Publicado por Adriano Albuquerque
O ex-jogador Vanderlei Mazzuchini assumiu, na semana passada, o cargo de diretor do departamento masculino da CBB. O ex-lateral, de 36 anos, está no momento acompanhando os treinos da Seleção Brasileira adulta em São Paulo (SP), e concedeu entrevista exclusiva ao BasketBrasil sobre as exigências e expectativas do novo cargo. Entre outras coisas, Vanderlei disse que o Brasil precisa entrar na Copa América com a mentalidade de ser campeão, defendeu uma unidade nas nomenclaturas do basquete e garantiu que vai trabalhar em conjunto com o departamento feminino, liderado por Hortência.
Como você recebeu esse convite e essa missão de ser diretor do departamento masculino da CBB?
Superfeliz, é um grande desafio e uma etapa nova na minha vida. Eu já vinha trabalhando com algumas coisas nesse sentido, de formar equipes, participando da parte administrativa da Ulbra; agora, neste ano, tinha acabado de montar equipe na Metodista, para disputar o Campeonato Paulista. Quando recebi este convite do Carlinhos (Nunes, presidente da CBB), fiquei muito feliz e, ao mesmo tempo, ansioso, porque é um desafio superlegal, mas é uma responsabilidade enorme. A gente vê que o basquete precisa de algumas coisas, e vou fazer de tudo para ajudar. Vou estar trabalhando 24 horas (por dia) com a CBB para ajudar o máximo que posso.
Já deu tempo de estabelecer o que você considera mais grave e precisa ser consertado, o que você precisa atacar primeiro?
Eu assumi na sexta-feira (24/7) com a CBB, e o nosso foco principal agora é a Copa América. Daqui a um mês, temos esse desafio. Nessa Copa América, bem com o pé no chão, a gente tem que ir pra lá com a cabeça pra ser campeão, não só buscar uma vaga. O Brasil tem que voltar a pensar grande. É lógico que a gente sabe das nossas limitações, mas neste campeonato, a gente tem que jogar para ser campeão. E acho que a comunicação dos jogadores com a comissão técnica, e da comissão com a diretoria, esse relacionamento que a gente tem dentro de uma equipe, muito importante para que se tenha uma unidade de pensamento, é a minha maior preocupação e função nesse primeiro momento.
Mais pra frente, em setembro, a gente deve sentar para conversar. A gente tem uma preocupação enorme com a base, eu sempre me preocupei com isso; a gente formou equipe no Metodista e a primeira coisa que eu falei é que (tínhamos que) ter categoria de base. Faltam algumas coisas no basquete, detalhes que fazem a coisa crescer. Hoje, não temos nem unidade de nomenclatura. Tem jogador treinando na seleção de base, e um fala bloqueio, outro fala corta-luz, outro pick-and-roll. A gente tem que ter unidade, tem que ter um norte. Isso é o primeiro passo antes de capacitarmos os professores, levar o basquete para as escolas, que acho que a CBB tem que capacitar e fazer esses cursos. A gente tem que ter uma metodologia. Essa metodologia única, eu nem sei qual é a certa, e a gente tem que sentar com as pessoas que sabem e vivem de basquete, pessoas sérias, e ver qual é a melhor forma. Quando tivermos esse norte, a nossa meta, vamos formar essa metodologia e vamos ensinar à molecada, desde os 10, 11 anos até o juvenil, a mesma coisa, porque aí, quando ele chegar à seleção adulta, vai facilitar para todo mundo.
Você pretende trabalhar em conjunto com a Hortência, do departamento feminino, e realizar ações conjuntas?
Sem dúvida. O Brasil tem que ter um jeito de jogar, uma forma de ensinar a molecada, essa metodologia toda, e tenho certeza que o masculino e feminino vão estar juntos, lado a lado.
Como está sendo essa diferença, dessa passagem de ser jogador para dirigente?
Já vinha há três ou quatro anos fazendo alguns cursos. Graças a Deus, as duas últimas equipes em que joguei foram universidades, em que pude começar a estudar. Preciso ainda me formar em administração, já comecei, estou estudando. Mas eu já vinha mais ou menos nessas duas funções, e quando recebi esse convite, a gente passou um mês discutindo. Não está sendo nada difícil para mim. Como jogador, fiz o que tinha que fazer. Eu sempre brinco que, na vida, a gente tem que fazer o máximo. Como jogador, eu consegui meu máximo, que foi jogar nas melhores equipes aqui no Brasil. Isso é o sucesso na vida. O Leandrinho, graças a Deus, o máximo dele é jogar na NBA, o Anderson (Varejão) também, e o meu máximo eu fiz. Tenho a cabeça tranquila quando a deito no travesseiro, porque joguei no meu limite.
Adriano Albuquerque
Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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Comentário por Reny Simão — agosto 2, 2009 @ 6:13 pm
Boa sorte ao Vanderlei.
Faço votos que seja tão bom dirigente como foi jogador.