Suns de Leandrinho e Denver de Nenê fazem duelos decisivos hoje e terça, derrota do Utah ajuda ambos

Publicado em: Conferência Oeste

31/03/2008 | 6:57

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Além do primeiro reencontro entre os brasileiros Leandrinho e Nenê após a volta deste último às quadras recuperado de uma cirurgia para retirada de um tumor maligno testicular, os jogos em noites seguidas entre Phoenix Suns e Denver Nuggets hoje e amanhã reservam outras grandes emoções na acirrada corrida rumo aos playoffs da Conferência Oeste. Na noite desta segunda-feira no U.S. Airways Center (à 0h de Brasília), o Suns (49V-24D) vai atrás da terceira vitória consecutiva na luta para tirar do Los Angeles Lakers (50V-24D) a liderança da Divisão Pacífico da NBA e garantir a vantagem do mando de quadra na primeira rodada do mata-mata em abril, ontem não adiantou secar, o Washington Wizards bem que deu um sufoco no time angelino, mas o Lakers venceu na prorrogação em LA por 126 a 120 com o astro Kobe Bryant anotando seis de seus 26 pontos no tempo extra e dando 13 assistências. Já o Nuggets (45V-28D) não perde há cinco partidas e busca igualar sua maior série invicta da temporada, agora aparece na sétima posição no Oeste empatado com Golden State Warriors e Dallas Mavericks, uma dessas três equipes provavelmente ficará fora da fase decisiva mesmo com uma campanha altamente positiva.

Vale lembrar que o time de Nenê ainda não perdeu as esperanças de se garantir nos playoffs como campeão da Divisão Noroeste, já que o líder da chave Utah Jazz (48V-26D) está vacilando fora de casa perdendo jogos bestas como o de domingo diante do eliminado Minnesota Timberwolves (19V-53D), que ganhou por 110 a 103 comandado por 22 pontos, oito rebotes e três tocos do pivô Al Jefferson. Se o mata-mata começasse hoje, o Jazz seria o quarto cabeça-de-chave, mas o quinto colocado Phoenix teria a vantagem de decidir a série em casa por fazer melhor campanha, então o Utah que se cuide, pois seu retrospecto de 22 derrotas e 16 triunfos como visitante não impõe muito respeito, embora em seu ginásio o clube de Salt Lake City tenha o melhor aproveitamento da NBA como mandante (32V-4D). Contra o Wolves, o ala-pivô All-Star Carlos Boozer foi o cestinha do jogo com 25 pontos, 10 rebotes e três assistências, mas não impediu o tropeço.

Quase três meses depois de descobrir um tumor nos testículos, Nenê volta a Phoenix, onde no dia 7 de janeiro deste ano o ala-pivô brazuca teve talvez sua melhor atuação na temporada, com 12 pontos e nove rebotes contra o Suns mostrando estar recuperado de uma lesão na batata da perna direita sofrida na fatídica derrota para a Argentina na semifinal do Pré-Olímpico de Las Vegas e de uma ruptura nos ligamentos do polegar, problemas que o incomodaram no início da temporada 2007-08 da NBA. Mas aquela partida no Arizona seria a última antes do afastamento do jogador para o tratamento contra o câncer. No dia 11 de janeiro, o gigante de São Carlos tirou uma licença médica para combater a doença e poucos dias depois passou por uma cirurgia para retirada do tumor, em fevereiro enfrentou a quimioterapia, voltou aos treinos em meados de março, e na última quinta-feira voltou a jogar disputando os últimos 1min17s da vitória sobre o Dallas. Nenê vestirá novamente a camisa 31 do Denver para ficar no banco à disposição do técnico George Karl para o jogão desta noite contra o Phoenix, ele não espera atuar muitos minutos e sabe que pode até não entrar em quadra considerando a dificuldade do duelo, mas para ele está tudo bem.

