSS.

Os americanos desejavam vingança e redenção, mas nunca a tiveram. A forte equipe enviada a Montreal-1976 foi campeã invicta, mas não encontrou a URSS pelo caminho. Em 80, houve o boicote aos Jogos de Moscou, e em 84, foi a vez de os soviéticos devolverem o boicote e não enfrentarem a lendária equipe de Michael Jordan, Patrick Ewing e Sam Perkins, que dominou a competição em Los Angeles. O próximo encontro com os soviéticos só veio em Seul-1988, nas semifinais, mas como já havia sido demonstrado com a derrota para o Brasil na final dos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis-1987, os universitários não eram mais suficientes para conquistar o ouro; desfalcado do lesionado Hersey Hawkins e com o astro Danny Manning pendurado por boa parte da partida, o Team USA acabou derrotado por 82 a 76 e ficou com o bronze, seu pior resultado em uma Olimpíada até então.

Em 1989, uma votação entre os países da Fiba decidiu pela “competição aberta” com profissionais nas Olimpíadas, e uma nova era se iniciou para o basquete americano. Agora, os jogadores da NBA, maior liga profissional do planeta, seriam permitidos participar dos Jogos. A USA Basketball juntou um time com um trio considerado como o melhor de todos os tempos - Michael Jordan, Magic Johnson e Larry Bird - e os cercou com outras lendas da liga como Charles Barkley, Karl Malone, Scottie Pippen, Patrick Ewing, David Robinson e Clyde Drexler. A equipe foi imediatamente apelidada de “Dream Team” (”Time dos Sonhos”) e se tornou a maior atração de Barcelona-1992. Os americanos atropelaram seus adversários, saindo invictos com margem de vitória de 43,75 pontos em média.

A partir daí, a superioridade dos jogadores da NBA subiu à cabeça dos americanos e eles passaram a montar times com vários astros - os que aceitavam competir, já que muitos preferiam tirar férias da árdua temporada da NBA a jogar pela seleção. Em Atlanta-1996, deu certo; já em Sydney-2000, os americanos escaparam da derrota para a Lituânia na semifinal por pouco, conquistando o ouro contra a França. Em 2004, a falta de planejamento e estratégia finalmente custou o título ao Team USA. Vários jogadores da seleção campeã do Pré-Olímpico de 2003 se recusaram a jogar em Atenas, alguns por medo de ataques terroristas e outros por motivos pessoais. O grupo foi montado às pressas com vários jogadores recém-saídos de suas primeiras temporadas na NBA, como o trio Carmelo Anthony, LeBron James e Dwyane Wade, e apenas o armador Allen Iverson e o ala-pivô Tim Duncan como remanescentes.

O time teve um período de preparação conturbado, com derrotas para Alemanha e Itália, e os boatos de conflito entre os jogadores e o técnico Larry Brown começaram a surgir. Na estréia, a invencibilidade olímpica de 25 jogos dos EUA caiu de forma categórica, em uma humilhante derrota por 92 a 73 para Porto Rico. Três jogos depois, o time foi derrotado pela Lituânia na revanche da semifinal olímpica de 2000 e terminou em quarto no Grupo B, classificando-se para enfrentar a invicta Espanha nas quartas-de-final. O Team USA se superou e teve sua melhor atuação até então, liderada por 31 pontos do armador Stephon Marbury (recorde olímpico do país), para vencer por 102 a 94. Nas semifinais, porém, a Argentina, que já havia vencido os EUA no Mundial dois anos antes, eliminou os americanos com uma forte vitória por 89 a 81, e o time da terra do Tio Sam teve de se contentar com seu segundo bronze na história.

Tabela Olímpica (Horários de Brasília)
10 de agosto - EUA x China (11h15min)
12 de agosto - EUA x Angola (9h)
14 de agosto - EUA x Grécia (9h)
16 de agosto - EUA x Espanha (11h15min)
18 de agosto - EUA x Alemanha (9h)

Amistosos antes dos Jogos
87 x 76 Austrália
89 x 68 Rússia
120 x 84 Lituânia
114 x 82 Turquia
120 x 65 Canadá

Notícias dos EUA (BasketBrasil)
http://www.basketbrasil.com.br/internacional/tecnico-dos-estados-unidos-mike-krzyzewski-diz-que-time-esta-pronto-para-as-olimpiadas
http://www.basketbrasil.com.br/internacional/no-seu-pior-amistoso-americanos-vencem-australia-por-87-a-76-no-ultimo-teste-antes-da-estreia-em-pequim
http://www.basketbrasil.com.br/nba/extraquadra/atentado-terrorista-na-china-nao-assusta-americanos-que-visitam-hospital-antes-de-encarar-australia
http://www.basketbrasil.com.br/internacional/selecao-americana-tem-mais-dificuldades-mas-vence-a-russia-por-89-a-68-em-xangai
http://www.basketbrasil.com.br/internacional/eua-encaram-maior-teste-pre-olimpico-domingo-contra-russia-kobe-se-assume-mais-como-marcador-que-cestinha
http://www.basketbrasil.com.br/internacional/selecao-americana-domina-lituania-com-show-coletivo-e-fortalece-favoritismo-ao-ouro
http://www.basketbrasil.com.br/internacional/lebron-james-prova-que-esta-inteiro-e-e-o-melhor-da-vitoria-da-selecao-americana-sobre-a-turquia
http://www.basketbrasil.com.br/internacional/ataque-em-meia-quadra-preocupa-americanos-antes-dos-jogos-de-pequim
http://www.basketbrasil.com.br/internacional/capa-da-revista-%e2%80%9ctime%e2%80%9d-lebron-garante-que-eua-ganharao-ouro-em-pequim-e-compara-medalha-a-presente-de-natal
http://www.basketbrasil.com.br/nba/extraquadra/kobe-e-lebron-lideram-lista-sem-surpresas-da-selecao-americana-para-pequim

Vídeos:

(Por Adriano Albuquerque)

Redação BasketBrasil Uma equipe? um time. Somos o BasketBrasil.
Outros artigos publicados por Redação

Comentários

Sem comentários »

Sem Comentários ainda.

RSS feed para comentários neste post. TrackBack URL

Deixe um comentário

Você precisa estar logado para postar um comentário.

Notícias relacionadas

Newsletter

Digite seu email

Publicidade

Anuncie no BasketBrasil

© 2008 BasketBrasil. Todos os direitos reservados.

Sobre o BasketBrasil | Aviso legal | Contato

BasketBrasil pela rede: Youtube | Orkut | Facebook | Twitter

Anuncie no BasketBrasil | Ajuda | Faça parte da equipe