Publicado por Paulo Roberto
Goran Dragic (à esquerda na foto), Boris Diaw e Leandrinho na reapresentação do Phoenix. Com a chegada do armador esloveno, brasileiro fica liberado para atuar definitivamente como ala-armador finalizando mais os ataques em vez de armá-los, recebe elogios por sua pontuação, mas diz que não importa a posição, o objetivo dele sob o comando do técnico Terry Porter é evoluir na defesa, a grande virtude que faz do veterano Raja Bell o titular da posição. Pivô Shaquille O´Neal espera mais de sua primeira temporada completa com o Suns.
O beneficiário direto das contratações dos armadores novatos Goran Dragic e Sean Singletary foi o astro canadense Steve Nash, que tem a perspectiva de ganhar alguns minutos a mais de descanso na próxima temporada para chegar mais inteiro aos playoffs, mas ele não é o único que ganha um refresco nessa história. Com mais opções no banco para a posição 1 do Phoenix Suns, o brasileiro Leandrinho Barbosa pode abraçar apenas o papel de ala-armador finalizador que lhe deixa mais confortável para se concentrar em pontuar bastante saindo do banco sem ter de armar o time quando Nash estiver no banco.
Depois de ser eleito o melhor Sexto Homem do Ano em 2007, as estatísticas do Ligeirinho brazuca caíram um pouco na temporada passada em suas médias de pontos e assistências, mas Leandro teve melhorar em categorias como rebotes e menos bolas desperdiçadas, o total de pontos dele também foi maior do que qualquer reserva da NBA mesmo com uma diminuição no seu número de minutos em quadra. Também vale lembrar que o desgaste pesou no final da temporada para LB, afinal só ele e o ala francês Boris Diaw jogaram todas as 87 partidas do Suns no campeonato 2007-08, e esse cansaço se refletiu numa tendinite patelar no joelho direito que o levou a pedir dispensa da Seleção Brasileira antes do Torneio Pré-Olímpico Mundial de Atenas. Agora recuperado, Leandrinho respondeu a uma pergunta importante no “Media Day” (dia de apresentação do time para a mídia na abertura oficial da pré-temporada) ontem antes do início dos treinos no acampamento de preparação na cidade de Tucson nesta terça-feira.
“Você acha que você jogará ainda melhor nesta temporada jogando sempre de “shooting guard?” (o ala-armador, o armador mais arremessador, escolta, posição 2, como prefiram chamar), questionou o torcedor Rameel Isaac, de Peoria, Arizona:
“Eu cheguei aqui como um armador, depois eu comecei a jogar como ala-armador. Realmente não importa para mim em que posição eu jogar. A coisa que estou tentando fazer agora é melhorar na defesa e então eu farei qualquer coisa que o técnico Terry Porter quiser que eu faça”, disse Leandrinho.
“Muitas pessoas não percebem que LB ainda é um cara jovem (completará 26 anos de idade em 28 de novembro). Ele vai continuar a aprender como utilizar sua velocidade e vai ser um bom jogador nesta liga por um longo tempo”, elogiou o novo assistente-técnico do Suns e ex-jogador especialista em arremessos de três e forte marcação no perímetro Dan Majerle.
O vice-presidente de operações de basquete do Phoenix, David Griffin, concorda com o “Thunder Dan” que a temporada 2008-09 deve representar uma evolução para o cestinha brasileiro na NBA, um dos atletas mais rápidos da liga.
“Eu acho que LB é um cara que historicamente tem sido um pontuador de ritmo. Uma vez que seu arremesso está caindo e sua confiança está subindo, a cesta se torna um latão de lixo para ele, o aro fica enorme. O que ele precisa desenvolver agora é uma forma de contribuir nos momentos em que ele não está acertando os arremessos, e esse é o próximo passo na evolução dele. Tem que começar sendo o cara que ganhou o prêmio de Sexto Homem do Ano por prover um ataque instantâneo e aí encontrar uma maneira de contribuir quando não está inspirado nos arremessos, e acho que ele está encontrando formas de fazer isso e será um jogador melhor por causa disso”, analisou o cartola.