“Não posso jogar muito tempo agora, mas posso dar apoio ao time, posso ajudar meus companheiros no banco mesmo. Estou melhorando gradualmente agora, passo a passo, talvez cinco minutos dentro da quadra, ou então fico me exercitando na lateral… Quando eu estiver pronto, estarei preparado. Estou apenas tentando entrar em forma e ajudar como eu posso, já é uma grande emoção estar aqui de volta ao basquete depois de tudo que passei”, disse Nenê.

Com uma rotação de oito jogadores basicamente montada para o Nuggets batalhar pelas últimas vagas nos playoffs do Oeste, o técnico Karl diz que está encontrando dificuldades para integrar Nenê e o armador reserva Chucky Atkins dando mais minutos a quem está sem ritmo de jogo, mas espera que o brasileiro dê uma contribuição decisiva para a equipe na reta final da competição principalmente em termos emocionais, tendo em vista seu exemplo de superação. Sobre seu futuro próximo, Nenê não está disposto a planejar muito mais à frente, ele não quer fazer especulações sobre suas chances de defender a Seleção Brasileira em julho na repescagem do Pré-Olímpico Mundial que em julho irá decidir na Grécia os três últimos países classificados às Olimpíadas de Pequim, em agosto na China.

“O Nuggets vem primeiro”, finalizou Nenê sobre a prioridade de sua recuperação, o técnico espanhol Moncho Monsalve e a Seleção já podem ir colocando as barbas de molho e devem se preparar para a probabilidade de o ala-pivô não ir a Atenas.

Já Leandrinho tem tudo para ser a principal estrela do Brasil no Pré-Olímpico grego e embora não esteja brilhando tanto quanto na temporada passada em que foi eleito o melhor reserva da liga americana, sua alta velocidade e a média de 16,1 pontos por jogo como terceiro cestinha do estrelado elenco do Phoenix no atual campeonato ainda impõem respeito. Hoje o ala-armador paulista pode até ser titular novamente, já que o veterano ala Grant Hill ainda se ressente da lesão no púbis que o deixou fora da vitória fora de casa sobre o New Jersey Nets por 110 a 104 no sábado. Hill anunciou o problema pouco antes do jogo, disse que as dores o estão incomodando desde a partida do dia 19 de março na casa do Seattle SuperSonics e considerou a possibilidade de ficar fora desde os três jogos anteriores da semana passada (derrotas para Detroit Pistons e Boston Celtics, e vitória sobre o Philadelphia 76ers na excursão pelo Leste). Segundo o departamento médico do Suns, o ala é dúvida para as duas partidas contra o Denver e sua escalação será decidida com um teste momento antes do jogo desta segunda-feira, no domingo o elenco teve folga na volta dessa longa viagem.

“Eu não podia jogar sábado, se tivesse um outro dia de descanso, se não fosse um jogo em noites seguidas, talvez eu pudesse entrar em quadra (contra o Nets). Não é que eu possa jogar e esteja descansando o púbis, eu sentia que tinha condições de jogo ali, mas talvez isso mude (de domingo para segunda)”, afirmou Hill, que foi bem substituído com a entrada de Leandrinho marcando 21 pontos e seis assistências no triunfo em Nova Jérsei com o ala-armador Raja Bell sendo deslocado para a posição 3 da lateral, algo que pode funcionar bem hoje para a marcação do ala cestinha da seleção americana Carmelo Anthony.

“Nós gostaríamos de ter Grant de volta, mas se não pudermos, não deu, temos outras opções. Teremos de ser cautelosos com ele, não vamos apressar seu retorno, queremos que ele esteja bem na reta final”, comentou o técnico Mike D´Antoni.

Hill já ficou fora de dez jogos nesta temporada (sete por causa de uma cirurgia de apendicite e uma com espasmos nas costas), também já atuou no sacrifício com uma lesão no pulso direito sofrida na partida do dia 13 de março contra o Golden State Warriors e, apesar de ter levado diversas pancadas no pulso durante os primeiros três jogos da recém-completa excursão pelo Leste, ele considera que seria capaz de continuar jogando se só tivesse esta lesão, foi o púbis mesmo que o derrubou. O problema na virilha começou quando o ala sofreu uma falta de ataque do ala do Sonics Kevin Durant e caiu de mau jeito, desde então a lesão tem limitado os movimentos de arremesso, saltos, explosão e reação do jogador de 35 anos.

