Publicado por basketbrasil
Do UOL Esporte
Em São Paulo
Em julho, o basquete europeu fez sua primeira vítima na NBA. E a liga norte-americana acusou o golpe. Quando Josh Childress, reserva, é verdade, mas peça importante do Atlanta Hawks, aceitou o dinheiro do Olympiakos, da Grécia, abriu um precedente perigoso: foi o primeiro norte-americano a rejeitar propostas dos EUA - incluindo Phoenix Suns e Cleveland Cavs - e partir para o Velho Continente.
EXEMPLOS DA FORÇA EUROPÉIA
Tiago Splitter joga pelo Tau no Espanhol: pivô teve proposta dos Spurs, mas ficou no time
Por US$ 20 milhões em três anos, Childress é o jogador mais bem pago fora da NBA
Na temporada que começa nesta terça-feira, o basquete americano tenta dar sua resposta. A liga, cada vez mais internacional com 67 jogadores estrangeiros, trouxe três times da Euroliga para os EUA e mandou quatro times para a Europa e dois para a China. Durante os jogos em Londres, o chefão da NBA, David Stern, prometeu um jogo oficial na Inglaterra até 2012 - ligas como a NHL, de hóquei, e NFL, de futebol americano, já fazem isso.
O resultado desse intercâmbio é o aumento do nível do basquete europeu. Nesta temporada, nenhum time da NBA perdeu para europeus, algo que já aconteceu em outros anos, mas o Barcelona chegou muito perto da façanha, perdendo por quatro pontos para os atuais vice-campeões Lakers em Los Angeles.
Foi justamente essa evolução que levou Childress para a Europa e que está alterando o mercado de transferências da NBA. O brasileiro Tiago Splitter é outro exemplo. O pivô catarinense foi draftado pelo San Antonio Spurs e o time de Tim Duncan queria contar com o jogador nesta temporada. A oferta que fez, limitada pelas regras da liga norte-americana, porém, foi muito inferior à feita pelo Tau.
No ano passado, Anderson Varejão também tinha propostas da Europa caso não fechasse com os Cavs. Isso sem contar jogadores como Juan Carlos Navarro, Carlos Delfino, Nenad Krstic ou Carlos Arroyo, considerados úteis na NBA, que deixaram a liga norte-americana na esteira de Childress.
“A negociação de contratos, hoje, é global. Os times da NBA não se preocupam mais só com seus rivais na liga. O mercado expandiu e a NBA precisa responder a isso”, disse Kobe Bryant ao site norte-americano Yahoo.
“É uma opção que, no passado, não estava lá”, completou Donnie Walsh, dirigente do New York Knicks.
A explicação de Childress para a mudança de time também é simples. “Pensando como negócio, me ofereceram o dobro do dinheiro e um papel muito mais importante na equipe. Eu seria burro se não aceitasse a proposta do Olympiakos”, explicou o jogador ao New York Times - em tempo: em sua estréia na Euroliga, Childress foi o cestinha de seu time, com 14 pontos.
Outro problema que a NBA terá de enfrentar nesta temporada é a crise financeira. David Stern garante que os problemas não afetarão o basquete e chegou a anunciar investimentos milionários para construir uma arena em Xangai, na China. Mesmo assim, a liga anunciou corte de despesas de 9% no mês passado.
Com três partidas e tentando diminuir os efeitos da crise que assola os EUA, a NBA joga bola ao alto nesta terça-feira para o início da temporada. O destaque da rodada inicial é o confronto entre Boston, atual campeão, e Cleveland, finalista em 2006/07.
“Não esperamos ter um grande impacto [da crise norte-americana], mas me atreveria a dizer que haverá algum impacto”, minimiza David Stern, principal dirigente da liga.
O dirigente admitiu, porém, que a procura por ingressos neste início de temporada foi menor do que a do ano passado.
Por conta desses fatores e para se adequar à nova situação, Stern anunciou, há alguns dias, o enxugamento de 9% do número de funcionários da liga - houve o corte de 80 vagas.
