Publicado por Paulo Roberto
Astros americanos usam o mesmo feitiço dos gregos para dar o troco da derrota nas semifinais do Mundial-2006: uma defesa poderosa, bolas de três caindo, uma força surpreendente no garrafão com Chris Bosh colocando o “Baby Shaq” Schortsianitis no bolso e igualando-se ao MVP Kobe Bryant como cestinhas com 18 pontos, jogadas-show de LeBron James e Dwyane Wade… No primeiro grande teste em Pequim, Estados Unidos atropelam vice-campeões mundiais por 92 a 69 e mostram que são mesmo favoritos à reconquista do ouro.
No seu primeiro grande teste contra um time candidato a medalha nas Olimpíadas de Pequim, a seleção de astros dos Estados Unidos teve a revanche da derrota sofrida nas semifinais do Mundial do Japão-2006 usando justamente as melhores armas da Grécia para fazer o feitiço virar contra o feiticeiro: uma poderosa defesa, um ataque balanceado e um melhor número de bolas de três, com um tempero extra de enterradas, belos tocos e outras jogadas-show na vitória tranqüila por 92 a 69 (51 a 32 no intervalo) numa partida que só foi complicada no quarto inicial. O ala-pivô do Toronto Raptors Chris Bosh e o craque do Los Angeles Lakers Kobe Bryant foram os cestinhas do timaço americano com 18 pontos cada, e o ala-armador do Miami Heat Dwyane Wade anotou 17 tentos contra 15 do armador Theodoros Papaloukas e 14 do ala-armador Vassilis Spanoulis liderando o conjunto grego, maior sensação do Torneio Pré-Olímpico Mundial em Atenas.
Chris Bosh, a medusa que deixa os gregos petrificados
Bosh e o melhor jogador da NBA Kobe não estiveram no Mundial dois anos atrás, e mostraram nesta quarta-feira que fazem uma grande diferença na campanha para a reconquista do ouro olímpico por parte do Redeem Team (Time da Redenção), já Wade e LeBron James estiveram em quadra naquela vitória histórica do basquete grego rumo ao vice-campeonato mundial e jogaram muito bem com espírito de vingança hoje. No próximo sábado, os EUA enfrentam a campeã mundial Espanha em um grande duelo de invictos já classificados às quartas-de-final, valendo o primeiro lugar do forte Grupo B, já a seleção grega jogará pela recuperação com amplo favoritismo para conseguir sua segunda vitória enfrentando a lanterna Angola.
Kobe Bryant enterra à frente de Diamantidis
O jogo começou como uma autêntica batalha defensiva, com Kobe e Spanoulis trocando cestas, até que a Grécia fez 6 a 4 com uma enterrada do ala-pivô Antonis Fotsis. Após um belo toco do pivô do Orlando Magic Dwight Howard, o ala do Denver Nuggets Carmelo Anthony acertou um chute de três da zona morta direita, Andreas Glyniadakis respondeu com uma cesta no garrafão, e Panagiotis Vasilopoulos abriu 11 a 7 ao acertar um lance livre e pegar o próprio rebote da segunda cobrança e fazer a cesta em um raro vacilo da defesa ianque. Chris Bosh descontou convertendo no garrafão com o auxílio da tabela, aí entraram em quadra o armador Theo Papaloukas e o pivô peso-pesado Sokoflis Schortsianitis, o “Baby Shaq” que fez logo uma cesta embaixo do aro abrindo 13 a 9. Na seqüência Bryant deu uma bela assistência para enterrada de LeBron, e com uma defesa bem agressiva os americanos foram buscar o empate em 13 a 13 com uma bandeja do armador do New Orleans Hornets Chris Paul no contra-ataque. A virada veio com uma enterrada de Kobe também na transição rápida e, após um ponto de lance livre de Schortsianitis, Bosh conseguiu uma jogada de três pontos no garrafão fazendo 18 a 14. Dwyane Wade foi outro que entrou bem fazendo uma cesta no rebote ofensivo, e o primeiro quarto terminou com os americanos na frente por 20 a 16 após uma infiltração convertida por Papaloukas.
