Coluna PR: Seleção Brasileira precisa de uma central de relacionamento estilo Obama

Publicado em: 8 ou 80, Colunas, Editorial, Extraquadra, NBA, Nacional, Seleções brasileiras
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12/11/2008 | 14:53

Publicado por Paulo Roberto

Caros leitores do Basketbrasil e do Show das Quadras.com.br, fui convidado na semana passada a escrever uma coluna semanal de basquete no novo jornal da Placar que já está circulando em São Paulo, e com grande alegria aceitei colaborar com este novo projeto a pedido dos colegas ex-LANCE! Fernando Poffo e André Rizek, torcendo pelo sucesso da empreitada que abriu mais este espaço para nossa modalidade na imprensa esportiva brasileira. O espaço é pequeno, portanto tivemos de editar bastante o texto inaugural, que pode ser conferido no site www.placar.com.br

O objetivo da coluna é falar do basquete para um público não muito especializado, que acompanha mais futebol na verdade, porém tem um potencial de aprender a gostar mais da modalidade da bola laranja, que já foi o segundo esporte do Brasil e agora está tão esquecida na mídia.

Mas para os fãs do Basketbrasil, resolvi republicar hoje o texto na íntegra, marcando o retorno da minha coluna semanal “De Chuá” a ser publicada às quartas-feiras, nosso webmaster ainda vai criar um espaço específico para esta nova peça, mas pela foto espero que vocês já tenham ficado curiosos: o que tem a ver o Barack Obama com a Seleção Brasileira? Leia o texto e se quiser mande seus pitacos pelo e-mail praraujo@hotmail.com ou redacao@basketbrasil.com.br, nossa área de comentários ainda está pendente de revisão técnica.

Título da coluna: Seleção Brasileira precisa de uma central de relacionamento

A imagem mais marcante que vi de um basqueteiro americano na semana não veio de um clipe de melhores jogadas da NBA ou das recentes boas atuações dos três brasileiros na liga americana. A cena de TV que mais me surpreendeu foi a do “jogador de fim-de-semana” e agora primeiro presidente negro dos EUA, Barack Obama, telefonando ele mesmo para eleitores indecisos no dia da eleição.

Naquela hora, lembrei que a convocação para a Seleção Brasileira com novo comando em pleno ano olímpico foi feita de forma impessoal, pela internet, divulgada para a imprensa antes de o técnico Moncho Monsalve sequer ter conversado com Leandrinho, Anderson Varejão e Nenê. Pelo menos para saber o mínimo por telefone: como eles estavam fisicamente, a posição oficial de suas equipes sobre a liberação ou seguro, se tinham algo contra um estrangeiro no comando, se assumiriam mesmo o compromisso de evitar a ausência do basquete masculino brasileiro pela terceira Olimpíada consecutiva.

Entre outros erros, a CBB falhou na sua função de central de relacionamento, e deu no que deu: debandada geral de jogadores com lesões atestadas pelos médicos dos clubes, fracasso no Pré-Olímpico, e o trio brasileiro da NBA (até Nenê em tratamento pós-câncer) acabou sendo crucificado aos quatro ventos pelo ídolo passional Oscar, o tipo de desabafo que não leva a nada e gera mais desunião no que já é desunido.

A derrota em Atenas deixou claro que a Seleção não tem opções de talento para abrir mão de seus grandes nomes internacionais. Reunir todos eles é só o primeiro passo, e ajudaria bastante se houvesse esse acompanhamento mais atento de suas carreiras, não apenas uma vez por ano na época da competição. Além disso, Moncho teria de vender aos comandados seu conceito europeu de basquete mais coletivo, cadenciado, com mais defesa e menos arremessos forçados. Bastaria um telefonema diplomático no estilo Obama, não uma ameaça de corte assim que Leandrinho anunciou na TV o problema no joelho semanas antes da apresentação.

Mas no Brasil, infelizmente, o jeito sargentão para os técnicos ainda é mais bem visto que o estilo “administrador de egos” personificado pelo “Mestre-Zen” Phil Jackson no Los Angeles Lakers. Um resultado internacional expressivo para reerguer a Seleção não será obra de um “salvador da pátria”, nenhum dos destaques desta nova geração é capaz de carregar um time nas costas no nível mais alto, mas com tantos talentos individuais valorizados nos seus times na Europa e nos EUA, o Brasil tem plenas condições de formar um grupo forte no próximo ciclo olímpico. Falta alguém com perfil agregador para unir os 12 melhores nomes possíveis, acima de vaidades ou divergências pessoais.

Não é uma questão de privilégios para esse ou aquele jogador, mas de respeito e proximidade com qualquer atleta convocável, afinal são eles que no final das contas vão resolver as coisas dentro da quadra. O sistema de jogo iniciado por Moncho até pareceu promissor, mas os “jogadores-eleitores” precisam comprar o projeto, é a arte do convencimento, um bom plano contra um estado de crise.

Se o país mais rico do mundo pôde superar seu histórico racista e eleger um negro presidente, com uma boa dose de marketing pessoal, ainda acredito que a Seleção possa começar a reverter suas mazelas tratando seus jogadores com mais consideração. Já temos poucos candidatos a ídolos no basquete brasileiro hoje, e ainda atiramos pedras nos que são vitrines, com certeza não é o melhor caminho.

Paulo Roberto Araujo Filho
Editor e redator Basketbrasil

Paulo Roberto Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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