“Há alguns meses, já acreditávamos que a economia passaria por um período de turbulências. Assim, começamos a apertar o cinto”, contou ele.
Outra das medidas práticas tomadas foi a redução da pré-temporada internacional. O tour deste ano foi menos badalado, com quatro partidas em quatro cidades européias, com a participação de Miami, New Jersey, Washington e New Orleans. Em 2007, houve sete confrontos em seis cidades. A expectativa, diante do sucesso alcançado, era que a iniciativa fosse ampliada.
Um litígio de fundo econômico também fez mais uma franquia mudar de endereço. O Seattle Supersonics foi extinto, sendo substituído pelo Oklahoma City Thunder, que faz sua estréia nesta temporada.
A equipe morou 41 anos em Seattle e, neste período, ganhou o título em 1979. Com um elenco modesto, no qual se destaca Kevin Durant, melhor novato em 2007/08, o objetivo é escapar das últimas posições.
Se sofreu transferência de franquias, a NBA também teve que aceitar, pela primeira vez, a fuga de talentos para a Europa.
De olho em contratos mais vantajosos no velho continente, o torneio perdeu nomes como Jorge Garbajosa e Carlos Delfino (ex-Toronto), Carlos Arroyo (ex-Orlando), Josh Childress (ex-Atlanta) e Juan Carlos Navarro (ex-Memphis).
Não bastasse isso, o brasileiro Tiago Splitter abriu mão de integrar o San Antonio, vice-campeão do Oeste, para seguir no basquete espanhol.
Entre os que ficaram, no duelo de forças da liga, Boston e LA Lakers, os últimos finalistas, surgem como favoritos.
O Boston conservou seu “big trio” Paul Pierce, Ray Allen e Kevin Garnett. Em compensação, perdeu reservas importantes, fundamentais na conquista do título da última temporada.
O ala-pivô P.J. Brown se aposentou. Já o ala James Posey se transferiu para o New Orleans.
Já o LA Lakers manteve a base do ano passado e ganhou o reforço do grandalhão Andrew Bynum (2,16m), que volta ao garrafão da equipe após se recuperar de cirurgia no joelho.
Com Kobe Bryant, MVP (melhor jogador) do último torneio, e Pau Gasol, mais adequado ao sistema de jogo do técnico Phil Jackson, o time se credencia ao título. “Somos favoritos por termos todas as peças do quebra-cabeça. Só precisamos montá-lo”, diz Kobe.
Em uma temporada que promete ser competitiva, San Antonio, Houston, New Orleans, Phoenix, Detroit e Cleveland são capazes de surpreender.
Na década de 90, ninguém no New York Knicks sonharia em mandar embora um jogador Patrick Ewing. Anos depois, na última segunda-feira, o novo treinador do time, Mike D’Antoni, fez justamente isso.
Patrick Ewing Jr, filho do pivô e maior ídolo dos Knicks na última fase vencedora da equipe, foi dispensado. Aos 24 anos, o jovem jogador atuou em apenas três partidas do New York na pré-temporada da NBA, marcou 11 pontos no total e não agradou.
Em sua melhor partida, marcou sete pontos contra o New Jersey Nets. O pivô concorria pela última das 15 vagas que o time tem para a temporada regular com o ala-armador Anthony Roberson, que participará da estréia do time na próxima quarta-feira, contra o Miami Heat.
Ewing, porém, não foi o único filho no elenco dos Knicks nesta pré-temporada. Dan Grunfeld, dispensado dias antes, é filho de Ernie Grunfeld, ex-jogador, técnico e gerente geral do time. Os dois pais, inclusive, continuam trabalhando na NBA, mas longe da Big Apple. Ewing é assistente no Orlando Magic e Grunfeld, presidente do Washington Wizards.
