Brasileiras titulares somam 26 pontos com recorde de Érika no Dream, mas perdem de novo (vídeo)

Publicado em: CAPA, DESTAQUES, Multimídia, NBA, WNBA
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31/08/2008 | 9:11

Publicado por Paulo Roberto

Recuperada da lesão que a deixou fora das Olimpíadas de Pequim, pivô carioca (camisa 14 na foto) conseguiu sua maior marca da temporada da WNBA pelo Atlanta com 15 pontos, quatro roubos de bola, dois rebotes e dois tocos, mas o Indiana venceu em casa por 87 a 72 liderado por 23 pontos da ala da seleção americana campeã olímpica Tamika Catchings. Ala maranhense Iziane anotou 11 tentos na derrota. Cortada da Seleção de Paulo Bassul, no recesso olímpico ela se dedicou às aulas de dança nos EUA.

A pivô brasileira Érika de Souza bateu seu recorde da temporada da WNBA com 15 pontos, a ala-armadora Betty Lennox foi a cestinha do jogo com 27 pontos, mas o lanterna Atlanta Dream sofreu sua sétima derrota consecutiva, perdendo para o Indiana Fever na noite deste sábado por 87 a 72 (43 a 29 no intervalo). O time de Indianápolis entrou em quadra motivado para se recuperar da pior derrota em casa da história da franquia (84 a 58 diante do Connecticut Sun na quinta-feira), e pela primeira vez na vida três jogadoras do Fever passaram dos 20 pontos na mesma partida. A ala da seleção americana campeã olímpica Tamika Catchings fez 23, além de capturar sete rebotes, a armadora Katie Douglas e a pivô canadense Tammy Sutton-Brown anotaram 21 cada, um bom esforço coletivo que acrescentou mais um grau à febre de derrotas da franquia estreante na liga americana feminina.

 Érika (camisa 14 na foto) disputa bola no ar com Tamika Catchings

Novamente a técnica Marynell Meadors escalou duas brazucas no quinteto titular do Dream (3V-26D). Recuperada da lesão na perna fraturada em maio que a fez pedir dispensa da Seleção Brasileira dias antes das Olimpíadas de Pequim, a carioca Érika ficou 28min52s em quadra como ala-pivô titular, acertou cinco em nove arremessos de quadra e cinco em sete lances livres, pegou dois rebotes (um defensivo e outro ofensivo), roubou quatro bolas, deu dois tocos em Sutton-Brown, fez uma assistência e desperdiçou três posses de bola antes de ser eliminada com seis faltas. A ala maranhense Iziane Castro Marques ajudou com 11 pontos com o mesmo aproveitamento de 5 em 9 nos arremessos, incluindo uma cesta de três em dois chutes de longa distância, pegou um rebote defensivo, fez uma assistência e uma roubada, cometeu duas faltas e quatro desperdícios de bola em 27min45s de ação.

Quarto colocado na conferência, o Indiana (13V-15D) vinha de seis derrotas nos oito jogos anteriores e mesmo com a vitória de ontem está dois jogos e meio atrás do terceiro New York Liberty (15V-12D), e o vice-líder Detroit Shock (17V-11D) está quatro partidas à frente do Fever, mas a técnica Lin Dunn não quer ver o time se acomodando com a posição, faltam seis compromissos até o final da temporada regular, quatro deles fora de casa, e o time não quer se classificar aos playoffs na quarta e última vaga. A estrela Catchings disse que a equipe jogou ontem para dar uma satisfação à torcida.

 Iziane tenta arremesso marcada por Tammy Sutton-Brown

“Nossos fãs não mereciam o tipo de esforço que apresentamos na quinta-feira. Hoje nós jogamos bons 40 minutos”, afirmou a cestinha do Indiana, que venceu o duelo direto com Iziane acertando sete em 13 arremessos de quadra incluindo quatro em seis chutes da linha de três, encestou todos os seus cinco lances livres, capturou cinco rebotes defensivos e dois ofensivos, deu três passes para cesta e dois tocos, roubou duas bolas e desperdiçou quatro posses em 30min11s de ação.

