Publicado por Paulo Roberto
O armador Chauncey Billups anotou 26 pontos e cinco assistências sendo o cestinha do Denver Nuggets (6V-4D) na quinta vitória do time em seis jogos desde sua contratação numa troca com o Detroit Pistons por Allen Iverson. Na noite de domingo, a equipe do Colorado provocou a oitava derrota consecutiva do Minnesota Timberwolves (1V-8D) com o ala-armador J.R. Smith fazendo oito de seus 14 pontos no último quarto do triunfo em casa por 90 a 84 (44 a 40 no intervalo). O pivô brasileiro Nenê mesmo gripado deu sua contribuição, com 12 pontos, quatro rebotes, três passes para cesta e dois tocos.
Em 33min42s de ação como titular, nos quais o Nuggets marcou seis pontos mais que o Wolves, o gigante brazuca acertou seis em 11 arremessos de quadra incluindo uma enterrada, pegou dois rebotes defensivos e dois ofensivos, roubou uma bola, cometeu cinco faltas e dois desperdícios. O Minnesota chegou a abrir uma vantagem de nove tentos, mas não conseguiu finalizar o jogo, e o Denver sobreviveu a uma noite ruim nos arremessos vencendo apesar do baixo aproveitamento de 33,7% no ataque. O ala-pivô Al Jefferson liderou o time visitante com um duplo-duplo de 20 pontos e 14 rebotes, enquanto o ala campeão olímpico Carmelo Anthony anotou 14 tentos e 12 rebotes pelos anfitriões.
“Nós estivemos próximos no placar quase toda noite. Agora temos cinco derrotas por menos de seis pontos de diferença. É duro, é hora de conseguir uma vitória”, disse o ala-pivô novato Kevin Love, autor de apenas quatro pontos e seis rebotes vindo do banco, além de ter levado um toco estrondoso de Kenyon Martin que entrou no clipe das 10 melhores jogadas da rodada.
“É duro, é simplesmente duro. Nós temos de ter certeza de nos dar uma chance de vencer os jogos no final, e temos feito isso. Não podemos perder o foco de nosso jogo depois de três quartos e meio”, afirmou o técnico Randy Wittman.
O Timberwolves parecia estar bem encaminhado para sua primeira vitória desde a estréia na temporada, liderando o placar no último quarto e vendo os dois principais jogadores do Denver com a pontaria descalibrada ao longo da noite. Billups e Carmelo juntos acertaram apenas 11 em 40 arremessos de quadra, mas converteram cestas cruciais na hora mais importante, nos cinco minutos finais. Quando mais contava, os pontuadores denveristas colocaram a mão na fôrma. Com o time perdendo por 78 a 69 a 6min20s do fim, J.R. Smith meteu duas bolas de três incendiando uma seqüência de 12 a 2 que terminou com uma enterrada de Anthony acionada por uma assistência decisiva de Nenê virando o placar para 81 a 80 faltando 2min19s. Depois que os dois times erraram arremessos, Billups acertou seu quarto chute de três da noite dando ao Denver uma vantagem de 84 a 80 com apenas 51 segundos no cronômetro, e o Minnesota não conseguiu mais diminuir a diferença para menos de quatro pontos.
“Não sei quantos jogos nesta liga são vencidos com 33% de aproveitamento nos arremessos. Talvez menos de cinco provavelmente na temporada inteira”, comentou o técnico George Karl, que fez questão de demonstrar simpatia pelo momento ruim vivido por Wittman no Wolves lembrando que quando começou sua carreira de treinador na NBA em 1984 dirigindo o Cleveland Cavaliers a equipe perdeu 19 dos 21 primeiros jogos.
“Minnesota provavelmente teve cinco jogos similares e este antes e não pôde fechar a porta. Estou feliz que conseguimos a vitória, mas espero que Randy descubra uma maneira como conseguir uma vitória para trazer alguma confiança de volta para seu time”, completou GK.
“O jogo estava indo de tantas formas diferentes para mim, e conseguir aquele passe (de Nenê) em um ponto crucial da partida e finalizar, aquilo nos deu uma pequena faísca”, agradeceu Carmelo Anthony falando da cesta da virada final numa noite em que errou 13 em 17 arremessos de quadra, embora tenha mandado bem nos rebotes.
“Numa noite como hoje, quando você não está acertando os arremessos, quando você não pode fazer isso, você tem de encontrar outras maneiras. Você tem que se segurar defensivamente”, disse o cestinha Chauncey Billups, que deu um novo fôlego ao time desde a troca do dia 3 de novembro. Lembrando que a defesa denverista não deixou nenhum jogador adversário marcar 30 pontos numa partida neste campeonato, nem mesmo o astro do Cleveland LeBron James.
