Childress diz na Grécia que outros podem trocar NBA pela Europa, Olympiacos tentou Leandrinho

Publicado em: Conferência Leste, Conferência Oeste, DESTAQUES, Europa, Extraquadra, Internacional
Tags: , , , , , ,

24/07/2008 | 22:43

Publicado por Paulo Roberto

Após recusar oferta do Atlanta Hawks e assinar contrato para receber US$ 27 milhões por três anos no Olympiacos, ala Josh Childress diz que outros jogadores da NBA com passe livre restrito podem trocar os EUA pela Europa. Site da ESPN diz que na temporada passada representantes do time grego telefonaram para o Phoenix Suns para saber quanto custaria a contratação do brasileiro Leandrinho.

O pivô brasileiro Tiago Splitter, os eslovenos Bostjan Nachbar e Primoz Brezec, os espanhóis Juan Carlos Navarro e Jorge Garbajosa, o ala argentino Carlos Delfino, o inglês Pops Mensah-Bonsu, são vários os exemplos de jogadores que no verão deste ano preferiram assinar contratos vantajosos em euros em vez de aceitar propostas em dólar das milionárias franquias da NBA, assim como estrelas européias já haviam feito em 2007, como o ala-armador grego Vassilis Spanoulis e os lituanos Arvydas Macijauskas e Sarunas Jasikevicius, também por não terem se adaptado bem ao estilo de jogo americano. Mas nesta semana o ala Josh Childress chocou a NBA e o basquete internacional ao recusar a oferta de renovação contratual com o Atlanta Hawks e assinar com o Olympiacos da Grécia o mais lucrativo contrato já oferecido a um jogador norte-americano na Europa, US$ 21 milhões por três anos livres de impostos. E nesta quinta-feira uma fonte disse ao site da ESPN.com que representantes do clube grego fizeram ligações na temporada passada para saber quanto custaria “comprar” o ala-armador brasileiro Leandrinho Barbosa, do Phoenix Suns.

Antes o Olympiacos já havia oferecido um contrato de dois anos para o veterano ala-pivô Chris Webber por um valor na faixa de US$ 10-12 milhões, e comprovou seu poderio econômico tirando de Atlanta o ala Childress, melhor reserva do Hawks com médias de 11,8 pontos, 4,9 rebotes e 1,5 assistência por jogo na temporada passada. Leandrinho, o melhor reserva do Suns e de toda a NBA com 15,6 pontos por partida (o vencedor do prêmio de melhor sexto jogador do ano, o ala-armador argentino do San Antonio Spurs Manu Ginóbili é na verdade um titular disfarçado), tem US$ 27 milhões a receber do Suns nos próximos quatro anos de contrato, ou seja, Childress vai receber na Grécia um salário maior que o do brazuca e ainda livre de impostos. A migração de jogadores da rica liga americana para os times de ponta da Euroliga vai virar uma tendência? Um proeminente empresário de jogadores dos EUA disse à ESPN que não acredita ser este o caso, porque não há clubes europeus suficientes para gastar dinheiro alto no nível da NBA, o Olympiacos é um deles. Mas com a valorização do euro acima do dólar os atletas da liga americana, principalmente os estrangeiros, têm melhores opções com a possibilidade de cruzar o Oceano Atlântico para jogar na Europa por um alto salário. Além de Childress, o Olympiakos já havia anunciado a contratação do astro grego Theodoros Papaloukas, ex-armador do CSKA Moscou. A equipe de Atenas terminou na segunda posição a última edição da liga grega de basquete, atrás do Panathinaikos.

Na coletiva de imprensa de quarta-feira, o empresário de Childress (camisa 1 na foto) interrompeu alguém para deixar claro para todo mundo que o contrato assinado pelo ala com o Olympiacos estava na vizinhança dos US$ 21 milhões por três anos, descontadas as taxas. Isso é cerca de US$ 7 milhões por ano, enquanto o Atlanta estava disposto a pagar ao jogador um salário entre US$ 4-5 milhões por temporada, considerando ainda as taxas vigentes nos EUA. Childress não se sentiu valorizado pelo Hawks que não estava demonstrando muito senso de urgência na negociação, daí aceitou a proposta grega, além da alta oferta financeira ele disse ter se sentido atraído pela paixão dos europeus pelo basquete, com ginásios freqüentemente lotados.

“Nossa maior rivalidade é com o Panathinaikos, é como se fosse Duke contra North Carolina multiplicado por cinco, estou ansioso para jogar pelo Olympiacos”, contou Childress direto da Grécia, onde disse estar procurando expandir seus horizontes como pessoa e experimentar um conceito de jogo coletivo mais forte do que conhecia na América, o jogo em equipe é a grande essência da seleção grega vice-campeã mundial.