Certamente há um grande número que coisas boas sobre as quais Leandro pode rememorar de sua temporada 2007-08, ele foi o segundo mais votado na eleição de melhor reserva (atrás apenas do craque argentino do San Antonio Spurs Manu Ginóbili), e com um trabalho mais específico para evoluir na defesa sob a tutela de ex-armadores de grande potencial de marcação (Porter e Majerle), o ano promete. No ataque, LB ainda é o pontuador perigoso que fez um recorde da carreira de 39 pontos contra o Orlando Magic no dia 10 de novembro de 2007 e brilhou com 31 pontos e sete rebotes contra o Toronto Raptors em 22 de dezembro, sendo o terceiro cestinha do Suns no ano atrás somente dos All-Stars Amaré Stoudemire e Steve Nash.
“Ele é um cara que pode mudar os jogos e nós vimos isso um bom número de vezes na temporada passada. Sua velocidade e rapidez têm sido uma chave para nós e agora estamos procurando que ele melhore nesta temporada defensivamente e ele está trabalhando seu jogo em direção a fazer isso”, comentou o auxiliar-técnico Alvin Gentry, único remanescente da comissão técnica do ex-treinador do Suns Mike D´Antoni, hoje no New York Knicks.
Apesar do crescimento de Leandro, o ala-armador titular do time continua sendo o veterano das Ilhas Virgens Raja Bell, justamente por ser o melhor marcador da equipe. Além de ter provado sua reputação de defensor feroz logo que chegou ao Suns em 2005, Bell também se mostrou uma arma se colocando entre os melhores arremessadores da liga na linha dos três pontos. Em apenas três temporadas com o Phoenix, ele converteu 578 triplos, garantindo a quarta posição no ranking de cestas de três da franquia em todos os tempos. Mas apesar da sua mão afiada de longa distância, ainda é a resistência defensiva de Raja que mais agrada aos dirigentes e torcedores do Arizona.
“Raja traz tanta coisa para a mesa, mas sua garra defensiva é o que o ajuda a se destacar. Ele é um dos jogadores que eu adorava assistir nestas temporadas passadas por causa do esforço que ele te dá toda noite”, destacou o técnico Terry Porter.
Com a variedade de armas ofensivas do Suns ainda mais depois das chegadas dos veteranos Grant Hill e Shaquille O´Neal, Bell não precisou mais ajudar tanto no ataque na temporada passada como fez nos dois anos anteriores, se dedicou mais ao papel de marcar o melhor chutador de perímetro do time adversário, mas quando as defesas davam espaços para ele tratava de aproveitar. Por duas vezes o ala-armador atingiu a marca de 27 pontos, acertando seis em 11 arremessos de três em ambas as ocasiões. O efeito dele sobre o time do Phoenix é inquestionável, nas 11 partidas em que Bell marcou 20 ou mais pontos, a equipe venceu todas.
“Raja é um dos melhores arremessadores de três pontos da liga, o que ajuda a espalhar a defesa adversária e abre espaços dentro do garrafão para nossos grandalhões. Ao mesmo tempo, Raja é nosso melhor defensor e por causa disso ele trabalhou do seu jeito para se tornar um dos jogadores mais respeitados na liga”, elogiou Alvin Gentry.
Uma ameaça nos chutes de longe, Bell provou na temporada passada que também pode levar perigo para os oponentes com sua habilidade para passar a bola, em seis diferentes ocasiões ele distribuiu cinco ou mais assistências.
“Ele sabe como fazer as coisas mais fáceis para seus companheiros. De muitas maneiras ele resume o que nós procuramos obter de nossos jogadores. Ele é durão e sabe como impor um ritmo defensivamente ao mesmo tempo contribuindo no setor ofensivo da quadra”, concluiu Gentry.
Porter diz que a disputa saudável por titularidade entre Bell e Leandrinho na posição, Matt Barnes e Grant Hill na ala, está aberta e pretende fazer diversos experimentos na pré-temporada. Pelo menos na reapresentação do time o clima era só de sorrisos e camaradagem. Ao posar para as fotos juntos representando o “banco cheio de talento internacional” do Suns, Goran Dragic, Leandro e Boris Diaw não paravam de dar risada (foto). Com os novos reservas do time que dão uma profundidade melhor à rotação de Porter que pretende revezar 10 jogadores em vez dos sete ou oito que D´Antoni costumava utilizar, Diaw também espera contribuir bastante com uma segunda unidade mais sólida.
“A primeira coisa que vai ajudar é o fato de que somos um time mais profundo e isso vai ajudar não apenas Boris, mas todos os seus companheiros. Eu acho que a coisa principal com Boris é termos certeza de que vamos mantê-lo envolvido como um dos pontos focais deste ataque com a segunda unidade. Ele tem o potencial de fazer jogadas para os outros caras e é por isso que nós queremos que ele esteja pronto para avançar e em grande forma quando os treinos começarem”, afirmou Gentry.