O armador reserva Randy Foye se destacou com 18 pontos e seis assistências para o Minnesota resistir a diversas tentativas de reação do Denver e manter a vantagem sob controle até a metade do último quarto. Mas o Nuggets apertou a marcação e se garantiu na defesa parando Al Jefferson e nos últimos seis minutos o Wolves converteu apenas três em 12 arremessos de quadra, aí não teve jeito. A equipe teve chances de vencer todas as partidas nessa atual série perdedora, em que foi derrotada por uma diferença média de apenas 5,8 pontos por jogo, e no domingo veio a oportunidade mais clara de acabar com o jejum após o Timberwolves assumir o controle do placar no terceiro quarto vencido por 27 a 21. Os visitantes começaram o segundo tempo convertendo sete em 11 arremessos, e liderados por cinco pontos do “Big Al” abriram uma vantagem de 56 a 49 com 5min53s por jogar na parcial, mantendo-se à frente do marcador até a enterrada da virada de Anthony, e depois disso o Wolves não se recuperou do baque. Apesar de ter sofrido mais uma derrota nos minutos finais, o time sente que está próximo de encerrar a seqüência negativa. Mas para isso teria que melhorar o aproveitamento no ataque, nas oito derrotas a equipe não conseguiu chegar a 45% de acerto nos arremessos, ontem converteu apenas 39,7%.
“Pela forma que estamos perdendo, sabemos que as coisas podem dar uma virada e eventualmente nós conseguiremos uma vitória. Temos de colocar as coisas rolando a partir daí, tudo começa com uma (vitória)”, concluiu o pivô Jason Collins, que foi facilmente superado no duelo direto com Nenê, pois fez só dois pontos em quatro lances livres, errou três arremessos, pegou cinco rebotes, deu duas assistências, cometeu quatro faltas, teve uma roubada e bola perdida em 17min04s.
No Pepsi Center de Denver com 16.721 espectadores, Nenê começou errando um gancho, mas logo se recuperou acertando um arremesso no giro com assistência de Billups abrindo 10 a 3 e depois pegou o rebote ofensivo de um toco do ala Ryan Gomes em Carmelo e fez a cesta colocando 16 a 6 no marcador. O brasileiro deu sua primeira assistência para o ala-pivô Kenyon Martin converter o arremesso de seu sexto ponto fazendo 18 a 10 e em seguida fez uma enterrada de canhota na infiltração recebendo um belo passe de Dahntay Jones abrindo 20 a 10. Após o gigante paulista ser substituído por Renaldo Balkman com 22 a 10 no placar, o Nuggets fechou o primeiro quarto em 27 a 17 com uma bola de três de Smith.
Nenê voltou à quadra no lugar de Balkman faltando 7min46s no segundo período, depois que uma bandeja de Kevin Love tinha diminuído a diferença para 31 a 27. O brazuca roubou uma bola de Jefferson e para matar o contra-ataque Foye fez falta em Billups, que encestou os dois lances livres fazendo 37 a 29. Depois o grandão de São Carlos deu um toco em Jefferson e ficou com o rebote, mais tarde acertou um arremesso no giro com assistência de Anthony Carter ampliando a vantagem para 39 a 29. O Minnesota reagiu e encostou em 39 a 38 com uma bola de três de Rashad McCants, aí Nenê respondeu com a assistência para uma enterrada de Carmelo que colocou 41 a 38 no placar e no final da parcial Anthony converteu o arremesso de seu sétimo ponto no giro garantindo a vantagem de quatro tentos no intervalo, sendo que o pivô paulista anotou oito pontos nesse primeiro tempo.
Nenê iniciou a terceira etapa cometendo uma falta de ataque, mas o Wolves voltou melhor dos vestiários e virou o placar com cinco pontos seguidos de Foye. O brasileiro respondeu convertendo um arremesso com assistência de Billups descontando o déficit para 51 a 49, mas depois perdeu uma bola saindo da quadra, errou um arremesso e cometeu sua terceira falta em Jefferson, que conectou os dois lances livres fazendo 62 a 54 enquanto o jogador paulista saía substituído por Smith. No final da parcial, o Denver deu uma melhorada com duas bolas de três de Billups e dois lances livres de Carmelo diminuindo a diferença para 67 a 65.
