Cleveland contrata dois novos reboteiros, mas Varejão não deve perder minutos no time (vídeos)

Publicado em: Conferência Leste, DESTAQUES, Draft, Extraquadra, NBA
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6/09/2008 | 18:51

Publicado por Paulo Roberto

Depois de anunciar a contratação do veterano pivô Lorenzen Wright, Cavs assina contrato de três anos com o ala de força novato Darnell Jackson, principal reboteiro do Kansas Jayhawks na campanha do título da liga universitária em 2008, mas ambos devem ficar no fundo do banco do time que já conta com um garrafão forte com Zydrunas Ilgauskas, Ben Wallace, Anderson Varejão e o novato J.J. Hickson, até o astro LeBron James pode atuar na posição 4 em alguns momentos como fez na seleção americana campeã olímpica.

As contratações do veterano pivô de 32 anos Lorenzen Wright e do novato que foi o maior reboteiro da Universidade de Kansas na campanha do título da liga universitária NCAA Darnell Jackson não devem ser vistas como uma ameaça para a posição do brasileiro Anderson Varejão no Cleveland Cavaliers, são mais “apólices de seguro” para o caso de algum dos três principais jogadores de garrafão do Cavs se machucar. Depois que o time mandou o veterano ala-pivô Joe Smith para o Oklahoma City Thunder na troca que trouxe para Cleveland o armador ex-Milwaukee Bucks Mo Williams, o garrafão do Cavaliers ficou com apenas quatro jogadores: os titulares trintões Zydrunas Ilgauskas e Ben Wallace, o ala-pivô capixaba como primeira reserva de ambos e o novato escolhido na 19ª posição do draft J.J. Hickson. Como Varejão terá a possibilidade de ganhar passe livre irrestrito para assinar com qualquer time que desejar no verão de 2009, o gerente geral Danny Ferry foi buscar opções para o futuro com dois jovens promissores, e Wright chega para ficar no fundo do banco e passar experiência para os companheiros mais novos, e diz não ter problemas quanto a isso.

“Para mim está tudo bem ajudar saindo do banco. Isso é o que eu estava fazendo em Atlanta mesmo. Irei ensinar o que posso aos caras jovens. Tento ser um verdadeiro profissional, nunca serei um problema nos vestiários. Eu posso ajudar no desenvolvimento de Hickson se me pedirem”, prometeu Wright, que pode ter o mesmo papel assumido pelo veterano Scot Pollard na sua passagem pelo Cavs, a função de jogador experiente que era mais útil nos treinos e entrava em quadra poucos minutos, às vezes nem isso.

Lorenzen Wright poderia ter ido para outros times da NBA que lhe dariam mais tempo de quadra, mas disse ter escolhido o Cavs por uma razão, a força do elenco liderado pelo astro LeBron James. “Eu queria uma oportunidade de ganhar um campeonato. Eu adoraria ser parte disso. Nunca tive essa oportunidade em minha carreira, estou faminto por uma chance de ser campeão”, afirmou o pivô revelado pela Universidade de Memphis, já sabendo que o plano do Cleveland é dar mais minutos para Hickson, e Varejão por sua vez vai querer jogar o máximo para se valorizar no mercado e conseguir um bom contrato em 2009. Até James pode jogar um pouco mais no garrafão, ocupando a posição 4 como fez em alguns momentos pela seleção americana medalha de ouro em Pequim.

Wright, que assinou contrato por um ano pelo salário mínimo de veteranos (US$ 1.262.275) na sexta-feira, nunca esteve numa equipe que tenha passado da primeira rodada dos playoffs. Ele participou de 15 jogos de pós-temporada na carreira pelo Memphis Grizzlies, mas o time do Tennessee foi eliminado no primeira rodada do mata-mata nos três anos consecutivos que Lorenzen dividiu o garrafão com o astro espanhol Pau Gasol (hoje vice-campeão da liga pelo Los Angeles Lakers e vice olímpico pelo Fúria). Depois da temporada 2005-06, Wright foi para o Atlanta Hawks, depois para o Sacramento Kings, e não passou mais nem perto dos playoffs.

O pivô treinou pelo Cavs no final de agosto nas quadras do Cleveland Clinic Courts no final de agosto, esteve lá mais de uma vez esperando a confirmação de sua contratação.

