Segunda fase masculina de Pequim promete quatro grandes jogos nesta quarta-feira (galeria de fotos)

Publicado em: CAPA, Internacional, Multimídia, Seleções
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19/08/2008 | 14:18

Publicado por Adriano Albuquerque

Se as quartas-de-final do torneio feminino de basquete dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 tiveram poucas emoções nesta terça-feira, as quartas do torneio masculino, que acontecem nesta madrugada de quarta-feira, prometem ser muito disputadas. Os Estados Unidos despontaram como favoritos na primeira fase, mas precisam provar que mantêm o foco e seu domínio no Grupo B não foi mera empolgação. Nos outros três jogos, reina o equilíbrio entre as equipes.

O primeiro jogo da rodada começa às 3h30min (horário de Brasília) e coloca a atual campeã mundial Espanha contra a tradicional Croácia. A pressão está sobre os espanhóis, que entraram no torneio como favoritos e venceram quatro de seus cinco jogos na fase de classificação. A única derrota sofrida, porém, foi um massacre dos EUA, 119 a 82, que deixou um gosto amargo nas bocas dos ibéricos e fez ressurgir os questionamentos sobre a capacidade da equipe de responder em momentos de pressão. Apesar do título no Mundial do Japão-2006, os espanhóis lembram-se bem das quartas-de-final em Atenas-2004, em que após fazerem campanha invicta no grupo, caíram frente aos americanos, 102 a 94. No ano passado, o time foi anfitrião do EuroBasket, mas perdeu a decisão para a Rússia por um ponto.

Não foi a única derrota do time no torneio: a “Fúria” também perdeu para a mesma Croácia em Sevilha durante a competição. Por isso, os espanhóis encaram o confronto desta quarta com cautela. “Este é o jogo que separa o sucesso do fracasso e tudo é decidido em 40 minutos. É necessário manter o foco e estar preparado para se entregar 100% nas quartas-de-final. Vejo a Croácia como um rival difícil. Eles nos bateram no ano passado no EuroBasket e dificultaram nossa vida no EuroBasket anterior. São um time parecido com o nosso”, disse Calderón.

São mesmo. A Croácia tem um elenco profundo em talentos que o técnico Jasmin Repesa explora ao máximo, defende bem, trabalha coletivamente no ataque e sai bem no contra-ataque. Além disso, conta com vários jogadores atuando no basquete espanhol. A diferença é que a seleção ainda busca afirmação no cenário mundial, após ficar de fora do último Mundial e 12 anos sem participações olímpicas. A equipe cresceu durante o Pré-Olímpico Mundial e venceu Austrália, Rússia e Irã na fase de grupos. O pivô reserva Nikola Prkácin garantiu que os croatas têm boas chances de passar às semifinais: “Não queríamos enfrentar o ‘Dream Team’ (EUA), mas podemos lidar com a Espanha. Em um jogo, qualquer coisa é possível”.

Às 5h45min, entra em quadra a forte e tradicional seleção da Lituânia, que venceu quatro jogos no Grupo A e garantiu a primeira colocação da chave, antes de se poupar em uma derrota para a Austrália. O quarto colocado do Grupo B, porém, não será nada fácil de se bater: a anfitriã China, que receberá o apoio de uma torcida que tem lotado o Wukesong Gymnasium e feito muito barulho por todo o torneio. Os asiáticos torcem para que sua dupla de pivôs NBA, Yao Ming e Yi Jianlian, domine o garrafão contra os veteranos Robertas Javtokas e Ksistof Lavrinovic, e que os chutes de 3 de Liu Wei e Sun Yue continuem caindo.

“A Lituânia é um dos superpoderes da Europa, mas acredito que temos uma chance. Nós temos de jogar duro na defesa e no ataque. Nós viemos até aqui, agora temos a chance de ir ainda mais longe e vamos dar tudo o que temos”, prometeu Jianlian, jogador recém-adquirido pelo New Jersey Nets em troca com o Milwaukee Bucks.

