Publicado por Paulo Roberto
Los Angeles Sparks e Seattle Storm, que se enfrentam na primeira rodada dos playoffs da WNBA numa série melhor-de-três jogos com início na sexta-feira, fizeram uma prévia desse duelo neste domingo na última rodada da temporada regular, mas como pouparam suas melhores jogadoras foi um jogo tão feio que nem parecia envolver duas equipes classificadas à pós-temporada. Com a dupla de garrafão campeã olímpica Lisa Leslie/Candace Parker jogando sua menor quantidade de minutos no campeonato (6min42s e 9min17s respectivamente), o time angelino foi liderado por 14 pontos da ala-armadora reserva Marie Ferdinand-Harris e 12 da ala campeã olímpica Delisha Milton-Jones na vitória de ponta a ponta por 65 a 48 (40 a 18 no intervalo) no Staples Center de LA, onde ganhou 12 em 17 partidas na temporada.
Confira o vídeo com melhores momentos de Los Angeles Sparks x Seattle Storm
A pivô brasileira Kelly Santos ficou 20min13s em quadra pelo Storm (22V-12D) saindo do banco, mas não teve uma boa atuação, anotou só dois pontos em um arremesso com assistência de Ashley Robinson no segundo quarto, errou sete em oito finalizações, pegou cinco rebotes (três defensivos e dois ofensivos), deu um passe para cesta de três de Kimberly Beck, cometeu quatro faltas, desperdiçou duas posses de bola, deu um toco na armadora reserva Temeka Johnson e levou dois seguidos da estrela Parker, autora de nove pontos, três rebotes e duas assistências pelo Sparks (20V-14D) mesmo com seu tempo limitado na quadra. No mata-mata, a brazuca deve voltar a ser relegada ao fundo do banco pelo técnico Brian Agler, que não espera contar com o retorno da estrela australiana Lauren Jackson na série contra Los Angeles, vencedor de dois dos três confrontos diretos entre as equipes na temporada.
Kelly arremessa marcada por Muriel Page
As duas titulares do Seattle Sue Bird (armadora campeã olímpica candidata ao prêmio de melhor jogadora da temporada) e Yolanda Griffith (pivô veterana de 38 anos) jogaram apenas 3min08s ontem, e o Storm teve sua pontuação mais baixa do ano com um aproveitamento fraco de 33,9% nos arremessos de quadra, só um pouco acima de seu pior índice na competição (32,8% contra o Houston Comets em 14 de junho). A ala Shyra Ely, cestinha da partida com 16 pontos e oito rebotes, foi a única jogadora do time visitante que pontuou em dígitos duplos. Mas vale lembrar que a equipe estava sem Jackson (cirurgia no tornozelo direito após a medalha de prata nas Olimpíadas), a experiente Sheryl Swoopes (recuperando-se de uma concussão) e a ala Swin Cash (dores nas costas), e com outras duas estrelas no banco na maior parte do tempo. A quinta classificação consecutiva aos playoffs veio com algumas rodadas de antecedência assim como a segunda posição do Oeste com a melhor campanha da história da franquia (22V-12D), mas encarar o Sparks no primeiro jogo da série em Los Angeles na sexta-feira será uma parada duríssima.
“Eu acredito que somos o melhor time na liga, simplesmente temos de mostrar isso. Um de nossos calcanhares-de-Aquiles tem sido jogar à altura do nível de nossos adversários. O Seattle joga em um nível muito alto e nós sabemos que temos de igualar isso. Obviamente não vimos hoje o time verdadeiro de Seattle. O técnico delas estava se resguardando para os playoffs e nós também estávamos. A coisa importante é jogar bem indo para os playoffs e foi isso que nós fizemos. Nossas reservas fizeram um grande trabalho. Elas estão se sentindo bem consigo mesmas, isso com certeza, nós sabemos que elas podem jogar bem”, disse o técnico das Sparks Michael Cooper, ex-jogador do Los Angeles Lakers do Showtime na NBA e ex-treinador do Denver Nuggets do pivô brasileiro Nenê.