“Eu estive em Cleveland algumas vezes para me encontrar com os caras (do Cavs). Treinei por um bocado de times, sentei com minha esposa e oramos sobre isso, estou feliz de estar aqui agora. Eles (Cavs) são concorrentes fortes, este time quer vencer. E eu acho que posso ajudá-los. Se meu número for chamado, eu quero estar preparado”, comentou Wright, sabendo que não vai ser titular nem jogar muitos minutos. O gigante de 2,11m traz mais músculos do que técnica para o garrafão do técnico Mike Brown.

O pivô disputou 13 partidas na temporada passada pelo Atlanta e cinco pelo Sacramento Kings, após ser envolvido na troca que trouxe o armador Mike Bibby para o time da Geórgia. Ele foi o sétimo escolhido no draft de 1996 pelo Los Angeles Clippers, em 761 jogos disputados na carreira de 12 anos na NBA teve médias de 8,1 pontos e 6,5 rebotes por partida, mas já está na curva descendente do basquete. Nos 15 jogos de playoffs que disputou pelo Grizzlies de 2004 a 2006, ele marcou em média 7,7 pontos, 5,3 rebotes e 1,1 assistência por partida. Na temporada passada, uma lesão no pé o atrapalhou no Hawks e ele viu suas médias despencarem para menos de um ponto e 2,1 rebotes por partida em 18 partidas no campeonato. A temporada de estréia de Wright pelo Grizzlies foi sua melhor, com 12 pontos e 9,4 rebotes por jogo em 2001.

“Lorenzen nos traz tamanho e experiência valiosos e adiciona profundidade para nossa linha de frente do garrafão. Achamos que ele é um bom encaixe para nós e estamos ansiosos para ele se juntar a nosso time”, declarou o gerente geral Danny Ferry ontem.

 Darnell Jackson recorta rede após título de Kansas

Neste sábado, foi a vez do ala novato Darnell Jackson assinar contrato com o Cavaliers. O time de Ohio adquiriu os direitos do jogador numa troca na segunda rodada do draft com o Miami Heat, cedendo para o time da Flórida duas escolhas de segunda rodada no draft de 2009. O atleta de 22 anos e 2,04m teve médias de 11,2 pontos, 6,7 rebotes, 24,3 minutos e 62,6% de aproveitamento nas finalizações em 40 jogos (35 como titular) em seu último ano como sênior da Universidade de Kansas, desempenhando um papel fundamental para os Jayhawks conquistarem o título da NCAA em 2008. Durante a liga de verão de Las Vegas, Jackson teve médias de 5,8 pontos e 5,4 rebotes em 24,6 minutos por jogo pelo time de férias do Cavs, como será um dos reservas de LeBron James, as chances de jogar são pequenas, mas ele ganhou um contrato garantido por três anos, sinal de que é uma aposta para o futuro, podendo ficar algum tempo na liga de desenvolvimento.

Confira bela enterrada de Darnell Jackson na ponte aérea no jogo Kansas x De Paul

Outra cravada do novo companheiro de Varejão em jogo contra Oklahoma State

“Darnell nos mostrou que é um jogador jovem, esperto e muito trabalhador. E nós estamos animados para ver seu desenvolvimento continuar agora”, comentou Danny Ferry.

“Eu quero que meus companheiros de Kansas, técnicos e todos os nossos fãs saibam que eu não teria conseguido isso sem eles. Os treinadores foram meus modelos por quatro anos, considero o técnico Bill Self como um segundo pai, ele sempre me disse que o trabalho duro seria recompensado”, agradeceu Jackson, que também foi pupilo do ex-jogador da NBA Danny Manning.

Kansas emplacou dois jogadores na primeira rodada do draft, Darrell Arthur e Brandon Rush, Mario Chalmers foi selecionado pelo Miami no início da segunda rodada e os três assinaram contratos garantidos pouco depois do draft. Jackson teve de esperar mais tempo, mas pelo menos não entrou na liga envolvido em escândalo como Chalmers e Arthur, expulsos do encontro de boas-vindas aos novatos da liga nesta semana após serem flagrados com mulheres e maconha no quarto de hotel.

“Neste programa eles estão nos ensinando com o que temos de lidar na NBA, é uma boa forma de orientação, eles dizem para nós que não somos mais garotos, falam sobre nossa manutenção, a importância de economizar dinheiro, tomar boas decisões de investimentos, quero ser um bom exemplo em meu novo time”, disse.

“Estou tão feliz por Darnell e tão orgulhoso dele quanto por qualquer atleta que treinei. Ele lutou contra adversidades e manteve uma grande atitude, ralou bastante pelo nosso time, melhorou seu jogo, se formou na universidade e certamente representou a todos nós bem”, disse o técnico Self.

Paulo Roberto Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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