Nenê volta após lutar contra câncer. Leandrinho tenta se adaptar ao novo treinador. Anderson Varejão terá sua primeira temporada completa desde a polêmica renovação de contrato. A primeira temporada da NBA com apenas três jogadores do país desde 2003 começa nesta terça-feira e os objetivos brasileiros convergem em uma só direção: reconstruir sua imagem nos EUA.
O caso mais emblemático disso é Nenê. O pivô parte para seu sétimo ano no Denver Nuggets e, pela primeira vez, é titular absoluto da equipe. Graças, é verdade, a uma troca do time: Marcus Camby, melhor jogador de defesa da liga em 2007, foi trocado para os Clippers para economizar dinheiro.
Com isso, o brasileiro virou o homem de confiança do técnico George Karl para o garrafão. E até agora não decepcionou. “Desde a saída de Camby, o Nenê passou a se dedicar muito mais. Tive uma conversa com ele e ele está se doando em todos os treinos, algo que nunca tinha acontecido antes”, analisa Karl.
A aposta, porém, depende, e muito, da saúde do pivô. Desde que chegou aos EUA, o brasileiro só conseguiu jogar mais de 70 partidas em duas temporadas, as suas primeiras nos Nuggets. Desde então, uma série de problemas físicos, incluindo duas cirurgias graves no joelho e a operação para remoção de câncer, prejudicaram o jogador.
“Eu sou uma pessoa forte. Ninguém da minha idade passou por tantas coisas quanto eu passei”, afirmou o jogador aos jornais de Denver. “Agora, chegou a hora de mostrar. Tudo o que eu passei me transformou em um homem”.
Com Leandrinho, o caso é um pouco diferente. Um dos cestinhas do Phoenix Suns na temporada passada, ele era uma das estrelas do time no sistema do técnico Mike D’Antoni. O comandante, porém, foi para os Knicks e, pela primeira vez desde seu ano de estréia, o brasileiro jogará por um novo treinador: Terry Porter.
Além disso, o jogador perdeu o início da pré-temporada, em viagem ao Brasil para ficar ao lado da mãe doente. “É uma pena, pois ele terá de recuperar esse tempo durante a competição”, disse Porter à imprensa norte-americana.
Melhor reserva em 2007, Leandrinho deve continuar saindo do banco, revezando com Raja Bell e, novidade, Steve Nash. O canadense deve ser cada vez mais poupado durante a temporada regular e caberá ao brasileiro e ao esloveno Goran Dragic, estreante, comandar o time enquanto o armador principal fica no banco.
Já Anderson Varejão tem a missão de reconquistar a torcida em Cleveland. Na temporada passada, travou uma disputa com a diretoria para renovar seu contrato e só se apresentou ao time quando o campeonato já tinha começado. O resultado? Foi menos usado que em seus primeiros anos.
Para a nova temporada, o capixaba abriu mão de defender a seleção brasileira no Pré-Olímpico Mundial, em junho, para resolver definitivamente uma lesão no tornozelo. Na sua apresentação, foi elogiado pela boa forma. E, mesmo reserva, deve ser um dos jogadores mais importantes do reforçado Cleveland Cavaliers.
Após jogar bem na pré-temporada, foi até mesmo elogiado por Mike Brown. “Ele suou muito no verão (norte-americano) e isso está aparecendo, principalmente nos seus arremessos. Ele não está fazendo só bandejas. Agora tem um arremesso preciso de meia-distância também”, disse o treinador.
Varejão é justamente o que estréia primeiro: nesta terça-feira, às 22 horas, contra o atual campeão Boston Celtics. “Temos uma pedreira pela frente, logo de cara, mas gosto de começar já em um ritmo forte”, falou o brasileiro.
O Denver Nuggets, de Nenê, estréia na quarta-feira, às 23h, contra o Utah Jazz. O Phoenix Suns, de Leandrinho, às 22h contra o San Antonio.
(UOL Esporte/Folhapress)
Textos de Adalberto Leister Filho e Bruno Doro
Equipe BasketBrasil
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