O time de LA está de volta aos playoffs da WNBA pela primeira vez desde 2006, quando perdeu para o Sacramento Monarchs nas finais de conferência. A equipe terceira colocada do Oeste estava vindo de uma derrota em casa para o Atlanta Dream na noite de quinta-feira, quando o pior time da liga contou com 23 pontos da cestinha brasileira Iziane Castro Marques, o mesmo lanterna (4V-30D, pior campanha na história da liga) foi derrotado no dia seguinte pelo Storm no seu jogo de despedida em Seattle.
Neste domingo o Sparks iniciou a partida com uma seqüência de 9 a 0 e o Storm só conseguiu a primeira cesta com quase cinco minutos jogados no primeiro quarto em que foi completamente dominado e saiu perdendo por 21 a 6, igualando sua pior pontuação numa etapa inicial nesta temporada. No segundo período as anfitriãs continuaram mandando no jogo vencendo a parcial por 19 a 12, e os 18 pontos do Seattle no primeiro tempo foram sua pior marca na competição, a vantagem de 40 a 18 de LA no intervalo teve grande participação da ala reserva Sidney Spencer, que fez nove de seus 11 pontos no primeiro tempo e ainda ajudou com oito rebotes e duas assistências.
A grande diferença no placar deu oportunidade para Cooper movimentar bastante suas reservas e dar minutos valiosos de descanso para o trio da seleção americana Parker/Leslie/Jones antes dos playoffs. A tetracampeã olímpica Lisa marcou dois pontinhos, dois rebotes, uma assistência e um bloqueio em quase sete minutos e Candace fez o suficiente para intimidar Kelly. Com Milton-Jones liderando o ataque na terceira etapa, na qual os dois times marcaram apenas 12 pontos, a vantagem do Sparks entrando no quarto final era de 52 a 30. O Storm tentou uma reação com seis pontos consecutivos na abertura da quarta parcial, mas o máximo que conseguiu foi baixar o prejuízo para 16 pontos no último período vencido pelas visitantes por 18 a 13, Los Angeles administrou a diferença com tranqüilidade no segundo tempo.
“Quando nosso esforço está no mesmo nível de nosso talento, então você vê jogos como o de hoje, não demos chance a elas”, disse Delisha Milton-Jones.
“Nós mostramos um grande caráter batalhando. Poderíamos facilmente ter desistido da partida e perdido por 40 pontos, mas não fizemos isso”, afirmou a ala-armadora Katie Gearlds, autora de três pontos, dois rebotes, dois passes para cesta e um roubo de bola pelo Seattle, que teve oito pontos cada da ala-armadora Tanisha Wright e da ala-pivô Camille Little.
“Agora está tudo 0 a 0 e o campeonato pode ser de qualquer um. Com o Phoenix (atual campeão) estando fora dos playoffs, a disputa pelo troféu está muito aberta”, antecipou a veterana estrela Lisa Leslie.
Destaque do Brasil nas Olimpíadas, Kelão fecha a temporada regular da liga americana com médias discretas de 2,1 pontos, 1,3 rebote, 0,2 assistência, 0,2 roubo de bola, 0,1 toco, 0,45 bola perdida, 1,2 falta, 39% de aproveitamento nos arremessos, 65,2% de acerto nos lances livres e 6,1 minutos por jogo em 22 partidas disputadas. As duas brazucas ausentes de Pequim tiveram estatísticas melhores no pior time do campeonato, o Atlanta. A pivô carioca Érika de Souza teve médias finais de 9,3 pontos, 6,6 rebotes, 0,7 assistência, 1,4 roubo, 1,8 toco, 1,67 bola perdida, 4 faltas, 58,5% de aproveitamento nos arremessos de quadra e 61,5% de acerto nos lances livres em 23,1 minutos por jogo, mas disputou apenas 12 partidas (oito como titular) em virtude da fratura por estresse na perna que a tirou do Pré-Olímpico Mundial e dos Jogos de Pequim. Já a ala maranhense Iziane Castro Marques anotou em média 9,3 pontos, 2,2 rebotes, 1,8 assistência, 0,9 roubo, 0,2 toco, 1,97 bola perdida, 1,3 falta, 35,3% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 30,9% de acerto nos chutes de três pontos, 81,4% de precisão nos lances livres e 23,1 minutos por jogo em 29 partidas disputadas pelo Dream, 20 como titular.