“É aí que eu sinto a dor, principalmente quando pulo ou corro. Simplesmente tenho lidado com ela há algum tempo, mas nos últimos dias meio que piorou. Eu só quero tentar dar um pouco de descanso ao músculo para me sentir melhor antes dos playoffs”, justificou Hill, que estava indo bem como o quarto cestinha do Suns com uma média de 14,5 pontos por jogo antes da lesão no púbis e viu sua produção ofensiva despencar para 6,3 pontos por partida nos oito compromissos seguintes, tendo perdido espaço na rotação para o ala reserva francês Boris Diaw.

Na sua última visita a Phoenix, o Denver foi derrotado por 137 a 115 numa noite em que o Suns se impôs com autoridade com um festival de cestas de três pontos numa vitória sem margem de dúvida, apesar da boa atuação de Nenê. O Nuggets foi buscar sua vingança no dia 5 de março vencendo o rival em casa por 126 a 113, mas não quer deixar de utilizar aquela surra de janeiro como fator de motivação.

“Nós sempre deixamos aquilo guardado na parte de trás de nossas cabeças. É preciso continuar mencionando aquele jogo, temos de continuar encarando a revanche como uma questão pessoal”, pediu o veterano armador do Denver Anthony Carter.

Só que o Suns é um time bem diferente daquele do início do ano e está mais entrosado do que no começo de março, quando ainda estava se ajustando à chegada do superpivô Shaquille O´Neal, trocado pelo Miami Heat. Agora o time do Arizona vem de nove vitórias nos últimos 11 jogos, e não perde em casa para o Nuggets há seis confrontos.

“Eles são realmente um time muito bom. Steve Nash os está liderando, Shaq é um cara orgulhoso de sua força, ele sabe como vencer, e Amaré Stoudemire é uma fera, serão dois jogos duríssimos”, reconheceu George Karl.

Apesar de estar 17 jogos acima dos 50% de aproveitamento na tabela, o Denver ainda se vê ameaçado de ficar fora dos playoffs na competitiva Conferência Oeste, mas se continuar jogando bem como nas últimas duas semanas tem condições de conseguir a sexta vitória seguida e em breve se classificar para uma pós-temporada que promete ser a mais formidável dos últimos tempos. O clube do Colorado vinha correndo atrás do Golden State desde o final de fevereiro, mas finalmente conseguiu ultrapassar o Warriors com a vitória do sábado à noite por 119 a 112, a oitava consecutiva da equipe em seu ginásio Pepsi Center.

“Cada jogo é importante daqui para frente. Nós entendemos que mesmo vencendo uma partida crucial como esta contra o Warriors, ainda temos de nos concentrar em ganhar o jogo seguinte, não estamos satisfeitos e não podemos ficar animados demais com esta série de vitórias. Nós acabamos de ganhar cinco seguidas e obviamente nos sentimos bem conosco mesmos por causa disso, mas não vamos ficar complacentes, qualquer derrota agora pode ser crucial”, disse o armador-cestinha Allen Iverson, que agravou uma fratura no dedo anelar da mão direita sábado, quando acertou apenas quatro em 20 arremessos de quadra terminando o jogo com 14 pontos.

Com os três times empatados na classificação com 45 triunfos após a vitória de domingo do Warriors sobre o Dallas Mavericks por 114 a 104, parece que a NBA pela primeira vez na história pode ter uma equipe ficando fora dos playoffs mesmo com uma marca de 50 vitórias, o que seria uma grande prova do alto poderio e equilíbrio da Conferência Oeste. O Denver tem o terceiro melhor ataque da liga com uma média de 109,7 pontos por jogo (logo atrás dos 109,9 do Suns), mas sua artilharia tem sido ainda mais impressionante nos últimos 14 jogos. Nesse intervalo o Nuggets marcou 120 pontos por partida e sofreu em média 110,2, diferencial mais do que suficiente para ter um mês de março vitorioso. Talvez o aspecto mais impressionante da explosão ofensiva do Denver seja o ataque com coletividade, além da dupla de cestinhas Melo/Iverson vale ressaltar a média de 17,5 pontos por jogo do ala-pivô Kenyon Martin nas últimas oito partidas e os 15,5 pontos por partida do ala-armador reserva J.R. Smith na atual série invicta. O Phoenix precisa se cuidar com A.I., porque o baixinho guerreiro marcou 33,3 pontos por jogo em seus últimos quatro duelos com o Suns, enquanto Anthony fez 30,3 pontos por partida nos últimos oito confrontos diretos das equipes.

