Publicado por Adriano Albuquerque
Recém-retornado da pré-temporada do ViveMenorca, o ala-armador Duda Machado já treina com o Flamengo e conversou com o BasketBrasil na Gávea. O jogador comentou suas impressões da Europa e seu novo time - dono de uma torcida tão presente quanto a do Fla - e das expectativas do Rubro-Negro para a temporada 2008-09.
O ala-armador brasileiro Duda Machado já está de volta aos treinos com o Flamengo, após realizar um mês de pré-temporada com o ViveMenorca na Espanha. Nesta terça-feira, o jogador da Seleção Brasileira fez o trabalho físico na academia da Gávea junto aos companheiros de equipe e foi poupado pelo técnico Paulo “Chupeta” Sampaio do treino tático. Segundo o treinador, Duda, que voltou no sábado para cumprir seu empréstimo de um ano ao Rubro-Negro carioca - assinou por cinco anos com o clube da ACB - ainda está “meio zonzo” com a diferença de fuso horário, se readaptando aos poucos antes da estréia do time no Campeonato Carioca, no próximo dia 8, contra o Cabo Frio/Sika.
Com gelo em volta do joelho direito, Duda conversou com o BasketBrasil e falou de sua experiência no Menorca, suas impressões e expectativas para a equipe e seus objetivos com o Flamengo na temporada 2008/09. Pelo visto, o carioca escolheu bem seu novo clube: segundo ele, a cidade tem belas praias e uma torcida presente, como está acostumado no Fla.
BasketBrasil: Como foi a viagem para a Espanha, gostou de Menorca?
Duda: Gostei bastante, é uma ilha pequena que tem muitas praias, coisa que estou acostumado a ter aqui no Rio, carioca da gema, então foi bom para me adaptar mais rápido. Em relação ao basquete, foi uma experiência muito produtiva pra mim, fiquei um mês lá treinando muito forte, a gente fez amistosos muito bons contra times de alto nível da Espanha, e espero botar em prática aqui tudo que aprendi lá.
O que deu para sentir da equipe do ViveMenorca?
Acho que é uma equipe que está em crescimento ainda, há três anos que está disputando a ACB, e nos três anos estava lutando para não ser rebaixada, e conseguiu. A gente espera - quando eu digo a gente é porque eu já estou pensando como eles - eles esperam se manter mais um ano na ACB, e dar seguimento no trabalho. É uma cidade que gosta muito de basquete, que tem, se não me engano, a maior média de público da ACB, que é muito dificil (nota do editor: de acordo com o site Ball In Europe, o ViveMenorca teve a 11ª melhor média de público da ACB, 5.115 torcedores por jogo, mas foi a única com taxa de ocupação do ginásio de 100%, e teve a 17ª melhor média da Europa). Escolhi muito bem meu futuro e tenho certeza que ainda vou colher muitos frutos positivos.
E qual era sua função lá? Você estava entrando como reserva, jogando de 2?
Cheguei lá mais com objetivo de jogar como armador, mas pela falta de lateral no time, o técnico estava me usando mais de 2. No início, eu estava jogando até mais tempo do que no final, porque ele estava testando mais os jogadores, e aí como ele sabia que eu não ficaria essa temporada lá, estava dando mais prioridade (aos outros), já que o campeonato começa daqui a duas semanas e é um campeonato muito forte. Mas só de estar lá vendo aqueles jogadores jogando, treinando todo dia com eles e jogando contra jogadores de alto nível, fizemos dois amistosos contra o Barcelona, tenho certeza que aprendi muito lá.
Você saiu de um clube que teve uma temporada quase perfeita, com o título carioca, vice sul-americano e título nacional, e foi para um time que, como você disse, brigou para não cair nos últimos anos e perdeu seus seis amistosos de pré-temporada. Como foi esse choque de expectativas?
As expectativas aqui não podem ser outras a não ser repetir ou superar a temporada passada. A gente teve uma temporada muito vitoriosa, só faltou a Liga Sul-Americana para coroar a temporada perfeita, mas a gente sabe a dificuldade que foi a Liga, sabe a dificuldade que foi o Brasileiro, então a gente considera uma temporada muito vitoriosa e esperamos repetir. Quanto ao Menorca, é completamente diferente. É um time que está buscando afirmação ainda na ACB, que todo ano briga para não cair, e neste ano deu uma reforçada no elenco, então a gente espera buscar um playoff talvez, já que no ano passado a gente ficou na última posição que não caiu, e a diferença para o oitavo colocado, que foi aos playoffs, foram cinco vitórias. É uma liga que você pode ganhar e ir pros playoffs ou perder e ser rebaixado, um campeonato muito equilibrado, e todo detalhe é importante.
Você disse lá que aprendeu muito e fez treinos novos. Que atividades você fez lá que não são praticadas aqui no Brasil? Quais as principais diferenças?
