Coluna do PR no Jornal Placar: Década dourada, as semelhanças de São Paulo e Lakers

Publicado em: Blog da redação, Colunas, Conferência Oeste, DESTAQUES, NBA, Placar
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26/11/2008 | 12:10

Publicado por Paulo Roberto

Ser o time mais vitorioso da década ganhando três vezes seguidas o campeonato nacional de maior equilíbrio de forças e revelação de talentos do mundo não é para qualquer um, mas a receita pode ser simples. O sucesso do São Paulo que se avizinha do tri brasileiro de futebol, e do Los Angeles Lakers que vai pintando como favorito à taça da NBA em 2009 (seria a quarta desde a virada do milênio), tem receita parecida: gerenciamento correto e reinvenção de si, sem mudar os atores principais.

É o típico caso do rico ficando mais rico. Numa corrida de oito meses de duração, elementos como o banco mais forte, técnico motivador que sabe usar as opções de um elenco amplo sem ser o mais caro, líder identificado com a torcida pelos muitos anos defendendo uma única camisa (Bryant e Ceni), aposta em pratas da casa, e a contratação da sua referência na área pintada junto a um time menor aproximam o Tricolor do roxo-e-dourado. O equilíbrio que coloca a equipe ao mesmo tempo entre os melhores ataques e as defesas menos vazadas do campeonato é outra característica comum. 

Assim como o artilheiro Borges foi um achado vindo do Paraná Clube, a troca de Pau Gasol do fraco Memphis para L.A. foi um negócio da China, e agora com o pivô Andrew Bynum “Miranda” de volta dando solidez ao garrafão, está difícil parar o Lakers. Se falta ao São Paulo hoje um craque com K (Kobe ou Kaká), o talento formado internamente resolve quando se tem um Hernanes ou um Jordan Farmar, jovem cria da UCLA assim como Trevor Ariza, um talismã vindo do banco assim como Muricy tem Hugo ou Jean.

Mesmo que 2008 tenha marcado o fim da fila de 22 anos do Boston, o Santos da NBA por sua história gloriosa, coroando a fome de primeiro título dos veteranos Garnett/Pierce/Allen, o Lakers de Phil Jackson tem nas mãos o material necessário para fechar por cima os playoffs de 2009, ainda mais se mantiver o talentoso porém amarelão Lamar Odom na segunda unidade. Bynum era a peça que faltava para iniciar uma nova dinastia. O Mestre-Zen parece ter encontrado o tesouro do céu, a técnica suprema que torna “ataque e defesa em um só”, e com isso já são 11 vitórias em 12 jogos.

A propósito, sou alvinegro lá (San Antonio) e cá (Corinthians), mas um trabalho bem feito para manter um time no topo tanto tempo merece admiração, como fez nosso técnico campeão Mano Menezes ao elogiar o Muricy. Por falar nisso, seja bem vindo de volta ao Spurs, Manu Ginóbili, com o argentino de ouro o trem vai engrenar, mas para mim é mais fácil acreditar que o Tévez será contratado para o centenário do Timão em 2010, do que esperar mais um caneco em ano ímpar para Tim Duncan e companhia.

Paulo Roberto Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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