Publicado por Paulo Roberto
Líder da Divisão Central da NBA com sete vitórias consecutivas e oito em 10 partidas, o Cleveland Cavaliers volta a jogar nesta terça-feira às 22h30min (horário de Brasília) no ginásio do New Jersey Nets (4V-5D), o Izod Center em East Rutherford, em meio ao ressurgimento dos rumores na imprensa americana de que o Cavs estaria interessado em uma troca pelo ala-armador Vince Carter, principal jogador do time de Nova Jérsei. E novamente o nome do ala-pivô brasileiro Anderson Varejão aparece na central de boatos, ele e o contrato expirando de US$ 13 milhões do ala-armador Wally Szczerbiak são especulados há muito tempo como as maiores moedas de troca do clube de Ohio.
“Mantenham este nome na mente: Vince Carter. Muitos observadores ao redor da liga acham que o Nets tornará o veterano ala-armador disponível antes do prazo final para trocas, e não fiquem surpresos se o Cavs fizer outra tentativa por ele. A questão em Cleveland é se Carter pode deixar seu ego de lado e jogar como segunda força com o Cavs. Ele deve ser capaz de fazer isso de maneira a ganhar um campeonato antes de se aposentar. Muitos observadores esperam que o Cavs use o contrato expirando de US$ 13 milhões do ala-armador Wally Szczerbiak no prazo final de trocas. Se eles não conseguirem contratar Antonio McDyess – uma possibilidade distante na melhor das hipóteses – eles podem querer ir atrás de um jogador alto de qualidade no estilo Joe Smith”, escreveu o colunista do jornal The News-Herald Bob Finnan.
O colunista do jornal New York Post Peter Vecsey informa que o Nets chegou a recusar uma oferta do Cavaliers no verão:
“Quanto a Carter, cujo duelo um-contra-um no último quarto com o extraterrestre Joe Johnson na partida contra o Atlanta Hawks quase apagou a frustração de ficar preso no trânsito do Túnel Lincoln às 22h30min (horário local), é fácil ver por que a diretoria do Nets rejeitou a oferta da offseason de uma troca por Anderson Varejão e Wally Szczerbiak. Um atirador de elite reconhecido, Vince está ainda mais letal agora que tem ao seu lado um parceiro matador de aluguel em Devin Harris”, escreveu Vecsey.
Especulações à parte, o fato é que o Coisa Selvagem brazuca tem uma cláusula contratual válida até dezembro determinando que ele não pode ser trocado sem dar seu consentimento expresso, uma situação que mudará quando ele completar um ano da renovação de seu vínculo com o Cleveland, ou seja, daqui a três semanas. Mas as boas atuações do capixaba nesta temporada o mantêm nos planos do Cavs para o longo prazo, apesar do receio da torcida de perdê-lo sem compensação alguma, já que em julho de 2009 Varejão terá a oportunidade de ganhar passe livre irrestrito para assinar contrato com qualquer franquia. No momento ele se concentra apenas no duelo contra o Nets.
“É um jogo difícil, New Jersey é um adversário ainda mais forte dentro do seu ginásio e busca a recuperação na competição. Estamos numa boa seqüência, jogando bem e evoluindo, conseguindo as vitórias e é pensando nisso que vamos encarar os Nets. O Cleveland está num momento muito bom, as coisas estão acontecendo e estamos gostando disso”, afirmou o ala-pivô da Seleção Brasileira.
Outra possibilidade mais animadora para o garrafão do Cleveland que trocar Varejão é o reforço do veterano ala-pivô Antonio McDyess. Muitos consideravam garantido o retorno dele para o Detroit Pistons assim que foi consumada a troca com o Denver Nuggets no dia 3 de novembro envolvendo Chauncey Billups e Allen Iverson, o ala-pivô não queria jogar no Colorado e bastou acertar os detalhes de sua dispensa. Mas agora o jogador campeão olímpico em 2000 está livre no mercado e vem recebendo telefonemas de vários times, inclusive fortes candidatos a lutar pelo título como o atual campeão Boston Celtics e o próprio Cavaliers. O ex-astro do Indiana Pacers e hoje comentarista do canal TNT Reggie Miller disse que Antonio deve manter a mente aberta antes de decidir para onde vai. O ala-pivô de 34 anos não pode assinar com o Detroit até o dia 7 de dezembro, devido ao período obrigatório de espera de 30 dias desde que a troca se tornou oficial.