Eles dão muita prioridade à defesa. Se você não defender, você não vai jogar, isso é muito claro na cabeça deles. E detalhes de jogo, de posicionamento de quadra, eles dão muita prioridade também. Se você se posicionar um metro para o lado de onde o técnico quer que você receba a bola, ele vai com certeza te dar esporro e dá multa se você errar duas vezes seguidas, então é uma coisa que eles botam na sua cabeça e dentro de quadra com certeza você vai fazer, pois está treinado para isso. A diferença lá também é que os jogadores sabem muito seu papel. Tem jogador que entra só pra marcar, tem um jogador que entra só pra chutar, enquanto aqui no Brasil a gente tem jogadores que fazem muitas coisas ao mesmo tempo.
Você disse à imprensa de lá que voltava para o Brasil, mas ficava com a cabeça no Menorca. Como você mantém o foco na temporada do Flamengo, ao mesmo tempo pensando no futuro na Espanha?
Acho que tenho que continuar fazendo o que eu estava fazendo. Se eles me contrataram e apostaram no meu futuro, fechando contrato por cinco anos, é porque eles gostaram do que eu estou fazendo. Eles deram ênfase à minha defesa, que é talvez meu ponto fraco, e no meu físico, que eu tenho que ganhar peso e mais velocidade, mas tenho que continuar fazendo o que eu estou fazendo. Eles vão manter contato, me ligar, ligar pro preparador físico, pro técnico, vão gravar todos os jogos daqui para ver minha evolução, e quando digo que estou com a cabeça lá, é que eu vou torcer pelo time, manter contato com os jogadores, com o técnico, e da mesma forma que eles vão me acompanhar aqui, vou acompanhar o time deles lá.
Você tem alguma meta pessoal para esta temporada?
Com certeza, o dia que a gente parar de evoluir, não tem mais objetivo de estar aqui. Este ano, estou fazendo a preparação física com personal trainer, que é muito diferente já que é uma pessoa que se dedica exclusivamente a você, com certeza você cresce mais, e acho que vai ser muito produtivo para mim dentro de quadra, pois é uma dificuldade minha, às vezes, o jogo de contato, que é muito importante na Europa; se você não conseguir fazer o jogo de contato, não consegue jogar. Estou fazendo um trabalho certinho para continuar meu crescimento.
Você tem também o exemplo do seu irmão (Marcelinho Machado), que também teve de fazer esse trabalho de fortalecimento quando foi para a Europa. O que você viu da experiência do seu irmão que pode tirar para agora?
É, ele já passou por isso, e cresceu muito. Se você perguntar para todo mundo que acompanha a carreira do meu irmão antes de ele ir pra Europa e depois, vê que o crescimento dele foi absurdo. O ano que ele voltou da Europa, depois de jogar dois anos, veio pra Telemar, foi campeão brasileiro, aí voltou pra Lituânia, jogou a Euroliga, que é o campeonato mais forte do mundo, aí voltou para o Flamengo e fez a temporada que fez no ano passado, então com certeza o crescimento que você tem na Europa é muito grande, e eu espero seguir nos passos dele.
Como superar a temporada passada do Flamengo? Qual é o objetivo deste time este ano?
A gente sabe que vai ser uma temporada mais difícil do que o ano passado, talvez não pelo Estadual, pois o Estadual do ano passado teve a parceria com clubes de fora, mas a gente sabe que o Brasileiro deste ano vai ser muito forte. As equipes estão se reforçando muito, vai ter as equipes de São Paulo, que não jogaram no ano passado e são muito fortes, e a gente sabe que é a bola da vez. Como Brasília era no ano passado por ser campeão brasileiro, a gente sabe que este ano todo mundo quer ganhar do Flamengo, pela temporada que fez no ano passado. Mas a gente tem isso tudo muito claro na nossa cabeça, sabemos nossos objetivos, não temos que ficar preocupados com os outros e sim com o que a gente tem de fazer dentro de quadra, então a gente espera que a temporada seja tão boa quanto no ano passado.
Você voltou no sábado, o Paulo Sampaio já disse que você está meio zonzo por causa do fuso horário. Já deu pra matar as saudades do Rio, fazer alguma coisa? Como está a vida?
Não deu para fazer muita coisa não. Deu para ver o jogo do Flamengo no domingo na casa dos meus pais, foi muito bom, deu para matar um pouco a saudade da namorada, mas o fuso horário realmente dificulta bastante. É uma viagem muito cansativa, de lá pra cá são quase 20 horas viajando num avião, apertado, e você chega aqui com o fuso horário todo errado, não consegui nem dormir direito ainda. Mas de pouco em pouco a gente vai se readaptando aqui e voltando ao foco normal, que é o Flamengo.
Adriano Albuquerque
Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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