Publicado por Paulo Roberto
Semana começa com clima de boas-vindas em Phoenix, com a homenagem a Jerry Colangelo pela formação da seleção americana campeã olímpica em Pequim (na foto ele recebe um uniforme estilizado dos EUA das mãos do ala-pivô do Suns Amaré Stoudemire, que já se colocou à disposição pensando em Londres-2012) e a finalização da contratação do armador esloveno Goran Dragic, novo reserva do astro Steve Nash. Vice-presidente da franquia David Griffin diz que Leandrinho fez um bom papel como reserva da armação, mas agora deve ficar mais liberado para pontuar sem ter de conduzir a bola e armar as jogadas nos minutos de descanso do astro canadense.
Depois de uma longa negociação, o armador esloveno Goran Dragic finalmente assinou contrato por três anos com o Phoenix Suns ontem e pode participar dos treinos informais da equipe já nesta terça-feira. A chegada do novato europeu permite ao time diminuir a média de minutos do astro canadense Steve Nash e eventualmente até poupá-lo de algumas partidas durante a temporada 2008-09. O site oficial do Suns destaca que “o ala Grant Hill não vai ter mais de se preocupar com nenhuma tarefa de conduzir a bola ao ataque e agora o ala-armador brasileiro Leandrinho Barbosa pode simplesmente se focar em fazer pontos saindo do banco.”
“Se nós tivéssemos assinado com um armador veterano para ser reserva de Steve, isso meio que diminuiria os efeitos positivos da formação que nós temos. Leandro já jogou muito como armador reserva e tem sido bom nisso, Grant Hill pode tomar decisões por nós, Boris Diaw toma decisões por nós, então sentimos que nosso time foi construído de uma maneira que seria mesmo melhor desenvolver um garoto jovem para jogar alguns minutos em vez de dar minutos limitados a um veterano. Não fazia sentido para o veterano e não fazia sentido para nosso time a longo prazo. É melhor para nós dar a Goran quaisquer minutos que possamos dar a ele agora porque não é absolutamente crítico que ele esteja preparado para ser nosso armador reserva em tempo integral, porque temos alguns jogadores para absorver um pouco disso agora, então nós estamos pensando no quadro mais amplo. Acho que todos precisam entender que ele é um armador novato, mais que um armador estrangeiro, tipicamente leva mais tempo para um jogador estreante se desenvolver nessa posição”, afirmou David Griffin, vice-presidente sênior de operações de basquete do Suns.
A rescisão contratual de Dragic com o TAU Cerámica (ESP) completou a longa busca do Phoenix de um reserva para o craque de 34 anos Nash, e o gerente geral Steve Kerr tem esperanças de que o esloveno poderá ser um legítimo sucessor para o armador duas vezes eleito o melhor jogador da temporada da NBA (em 2005 e 2006).
“Agora ele tem de vir e ser competitivo na posição de reserva atrás de Steve. Tomara que ele aprenda muito e desenvolva seu jogo com Steve e potencialmente seja nosso titular algum dia. Veremos se isso acontecerá. Goran é uma promessa muito boa e nós sentimos que ele era o segundo melhor armador no draft passado depois de Derrick Rose (número 1 do recrutamento selecionado pelo Chicago Bulls), então pegá-lo na segunda rodada do draft foi uma grande jogada para nós. Ele é muito atlético, tem um grande sentimento para o jogo, tem uma mentalidade de armador na sua maneira de distribuir a bola para os companheiros, mas cria suas próprias jogadas também. Ele é muito criativo, chega até o aro e enterra a bola”, afirmou o gerente geral Steve Kerr. Confira no vídeo grandes jogadas de Dragic na Europa incluindo suas enterradas.
“Antes do meu primeiro treino, eu falei com Rasho Nesterovic (pivô capitão da seleção da Eslovênia e veterano da NBA) e ele me deu muitos conselhos. Ele me disse que eu preciso trabalhar duro, ouvir os técnicos e meu tempo irá chegar quando eu começar a jogar. Amaré (Stoudemire), Shaq e Steve Nash são alguns dos melhores jogadores da NBA, estes são jogadores que eu assistia quando era garoto e era meu sonho jogar junto com eles. Gosto de jogar um basquete rápido e de contra-ataque como eles fazem aqui em Phoenix, gosto de jogar na defesa e de passar a bola para meus companheiros livres para o arremesso. Quando Griffin me ligou na noite do draft, eu estava dormindo porque era muito tarde (4h da madrugada na Eslovênia), mas quando ele me acordou para me contar a notícia, eu fiquei muito empolgado. Não conseguia acreditar. Eu quero ver como os jogos vão, esse é meu primeiro desejo. Vou dar toda minha força para ajudar o time”, disse Goran Dragic, armador de 22 anos que teve médias de 11,3 pontos, 3,4 assistências e 1,5 roubo de bola por jogo na temporada passada da Liga Adriática defendendo o Union Olimpija Ljubljana, time que se classificou para disputar a Euroliga e teve um retrospecto de cinco vitórias e nove derrotas na competição que reúne os 25 melhores times da Europa.
Exatamente três meses depois que Dragic visitou Phoenix para um treinamento convincente antes do draft, ele finalmente é um atleta contratado do Suns, completando o elenco de 13 jogadores para a temporada. O jogador ainda precisará voltar à Eslovênia enquanto espera seu visto de trabalho nos EUA ser aprovado. Apesar disso, ele é esperado para se juntar ao time no ônibus de partida para o acampamento de pré-temporada em Tucson na próxima semana. O armador estava no Arizona havia quase um mês enquanto a rescisão contratual com o TAU era concluída, mas só estava treinando fisicamente e não batendo bola com o restante dos companheiros de time porque não tinha assinado contrato, hoje ele já pode voltar a jogar basquete nos treinos voluntários no US Airways Center.