Embora o Atlanta tenha batido o recorde de derrotas da história da WNBA, o time de expansão mostrou-se promissor no que se refere a atrair torcedores para seus jogos em casa na Phillips Arena. O time de Izi e Érika ficou entre os seis primeiros da liga em três diferentes categorias de “sucesso de público”: média de torcedores presentes, carnês de ingressos vendidos de temporada inteira, e ingressos de jogos individuais vendidos. Nada mau para uma equipe que teve uma campanha sofrível com apenas uma vitória e 16 derrotas em seu ginásio este ano.
O Dream teve uma média de 8.500 ingressos vendidos por jogo e teve três jogos com lotação completa. O último time de expansão da liga, o Chicago Sky (5V-29D em 2006), teve uma média de 3.642 pagantes por partida naquele ano, sendo que o Sky manda seus jogos na Universidade de Illinois no Chicago Pavillion, que comporta 6.958 espectadores sentados.
“Isso é enorme para um time completamente novo e fala por si só da excitação das jogadoras e simplesmente o valor da experiência dos jogos em Atlanta, mesmo quando não estamos vencendo”, declarou o presidente do Dream, Bill Bolen.
O Atlanta quebrou o recorde de derrotas numa temporada ao perder para o Seattle por 77 a 72 na sexta-feira, já havia batido o recorde de derrotas consecutivas no início da temporada com 17 reveses seguidos antes de conhecer a primeira vitória na campanha de 2008, e teve o pior retrospecto em casa, mas contou com uma torcida fiel. Apesar dos números dignos de pesadelos, o Dream vê o futuro com otimismo e tem um bom precedente. O Washington Mystics, que teve uma média de 15.915 espectadores por partida com três lotações esgotadas durante sua temporada de estréia em 1998, mesmo com um retrospecto horrível de 27 derrotas e apenas três vitórias, conseguiu se firmar na liga e está no seu 11º ano na WNBA. Enquanto isso, do outro lado da moeda, quatro franquias da WNBA fecharam as portas e duas tiveram de se mudar para novas cidades. O presidente Bolen espera que o Dream não tenha o mesmo desfecho, ele disse que muitos dos 2.500 torcedores de cadeira cativa para a temporada inteira já renovaram seus carnês para a temporada 2009.
Beth Schapiro, que tem ingresso de toda temporada do Dream, é uma das fiéis no sofrimento. Ela ficava nos jogos até o final mesmo quando o time estava perdendo por grande diferença.
“Eu absolutamente estarei de volta no próximo ano. O que irá me manter aqui ano após ano é o nível de comprometimento do time. Existe uma determinação nelas e elas se conectaram tão bem com os fãs”, afirmou Beth, presidente de uma firma de consultoria estratégica de Atlanta, Schapiro Group.
Confira resultados de outros jogos de domingo na WNBA:
Chicago Sky 76 x 79 Houston Comets – Cestinha: Tina Thompson (26 pontos e 10 rebotes)
Washington Mystics 70 x 96 Minnesota Lynx – Cestinha: Charde Houston (18 pontos)
New York Liberty 59 x 61 Detroit Shock – Cestinha: Erlana Larkins/NY (13 pontos)
Indiana Fever 103 x 89 Phoenix Mercury – Cestinha: Tammy Sutton-Brown (26 pontos).
Segunda-feira: último jogo da temporada regular entre Houston Comets e Sacramento Monarchs, que tinha sido adiado devido à passagem do furacão Ike pelo Texas.
Paulo Roberto
Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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