Publicado por basketbrasil
Nos últimos 13 anos, a única derrota da seleção feminina dos Estados Unidos em torneios de classe A foi em 2006, no Mundial de São Paulo (contra a Rússia por 75 a 68, na semifinal). Lisa Leslie não estava lá. Foi naquele ano que ela decidiu realizar um de seus sonhos: ser mãe. Casada com Michael Lockwood (piloto de caça) e agora com a pequena Lauren Jolie para alegrar os seus dias, a pivô do Los Angeles Sparks volta ao time de seu país em Pequim para quebrar mais um recorde: assim como aconteceu em 30 de julho de 2002, quando se tornou a primeira a enterrar em uma partida profissional, ela pode ser a primeira atleta de esportes coletivos da história das Olimpíadas a conquistar quatro ouros consecutivos (sua ex-companheira Teresa Edwards é tetra, mas em 1984, 1988, 1996 e 2000).
Lisa tem uma história bem legal com o Brasil (“eu adorava a maneira como a Magic Paula jogava. Ela foi um fenômeno em quadra, assim como a Janeth e a Hortência”). Foi aqui que, em 1993, ela estreou pela seleção na Copa América de São Paulo (título continental). No Mundial do ano seguinte, a moeda pendeu para o lado tupiniquim (na semifinal, os EUA perderam por 110 a 107). E em 1996 na decisão do ouro das Olimpíadas de Atlanta as donas de casa ganharam fácil (111 a 87).
Por isso não causou surpresa quando a morena de 36 anos e 1,96m atendeu, dentro do ônibus da delegação, o telefone após um treino em Stanford para conversar com o DA LINHA DOS 3 arriscando algumas palavras em português (Oi, todo bem? Como está o Brasil?). No papo, a simpática Lisa falou sobre a responsabilidade de liderar um time traumatizado após a perda do Mundial de 2006, o fato de estar perto do recorde olímpico e como será ir a Pequim com a filha (a técnica Anne Donovan fez questão de não privar a mamãe do grupo da companhia de Lauren). Confira!
DA LINHA DOS 3: Lisa, você está indo para a sua quarta Olimpíada, e pode quebrar um recorde em Pequim. Como está se sentindo?
LISA LESLIE: Acho que nunca estive tão motivada. Pode ser que tenha a ver com o fato de ter sido mãe recentemente, mas estou vivendo as emoções de uma garota com este grupo. As minhas companheiras esperam muito de mim, e sinto que estou com o corpo descansado e com a cabeça no lugar para retribuir esta confiança em quadra.
- Com todos os objetivos profissionais cumpridos, não dá vontade de se aposentar para cuidar da filha?
LISA LESLIE: Sinceramente, ainda não penso nisso. Amo competir, e representar o meu país é algo que não tem preço. Enquanto minhas pernas agüentarem quero continuar jogando, que é o que mais amo fazer.
- O que vocês precisam fazer para não repetir o desempenho do Mundial de 2006, considerado por todas vocês como frustrante?
LISA LESLIE: Teremos ótimas adversárias em Pequim. Rússia, Austrália e China em um plano mais alto, mas todos os que chegam a uma Olimpíada merecem respeito, inclusive o Brasil, que sei que possui um grupo renovado, porém com muito talento. Temos que nos concentrar, defender melhor e fazer com todo o grupo esteja envolvido na competição.
- Muita gente alega que no Mundial faltou uma liderança como a sua. Como é a comandante Lisa Leslie?
LISA LESLIE: Eu procuro liderar pelo exemplo, porque acredito que só palavras não adiantam. Mostro, nos treinos e no dia-a-dia, que precisamos treinar muito se quisermos chegar aos nossos objetivos. Tanto eu quanto a Katie Smith (as mais experientes do time) tentamos mostrar a importância de voltar para casa com um ouro olímpico, e esperamos que elas entendam isso. Acredito muito nesse time, e estamos muito motivadas para voltar da China com o ouro. Ser a única mãe entre as doze também traz um respeito maior (risos).
- Lisa, todas as jogadoras desse time falam que não voltar com o ouro olímpico será uma frustração. Isso não pode passar um pouco de arrogância?
LISA LESLIE: Pode ser, mas sinceramente não é. É o nosso modo de encarar a competição. Eu, por exemplo, não me vejo voltando para a Califórnia (onda mora) com outra medalha que não a de ouro. Nem penso sobre isso. Não é menosprezar o adversário, mas a nossa maneira de mentalizar sobre a conquista.
- E como será essa experiência de ir a uma Olimpíada com a sua filha Lauren?
LISA LESLIE: Será fantástica, sem dúvida alguma. A (técnica Anne) Donovan disse que não haveria problema em levá-la, e acho que vai ser diferente e interessante. Faz bem ao grupo também, já que a Lauren virou a nossa mascote. Ela traz tanta animação, mas tanta, que a pessoa com quem ela menos fica nos braços sou eu. Neste momento, por exemplo, a (Diana) Taurasi está brincando de aviãozinho com a minha filha. Meu Deus…
- Por fim, quem será a primeira mulher a enterrar em uma Olimpíada: você ou sua companheira Candace Parker?
LISA LESLIE: (Risos) Definitivamente a Candace. Ela é uma grande jogadora, uma ótima menina e que merece entrar na história pelos seus méritos. Torço por ela.
(Blog da Linha dos 3, Fábio Balassiano, Globo Online)
Equipe BasketBrasil
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