A Europa tradicionalmente costumava ser um destino muito procurado por jogadores da NBA em final de carreira, ou para jovens atletas de universidades americanas que não eram escolhidos no draft e não conseguiam contratos com um dos 30 times da liga profissional dos EUA, no máximo eram aproveitados na pré-temporada. Mas o cenário está mudando radicalmente. A grande promessa do basquete colegial americano Brandon Jennings ganhou as manchetes na semana passada quando decidiu jogar na Itália em vez de passar um ano no time universitário do Arizona Wildcats antes de se tornar elegível para o draft da NBA, uma mudança de rumos que outros atletas de escolas de segundo grau podem seguir como resultado do aumento da idade mínima (19 anos) para ingressar na liga, que desde 2005 passou a exigir que os atletas não fizessem o salto direto do high school, tendo de passar pelo menos uma temporada na NCAA, lembrando que nas universidades os jogadores não podem receber salário, e a proposta do Lottomatica Roma acabou sendo mais atrativa para Jennings.

Durante suas quatro temporadas na NBA, Childress passou suas férias de verão viajando para a Europa na companhia de amigos, o que lhe deu uma visão de mundo mais larga que a de muitos colegas seus nos Estados Unidos. O empresário do jogador, Lon Babby, disse que o ala terá a oportunidade de rescindir seu contrato nos próximos dois verões sem precisar pagar a multa rescisória ao Olympiacos, embora o Hawks possa manter os direitos sobre ele na NBA e nessa situação quando ele quiser voltar aos EUA continuará sendo um atleta com passe livre restrito em perpetuidade desde que o Atlanta renove suas ofertas de renovação a cada ano, ou seja, teria prioridade de contratação dele se decidisse cobrir alguma proposta assinada com por qualquer outra franquia americana.

“Eu conversei com alguns caras, e esse caminho da Europa poderia se tornar uma tendência. Não estou tão certo de que não irá acontecer. É uma experiência diferente. Pensamos um pouco para fora da caixa neste sentido, e os jogadores vêem um colega atleta da NBA se mudar para o outro lado do oceano e se ajustando à cultura de outro país, alguns poderiam se perguntar: “Por que não eu?” Então estou interessado em vez como isso poderia acabar acontecendo também com alguns dos outros agentes livres restritos”, afirmou Childress. Vale lembrar que no ano passado o ala-pivô brasileiro Anderson Varejão ameaçou tomar o rumo da Europa durante a complicada negociação com o Cleveland Cavaliers que se arrastou durante cinco meses.

Entre os jogadores nessa situação de restritos que ainda não assinaram contratos estão jogadores como Emeka Okafor (Charlotte Bobcats), Ben Gordon e Luol Deng (Chicago Bulls), Delonte West (Cavs), Sasha Vujacic (Los Angeles Lakers), Nenad Krstic (New Jersey Nets), Andre Iguodala e Louis Williams (Philadelphia 76ers), Ryan Gomes (Minnesota Timberwolves), Andris Biedrins e Monta Ellis (Golden State Warriors), embora este último esteja muito próximo de assinar um contrato de seis anos para continuar no time de Oakland, segundo uma fonte declarou a ESPN o ala-armador já teria aceitado verbalmente o acordo.

O presidente do Nets Rod Thorn disse que o sérvio Krstic atualmente está analisando propostas da Europa, e Vujacic é um dos jogadores europeus mais procurados no mercado de agentes livres depois de ter feito sua melhor temporada pelo Lakers na campanha do vice-campeonato da NBA.

“Se você acredita na globalização do esporte, não há razão para que o caminho não possa fluir em ambas as direções (da Europa para a NBA e vice-versa)”, declarou Babby.

 

Paulo Roberto Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
Outros artigos publicados por Paulo Roberto

Comentários

2 Comentários »

  1. Comentário por Linelson Y Castro — July 25, 2008 @ 9:04 am

    Lembrando que as taxas nos EUA sao de 44% do valor do contrato. NA Europa é menos que isso, o contrato do Childress custaria ao Olympiacos US$ 32,5 milhoes brutos por 3 anos, o que signficaria que na Grécia o imposto de renda seria de 35%.

  2. Comentário por Rubens Borges — July 27, 2008 @ 7:05 pm

    Não acho que seja um grande problema. A Europa vai atrás do segundo escalão da NBA, oferece sálioros altos, mas o Childress teve a maior oferta da história de um time euopeu, ou algo do genêro. mesmo assim ele vai querer voltar para a NBA…

RSS feed para comentários neste post. TrackBack URL

Deixe um comentário

Você precisa estar logado para postar um comentário.

Notícias relacionadas

Newsletter

Digite seu email

Publicidade

Anuncie no BasketBrasil

© 2008 BasketBrasil. Todos os direitos reservados.

Sobre o BasketBrasil | Aviso legal | Contato

BasketBrasil pela rede: Youtube | Orkut | Facebook | Twitter

Anuncie no BasketBrasil | Ajuda | Faça parte da equipe