Papaloukas parte para bandeja passando por LeBron
No segundo período, a Grécia não voltou bem no ataque e os Estados Unidos passaram a dominar com direito a algumas jogadas-show. D-Wade mostrou esse espírito de garra recuperando uma bola quase perdida na linha lateral e ao mesmo tempo dando um passe longo incrível cruzando a quadra para a cravada de Kobe Bryant na ponte aérea, uma verdadeira obra de arte. Depois de uma enterrada de Bourousis, Dwight Howard respondeu na mesma moeda, e em um contra-ataque veloz LeBron James decolou de longe para fazer uma bela enterrada “tomahawk” abrindo 26 a 18. O armador grego Nikos Zisis converteu um arremesso de média distância sofrendo a falta e aproveitando o lance livre de bonificação, depois Bosh e Bourousis conectaram um lance livre cada, e na seqüência Kobe deu uma bonita assistência para trás para o “Flash” Wade converter a bandeja no trailer sofrendo a falta e encestando o lance livre de bonificação para uma vantagem de 31 a 22. Tsartsaris, D-Wade e Papaloukas alternaram cestas em infiltrações, mas uma bola de três do cestinha do Miami ampliou a diferença para 36 a 26, enquanto do outro lado os triplos gregos não estavam caindo. Papaloukas descontou com uma bandeja no contragolpe após roubo de bola interceptando passe errado de LeBron, que se recuperou com uma enterrada no rebote ofensivo de uma bandeja errada de Carmelo. Kostas Tsartsaris converteu uma bela bandeja passando por baixo da cesta na reversão, mas Kobe respondeu com um chute de três certeiro abrindo 41 a 30, parece que o encontro com o ídolo brasileiro Oscar Schmidt ontem inspirou o astro do Lakers a acertar a mão, depois de ele errar muitos arremessos de fora no passeio contra Angola.
Chris Bosh, que entrou muito bem no garrafão americano mostrando que sabe jogar de pivô substituindo Howard, converteu uma bandeja mesmo desequilibrado sofrendo a falta e encestou o lance livre de bonificação, aí LeBron aproveitou uma bola roubada para dar espetáculo com uma enterrada de costas fazendo 46 a 30. O vibrante Bosh conseguiu outra jogada de três pontos no garrafão e, depois de uma cesta de Fotsis embaixo do aro, LeBron converteu uma bandeja no contra-ataque abrindo 51 a 32, depois Bosh fechou a parcial com chave de ouro com um toco, o astro do Toronto foi o cestinha do primeiro tempo com 12 pontos. Bosh foi para os EUA hoje o gigante que “Baby Shaq” foi para a Grécia naquela semifinal de 2006.
LeBron James enterra de costas no segundo quarto
No terceiro quarto, o panorama de domínio americano não mudou, embora a Grécia tenha melhorado um pouco. Com uma cesta de LeBron no garrafão e dois lances livres conectados por Carmelo, a diferença chegou a 55 a 34, Fotsis fez a primeira cesta de três grega no estouro dos 24 segundos de posse de bola, mas Kobe Bryant respondeu com uma cesta no chute curto mesmo sofrendo a falta no ar. Papaloukas acertou outro triplo grego, mas após um belo toco de Kobe em Spanoulis foi a vez de Carmelo meter uma bola de três fazendo 60 a 40, e Bryant “Mão Santa” em seguida também converteu um tiro de longa distância impondo a maior diferença no placar até então. Do outro lado, Spanoulis converteu uma linda bandeja na infiltração, depois Jason Kidd apareceu bem roubando uma bola na defesa e fazendo um lindo passe picado no contra-ataque para enterrada de Kobe.
