O armador Leandrinho Barbosa está ansioso. Ansioso para saber se precisará ou não fazer uma cirurgia no joelho e para definir sua situação na Seleção Brasileira masculina de basquete com o técnico espanhol Moncho Monsalve.
"Estou com muito medo. Estou desesperado, é minha vida e carreira", confessou pensando na operação. "Eu quero estar na Seleção e defender meu país. Mas acho que vou sofrer esta cirurgia e não depende de mim. É o joelho. É minha carreira. É minha vida", explicou preocupado durante evento em Santo André (SP), onde esteve para conversar com a diretoria do colégio Arbos sobre a implantação de mais uma unidade do projeto social 'Esporte para Todos'.
Leandrinho machucou o joelho direito dez jogos antes dos playoffs da NBA. Submetido a tratamento por causa da dor, continuou jogando até a eliminação do Phoenix Suns pelo San Antonio Spurs na primeira fase do mata-mata. Uma ressonância magnética feita antes do retorno ao Brasil indicou a possibilidade de que o problema seja igual ao do pivô Amare Stoudemire, seu companheiro de equipe, que perdeu toda uma temporada após a cirurgia.
Sua volta aos Estados Unidos está marcada para o próximo dia 12. Lá, ele fará novos exames para definir se precisará ou não da operação. "Vou pensar positivo", conforma-se o armador, creditando a lesão ao desgaste físico pelos 82 jogos disputados na temporada.
"Joguei muito este ano. Somente eu e o Diaw (ala-pivô francês Boris Diaw) participamos de todos os jogos", lembra o atleta, que ainda sente dores em movimentos de arrancada.
O retorno a Phoenix causou um impasse na Seleção Brasileira. Isto porque os atletas convocados devem se apresentar ao técnico Moncho dia 8. Mas Leandrinho não vê a hora de resolver sua situação e gostaria até de antecipar sua ida para os EUA.
Contudo, treinador e armador ainda não conversaram diretamente sobre a situação. Apesar das afirmações de Moncho de que o contato já foi feito, Leandrinho nega e diz só ter recebido recados pelo irmão.
"Não conversei com ele, mas estou ansioso para conversar e trocar idéias. Meu irmão falou que ele ligou, mas não no meu telefone. Estou aberto, como sempre estive, para esta conversa. Se ele quiser, estou à disposição. Quero estar com o grupo", garante o jogador, minimizando o descompasso comunicativo. "Não o conheço, mas pelo que soube e ouvi, ele é um bom técnico e estou torcendo para que faça um bom trabalho".
Mesmo se não participar do Pré-Olímpico, Leandrinho acredita que isso não desanimará outros atletas da Seleção. "A gente joga pelo basquete e por carinho. Temos é de nos juntar mais ainda".
O Pré-Olímpico Mundial é a última oportunidade de classificação da Seleção Brasileira para os Jogos de Pequim. Com três vagas em disputa, o Brasil enfrentará Grécia e Líbano na primeira fase da classificação e Leandrinho não é o único provável desfalque no grupo. O pivô Nenê também não é certeza na apresentação já que foi submetido a uma cirurgia para remoção de um tumor maligno no testículo em janeiro e praticamente não jogou no restante da temporada.
Na briga por um lugar nas Olimpíadas, estão seleções fortes e de tradição como a Alemanha, a Croácia e mesmo Porto Rico, que já foi responsável pela eliminação brasileira no classificatório para Atenas-2004. Mesmo com a dificuldade da concorrência, Leandrinho acredita ser importante manter a esperança.
"Não é impossível, mas vai ser difícil", admite. "Todos estão lá buscando a vaga e o Brasil é um deles". O Pré-Olímpico será realizado de 14 a 20 de julho, em Atenas, Grécia.
Futuro - Além da cirurgia e do Pré-Olímpico, outro assunto segue em aberto na vida do jogador: seu futuro na NBA. Após a saída do técnico Mike D'Antoni do Phoenix Suns, o nome de Leandrinho passou a ser especulado em diversas outras equipes.
Uma delas, o próprio New York Knicks para onde D'Antoni se transferiu. "Realmente tem bastante propostas, mas não depende de mim. É mais dos times entre eles", explica. "Estou com a cabeça aqui no Brasil, no meu joelho e na Seleção".
(Marta Teixeira)

