Americanas dominam garrafão, atropelam Coréia por 104 a 60 e chegam às semifinais com facilidade

Publicado em: Basquete Feminino, DESTAQUES, Internacional, Seleções
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19/08/2008 | 11:00

Publicado por Paulo Roberto

A poderosa seleção feminina dos Estados Unidos só teve dificuldades com a Coréia do Sul no primeiro quarto, depois passeou em quadra, dominou o garrafão e venceu o duelo de quartas-de-final por 104 a 60 (51 a 30 no intervalo), com destaque para o duplo-duplo de 26 pontos e 14 rebotes da pivô do Detroit Shock Sylvia Fowles, uma lição para a Seleção Brasileira de que contra a equipe mais baixa da competição o segredo óbvio era acionar bastante as pivôs, coisa que o time do técnico Paulo Bassul não fez na horrenda atuação de 29 bolas desperdiçadas na derrota da estréia que acabou sendo determinante para a eliminação na primeira fase apenas na décima colocação geral do torneio olímpico feminino. A pivô brazuca do Seattle Storm Kelly inclusive rendeu melhor nos confrontos contra equipes mais altas e fortes, como Austrália e Bielorrússia.

 Sylvia Fowles brilha no garrafão

A ala-armadora Diana Taurasi foi outro destaque da surra americana com 12 pontos e cinco rebotes, todas as 12 jogadoras dos EUA pontuaram, bastou marcar mais forte a partir do segundo período aberto com uma seqüência de 16 a 4 que as coreanas passaram a cometer erros bisonhos expondo suas deficiências técnicas, se não tivesse vacilado tanto certamente o Brasil tinha time para estar na fase eliminatória incomodando um pouco mais as americanas ou até fazendo jogo duro contra a China. Agora o selecionado de estrelas da WNBA vai enfrentar nas semifinais o vencedor do duelo europeu Rússia x Espanha, com expectativa de se vingar das russas pela derrota nas semifinais do Mundial do Brasil em 2006.

 Candace Parker parabeniza a camisa 13 Fowles

A Coréia até surpreendeu equilibrando o jogo no primeiro quarto com muita velocidade nas infiltrações, aproveitando o início meio titubeante dos Estados Unidos, que passaram pela primeira fase atropelando todas as adversárias com diferenças na casa dos 40 pontos. As asiáticas chegaram a abrir 4 a 2, mas Lisa Leslie empatou com seu quarto ponto dentro do garrafão, depois Sue Bird, Katie Smith e Diana Taurasi abriram 10 a 6 com arremessos certeiros de média distância, mas as coreanas responderam com uma jogada de três pontos de Choi Younah e depois viraram para 13 a 12 numa infiltração convertida por Beon Yeon Ha, Sylvia Fowles marcou quatro pontos seguidos dentro do garrafão, e Beon empatou para Coréia com a primeira bola de três da partida. Após dois lances livres conectados por Taurasi, a zebra do torneio virou o placar para 19 a 18 com uma cesta de três de Park Jungeun, mas Kara Lawson respondeu na mesma moeda e Candace Parker fez 23 a 19 encestando dois lances livres, depois Fowles fechou a parcial em 25 a 21 pegando um rebote ofensivo e convertendo um chute curto no último segundo.

 Diana Taurasi arremessa à frente da pivô Kim

No segundo período a defesa americana ficou mais agressiva e aí a Coréia não conseguiu mais jogar, cometendo erros primários como dois arremessos de três que não deram nem aro e um estouro dos cinco segundos para a reposição de um fundo-bola. Kara Lawson abriu o quarto com uma bola de três, Sylvia Fowles fez quatro pontos nessa arrancada de 11 a 4 fechada com uma cesta de Candace Parker que levou a diferença para 36 a 25 e obrigou o técnico coreano Jung Duk Hwa a pedir tempo. Mas o panorama não se alterou, Seimone Augustus conseguiu uma jogada de três pontos no garrafão, Kara Lawson abriu 41 a 25 roubando a bola e fazendo a cesta no contra-ataque e a imponente Candace mostrou toda sua habilidade pegando um rebote ofensivo, entortando a defensora coreana com uma finta e ficando livre para converter um chute da lateral direita do garrafão: 43 a 25. Kim Kweryong converteu uma bela infiltração sofrendo falta e aproveitando o lance livre de bonificação, mas os EUA responderam com seis pontos seguidos com destaque para uma infiltração convertida em bandeja por Taurasi vindo desde a quadra de defesa, e após dois lances livres conectados por Beon Yeonha, a estrela campeã da WNBA pelo Phoenix Mercury fechou a parcial em 51 a 30 com outra bonita bandeja na penetração em velocidade.

 Lisa Leslie marca 10 pontos dos EUA

Embora as coreanas tenham obtido um bom aproveitamento de 53% (10 em 19) nas bolas de dois pontos no primeiro tempo, elas erraram oito em 10 arremessos de três, desperdiçaram nove posses de bola (foram oito roubadas das americanas) e como era de se esperar foram dominadas nos rebotes (24 a 13), o time dos EUA não foi muito brilhante no ataque (51% de acerto nos arremessos de quadra), mas conseguiu abrir uma diferença tranqüila no intervalo, com Fowles já como cestinha com 12 pontos e oito rebotes.