Kobe, LeBron James e Chris Bosh comemoram
No esforço de recuperação da Grécia, Fotsis acertou um arremesso longo da lateral direita pisando na linha de três e Papaloukas conseguiu uma jogada de três pontos no garrafão descontando a diferença para 65 a 47. Mas no momento defensivo mais espetacular da partida, Spanoulis levou um tocaço de tabela de LeBron quando tentava uma bandeja, os gregos ficaram com o rebote e no mesmo ataque levaram outro toco de tabela desta vez de Bosh, que depois ampliou a vantagem para 69 a 49 com uma cesta com auxílio da tabela no garrafão. O reserva Pelekanos entrou voando no time grego convertendo uma bola de três e uma bandeja na infiltração depois que Wade só conectou um em três lances livres da falta sofrida quando tentava o arremesso de longe, mas o “Flash” do Heat se recuperou convertendo uma bela bandeja com finta sofrendo a falta e aproveitando o lance livre de bonificação para fazer 74 a 54 no fechamento da parcial.
Dwyane Wade foge do toco de “Baby Shaq” Schortsianitis
No último quarto, a seleção americana diminuiu bastante o ritmo só administrando a grande vantagem com o técnico Mike Krzyzewski movimentando os reservas e a Grécia também não ameaçou a vitória dos EUA. Bosh converteu outra bola debaixo da cesta e Chris Paul acertou um chute longo da lateral direita, depois Spanoulis converteu uma bandeja sofrendo a falta e encestou o lance livre de bonificação reduzindo o prejuízo para 78 a 57. Bosh respondeu com uma enterrada após boa assistência de LeBron e o ala-pivô do Utah Jazz Carlos Boozer fez uma cesta embaixo do aro abrindo 82 a 60. Bourousis converteu uma bela bandeja na infiltração rápida, o armador do Utah Jazz Deron Williams respondeu na mesma moeda mesmo sofrendo a falta, Bourousis conseguiu outra cesta no garrafão aproveitando que os americanos não estavam mais marcando tão forte, e depois Boozer acertou um gancho frontal com auxílio da tabela fazendo 86 a 64. Papaloukas converteu mais uma bola de três, mas depois de levar um toco na tentativa de enterrada o ala-armador do Milwaukee Bucks Michael Redd fez 89 a 67 com uma cesta de três da zona morta esquerda que é sua especialidade, e do mesmo lugar da quadra Deron Williams fechou a grande vitória dos EUA com outro triplo certeiro.
Kobe Bryant, que nos dois primeiros jogos teve um aproveitamento de apenas 37% nas finalizações, desta vez acertou sete em 14 arremessos de quadra, incluindo duas bolas de três. A seleção americana conseguiu se desafogar nos chutes do perímetro quando a Grécia usou uma defesa por zona para diminuir o ritmo do ataque adversário. Naquele duelo semifinal de 2006, os gregos tiveram um aproveitamento incrível de 63% no ataque com uma aula de execução de jogadas e uso do pick-and-roll na vitória por 101 a 95. Mas hoje o aproveitamento ofensivo helênico foi de apenas 41,3% (26 cestas em 63 arremessos de quadra) e eles acertaram apenas quatro em 18 chutes de três pontos (contra 7 em 20 dos EUA).
Os americanos impuseram uma sufocante defesa que foi decisiva para aumentar a diferença de sete para 19 pontos nos últimos cinco minutos do primeiro tempo. Na fatídica campanha da medalha de bronze nas Olimpíadas de Atenas-2004, a marcação dos EUA falhou bastante e eles levaram uma média de 91,6 pontos por jogo nas três derrotas sofridas contra Porto Rico, Lituânia e Argentina. A perda da hegemonia olímpica que vinha desde o Dream Team dos Jogos de Barcelona-92 levou os americanos a encararem mais a sério a preparação nesse projeto de três anos para chegarem a Pequim jogando como uma equipe, e não apenas um catado de All-Stars da NBA, por enquanto vem dando certo.
“Nós jogamos como que querendo vencer, nós jogamos unidos. Estávamos muito cientes das jogadas ofensivas deles (gregos), estávamos muito cientes do pessoal que eles têm e jogamos assim. Então estávamos meio que um passo à frente de tudo que eles queriam fazer porque praticamente já conhecíamos tudo deles”, disse Dwyane Wade.
