Toni Chakmati dá entrevista ao BasketBrasil, mas não confirma candidatura à presidência da CBB

Publicado em: DESTAQUES, Destaque da Semana, Entrevistas, Nacional
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12/11/2008 | 15:09

Publicado por João Guilherme

Na tarde desta terça-feira, 11, o presidente da Federação Paulista de Basketball (FPB) recebeu o BasketBrasil para conceder uma entrevista exclusiva. Sr. Antonio Chakmati, para os mais íntimos Toni, não confirmou sua candidatura à presidência da CBB (Confederação Brasileira de Basketball), mas também não desmentiu os boatos de que ele será o candidato da oposição. Chakmati ainda falou sobre a situação do basquetebol brasileiro e deu uma pequena prévia do que poderá fazer para revitalizar a modalidade no país, caso confirme sua candidatura e vença a eleição que será disputada em março de 2009. Confira na íntegra a entrevista:

1- O senhor irá mesmo concorrer à presidência da CBB? Já pode cravar sua candidatura?
Não, ainda não posso dizer, falta muito tempo e essas coisas dependem dos acontecimentos. Ainda não está decidido.

2- Quais são os principais problemas administrativos que o senhor vê no basquetebol brasileiro e como o senhor faria para resolvê-los?
Os problemas administrativos são imensos, são muitos. Da minha parte, no momento, eu não posso ajudar em nada, pois não estou lá na CBB. Para melhorar alguma coisa tem que estar lá na CBB, o que eu posso fazer é apenas aconselhar se for pedido o meu conselho, caso contrário a coisa vai continuar do jeito que está. Em primeiro lugar, a CBB não pode ser dirigida do jeito que é hoje, tem que ter uma diretoria, tem que profissionalizá-la. Apenas duas pessoas cuidando de tudo que é tratado no basquetebol brasileiro é utopia, não existe. Outra coisa que se deve fazer é tratar igualmente o basquetebol em todos os lugares e não apenas pensar no Sul e Sudeste. Temos que criar festivais, incentivar as crianças a jogarem basquete, a gostarem do basquete. Os técnicos precisam ser preparados, é necessário que seja criado um curso para treinadores, afinal nós temos pouco treinadores capacitados hoje em dia. Os árbitros também precisam ser melhor preparados, enfim é muita coisa para se fazer, não é de um dia para o outro. Quem assumir a CBB no ano que vem terá muito trabalho pela frente e dificilmente conseguirá arrumar tudo em quatro anos, é preciso tempo.

3- O que o senhor acha do corte no repasse de verbas da lei Agnelo-Piva para o basquete?
É lamentável, é apenas isso que tenho a dizer.

4- O senhor considera justo o critério do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) de dividir as verbas de acordo com os resultados obtidos nos últimos anos?
Eu não posso discutir os critérios do COB. Se o COB acha que tem que ser feito assim, ele faz. As confederações sabiam disso, portanto não discuto essa medida.

5- E se o investimento fosse maior em escolas e universidades em vez do repasse ir para as confederações? O que o senhor acha disso?
Eu não acredito que o caminho seja por aí. Quem irá fiscalizar para onde vai esse dinheiro, se for repassado para as escolas e universidades? Quem irá garantir que as instituições irão usar essa verba para incentivar o basquete? É muito difícil, isso também vale para as confederações, ninguém sabe para onde o dinheiro vai e olha que o COB consegue fiscalizar melhor o uso da verba com ela nas mãos das confederações e mesmo assim o dinheiro não é bem usado. Eu acho que nas universidades e escolas a fiscalização ficaria mais difícil. Seria um erro se isso fosse feito.

6- O senhor tem se envolvido com a criação da Liga Nacional (LNB)?
Não, eu não tenho envolvimento nenhum. Eu deixei os clubes se envolverem, na tentativa de criar essa Liga porque ela é necessária, mas eu não interfiro em nada.