“Acho que ele deveria explorar todas as suas possibilidades e opções. Eu poderia vê-lo se encaixando bem em Cleveland com LeBron James e Anderson Varejão. Eu poderia também vê-lo jogando com Paul Pierce em Boston. Ele deve aproveitar seu tempo. Ele tem falado sobre voltar para Detroit. Ele deveria explorar suas opções”, comentou Reggie Miller citando o cabeludo brasileiro.
A rescisão contratual de McDyess foi finalizada pelo Denver na última sexta-feira. Ele recebeu cerca de US$ 6 milhões dos quase US$ 15 milhões que tinha garantidos, afinal seu contrato previa um salário anual de US$ 7,48 milhões por esta temporada e pela próxima. O empresário do ala-pivô, Andy Miller, disse que 19 times ligaram perguntando sobre ele, e os dois líderes da Conferência Leste Boston e Cleveland foram os times mais fortes a manifestar interesse por Dice.
O Cavaliers tem mais de US$ 5 milhões sobrando de sua exceção de meio-nível no teto salarial e poderia oferecer o valor completo a McDyess, mas isso representaria um custo de US$ 10 milhões à equipe por causa da taxa de luxo, afinal o elenco já está bem estourado acima do teto da liga devendo pagar um dólar por cada dólar gasto a mais. O técnico Mike Brown trabalhou com Antonio quando os dois estavam no Denver e os dois continuam bons amigos, Dice também tem uma amizade muito próxima com o ala-pivô Ben Wallace.
Com o dinheiro já garantido, o maior interesse de McDyess é ganhar um título da NBA, pois não tem muitos anos pela frente na carreira, então se esse é o critério decisivo faria muito sentido assinar com Cavs ou Celtics, que pode lhe oferecer pouco mais de US$ 2 milhões. Mas rola nos bastidores a história de que Dice tem um problema pessoal com o astro do Boston Kevin Garnett e isso poderia atrapalhar.
“Na frente dos microfones, Garnett fala muito bem de McDyess. Mas fontes de dentro dizem que McDyess não quer ter nada a ver com KG, uma rixa vinda desde que os dois tiveram uma briga em quadra no dia 19 de janeiro de 2007, quando Garnett estava jogando pelo Minnesota Timberwolves. Não houve socos desferidos, mas as coisas ficaram um pouco feios na quadra. Pode não ser o bastante para mudar a cabeça dele, mas nunca se sabe. Muitos realmente acreditam, porém, que McDyess poderia ser a peça final no quebra-cabeças do campeonato tanto para o Cavs quanto para o Celtics”, escreveu Bob Finnan no News-Herald de Ohio.
Trabalhando duro em quadra, Varejão só quer saber de ajudar o Cleveland a se manter no topo, seja marcando pontos ou pegando rebotes. A evolução ofensiva dele ficou clara neste início de temporada e o Cavs dá boas vindas a esse crescimento, afinal nos 49 jogos em que o brasileiro fez 10 pontos ou mais na carreira na NBA, seu time venceu 35 vezes, e nas 16 ocasiões em que ele alcançou o duplo-duplo (dois dígitos em pontos e rebotes), o Cavaliers saiu vitorioso 14 vezes.
“Uma coisa que Andy faz é ralar seu traseiro, ele tem trabalhado muito em seu jogo. Ele é habilidoso e tem mostrado a habilidade de conseguir pontuar no meio do tráfego às vezes”, destacou o técnico Brown falando ao Akron Beacon Journal.
