Publicado por Adriano Albuquerque
A Seleção Brasileira fez um segundo tempo forte e mais uma vez derrotou a Venezuela, 84 a 61 (43 a 41 no primeiro tempo) nesta sexta-feira no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro (RJ). O time brasileiro mostrou sua renovada defesa ao limitar os venezuelanos a apenas 10 pontos em cada um dos dois últimos períodos e ao forçar 19 turnovers dos adversários. Os visitantes, mais uma vez, protagonizaram um espetáculo triste ao final, com algumas faltas anti-desportivas em um jogo amistoso.
“A gente está aqui fazendo um jogo amistoso e acontece uma coisa dessas. Foi de má intenção. Era só o que faltava nós perdermos um jogador desse jeito hoje, com todos os desfalques que já temos”, reclamou o pivô Tiago Splitter, que quase foi às vias de fato com o ala Sucre no final da partida.
O Brasil começou com uma mudança em relação ao time de quinta-feira: o ala-pivô Murilo, que entrou no lugar de JP Batista. A defesa do Brasil estava bastante ativa e bem no interior, mas permitiu que o ala Oscar Torres acertasse três bolas de 3 pontos no primeiro período. A terceira bola colocou a Venezuela à frente por 17 a 14. Os brasileiros, porém, responderam com uma bela arrancada de 10 a 2: Marcelinho Machado acertou uma cesta de 3 em assistência de Tiago Splitter, Marcelinho Huertas conseguiu uma jogada de três pontos ao cavar a falta em um belo drible sobre seu marcador, e mais tarde, após um toco de Ricardo Probst, Machado retribuiu o favor e passou para uma enterrada de Splitter. Ao final do primeiro período, 24 a 21 para o Brasil.
A Seleção começou o segundo período com apenas um titular em quadra, Alex, e o basquete nos primeiros três minutos e meio foram ruins, com muitos turnovers e arremessos errados de ambos os lados. Mesmo assim, o Brasil fez 7 a 1 na primeira metade e abriu sua maior diferença até então, nove pontos, com dois lances livres do armador Fúlvio. Entretanto, a Seleção continuou dando espaço para os chutes de 3, e Torres iniciou uma arrancada de 11 a 4, finalizada com duas cestas de 3 de Osorio, para encostar em um ponto.
Após dois lances livres de Alex, os venezuelanos marcaram mais cinco pontos seguidos e viraram para 40 a 38. Mesmo com três faltas de Rafael “Baby” Araújo, o técnico Moncho Monsalve bancou o pivô em quadra e a estratégia deu certo: ele deu um tapinha em um rebote para empatar o jogo, buscou outro rebote na defesa e iniciou o contra-ataque que resultou em cesta de 3 de Jonathan Tavernari, a 22,7s do intervalo, fazendo 43 a 40.
Os cinco titulares voltaram no início do terceiro quarto, mas demoraram a reencontrar o ritmo de jogo. Quando conseguiram, porém, o Brasil deu show: forçou quatro turnovers e quatro arremessos errados da Venezuela, mantendo o rival sem pontuar por um bom tempo, cortou os espaços para os chutes de 3 e marcou nove pontos seguidos. A seqüência incluiu uma bela penetração de Huertas para a bandeja e, em outro ataque de transição, Huertas passou para uma ponte aérea com Alex que levantou o ginásio. A Seleção abriu 61 a 49, até Centeno acabar com a seca de seu time com uma cesta de 2. Em seguida, porém, aconteceu o primeiro lance vergonhoso dos visitantes: o ala Cedeño acertou Splitter na barriga em um pick-and-roll no ataque brasileiro, a 49,7s do fim, e o catarinense do Tau Cerámica não pôde nem cobrar os lances livres da falta anti-desportiva. JP Batista o substituiu e converteu ambos, e o Brasil levou a vantagem de 63 a 51 para o período final.
Para o último quarto, Moncho lançou três reservas ao lado de Marcelinho Machado e Alex, e o resultado foi o mesmo do segundo período: uma seqüência de turnovers e arremessos errados. Contudo, a defesa continuou forte e um toco de Alex deu início a um belo contra-ataque brasileiro, que terminou em assistência de Marcelinho para Fúlvio marcar de 3. Pouco depois, Tavernari voltou à quadra e acertou três bolas de 3 seguidas para esticar a vantagem do Brasil a 75 a 53 e começar a festa da torcida. Após um tempo, os venezuelanos enfim voltaram a pontuar, em dois lances livres de Torres, mas continuaram errando muitos arremessos - em uma seqüência de desatenção dos brasileiros na defesa, o time errou quatro arremessos seguidos.