Shaquille O´Neal foi outro que se reapresentou em boa forma destacando que seu peso atual (150kg) é o mesmo que ele tinha na temporada de seu primeiro título pelo Los Angeles Lakers no ano 2000. A grande diferença é que o superpivô agora tem 36 anos de idade e muita suscetibilidade a lesões.
“Sim, eu estou velho, mas ainda posso fazer o que faço”, garantiu Shaq.
Quanto a seu plano de se aposentar daqui a duas temporadas no final do contrato com o Suns que ainda deve lhe pagar US$ 21 milhões por cada campeonato, O´Neal voltou atrás na idéia de marcar a data em que vai parar de jogar. “Eu posso conseguir um outro contrato. Eu posso dizer que não quero jogar mais. Você tem essa janela. A janela está se fechando, você tem de terminar o trabalho agora, sem desculpas”, disse o pivô sobre o desejo de conquistar mais um título da NBA antes de parar.
Neste início de pré-temporada, Shaquille quer nocautear a idéia de que está acima do peso, sentindo o fardo da idade e contando os dias para a aposentadoria, ele ainda quer calar a boca dos críticos da troca que o trouxe do Miami Heat para Phoenix.
“Teria sido uma baita história de Cinderela se eu tivesse jogado 30 partidas e nós tivéssemos completado o trabalho. Quando você fala em ganhar campeonatos, as coisas realmente não funcionam assim. O que o Boston mostrou é que se você coloca muitos caras bons juntos e eles atravessam um ano inteiro jogando de forma ininterrupta, tudo é possível”, afirmou Shaq.
O Suns está investindo alto na teoria que uma pré-temporada inteira de entrosamento com o time e um novo sistema mais cadenciado a ser implantado pelo técnico Porter sejam favoráveis para O´Neal mostrar pelo menos em alguns momentos sua força dominante do passado. O ataque será mais tradicional e menos corrido que na Era D´Antoni, mas nas prioridades de O´Neal isso não é uma preocupação, o Phoenix tem muitos cestinhas, o time precisa é melhorar muito na defesa que para Porter precisa estar entre as cinco melhores da NBA para ganhar um título inédito da NBA.
“Do ponto de vista mais focal, a defesa vai ter de mudar para nós termos sucesso”, resumiu Porter, que pretende colocar em prática um sistema mais parecido com o que Shaq experimentou com o Lakers.
“Os pivôs têm que rodar bastante e estar muito alertas para cortar os ângulos. Os armadores têm de ser capazes de confiar nos grandões que estão na retaguarda deles. Robin Lopes será muito bom nisso, e Shaq será bom nisso. É aí que ele (O´Neal) está no seu melhor defensivamente, quando ele não tem de cobrir espaço demais no perímetro e pode marcar apenas perto do aro. Nós queremos defesa forte no garrafão para não sermos vulneráveis contra Tim Duncan, Yao Ming, Al Jefferson e os caras altos que estavam nos matando na temporada passada”, explicou o gerente geral Steve Kerr.
Com a presença de Lopez, O´Neal pode jogar menos tempo que os 29 minutos de média que teve na temporada passada do Suns. Ele vai se revezar com o “clone de Anderson Varejão”, mas Porter também pretende usar Stoudemire como pivô em alguns momentos, com Boris Diaw jogando de ala-pivô. Shaq ficou fora de 86 jogos nos últimos três anos por causa de lesões, por isso o Suns precisa explorar outras opções, mas o pivô confia em um ano melhor.
“O pessoal do Miami não estava realmente familiarizado com minhas lesões, então eu perdi muitos jogos. Uma vez que cheguei aqui, Aaron Nelson (treinador atlético chefe do Suns) descobriu qual era o problema, e eu voltei a ficar de pé, pude jogar normalmente. Agora eu estou provavelmente na melhor forma chegando na pré-temporada, não me sentia bem assim há muito tempo”, destacou O´Neal.
“O acampamento de treinos começa hoje. Porter é o novo presidente apontado para o time, e como vice-presidente gerente geral eu vou seguir quaisquer ordens que venham do Pentágono… Eu ainda não vi as novas ordens, mas terei meus olhos e ouvidos abertos e iremos ver o que vai acontecer”, finalizou Shaq, sempre brincalhão com seu estilo sargentão.
Paulo Roberto
Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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