Publicado por Paulo Roberto
O armador-astro canadense Steve Nash ficou fora do último treino do Phoenix Suns na manhã desta quarta-feira com sintomas de gripe e é dúvida para a partida desta noite contra o New Orleans Hornets em Nova Orleans, ele ficou no hotel durante o dia enquanto seus companheiros treinavam na New Orleans Arena. Na sexta-feira passada, Nash desfalcou o time do Arizona na derrota para o Miami Heat com uma contusão na coxa, e o armador novato Sean Singletary começou jogando em seu lugar, mas foi o ala-armador brasileiro Leandrinho quem passou a maior parte do tempo armando o time, anotando 20 pontos e cinco assistências na pior apresentação de sua equipe na temporada. Jogar sem Nash é uma grande temeridade para a terceira derrota seguida, já que do outro lado estará o melhor armador da NBA desde a temporada 2007-08, o jovem Chris Paul.
A verdade é que o Suns (11V-7D) continua sem uma solução confiável para a posição 1 quando Nash não está em quadra, e o craque já está com 34 anos de idade, não pode esperar muito por alguém que dê conta do recado para ele não ficar sobrecarregado com uma carga excessiva de minutos em quadra contra o Hornets (9V-6D), isso se ele tiver condições de jogar a partida que começa às 23h (horário de Brasília). Os novatos Singletary e Goran Dragic até agora não corresponderam, sendo que o esloveno é uma decepção maior pelo dinheiro gasto nele. Leandrinho é o mais qualificado para “quebrar um galho” na função, mas já foi efetivado na posição 2 há um bom tempo.
O jornal East Valley Tribune traz uma matéria crítica sobre o assunto assinada por Jerry Brown, leia abaixo a tradução.
Desde que Steve Nash retornou a Phoenix no verão de 2004, o Suns tem procurado por um discípulo reserva que mantenha o time bem orientado para o norte enquanto ele descansava. Tem sido uma procura infrutífera.
Joe Johnson queria ser a estrela. Leandro Barbosa e Eddie House foram caras que chutam primeiro (mais do que fazer assistências). Marcus Banks foi… seja lá o que foi.
Esta temporada era para ser diferente. O Suns finalmente iria diminuir uma escala na sua dependência do sobrecarregado duas vezes MVP (Jogador Mais Valioso da liga), e até tinha planos iniciais de poupá-lo completamente em alguns jogos selecionados.
Mas esse plano foi arquivado quanto o Suns falhou numa tentativa de atrair um armador reserva veterano para a cidade no mercado de agentes livres por um contrato mínimo. E com Goran Dragic e Sean Singletary passando pelas dificuldades normais de novatos não escolhidos na loteria do draft da NBA (as 14 primeiras posições do vestibular da liga destinadas aos melhores calouros), o efeito dominó de não ter uma opção sólida para a reserva do armador nunca foi mais pronunciada.
Nash tem feito alguns jogos com muitos erros ele mesmo, mas o Suns ainda é de longe muito mais estável quando ele está na quadra. Ele marcou 20 ou mais pontos em cada um de seus últimos três jogos, mas jogou pelo menos 38 minutos em três das últimas quatro partidas. Mas quando ele sai da quadra, o “trabalho em progressão” do Suns se torna ainda mais fraturado.
A confiança de Dragic tem se esfacelado, ele jogou um total de apenas seis minutos nos últimos cinco jogos. Singletary tem sido melhor em seu “estágio probatório”, mas seu arremesso inconsistente permite que as defesas se congestionem em torno dele. E Barbosa, que já teve problemas suficientes para absorver os novos conceitos ofensivos e defensivos de Terry Porter na posição de ala-armador entre suas viagens para o Brasil (por causa da doença e posterior falecimento de sua mãe), está agora adicionando algum tempo na armação em sua lista de tarefas.
Então há o efeito colateral. O Suns quer que Grant Hill use sua habilidade de criar jogadas na formação quando Nash está fora, o que força o ala a ficar sentado no banco na maior parte do tempo no primeiro quarto, quando seu corpo de 36 anos de idade precisa de tempo para encontrar o ritmo certo. O técnico Porter quer Boris Diaw na quadra durante a mesma seqüência, o que torna difícil para Porter colocar o outro novato do time, Robin Lopez, em quadra.
Na derrota por 117 a 109 para o New Jersey, o Suns jogou um primeiro quarto afiado e limpo, acertando 65% dos arremessos de quadra e desperdiçando apenas três posses de bola enquanto conseguiu um recorde da temporada com 35 pontos na parcial.
Mas a segunda unidade não pôde sustentar o bom momento. As primeiras 10 posses de bola produziram apenas seis pontos, todos de Barbosa, e levou sete minutos para uma vantagem de 13 pontos desaparecer. O Nets abriu espaços na quadra, criou desequilíbrios na defesa e fez o que o Suns costumava fazer com seus adversários.
“À medida que o jogo transcorria, os erros aumentavam. Foi ficando pior e pior”, disse Porter sobre as 19 bolas perdidas pelo Suns em 36 minutos, uma para cada três arremessos que o melhor time arremessador da liga soltava. Mesmo havendo uma andada aqui, ou uma violação de 24 segundos de posse de bola ali, o maior culpado foi o passe ruim – tanto em pensamento quanto de fato.
“Isso tem sido um problema desde o primeiro dia, e nós temos de voltar à prancheta e repensar sobre isso”, afirmou Porter. “No domingo houve mais erros não forçados do que forçados. Tentar fazer passes onde não há tem espaço para o passe, em vez de procurar chutar a bola ou driblar, fintar ou criar algum outro tipo de oportunidade, isso é decepcionante. Nós tínhamos o jogo na mão e então começamos a entregar as bolas. Eu acho que nós vamos ter de descobrir formas de limitar a habilidade dos caras de conduzia a bola e colocá-lo mais tempo nas mãos de Steve, ou trabalhar mais a posse de bola. Precisamos convencer as pessoas da importância de fazer o passe mais fácil. É uma preocupação para nós seguindo em frente”, analisou o treinador.
O Suns tem distribuído os minutos. Eles já tentaram diferentes combinações. Depois da derrota para o Miami, passaram meia hora em reunião depois do treino de sábado construindo laços em um exercício de construção do espírito de equipe.
O que eles talvez sejam forçados a fazer é revisitar sua primeira inclinação: trazer um armador veterano para a reserva de Nash, colocar seus outros veteranos nos seus papéis já estabelecidos (mais de finalizadores) e tirar a pressão dos novatos de terem de carregar tão importante papel.
O Suns já está acima da taxa de luxo, e somar a essa conta no clima econômico atual não é a opção preferida. Mas pode ser isso que coloque as peças no lugar para um time que está procurando pela combinação certa. Com o Lakers já em firme controle da Divisão Pacífico, o Suns tem uma janela estreita quando se trata de se manter na corrida com o resto da Conferência Oeste por um posicionamento decente na classificação.
Paulo Roberto
Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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