“Não estamos apenas batalhando pelo quarto lugar, estamos também batalhando para subir para terceiro ou segundo, uma posição melhor que nos daria mais chances nos playoffs”, emendou a treinadora do Fever.

“Nós jogamos com uma agressiva tenacidade que não tínhamos tido em um longo tempo. Temos de ir lá fora e controlar nosso próprio destino”, declarou a ala-pivô Ebony Hoffman, que em 36min38s na quadra anotou nove pontos, 14 rebotes, duas assistências, duas roubadas e cinco bolas perdidas no duelo com Érika no garrafão.

 Érika arremessa cercada por Sutton-Brown, Tully Bevilaqua e Ebony Hoffman (de branco da esquerda para a direita)

O Indiana começou com tudo vencendo o quarto inicial no Conseco Fieldhouse por 27 a 11 e chegou a ter 19 pontos de vantagem no placar no primeiro tempo, mas no segundo tempo o Atlanta reagiu e cortou a diferença para 70 a 62 com uma cesta de Iziane faltando 5min30s no quarto final. Mas o Fever respondeu com uma seqüência de 7 a 2, incluindo uma jogada de três pontos da pivô canadense Sutton-Brown que levou a vantagem das donas da casa para 77 a 64 com apenas três minutos por jogar, daí bastou administrar até a diferença final de 15 pontos.

“Certamente nos sentimos melhor do que na outra noite. Estou contente porque nossas jogadoras responderam à adversidade”, concluiu Dunn.

A dupla verde-amarela alternou seus melhores momentos. Érika foi mais efetiva no primeiro tempo, marcando oito pontos, dois roubos de bola e um toco antes do intervalo, sem falar numa assistência para a pivô companheira de garrafão Alison Bales, autora de quatro pontos, cinco rebotes e dois bloqueios. E nos últimos quatro minutos e meio a gigante carioca converteu uma bandeja diminuindo a diferença para 74 a 64 e uma jogada de três pontos (arremesso convertido sofrendo a falta de Sutton-Brown e encestando o lance livre de bonificação) descontando o prejuízo para 81 a 70. Iziane, por outro lado, foi melhor na reação do Dream no segundo tempo em que marcou sete pontos incluindo sua bola de três e uma assistência para cesta de Benny Lennox, cestinha do jogo que converteu 10 em 15 arremessos de quadra. A armadora australiana medalhista de prata em Pequim Tully Bevilaqua colaborou com cinco pontos, quatro rebotes, dois passes para cesta e dois roubos de bola em 32min03s como titular do Fever.

Confira vídeo com melhores momentos de Indiana x Atlanta, incluindo duas cestas de Iziane, Érika aparece com a camisa 14 de azul 

Enquanto Érika aproveitou o recesso olímpico de um mês na interrupção da temporada da WNBA para completar seu tratamento da lesão, Iziane não voltou ao Brasil, preferiu ficar em Atlanta e retomou suas aulas de dança. Cortada da Seleção por indisciplina após desentender-se com o técnico Paulo Bassul no Pré-Olímpico Mundial de Madri, ela vinha tendo aulas de dança desde o início da temporada americana, mas ficou longe das sessões durante a viagem de duas semanas com o Atlanta na estrada em julho. Enquanto a Seleção fazia sua pior campanha em Jogos Olímpicos, a ala tinha duas aulas por semana com seu instrutor pessoal no Fred Astaire Dance Studio, garantindo que a atividade alternativa é útil para ela no basquete.

“Eu sou muito boa no mambo e no cha-cha”, disse Izi ao jornal Atlanta Journal Constitution já começando a mexer os pés. “Estou no nível de competição de dança agora”.

