Publicado por Adriano Albuquerque
O armador Brandon Jennings, jogador de Los Angeles considerado o melhor armador da classe 2008 do Ensino Médio americano e favorito a uma escolha na loteria do draft da NBA em 2009, decidiu iniciar sua carreira profissional na Europa neste ano e descartar o basquete universitário americano da NCAA. O anúncio foi feito pelo advogado de Jennings, Jeff Valle, na noite de terça-feira. A decisão pode ser uma “divisora de águas” na forma como outras promessas do basquete americano vêem jogar na NCAA ou no exterior, e pode resultar em mudanças nos limites de idade e condições para inscrição no draft da NBA.
Jennings tinha assinado um compromisso para representar a Universidade do Arizona em 2008-09, mas não passou nos requerimentos acadêmicos da NCAA. Seu segundo teste padronizado foi questionado pela organização, e o jogador resolveu não esperar pelos resultados do terceiro teste, que devem sair ainda esta semana. “Isto não interessa mais. Ele não vai para a Universidade do Arizona. Brandon planeja ir para a Europa”, disse Valle ao repórter Andy Katz, do site ESPN.com.
Em um comunicado expedido por Valle, Jennings agradeceu à universidade pelo “interesse e apoio durante este processo. Nos últimos dois meses, eu consultei várias pessoas (envolvidas) com o basquete antes de chegar a esta decisão”.
A possibilidade da ida de Jennings para a Europa já havia despertado a atenção de outras promessas do basquete, e a confirmação da decisão teve uma reação negativa nos Estados Unidos. Em matéria do jornal americano New York Times, os técnicos universitários John Calipari, de Memphis, e Tom Crean, de Indiana, criticaram a decisão, listando a dificuldade com a língua, a competição mais física contra adultos e as diferenças culturais como obstáculos que podem atrapalhar Jennings e piorar sua situação no draft. Em sua coluna no site ESPN.com, a jornalista Jemele Hill realça os pontos negativos encontrados pelo americano Chris Owens após jogar na Turquia e pela Europa nos últimos cinco anos.
Por sua vez, Sonny Vaccaro, olheiro e empresário famoso nos EUA por ter trabalhado com grandes companhias de material esportivo e patrocinar diversos eventos de basquete para alunos colegiais e internacionais, defende a decisão como uma forma de “dar o troco” à NBA, que proibiu que jovens promessas saíssem direto do colégio para o draft. Em 2005, a liga incluiu em seu Acordo de Negociações Coletivas (CBA) um limite de idade (19 anos) e determinou que jogadores americanos só poderiam se increver no draft um ano após suas formaturas no Ensino Médio. A medida foi uma forma de reforçar o decadente basquete universitário, embora não houvesse nada que especificasse que o jogador teria de passar pela NCAA para entrar no recrutamento.
O limite foi protestado por muitos jogadores da liga, que viram nele uma forma de atrair publicidade e dinheiro para a NCAA às custas de jovens talentosos e pobres que poderiam estar recebendo para jogar basquete. A medida vem funcionando para a NBA, que recebeu nos últimos dois anos jogadores mais bem preparados e já famosos no país, mas não foi tão boa para as universidades quanto se imaginava; a maioria dos jogadores cumpre apenas um ano de faculdade e faz as malas para a liga, e recentemente o ala-armador OJ Mayo protagonizou um escândalo ao ser acusado de aceitar dinheiro e presentes de USC para jogar pela universidade, uma violação das normas da NCAA.
Vaccaro servirá como consultor da família de Jennings, que teria várias propostas para jogar no Velho Continente, embora Valle não revele quais e de que países. A especulação na imprensa americana é que uma equipe italiana estaria entre os pretendentes, e Jennings poderia receber até US$ 300 mil. Em depoimento ao blog TrueHoop, o analista Jonathan Givony, do site DraftExpress.com, um clube europeu pode negociar um contrato de mais de um ano com o armador e criar uma cláusula de rescisão milionária, para tentar lucrar com a eventual saída de Jennings para a NBA. Times da liga americana só podem pagar um máximo de US$ 500 mil para rescindir contratos, o que significa que Jennings teria de tirar do próprio bolso caso sua rescisão seja mais cara do que isso.
O técnico de Arizona, Lute Olson, ficou decepcionado com a decisão de Jennings, já que visualizava usá-lo ao lado de Chase Budinger para substituir Jerryd Bayless, que foi draftado pelo Indiana Pacers e enviado em uma troca para o Portland Trail Blazers. “Estamos decepcionados com a decisão de Brandon, mas desejamos a ele muita sorte. Esperamos que as coisas vão bem para ele no futuro”, disse Olson.
Veja alguns vídeos de Brandon Jennings publicados no site YouTube:
Melhores jogadas da temporada 2006-07
Jennings em ação no “Jordan Classic”, partida especial para destaques do Ensino Médio
Jennings faz 46 pontos, 12 assistências e 7 roubos em um jogo
Adriano Albuquerque
Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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Comentário por Adriano Albuquerque — July 10, 2008 @ 10:54 pm
esses videos dele são sinistros… o garoto parece ser mto talentoso mesmo, mas basquete colegial americano é assim, tudo em transição, tudo na boa… na Europa o bicho pega, é mais físico, mais jogo cadenciado, mais defesa. Será q o garoto segura a barra?
Comentário por Paulo Roberto — July 10, 2008 @ 11:22 pm
Se fizer sucesso, será uma revolução boa para a NBA se ligar e deixar de lado essa tal tabela de salários dos rookies, embora eu seja favorável à exigência de uma idade mínima para serem draftados e passem pelo menos um ano nas universidades.