Em seu ginásio Pepsi Center, o Denver venceu 30 em 37 partidas, só perdendo duas das últimas 20 como mandante. Fora de casa o time acumula 15 triunfos e 21 derrotas, mas venceu as últimas três partidas como visitante durante a atual série invicta. O problema é que o Phoenix está a apenas dois jogos de distância dos líderes da conferência, a sensação New Orleans Hornets (50V-23D) que ontem derrotou o Toronto Raptors por 118 a 111 no Canadá e o campeão San Antonio Spurs (51V-23D), e quer fazer de tudo para tirar o Lakers do topo do Pacífico. Depois de uma invencibilidade de sete partidas, o time do Arizona está voltando para casa após uma excursão de quatro jogos que começou com duas derrotas para os campeões divisionais Central (Detroit Pistons, 52V-21D) e do Atlântico (Boston Celtics, líder geral da liga com 58V-15D) e terminou com vitórias nos ginásios do Philadelphia e do New Jersey. Contra o Nets, o pivô da seleção americana Amaré Stoudemire ultrapassou a marca dos 30 pontos pela quarta vez nos últimos cinco jogos marcando 33 mais 15 rebotes na vitória sobre o Nets. Sua média nas últimas dez partidas foi de 30,4 pontos por noite.

“Foi uma vitória muito importante. Nós estamos jogando bem, estamos todos nos entrosando e mostrando uma grande evolução no momento decisivo da temporada”, comentou Amaré, ressaltando que o sucesso de sua parceria com Shaquille O´Neal no garrafão é o sinal mais encorajador na luta contra o Lakers pelo título divisional.

Shaq inicialmente teve dificuldades para se adaptar ao sistema de ataque rápido do Suns, mas agora parece ter encontrado seu espaço, registrando médias de 16,6 pontos e 10 rebotes por jogo nas últimas cinco partidas. O “Diesel” anotou 12 pontos e 18 rebotes na derrota para o Denver em 5 de março e quer render ainda melhor hoje.

“Estou simplesmente fazendo o que me é pedido, Amaré é a primeira opção de ataque, e este é um time no qual os caras não se preocupam com arremessos”, disse O´Neal.

O Nuggets saiu derrotado nas últimas seis visitas a Phoenix, mas precisa quebrar este pequeno tabu, porque uma derrota hoje combinada com uma possível vitória do Dallas fora de casa sobre o eliminado Los Angeles Clippers (22V-51D) já derrubaria a equipe para a nona posição na conferência, fora da zona de classificação aos playoffs.

“Não estamos fora da selva, baby, temos de continuar trabalhando duro e jogando da maneira correta o tempo inteiro”, concluiu o técnico George Karl.

Ontem no Target Center de Minneapolis, os destaques da vitória do Minnesota Timberwolves por 110 a 103 sobre o Utah Jazz foram o ex-Celtics "Big Al" e o ala reserva Rashad McCants, com 16 pontos. Os Wolves evitaram a terceira derrota seguida e estão em quarto lugar na Divisão Noroeste, sem possibilidades de passar aos playoffs.

O ala Corey Brewer igualou a melhor marca de sua carreira com 16 pontos e sete rebotes para os Timberwolves. Já o Utah de Carlos Boozer não conseguiu somar sua terceira vitória seguida, mas é líder na Divisão Noroeste e quarto na Conferência Oeste.


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