Entrevista com Ben Wallace: “Gosto de nosso elenco, temos chance de vencer o campeonato”

Publicado em: Conferência Leste, Entrevistas, NBA
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23/09/2008 | 19:19

Publicado por Paulo Roberto

O site do Cleveland Cavaliers traz uma entrevista interessante com o ala-pivô Ben Wallace, veterano quatro vezes eleito o melhor jogador de defesa da NBA na passagem pelo Detroit Pistons e campeão da liga em 2004. O titular da posição do brasileiro Anderson Varejão fala de sua expectativa para a próxima temporada. Parte da megatroca envolvendo 11 jogadores que o Cavs realizou em fevereiro pensando em reforçar seu elenco para os playoffs, o Big Ben começou jogando em 22 partidas do time de Ohio na reta final da temporada e foi uma presença intimidadora no garrafão nos playoffs, especialmente na série contra o campeão Boston Celtics liderado por Kevin Garnett. Neste ano Wallace vai participar da pré-temporada de sua nova equipe desde o início, dizendo-se saudável, com fome de bola e preparado para tentar colocar as mãos novamente no troféu Larry O´Brien. O Cavaliers está mais forte que na temporada passada com a chegada do armador pontuador Mo Williams para ajudar o astro cestinha da liga LeBron James a lutar por um título inédito. Big Ben deu uma pequena pausa nos treinos para falar com o cavs.com sobre a batalha do Cleveland pelo campeonato, seu relacionamento com o ex-jogador Charles Oakley, e o fato de ser o menor (2,06m) dentre seus oito irmãos, vale a pena conferir a tradução da entrevista.

Como o único cara no elenco com um anel de campeão, você pode sentir se este time tem o instinto para isso (ganhar o título)?

BW: Eu gosto de nosso elenco agora. Eu gosto das peças que nós adicionamos. Junto com os veteranos que estão voltando, acho que temos a oportunidade de vencer o campeonato. Mas quanto a esse fator X, você realmente não sabe até entrar no fluxo da temporada e ver como as coisas se desenvolvem.

Um time campeão tem uma confiança que pode ser notada?

BW: Não é necessariamente uma coisa de confiança, mas um ritmo. Você pode dizer pelo ritmo o que o time vai fazer. Seria difícil ir em torno desta liga e encontrar qualquer time ou qualquer jogador que não tenha confiança. Então, é uma questão de ritmo – quando um time entra em um certo ritmo você pode dizer pela maneira como eles se movem se vão competir por um campeonato ou não.

O que você trabalhou durante a offseason?

BW: Eu trabalhei um pouco de tudo durante a offseason. Mas nesta em particular, eu trabalhei para ficar forte em certas áreas. Apenas tentando estar na melhor forma física possível para voltar ao time. No ano passado, tive alguns problemas com minhas costas e estou tentando não revisitar aquelas lesões. Tomara que eu possa ter uma temporada inteira sem ter esses problemas.

Charles Oakley foi instrumental na sua carreira de basquete, especialmente antes de você entrar na NBA. Como esse relacionamento começou?

BW: Oakley tinha um acampamento de basquete lá no Alabama. Eu tinha 16 anos, indo para os 17. No meu ano de juvenil, nós estávamos no acampamento, ele veio e os conselheiros estavam conversando conosco, depois do almoço. Nós estávamos apenas sendo garotos, jogando um pouco, e Oakley veio, sentou conosco e começou a falar, basicamente dizendo para nós: “Se vocês todos pensam que sabem tudo, não precisam estar neste acampamento”. E disse algo como “Se vocês pensam que são maiores que este acampamento, venham aqui e joguem comigo.” Alguém me apontou como voluntário para entrar lá e jogar. Então Oak e eu fomos lá e jogamos. Eu não dei para trás. Ele jogou duro comigo, eu joguei duro com ele. Depois disso, ele gostou do meu potencial. Ele disse que se continuasse jogando assim, o céu é o limite.

Você se garantia tanto no basquete quanto no futebol americano. Você poderia ter jogado futebol no nível seguinte?

BW: Não há dúvida nenhuma. Meu técnico de futebol na escola de segundo grau, até hoje, diz que o futebol teria sido meu esporte. Eu joguei como defensive end (zagueiro de defesa) e tight end (homem que protege o quarterback, armador do time). Quando eu deixei o colegial, eu queria ir para Auburn, e eles me disseram que iam me deixar fazer as duas coisas. E as minhas duas maneiras eram futebol e basquete. E as duas coisas deles eram ataque e defesa. Então não funcionou para mim. Eu realmente queria jogar basquete naquela época, achei que poderia ter uma carreira no basquete, então quis jogar ambos (na universidade).

Você deve uma grande parte de sua resistência ao fato de ter sido o mais novo de oito garotos (irmãos)?

BW: Sim, eu tento dizer para todo mundo – e não acho que muitas pessoas acreditem em mim – que eu sou o mais jovem e o menor dos oito filhos. As pessoas não acreditam em mim elas verem todos nós juntos. Eu sou um dos mais altos, mas em questão de tamanho, eu sou um dos menores.

Isso parece doloroso.

BW: Eu levei minhas bordoadas. Mas sempre tive um apoio na retaguarda, sempre tive minha mãe. Mamãe mesmo tinha 1,94m e 106,5kg.

Você teve um pouco de tempo para enfrentar os novatos do Cavs aqui nos treinos (alas-pivôs J.J. Hickson e Darnell Jackson). Quais são seus pensamentos sobre eles?

BW: Eu gosto dos caras jovens, eles jogam duro. Estão dentro de quadra cedo e saem tarde. É isso o que você quer ver em um cara jovem.

Você se juntou ao Cavaliers com apenas 26 jogos faltando na temporada passada. O quanto é grande ter um acampamento de pré-temporada inteiro com o time?

BW: Acho que é minha coisa mais importante, do ponto de vista de reunir os caras e ter tempo para uni-los como companheiros de time. Você tem de passar pelo acampamento de pré-temporada. Você tem de encarar essas batalhas na pré-temporada. Porque aí você conhece um cara quando ele está no seu melhor, e quando ele está cansado e no seu pior. Isso significa muito. Quando eu cheguei ao time, todos já estavam com seu ritmo andando e você está chegando e tentando se encaixar na equipe. Mas no acampamento, haverá um tempo em que não haverá ritmo nenhum, e você simplesmente está lá jogando com inteligência e coração. É aí que você consegue conhecer um cara.

Paulo Roberto Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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