Publicado por basketbrasil
O paulista Aluisio Elias Ferreira Xavier, o Lula, é um vitorioso técnico de basquete, principalmente se analisarmos o período que ele esteve no comando do COC. Em Ribeirão Preto, ele conquistou o pentacampeonato paulista e um título de campeão brasileiro. Em entrevista exclusiva ao SPORTmania Lula fala de como começou na modalidade, sua passagem pela seleção brasileira, além de analisar o que representa ter um técnico estrangeiro no comando do basquete brasileiro.
Entrevista publicada originalmente em: http://www.sportmania.com.br/
Fale-nos sobre sua formação, de como começou seu interesse pelo basquete e dos clubes que dirigiu.
“Comecei no basquete jogando na categoria mirim (14 anos) do Palmeiras em 1964. Fui levado pela minha mãe que era professora de Educação Física. Viúva, ela se preocupava com nossa (minha e de meus irmãos) formação. Isto, evidentemente, modificou minha vida, inclusive a profissional. Joguei no Palmeiras de 1964 a 1972, quando entrei na escola de Educação Física da USP e fui jogar na Hebraica e lá comecei minha carreira de técnico (1972) nas escolinhas do clube. Como técnico tive a felicidade de dirigir todas as categorias, desde escolinha até o adulto em 1985. Em 1988 fui convidado a ir dirigir o Palmeiras, onde fiquei até 1992; em 1993 dirigi o sub-22 do Corinthians. Em 1994 voltei ao Palmeiras e fiquei até 2000 quando fui convidado pelo COC/Ribeirão Preto. Dirigi o COC até 2006 quando o Chaim fechou o time. Em 2007 fiquei como técnico exclusivo da seleção brasileira e em janeiro de 2008 iniciei meu trabalho atual no Universo Brasília.
Quais os títulos importantes durante sua carreira em clubes?
“Como técnico de clube as principais conquistas foram:
1988 - campeão da Série A2 com a Hebraica
2001 - vice-campeão brasileiro pelo COC
2003 - campeão brasileiro pelo COC
de 2001 a 2006 - pentacampeão paulista pelo COC
2008 - vice-campeão brasileiro pelo Universo Brasília”
Como foi seu ingresso na seleção brasileira? E as principais conquistas?
“Na seleção brasileira iniciei o trabalho em 1988, por indicação do prof. José Medalha e a convite do técnico Ary Vidal; dirigi inicialmente a categoria juvenil. Em 2000 fui convidado para ser assistente técnico do Hélio Rubens na categoria adulto. Em 2003 fui convidado para ser o técnico principal, ficando até 2007. Neste período os principais títulos foram de campeão sul-americano e pan-americano (2003); campeão da Copa América (2005); campeão sul-americano e campeão pan-americano (2007)”.
O que você pensa do atual momento do basquete brasileiro?
“O basquete brasileiro começou a viver um cenário de muita divergência a partir de 2005, onde as dificuldades financeiras motivaram uma divisão política que representou um grande retrocesso no desenvolvimento da modalidade. Algumas iniciativas foram tomadas, mas nada foi ficando de um ano para o outro. A divisão de forças mostrou que só com união e diálogo poderia ser construído algo sólido para o basquete. Acredito que partir de 2009 com realização da LNB, campeonato nacional com todos os clubes e o aval da CBB, possamos reencontrar o caminho do desenvolvimento.”
O que está faltando para o Brasil voltar a ter um basquete forte em Olimpíadas?
“O esporte brasileiro como um todo sofre muito com a falta de uma política pública adequada para o seu correto desenvolvimento. Isto foi agravado pela divergência dos últimos três anos ocorrida em nossa modalidade, gerando um clima de pessimismo e descrédito.”
Mesmo sendo reconhecidamente um dos melhores técnicos do Brasil, você acabou não conquistando os resultados almejados. Você atribui isso a algum fator em especial?
“Com relação à seleção brasileira todo trabalho realizado passou a ser julgado exclusivamente em conquistar o direito de participar de uma Olimpíada. No cenário atual do basquete mundial, a classificação de apenas 12 países para a Olimpíada claramente deixa de fora grandes forças da modalidade que conta com 16 a 18 seleções de alto nível em todo mundo. Outros países de altíssima tradição no basquete também têm ficado de fora dos Jogos Olímpicos. Um fator que ajudaria muito a esclarecer a opinião pública é o formato de classificação olímpica, que muita gente da própria modalidade não sabe como se realiza. O fator da não classificação do Brasil é o fato de ter muitos países fortes e o Brasil é um deles, para poucas vagas.”
O basquete masculino está sendo comandado por um técnico espanhol. Você acha que isso será benéfico?
“O fato de um técnico estrangeiro estar no comando atual da nossa seleção demonstra de um lado a necessidade dos técnicos brasileiros se unirem e apoiarem um colega, ao invés da voracidade e selvageria na luta pelo cargo, e de outro a oportunidade de um intercâmbio com países que já percorreram o caminho do desenvolvimento interno e por conseqüência o resultado internacional.”
Para encerrar, que mensagem você mandaria para a comunidade do basquete?
“Como mensagem eu diria que o basquete está necessitando de ações concretas e não de declarações auto-elogiáveis. A modalidade está precisando de pessoas que façam mais e falem menos…”
Carlos Fernando Rego Monteiro nasceu no Rio de Janeiro e é Editor do SPORTmania. Formado em Jornalismo, Engenharia e Análise de Sistemas, acompanha variadas modalidades esportivas desde a infância, já tendo escrito três livros: dois sobre automobilismo (Almanaque do Automobilismo e Rápidas Palavras) e um sobre basquete (Morada de Gigantes - Histórias de Araraquara e do Basquetebol da Uniara).
Equipe BasketBrasil
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