Em um desses arremessos, Sucre se chocou com Baby, parado debaixo da cesta, e caiu com dores nas costas. Ele foi substituído brevemente, mas ao voltar à quadra, buscou sua vingança. Quando o pivô girava no topo do garrafão para um arremesso em fadeaway, Sucre largou seu homem e desferiu uma cotovelada, que acertou o brasileiro de leve, a 1min49s do fim. Splitter partiu em defesa do companheiro, mas os árbitros e jogadores o impediram de fazer besteira. Baby converteu ambos os lances livres, Huertas fez cesta de 3 e o placar foi a 84 a 56. Os venezuelanos enfim acertaram outro arremesso, um triplo de Perez, mas já era tarde: vitória brasileira.
O time verde-e-amarelo, que atuou de azul nesta sexta, não teve um bom aproveitamento nos arremessos, convertendo apenas 37,8% no total. O segundo quarto, quando a equipe converteu apenas seis de 17 chutes, foi crucial para o percentual ruim. A Seleção compensou com uma forte defesa, limitando os rivais a 37,2% de aproveitamento e apenas 11 assistências, contra 19 desperdícios de posse de bola - os brasileiros roubaram 10 dessas bolas e deram sete tocos, quatro deles de Alex. O escolta do Maccabi Elite foi um dos melhores em quadra, com 13 pontos, cinco rebotes, três roubos e duas assistências.
“O jogo de hoje foi bem diferente do primeiro. A partida começou equilibrada, eles tiveram um bom aproveitamento nos arremessos no início. Nós não começamos tão bem quanto ontem, mas depois acertamos a postura defensiva. As bolas de três do Tavernari caíram e abrimos vantagem no placar. Esses dois confrontos foram muito positivos para equipe. Colocamos em prática o que treinamos durante esses 15 dias”, disse Alex.
O armador Huertas foi o cestinha do time, com 16 pontos, e o outro Marcelinho, Machado, teve 13 pontos e quatro assistências. Graças às quatro bolas de 3 em cinco tentativas, o ala Jonathan Tavernari terminou com 12 pontos.
“Quero agradecer ao Moncho, à comissão técnica e aos meus companheiros pelo apoio que me deram. No primeiro jogo estava ansioso e a bola não caiu. Hoje, estava mais confiante e foi melhor. Mais importante do que as cestas é poder ajudar a equipe a conseguir um resultado positivo. Confesso que foi uma emoção enorme poder jogar ao lado de jogadores para quem eu torcia pela televisão. E é uma honra vestir a camisa 14 que durante muitos anos foi do grande Oscar Schmidt. Espero poder fazer muitas cestas e ajudar o Brasil a conseguir a vaga olímpica. O grupo está muito unido e estamos confiantes no objetivo”, disse Tavernari, que joga na BYU, do basquete universitário americano.
Murilo entrou bem no time e terminou com oito pontos, sete rebotes e duas assistências, enquanto Tiago Splitter teve uma atuação apagada, com quatro pontos e quatro rebotes. Baby produziu sete pontos e sete rebotes, enquanto o ala-pivô JP Batista, titular da quinta-feira, teve quatro pontos e oito rebotes. Na Venezuela, destaque para o veterano Oscar Torres, cestinha do jogo com 19 pontos, e para os alas Perez e Osorio, com 11 e 10 pontos, respectivamente.
A Seleção Brasileira terá folga no fim-de-semana e se reapresentará no Windsor Barra Hotel às 16h (de Brasília) da segunda-feira, treinando na HSBC Arena em seguida. Na sexta-feira (4 de julho), o time embarca no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, rumo à Grécia, onde disputa o Torneio de Acrópolis entre 7 e 9 de julho e o Torneio Pré-Olímpico Mundial a partir de 15 de julho.
FICHA TÉCNICA
BRASIL (24 + 19 + 20 + 21 = 84)
Marcelo Huertas (16pts), Alex Garcia (13 e 5 rebotes), Marcelinho Machado (13), Murilo (8 e 7 rebotes) e Tiago Splitter (4). Depois: Duda (0), Ricardo Probst (2), Fúlvio (5), Jonathan Tavernari (12), Baby (7 e 7 rebotes) e João Paulo (4 e 8 rebotes). Técnico: Moncho Monsalve.
VENEZUELA (21 + 20 + 10 + 10 = 61)
Bethelmi (4pts), Marriaga (2), Perez (11), Cedeño (0) e Torres (19). Depois: Luis Julio (2), Sucre (2), Guevara (7), Centeno (4), Osorio (10) e Marin (0). Técnico: Nelson Solorzano.
Adriano Albuquerque
Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
Outros artigos publicados por Adriano Albuquerque