A segunda-feira foi de homenagens em Phoenix e não apenas pela contratação oficial de Dragic. Cerca de 1.200 pessoas se reuniram no hotel Arizona Biltmore Resort & Spa para um almoço em homenagem a Jerry Colangelo, ex-proprietário do Suns que foi o responsável pela formação da seleção americana coroada com a reconquista da medalha de ouro nas Olimpíadas de Pequim. Arquiteto do Time da Redenção dos EUA, o cartola disse no evento que pode continuar no comando para o próximo ciclo olímpico até os Jogos de Londres-2012.
Amaré Stoudemire exibe uniforme comemorativo com o número 1 entregue a Jerry Colangelo (Foto: AZCentral.com)
“Eu estou meio que tendendo a continuar na direção, mas nós ainda temos algumas coisas que estamos conversando apenas em termos de organização. Estou inclinado a continuar por causa da minha conexão com o basquete. As Olimpíadas são uma memória que eu nunca esquecerei. Nós mudamos a cultura do time, as pessoas torceram muito pelos EUA e estou orgulhoso disso. Eu me senti totalmente realizado. É minha decisão se quero continuar ou não para Londres-2012. É interessante pensar que eu posso me manter conectado com o jogo. Provavelmente é algo em que eu pensarei bastante também”, disse Colangelo, que assumiu o cargo de gerente da seleção da federação USA Basketball em 2005, apontou o técnico de Duke Mike Krzyzewski para comandar a equipe de astros da NBA e solicitou aos jogadores um comprometimento de três anos, um trabalho de continuidade que foi fundamental para a conquista do ouro.
Colangelo declarou na cerimônia que pelo menos sete jogadores da seleção de ouro manifestaram o desejo de continuar na seleção para tentar o bicampeonato olímpico em Londres. O ala-pivô do Phoenix Amaré Stoudemire, um dos convidados especiais do evento de ontem vestindo apropriadamente uma camisa das Olimpíadas de Pequim (embora tenha pedido dispensa da seleção para descansar no verão), disse que espera voltar a defender os EUA nos Jogos de 2012 também, com o orgulho dos americanos novamente em alta muitos jogadores estão falando da vontade de vestir a camisa da seleção, que só se reunirá novamente no Mundial da Turquia em 2010. Outros representantes do Suns estiveram na homenagem.
“A comunidade do basquete está orgulhosa. Você mostrou para o nosso grande país e para o mundo o quanto esses jovens jogadores são grandes”, disse o técnico Terry Porter a Colangelo.
“Aqueles caras colocaram os egos de lado e atiraram por um só objetivo – a medalha de ouro. Eles são todos pessoas melhores como resultado desse compromisso de três anos com a seleção”, comentou o ala Grant Hill.
“Os EUA são muito sortudos por terem tido você no comando deste movimento olímpico”, falou o treinador da seleção Mike Krzyzewski numa declaração gravada exibida na cerimônia.
Um mês depois da conquista do ouro, os Estados Unidos voltaram à vida normal sem lembrar muito o espírito olímpico em meio à disputa política acirrada na campanha presidencial para a Casa Branca e à grave crise econômica que tem provocado efeitos em todo o mundo, mas não custa nada reverenciar as conquistas do esporte, e o almoço beneficente que teve a renda revertida para os atletas paraolímpicos do país vendeu todas as suas mesas no valor de US$ 1.500, US$ 2.500 e US$ 5.000. Atletas americanos que participaram das Paraolimpíadas de Pequim neste mês foram reverenciados também, e o ex-treinador e hoje comentarista de televisão Doug Collins serviu como mestre de cerimônias e bom anfitrião.
Quando era jogador da seleção americana, Collins teve uma medalha de ouro “roubada” na polêmica final olímpica contra a União Soviética nas Olimpíadas de 1972, em que um problema de cronometragem e um erro da arbitragem deram a vitória para os arqui-rivais dos EUA em tempos de Guerra Fria, de tão revoltados os americanos se recusaram a receber a medalha de prata. Chris Collins, filho de Doug, fez parte do staff da federação americana este ano e seu pai comentou os jogos para a rede aberta NBC, o ex-técnico foi um dos convidados por Colangelo para falar com os jogadores da seleção na China reforçando o orgulho nacionalista e na cerimônia de ontem brincou com o diretor sentindo-se parte da conquista.
“Agora, eu tenho uma medalha de ouro em minha casa”, brincou Collins no agradecimento a Colangelo.
Apesar de estar se recuperando de uma cirurgia nas costas, o prefeito de Phoenix, Phil Gordon, fez questão de comparecer para lembrar a todos quem foi que transformou o centro da cidade encravada no deserto do Arizona quando fez crescer ali uma das franquias mais populares da NBA.
“Ao longo dos anos, Jerry recebeu muito foco negativo por ter construído esta cidade. Não eram justos com ele na época. E agora muitos de nós, incluindo eu mesmo, estamos recebendo o crédito pelo desenvolvimento do centro de Phoenix… e esse mérito facilmente pertence a Jerry”, afirmou Gordon, que deu ainda uma sugestão para Colangelo concorrer na eleição para governador do Arizona, mas o diretor pareceu mais inclinado a continuar com seu cargo esportivo na USA Basketball.
Paulo Roberto
Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
Outros artigos publicados por Paulo Roberto