A terceira etapa teve exatamente a mesma pontuação de 26 a 9 do segundo, embora as americanas não tenham voltado dos vestiários com a mesma intensidade, foi a Coréia que errou mais, insistindo nas bolas de três que na maioria das vezes não estavam caindo. Taurasi abriu o período convertendo mais uma infiltração, depois Sylvia Fowles aumentou a diferença para 30 pontos (64 a 34), após dois lances livres de Diana e mais de seis minutos jogados Beon Yeon Ha conseguiu meter uma bola de três, mas Fowles continuou dominando e marcou sete pontos consecutivos para ampliar a folga no placar para 75 a 39, depois Seimone Augustus fechou a parcial em 77 a 39 com uma cesta no garrafão em um contra-ataque rápido.

 Kim Kweryong parte para bandeja pela Coréia

Com tamanha diferença no marcador, o último quarto foi um treino para as americanas, que deram mais espaços para as coreanas pontuarem. A surra passou dos 40 com uma jogada de três pontos abrindo 84 a 43, a Coréia conseguiu descontar o prejuízo para 88 a 54 com cestas de três de Jung Sunmin e Beon Yeon Ha, mas Cappie Pondexter respondeu na mesma moeda convertendo um triplo. A contagem centenária foi ultrapassada com uma bola de três de Kara Lawson abrindo 102 a 56, Fowles fechou sua atuação dominante com uma cesta no garrafão impondo a maior diferença no marcador (46 pontos: 104 a 58) e só restou tempo para Kim Kweryong converter uma infiltração fechando o placar. Com um fraco aproveitamento de 20% nos tiros de três (5 cestas em 25 arremessos), as coreanas não tiveram chances de ameaçar a superioridade física das americanas tricampeãs olímpicas, que no segundo tempo ampliaram seu domínio dos rebotes para 50 a 24 e melhoraram o aproveitamento nos arremessos de quadra para 56,6%.

“Acho que eu estava em boa forma e estava me sentindo muito bem hoje, uma vez que comecei a partir para a cesta, eu não via como parar. Estamos na fase decisiva para a medalha de ouro, você quer entrar em quadra e dar seu melhor, eu queria fazer uma declaração de força e jogar com explosão”, disse Fowles, que normalmente é vista como coadjuvante da dupla de estrelas do Los Angeles Sparks Lisa Leslie/Candace Parker e quis mostrar seu valor convertendo 12 em 17 arremessos de quadra, ainda deu duas assistências e dois tocos.

“Estamos muito felizes de ter feito um bom jogo, fizemos um ótimo trabalho defensivamente. Nossa profundidade é a chave do nosso sucesso, todas as jogadoras contribuem, estamos animadas por termos alcançado as semifinais”, afirmou a técnica americana Anne Donovan.

A ala coreana Choi Younah, que atrapalhou muito a vida do Brasil na estréia, sofreu uma lesão no quadril durante a partida e foi levada ao hospital.

“A cintura dela está um pouco machucada, estamos cuidando desta situação, não vi como ela se machucou. Nosso time se esforçou, estava totalmente preparado para esta partida, mas em termos de condicionamento físico, altura e técnica, elas são superiores a nós. Aprendemos muito com nossos adversários”, afirmou o técnico Jung Duk Hwa, satisfeito com a campanha que já foi surpreendente.

Kim Kweryong, cestinha da Coréia na partida com 14 pontos, também se conformou com a derrota. “Hoje foi o jogo final para nós e estamos tristes com a derrota, mas tentamos fazer nosso melhor e aprendemos muito. Não podemos sair desapontadas com nossa performance, não fomos intimidadas pelos Estados Unidos”, concluiu.

FICHA TÉCNICA

ESTADOS UNIDOS 104 (25 + 26 + 26 + 27)

Titulares: Sue Bird (4 pontos e duas assistências), Diana Taurasi (12 pontos, 5 rebotes e duas assistências), Katie Smith (2 pontos, 4 rebotes e 3 assistências), Candace Parker (8 pontos e 4 rebotes) e Lisa Leslie (10 pontos, 5 rebotes e 2 roubos). Entraram depois: Sylvia Fowles (26 pontos, 14 rebotes e duas assistências), Cappie Pondexter (11 pontos e duas assistências), Kara Lawson (11 pontos e duas assistências), Seimone Augustus (7 pontos e 3 assistências), Delisha Milton-Jones (4 pontos e 2 rebotes), Tamika Catchings (6 pontos e 5 rebotes) e Tina Thompson (3 pontos e 4 rebotes). Técnica: Anne Donovan.

CORÉIA DO SUL 60 (21 + 9 + 9 + 21)

Titulares: Park Jung Eun (5 pontos e 7 assistências), Choi Younah (5 pontos e 5 rebotes), Beon Yeon Ha (13), Jung Sunmin (13) e Kim Kweryong (14 pontos e 5 rebotes). Entraram depois: Sin Jung-Ja (6), Lee Mi-Sun (2), Jin Mi-Jun (0), Lee Jong Ae (2) e Kim Jung Eun (0). Técnico: Jung Duk Hwa.

Paulo Roberto Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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