Anderson passou um tempo extra treinando seu arremesso e novos movimentos com o companheiro pivô lituano Zydrunas Ilgauskas durante a pré-temporada e nas sessões de treinamento do Cavs.
“Isso está me ajudando muito. Estando na liga há 11 anos, ele (Ilgauskas) sabe o que fazer para evoluir, então eu trabalho com ele. Trabalho mais em meu jump shot, mas também trabalho mais em outros movimentos. Estou apenas tentando ser agressivo. Estou apenas tentando entender melhor nosso ataque, tentando estar pronto toda vez que pego na bola. Estou me sentindo realmente confortável jogando no pick-and-roll com LeBron agora, o que é realmente bom para nós”, afirmou Varejão, que vem sendo bastante utilizado no segundo tempo e no final dos jogos.
“Esse grupo quando adotamos uma formação mais baixa (com Varejão de pivô 5) tem jogado bem, então eu deixo ele em quadra. Não é necessariamente uma rotina, aconteceu nos últimos jogos. Farei isso com qualquer um, se eu acho que temos um grupo de jogadores em quadra que está jogando bem, então vou deixá-los lá por mais tempo. Contra o Utah foi diferente, eu quis manter Ben Wallace sempre que Carlos Boozer estivesse na quadra, pois precisávamos defender com mais força”, explicou Brown.
Com o sucesso da dupla LeBron James/Mo Williams, o Cleveland está se dando melhor no ataque com uma média de 101,1 pontos por jogo que é a quinta melhor do campeonato, e continua a ser um time forte defensivamente, por isso vem jogando com a confiança de quem acredita ser uma das melhores equipes da liga.
“Não estou surpreso com isso porque temos um grande time e uma grande química também fora da quadra”, afirmou Williams.
Para o cestinha da liga LeBron James, o segredo do sucesso é a defesa. “Nossa mentalidade defensiva, especialmente nos momentos decisivos dos jogos, tem sido muito boa e temos de continuar com isso. Ofensivamente estou meio surpreso porque não achava que nós fôssemos chegar a este nível tão rapidamente. Tivemos algumas dificuldades na pré-temporada, mas parece que quando a temporada regular começou, estamos encaixando o ataque e isso tem sido ótimo”, comemorou o ala, que está com uma média de 29,8 pontos e 7,3 assistências por jogo, mas enfatiza a boa distribuição de pontos da equipe: Williams está com uma média de 15,9, Ilgauskas 15, Delonte West 10,2 e o trio de reservas Daniel Gibson/Szczerbiak/Varejão contribuindo em média com 23,6 pontos por partida.
“Essa é a melhor coisa sobre este time, nós temos tantas armas… e quando colocamos tudo isso junto com a defesa, somos um time difícil de vencer. Não há rusgas no time, estamos simplesmente nos divertindo e jogando juntos. Essa é a melhor maneira de jogar basquete. Estamos fazendo uma grande defesa e isso leva a um grande ataque”, comentou o armador reserva Daniel Gibson.
“Acho que as pessoas subestimam o quanto a química fora da quadra afeta o que acontece dentro da quadra. Estamos sempre por perto uns dos outros, especialmente fora da quadra, cuidamos uns dos outros. Queremos que cada um tenha sucesso, então tentamos colocar as pessoas em lugares onde conseguirão ter sucesso”, concluiu Mo Williams.
O Cleveland marcou 100 pontos ou mais em seis das suas últimas sete vitórias, a melhor seqüência ofensiva da franquia desde a temporada 2005-06, fica difícil querer mexer nesse núcleo agora, mas se for necessário para aumentar as chances de título em 2009, o gerente Danny Ferry já demonstrou em outras ocasiões que não teme puxar o gatilho nas trocas. E as matérias citando o interesse em Vince Carter e McDyess ganharam lugar até no site oficial do Cavs.
Paulo Roberto
Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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