“Toda vez que você é derrotado é embaraçoso e isso é o bastante. E nós podemos realmente usar isso como ferramenta para nos ajudar com nossa defesa agora, e este é o nome do jogo. Porque se você faz uma boa defesa, não importa como você está arremessando a bola, você estará vivo no jogo”, afirmou Chris Bosh.
“Não acho que o pick-and-roll deles hoje tenha sido um problema tão grande quanto foi em 2006″, opinou Carmelo Anthony.
“Estamos jogando cada jogo como se fosse nosso último. Estamos indo para cima, estamos indo atrás de todos os oponentes. É uma oportunidade para nós melhorarmos, e mostrar o quanto somos bons. Nós entendemos o que significa vencer, nós sabemos o que é preciso fazer defensivamente. Na última vez que eles nos derrotaram, sabíamos que tínhamos de limpar nossa defesa do pick-and-roll. A comunicação é outra grande coisa quando se trata de defesa, e nós simplesmente conversamos bastante. Foi isso que fizemos desde o início. Forçamos a Grécia a fazer arremessos de fora e tomamos conta dos negócios. Mas sabemos que foi só um jogo, ainda temos muito o que fazer para cumprir nossa missão aqui”, comentou LeBron James.
“Hoje nós jogamos contra um time muito agressivo e que tinha muita motivação. Tentamos controlar a partida, no início achei que fizemos boas decisões, mas durante o jogo cometemos erros fáceis, permitimos que o time dos EUA fizesse cestas fáceis. Eles terminaram o primeiro tempo com uma grande diferença e entraram no segundo tempo procurando nos destruir, mas meu time tentou controlar o jogo, nos mantivemos na partida e acho que aprendemos muito. Para mim foi difícil, mas acho que no próximo jogo que fizermos novamente contra eles será diferente. Cometemos erros demais e demos pontos fáceis, meu time pode jogar muito melhor do que mostrou hoje e tentaremos fazer isso no restante do torneio”, analisou o técnico grego Panagiotis Yannakis.
FICHA TÉCNICA
ESTADOS UNIDOS 92 (20 + 31 + 23 + 18)
Titulares: Jason Kidd (0 ponto, 3 rebotes e uma assistência), Kobe Bryant (18 pontos, 4 rebotes e duas assistências), LeBron James (13 pontos, 6 rebotes, 6 assistências, 3 tocos e 2 roubos), Carmelo Anthony (8 pontos, 6 rebotes e 2 roubos) e Dwight Howard (2 pontos, 6 rebotes e 1 roubo). Entraram depois: Dwyane Wade (17 pontos, 6 roubos, 5 assistências e 3 rebotes), Chris Bosh (18 pontos, 5 rebotes, 2 tocos e 2 roubos), Chris Paul (4 pontos, 3 assistências, 2 rebotes e 2 roubos), Deron Williams (5 pontos, 3 assistências e 2 rebotes), Carlos Boozer (4 pontos e 1 rebote), Michael Redd (3 pontos, 1 rebote e uma assistência) e Tayshaun Prince (0). Técnico: Mike Krzyzewski.
GRÉCIA 69 (16 + 16 + 22 + 15)
Titulares: Dimitris Diamantidis (0 ponto, 4 rebotes e 3 assistências), Vassilis Spanoulis (14 pontos, 4 rebotes e duas assistências), Panagiotis Vasilopoulos (3 pontos e 1 rebote), Antonis Fotsis (9 pontos, 8 rebotes e uma assistência) e Andreas Glyniadakis (2 pontos e 1 rebote). Entraram depois: Theodoros Papaloukas (15 pontos, 8 rebotes e duas assistências), Sofoklis Schortsianitis (3 pontos, 1 rebote e 1 roubo), Yoannis Bourousis (9 pontos e 4 rebotes), Kostas Tsartsaris (6 pontos), Michalis Pelekanos (5 pontos, 4 rebotes e uma assistência), Nikos Zisis (3 pontos, 3 rebotes e uma assistência) e Giorgos Printezis (0). Técnico: Panagiotis Yannakis.
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Paulo Roberto
Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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