Nenê começou jogando o último quarto e fazendo falta em Foye, que acertou as duas cobranças fazendo 69 a 65, depois levou um toco do mesmo Foye numa tentativa de bandeja, mas devolveu na mesma moeda bloqueando uma infiltração do armador do Wolves e depois converteu um gancho diminuindo a desvantagem do Denver para 72 a 67 a 9min04s do fim, mas teve de ser substituído por Billups ao ficar pendurado com a quinta falta. O brasileiro voltou à quadra no lugar de Carter faltando 4min58s depois que dois lances livres encestados pelo autor de 10 pontos Kenyon Martin descontaram a diferença para 78 a 75, e na jogada decisiva Nenê pegou o rebote ofensivo de um lance livre errado de Carmelo e deu a assistência para Anthony fazer a enterrada da virada para 81 a 80 restando 2min27s no cronômetro, e Billups tratou de fechar o caixão dos lobos com seu último triplo. Lances livres de Anthony, Billups e Martin deram números finais ao placar favorável ao Denver, que teve também 11 pontos e sete rebotes do ala lituano Linas Kleiza.
“Podemos parecer como um disco quebrado para todo mundo, mas nós ainda acreditamos”, disse Randy Foye.
Recuperado de um câncer testicular, Nenê chegou neste domingo a seu sétimo jogo consecutivo pontuando em dígitos duplos na atual temporada da NBA. Apesar da vitória, o Nuggets teve um de seus piores desempenhos ofensivos da temporada, com apenas 28 cestas em 83 arremessos de quadra. O rebote ofensivo seguido de assistência decisiva do brasileiro foi chamado por Carmelo de “jogada paraíso”. Chauncey Billups, conhecido pelo apelido de Mister Big Shot (Senhor Grande Arremesso), a elogiou como uma “grande, grande jogada”, na matéria do jornal Rocky Mountain News. Não foi um jogo dos mais bonitos, mas o que conta é a vitória.
“Foi feio, foi simplesmente uma daquelas noites. Mas não é algo que vai me fazer ir para casa e ficar batendo em mim mesmo, nós vencemos o jogo. Estamos com um time mais baixo, estou jogando de ala-pivô e até de pivô em alguns momentos. Os rebotes são uma coisa que podem me dar um bom ritmo em vez de tentar ir lá no ataque e converter todos os arremessos”, afirmou Anthony.
O técnico George Karl resumiu o que foi a partida com uma frase dita por Billups para o restante do time em um tempo técnico no terceiro quarto. “Ele disse: “Nós não queremos nem lembrar esta noite daqui a cinco meses”, disse o treinador.
“Nós ganhamos uma partida jogando na defesa. Fizemos isso algumas vezes desde que estou aqui. E acho que para mim, pessoalmente, eu ganho muito mais confiança vencendo jogos na defesa do que ganhando no ataque um jogo de muitos pontos e correria. Agora, quando pudermos começar a acertar os arremessos, e nós podemos chegar aonde precisamos estar ofensivamente continuando a jogar na defesa, então nós poderemos ser perigosos”, comentou Billups, que acertou apenas sete em 23 arremessos de quadra. “A coisa dos pontos é apenas um bônus extra. Então se eu estou mal nos arremessos, não vou deixar todo o resto do meu jogo despencar. Não vou permitir que isso aconteça. E tentarei ensinar muito os outros caras deste time a mesma coisa: “E daí se você não está acertando os arremessos? Dê-me alguma outra coisa.” E eu tento liderar e fazer isso dando o exemplo”, completou o armador.
Nenê vem fazendo sua parte em seguidos jogos, mas mesmo assim não foi incluído entre os indicados para a votação para o Jogo das Estrelas, o que foi criticado inclusive no site da ESPN, em um esforço para explicar os motivos pelos quais pivôs de rendimento muito pior ao do brasileiro, como Nick Collison do saco-de-pancadas Oklahoma City Thunder, aparecerem na cédula do All-Star e o nosso titular do Denver não:
“Não esqueçam, além disso, que cada time deve ter pelo menos três representantes na eleição do Jogo das Estrelas, de acordo com as regras da liga. Então isso deve explicar por que, digamos, o jogador do Oklahoma City Nick Collison é um dos 12 indicados para pivô da seleção do Oeste enquanto Nenê do Denver está com médias de 15,1 pontos, 8,1 rebotes e dois tocos pelo Nuggets depois de ter disputado apenas 16 partidas na temporada passada em seu retorno de um câncer testicular. E numa segunda opinião puramente pessoal – eu repito, falando apenas por mim mesmo e não pelo comitê geral – Marc Gasol teria funcionado melhor para mim como terceiro representante do Memphis Grizzlies na eleição no lugar de Mike Conley”, encerrou o colunista da ESPN.
Paulo Roberto
Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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