A maranhense também aprendeu ritmos como foxtrot, samba, salsa, tango e valsa, embora não goste muito desta última. Ela também levou para algumas aulas de dança companheiras de time como Ann Strother e Jennifer Lacy, dizendo que os movimentos aprendidos no tablado já estão ajudando em quadra.

“Eu detesto girar. Se você me vê em quadra, eu não faço muitos giros porque perco meu centro de equilíbrio, mas na dança eu aprendi como girar melhor”, explica.

A matéria do Constitution descreve o que outras jogadoras do Dream foram fazer durante o recesso, a armadora-cestinha de 31 anos Betty Lennox foi curtir a Disneylândia em Orlando e a pivô reserva Katie Feenstra viajou para a Califórnia para tratar de seus planos do casamento marcado para novembro.

O Atlanta volta a jogar em casa na terça-feira às 20h (de Brasília) contra o Seattle Storm, time da pivô brasileira Kelly Santos, que foi um dos poucos destaques da Seleção em Pequim, mas continua sendo muito pouco aproveitada na equipe mesmo na ausência da ala-pivô australiana Lauren Jackson, que sofreu uma cirurgia no tornozelo no meio de semana. Neste domingo às 14h, o Storm joga fora de casa contra Connecticut Sun, em um duelo de líderes de conferência. O Seattle (18V-9D) assumiu a ponta no Oeste graças à derrota de ontem do San Antonio Silver Stars (19V-10D) para o Los Angeles Sparks (17V-12D) por 58 a 53 (25 a 23 no intervalo) no Staples Center de LA. A pivô tetracampeã olímpica Lisa Leslie fez quatro de seus 18 pontos e um toco nos 1min39s finais, sendo decisiva na terceira vitória seguida do time angelino. Numa grande noite das Torres Gêmeas do Sparks e da seleção dos EUA, a ala-pivô Candace Parker contribuiu com 17 pontos e 15 rebotes para superar o rival texano, liderado por 17 tentos e sete assistências da armadora Becky Hammon, americana medalhista de bronze em Pequim defendendo a Rússia. A pivô belga Ann Wauters anotou 13 pontos para o Stars.

“Acho que é uma enorme vitória para nós. As jogadoras que ficaram aqui em Los Angeles trabalharam duro ao longo da pausa para as Olimpíadas. Coop (o técnico ex-jogador da NBA Michael Cooper) as colocou em quadra para treinos realmente duros e elas melhoraram muito”, disse Parker elogiando as companheiras menos famosas como Shannon Bobbitt, autora de 10 pontos.

“Pareceu um jogo de playoffs. LA é um time realmente físico e acho que precisamos responder a isso”, disse Wauters, lamentando o fato de que o San Antonio liderava o placar por 53 a 49 faltando 2min39s, mas não conseguiu mais pontuar e Lisa Leslie decidiu.

“Elas (jogadoras do Sparks) acreditam em nossa defesa e isso é metade da batalha ganha. Se elas acreditam nisso, entram em quadra e se comprometem em marcar”, destacou o técnico Michael Cooper.

Completando a rodada de sábado, o Minnesota Lynx derrotou o Washington Mystics por 92 a 78 (46 a 38 no intervalo) superando os 27 pontos da cestinha Alana Beard com uma melhor atuação coletiva comandada por 22 tentos da ala-armadora reserva Candice Wiggins, e o Sacramento Monarchs venceu em casa o Houston Comets por 80 a 65 (40 a 37 no intervalo) com destaque para 20 pontos e nove rebotes da cestinha Nicole Powell superando os 12 e 7 respectivamente da veterana ala-pivô campeã olímpica Tina Thompson. Campeã olímpica em Pequim, a armadora Kara Lawson ajudou no triunfo com 14 tentos.

Confira vídeo com melhores momentos de LA Sparks x San Antonio Silver Stars

E a jogada mais bonita da rodada: bandeja de pura habilidade de Shannon Bobbitt

Vídeo com melhores momentos de Sacramento x Houston

Vídeo com melhores momentos de Washington x Minnesota

Paulo Roberto Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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