Ex-pivô Israel fala sobre a carreira e muito mais em entrevista exclusiva ao BasketBrasil

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3/09/2008 | 16:21

Publicado por João Guilherme

Após Jatyr, outro ídolo do basquetebol nacional, o ex-pivô Israel, que atuou na Seleção Brasileira durante a década de 80, concedeu uma entrevista exclusiva ao BasketBrasil. O gigante mostrou muita simpatia e falou de sua carreira, sobre a situação da modalidade no Brasil e até sobre os jogadores de garrafão que o país tem atualmente, Israel afirmou que acredita na capacidade de Tiago Splitter, Anderson Varejão, João Paulo Batista entre outros atletas nacionais que atuam na linha pintada. Confira na íntegra a entrevista.

1- Israel, o que te levou ao basquete? Como foi seu início na modalidade?
Eu comecei a jogar basquete, praticamente, por causa da minha altura. Eu sou de Salvador, primeiro fiz dois anos de vôlei no colégio, mas eu não tinha muito jeito para o vôlei e minha professora de Educação Física no colégio sugeriu que eu fosse jogar basquete, por causa da minha altura. Aí eu fui e comecei a praticar basquete basicamente por causa da minha estatura. Tem até uma história engraçada, eu fui comprar sapatos em uma loja, era o único lugar de Salvador que conseguia encontrar  sapatos do meu número e aí uma senhora me viu lá e me perguntou se eu jogava basquete, eu disse que não, aí ela falou que eu deveria tentar, até porque eu era muito alto. Ela me deu o endereço do clube em que o filho dela jogava e eu fui, assim que eu comecei a jogar basquete.

2- Fale um pouco sobre sua carreira.
Eu comecei em Salvador mesmo, o curioso é que eu comecei tarde, apenas com 15 anos. Joguei dois anos em Salvador, aí em 1977 eu vim pra São Paulo, defendi o Corinthians por dois anos, fui para o Monte Líbano e lá eu obtive sucesso, nós conquistamos vários títulos (Paulistas, Nacionais e Sul-Americano) e chegamos a ser vice-campeões mundiais de clubes. Depois disso eu fui para Itália e joguei oito anos no basquetebol europeu. Voltei para o Brasil, joguei no Jacareí, Angra dos Reis, Guarulhos, Barueri e encerrei minha carreira com 42 anos na Hebraica.

3- Como é jogar pela Seleção Brasileira? A Olimpíada é uma competição diferente das demais ou vocês tratavam todos os campeonatos igualmente vestindo a amarelinha?
Nós nunca demos prioridade para nenhum torneio, qualquer campeonato é importante pela seleção brasileira, quando você veste a camisa da seleção você só quer fazer o melhor, aliar talento e raça. Eu joguei três mundiais, dois pan-americanos, um deles aquele famoso em Indianápolis, quando vencemos os Estados Unidos na casa deles. Logicamente, que as Olimpíadas são o auge da carreira de qualquer atleta até porque aquilo (Olimpíada) é um show, todos os atletas estão reunidos numa Vila, todas as culturas, é algo fantástico. Isto foi mostrado pela China nestes últimos Jogos, eles fizeram um grande show e isso tende a melhorar nos próximos com a ajuda da tecnologia.

4- Atualmente, você ainda joga?
Sim, eu ainda jogo. Atualmente, eu participo do campeonato de veteranos (UVB), jogo no Macabi. Agora, é mais uma brincadeira, para ver os amigos e se divertir.

5- Como um grande pivô que foi, você acredita no potencial dos jogadores de garrafão brasileiros?
Eu acredito nos jogadores brasileiros que atuam no garrafão. O Tiago é o que vem se destacando mais, só que não é apenas ele, tem o Nenê, o Varejão, o Baby, o João Batista, são todos jogadores talentosos. Eu acredito na capacidade dos nossos jogadores em todas as posições, na armação, na ala nós também temos bons jogadores. O difícil é entender o que acontece quando eles estão juntos na quadra, aí que a coisa não vem dando certo. Eu espero que eles consigam achar uma fórmula para se entrosarem e jogarem o que sabem na seleção, senão essa geração vai ficar marcada como aquela que não conseguiu grandes resultados e isso é injusto. Nos clubes eles (Leandrinho, Nenê, Varejão, Tiago) já mostraram do que são capazes, isso me faz acreditar que esta geração ainda pode trazer bons resultados para o Brasil.

6- Qual o seu sentimento ao ver a situação do basquetebol brasileiro?
É um sentimento frustrante. Nós sempre tivemos o basquete no auge, somos um pais tradicional nesta modalidade. Eu acho que o que falta para o basquete é união, nós vemos os outros esportes unidos e no basquete não há isso, só há brigas, picuinhas, um querendo aparecer mais que o outro. Como amante do basquete eu gostaria de ver um entendimento de cima pra baixo, que se chegasse a um senso comum para o bem do basquete para que o esporte volte a ser grande como sempre foi.

7- Por que o basquete perdeu tanto espaço na TV aberta? Como você avalia essa situação?
O basquete ainda desperta interesse das emissoras a cabo, o Campeonato Paulista passa na ESPN, o Nacional na SPORTV, mas, como você disse, na TV aberta, onde mais importa, o basquete perdeu espaço. O que falta pro basquete é resultado, você vê o vôlei passando na TV aberta e outros esportes que estão tendo resultados bons também, o basquete não passa muito justamente pela falta de resultados expressivos nos últimos anos. A coisa boa que eu vejo é o esporte não foi esquecido, os jogos das meninas (seleção feminina) foram transmitidos, então eu acredito que se houver uma mudança de mentalidade, o basquete brasileiro voltará a ter resultados e terá novamente seu espaço para o grande público.

8- Você acompanha o basquetebol em geral (NBA, Euroliga e Nacional)?
Acompanho. Eu gosto de acompanhar todos os tipos de campeonatos, vejo campeonato de Street Ball (Basquete de Rua), quando passa na ESPN. Gosto de ver NBA, Euroliga, basquete nacional. Eu amo o basquete e como amante desse esporte gosto sempre de estar ligado no que acontece.

9- Tem algum jogador favorito?

Tenho. Eu gosto de vários jogadores da NBA. Na minha opinião, o Kobe Bryant é que se destaca mais atualmente, adoro vê-lo jogar. Tem o LeBron James, que é muito bom também, o Tim Duncan, enfim vários atletas que eu gosto. Outros jogadores que eu admiro muito são o Ginóbili e o Scola, a carreira do Ginóbili é fantástica, ele é um dos melhores estrangeiros que já jogou na NBA e o melhor disparado da América Latina, atualmente.

10- Israel, por favor, deixe uma mensagem final para os leitores.
O que eu quero falar para o pessoal é que continue praticando basquete, continuem amando o basquete e que torçam para a situação mudar aqui no Brasil. Eu também peço para que os amantes do basquete continuem apoiando esta geração para que ela consiga um resultado à sua altura, só com resultados nós teremos mais praticantes e mais fãs da modalidade.

João Guilherme Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete nacional e internacional.
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