7- Como o senhor vê a criação da LNB? Ela é necessária para revitalizar o esporte?
Eu acho que a liga é importante e necessária. A liga, pelo menos, dá aos clubes a oportunidade e a responsabilidade de fazer basquete e é isso que eles precisam fazer. Assim, eles não precisam ficar dependendo da Confederação e nem precisam ser custeados por ela, além disso as reclamações dos clubes irão diminuir com eles no comando de sua liga. É necessário fazer um campeonato, assim como há nos outros países.

8- O senhor acha que seguir o modelo da NBA é algo realista para o nosso basquete ou nós devemos nos inspirar nas Ligas Européias?
O basquete nos Estados Unidos está a léguas de distância, é impensável no momento. Já o basquetebol europeu é uma realidade bem mais próxima, é o nosso espelho e nós temos que trazer as coisas boas de lá e copiar aqui.

9- E o basquetebol paulista? Ele é um modelo a ser seguido pelos outros estados?
Sim, claro, já é modelo. Muitos copiam algumas coisas daqui de São Paulo, inclusive em alguns lugares do Sul já se vem fazendo um bom basquete de base. Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná estão fazendo um bom basquete e estão mostrando que, quando se quer trabalhar, dá pra fazer o basquete crescer. O melhor está aqui em São Paulo, isso é um fato, e é necessário que o melhor seja referência e copiado.

10- Por que as regiões Norte e Nordeste são “esquecidas” pela Confederação? O que deve ser feito para melhorar essa situação?
O Norte e Nordeste não têm tradição porque eles não têm condições financeiras necessárias. Eles são pobres e precisam da ajuda da Confederação para fazer um basquete melhor. Há pessoas que jogam basquete lá, pode-se fazer um basquete de qualidade por lá, mas elas não têm a ajuda da CBB, aliás a CBB só olha para o Norte e Nordeste na época de eleição. Mas ainda dá para consertar.

11- O senhor acha que há tempo e condições, neste ciclo olímpico, para levar o Brasil de volta às Olimpíadas no masculino?
Eu acho que sim. Acho que bem administrado, bem trabalhado, sem politicagem e com as pessoas que entendem do ramo é possível levar o Brasil de volta às Olimpíadas. Também acredito que nós podemos nos classificar para o Mundial, daqui a dois anos.

12- E o feminino? Por causa da crise do masculino, está sendo abandonado no país?
Veja bem, o basquete feminino é difícil de se lidar. Até aqui em São Paulo, lugar onde o basquete feminino é mais forte, ele só existe nas regiões metropolitanas e no interior, na capital não há nenhum time. É difícil de se fazer basquete feminino. Hoje também nós temos um número reduzido de jogadoras, muitas vão para a Europa, jogar na 2ª ou 3ª divisão e acham que estão fazendo um bom negócio. Isso torna difícil formar jogadoras aqui no Brasil, pois muitas acabam esquecidas e o número reduzido das que jogam aqui também não ajuda. Os outros estados não têm tradição, montam um time num ano, no outro desmontam e depois fazem outro totalmente diferente, não há continuidade. É muito difícil fazer basquete feminino.

13- Como o senhor avalia seu período a frente da Federação Paulista de BasketBall (FPB)? Quais foram os principais avanços e retrocessos?
Eu só vejo avanços, não vejo retrocessos significativos. Quando eu assumi a presidência, o basquete de São Paulo se dividia em capital x interior e hoje todos estão unidos, integrados. Nós tornamos o basquete de São Paulo forte novamente e hoje ele é referência no país, e é o único estadual forte que existe no Brasil. Na minha gestão, também mudamos algumas coisas nas categorias de base e possibilitamos que os jovens jogassem mais, enfim, foram várias melhoras significativas. O único retrocesso que existiu foi a queda da qualidade do basquete brasileiro como um todo, não foi apenas em São Paulo e sim no país inteiro.

João Guilherme Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete nacional e internacional.
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