A China ainda conta com outro trunfo para derrotar o time do Leste Europeu: seu técnico, Jonas Kazlauskas, que é lituano e treinou a seleção de seu país nos Jogos de Sydney-2000, quando foi medalha de bronze. Daquela equipe, permanecem no time atual o armador Sarunas Jasikevicius e o ala-armador Ramunas Siskauskas. “A China é um time muito bom, os treinadores são lituanos que treinaram a seleção da Lituânia. Ele nos conhece muito bem e nós o conhecemos muito bem”, advertiu o atual técnico da equipe, Ramunas Butautas.

Os EUA entram em quadra como favoritos absolutos contra a Austrália, às 9h da manhã, após derrotarem seus oponentes no Grupo B por uma média de 32,2 pontos por partida. O time lidera a competição em vários quesitos estatísticos, como pontos, aproveitamento de arremessos, assistências, tocos e roubos, e a imprensa americana já diz que os demais participantes disputam apenas a medalha de prata.

Os australianos, entretanto, foram o adversário mais difícil do “Team USA” na fase de preparação, perdendo por apenas 87 a 76 no último amistoso dos Estados Unidos antes dos Jogos. Os “Post Boomers” ainda não contavam nem com o pivô Andrew Bogut, considerado seu melhor jogador, que se recuperava de lesão no tornozelo, e apresentaram problemas para os EUA com sua defesa mais física e por zona, além da velocidade de seus armadores. No Grupo A, o time estreou com derrotas difíceis para a Croácia e a Argentina, mas se recuperou com vitórias convincentes sobre Irã, a atual campeã européia Rússia e a até então invicta Lituânia.

Agora, o técnico Brian Goorjian está confiante na maneira que sua equipe vem jogando e crê que os australianos podem fazer jogo duro. “Não há um plano de jogo para (o jogo contra) os Estados Unidos. Temos uma chance de golpear os EUA e estou confiante que vamos entrar lá e jogar bola. Gosto da forma como estamos jogando, nem quero olhar para as fitas. Quero que nosso país fique orgulhoso do nosso time. Todo mundo na Austrália vai estar assistindo ao jogo e espero que joguemos tão bem quanto fizemos (contra a Lituânia)”, disse Goorjian.

O último jogo do dia, às 11h15min, é uma revanche das quartas-de-final de Atenas-2004, entre Argentina e Grécia. Há quatro anos, os sul-americanos eliminaram os gregos na casa do adversário e seguiram rumo ao título olímpico. Além da chance de vingança, os vice-campeões mundiais lutam para provar que pertencem à elite do basquetebol, após sofrer derrotas ruins para EUA e Espanha na primeira fase. O técnico Panagiotis Yannakis quer atenção redobrada de seu time. “Quando você enfrenta um time como a Argentina, a primeira coisa é não cometer erros, paciência e tentar manter a mente limpa, em todo passe e em toda defesa. É um jogo difícil; os jogadores deles podem mudar o jogo, cada um deles. Nós precisamos de concentração. Nós temos de trabalhar nisso”, disse o treinador.

Os atuais campeões olímpicos venceram quatro dos cinco jogos que disputaram na competição, mas sabem que o jogo contra a Grécia será difícil, como foi a estréia contra a Lituânia, que os argentinos perderam por 79 a 75. Desta vez, os “hermanos” esperam que a bola caia a seu favor. “O time que impuser seu estilo vai abrir diferença. Será uma partida acirrada, que vai se definir em uma bola que entra ou saia, ou por uma falta”, disse o ala-pivô Luis Scola.

Para esquentar o clima, confira nossa galeria com as melhores fotos Fiba da primeira fase do torneio olímpico masculino. Para ver mais fotos, acesse o hotsite especial da Fiba, com galerias diárias:

Adriano Albuquerque Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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