Publicado por Adriano Albuquerque
O ala Jonathan Tavernari, uma das revelações da Seleção Brasileira na Copa América de Porto Rico-2009, fez este ano sua última temporada pela universidade Brigham Young (BYU), onde foi ídolo e terminou como recordista da universidade em diversas categorias. Considerado uma das grandes esperanças do Brasil de ter mais um representante na NBA, Tavernari prometeu, em entrevista exclusiva por e-mail ao BasketBrasil, se dedicar “com corpo e alma” à missão, mas avisou: “Se não conseguir agora, não é o fim do mundo.”
Filho da renomada treinadora paulista Thelma Tavernari, Jonathan joga basquete nos EUA desde a adolescência, quando se destacou na escola de ensino médio Bishop Gorman High School. Recrutado por diversas universidades americanas, como Pittsburgh, Virginia Tech e Washington, acabou optando por BYU, onde Rafael “Baby” Araújo (hoje no Paulistano/Amil) e Luiz Felipe Lemes (do Pitágoras/CVC/Minas Tênis Clube) atuaram anteriormente. A escolha logo se mostrou acertada: em sua primeira temporada, JT foi eleito Novato do Ano da conferência Mountain West, vencida pelos Cougars de BYU. No seu segundo ano, quebrou o recorde de cestas de 3 pontos da universidade em uma temporada, e de cestas de 3 pontos de um segundoanista na conferência, com 88.
Quatro anos depois de sua estreia, Tavernari terminou sua carreira universitária com 1.519 pontos, 12ª maior marca na história da faculdade, e virou recordista de cestas de 3 pontos, 265, e de vitórias, 103 em 132 jogos disputados. “O que me orgulho mais é de ser o jogador mais vitorioso da história de BYU”, disse Tavernari após a eliminação da escola no Torneio da NCAA neste ano, frente a Kansas State, por 84 a 72. Apesar de eliminado na segunda rodada, o time avançou no torneio pela primeira vez desde 1993. Além de tudo, ainda conheceu e se casou com sua esposa, Kiri, na universidade.
Como veterano, Jonathan Tavernari está inscrito automaticamente no Draft da NBA, e contratou a mesma agência que representa Chris Paul, do New Orleans Hornets, para ajuda-lo a entrar na principal liga profissional do mundo. Entretanto, o paulista de 22 anos, natural de São Bernardo do Campo (SP), não descarta ir para a Europa e se mostrou bastante disposto a jogar o Campeonato Sul-Americano pela Seleção Brasileira, antes mesmo do Mundial da Turquia-2010. Para esta competição, aliás, o lateral deixa claro que não pensa apenas em medalha: “Temos que nos preparar para ganharmos todos os jogos.”
BASKETBRASIL: Após quatro anos de uma carreira bastante laureada na universidade, que memórias você vai guardar da BYU e do basquete universitário?
JONATHAN TAVERNARI: Eu cheguei um menino, um “muleque”, no linguajar. Tinha me formado na high school (ensino médio americano), e eu estava bem contente com a chance de poder jogar quatro anos de NCAA. O Luiz Felipe e o Rafa (o “Baby”), foram duas pessoas em que sempre me espelhei, e me motivei para conquistar mais que eles aqui. Ser o jogador com mais vitorias e jogos na história da BYU, tricampeão da conferência, saber que eu fui parte de um programa que esteve no Top 25 consistentemente e tive grande parte nesses quatro anos, ser o recordista de 3 pontos na escola, entre outros triunfos pessoais e coletivos… Eu vou sempre me lembrar da torcida, dos fãs, da comunidade, e de toda a instituição. Estou saindo daqui um homem casado, e preparado e bem ansioso para começar minha carreira profissional.
Sua eligibilidade como jogador universitário terminou, mas academicamente, você já está terminando a faculdade? Está se formando em que?
Estou me formando em Gerenciamento Esportivo e Negócios, com ênfase em Administração. Recebo meu diploma em junho.
De uma forma geral, os americanos, quando terminam a faculdade, permanecem muito ligados às suas universidades, ou alma-maters. Como você visualiza o seu relacionamento com a BYU daqui pra frente? Pretende permanecer por perto, de repente voltar para uma carreira em posição técnico-administrativa?
Com certeza! No meu último semestre aqui, trabalhei como estagiario do Tom Holmoe, que é o Diretor Atlético da faculdade. Decidi no meu diploma depois de muita conversa com ele. Depois de me aposentar do jogo, quero voltar e trabalhar aqui no Departamento Atlético. Minha esposa e eu somos Cougars para sempre, e queremos poder ajudar a faculdade, dar de volta para a comunidade e para todos que nos ajudaram e ajudam aqui.
Qual é o próximo passo para você no basquete? Já contratou um agente? Quem?
Eu assinei com a agência Octagon. Seus principais clientes hoje são Chris Paul, David West, Kirk Hinrich. Meu agente é o Alex Saratsis. É uma agência forte, e que tem muito conhecimento sobre o lado executivo e financeiro do jogo. Entre o final de abril e o começo de maio, eu e minha esposa vamos para Indiana, onde vou treinar e me preparar pro Draft, EuroCamp e a Liga de Verão da NBA.
A NBA é o seu sonho e objetivo principal?
A NBA é meu primeiro plano. Vou fazer o meu máximo para poder entrar na liga. Se eu não conseguir, vou para a Europa. Sinceramente, estou mais ansioso e motivado para poder jogar profissionalmente. Isso é uma coisa que eu sempre sonhei, e gracas a muito trabalho, ajuda de família e amigos, e às bençãos do Senhor, vou poder realizar meu sonho.
O Baby, que também jogou na BYU e NBA, se diz muito amigo seu, te elogia bastante e vê um grande futuro pra ti. Você conversa com ele sobre o processo de transição a NBA? O que ele te diz sobre a transição ao basquete profissional e a vida fora da liga?
Eu sempre fui amigão do Rafa. Ele foi uma pessoa a que eu tentei nivelar meu sucesso aqui em Provo. Nós sempre conversamos sobre algumas dúvidas que eu tive e tenho, e ele sempre me ajudou a ajuda. Ele é uma pessoa que treina forte e se dedica muito. Foi com ele que eu eu comecei a entender a importância de fazer treinamentos físicos e cuidar do corpo, nosso instrumento de trabalho.
Você não figura entre os favoritos a serem escolhidos no Draft, segundo as projeções pela internet. É claro que, com os treinos particulares e camps de veteranos, isso pode mudar, mas vamos considerar que você não seja draftado. Você está preparado e disposto a lutar por uma vaga através das ligas de verão, depois brigar por vaga num elenco durante um training camp? Vai até as últimas consequências para entrar na NBA?
Acho que tudo tem um limite. Eu vou me dedicar com corpo e alma, e sei que minha esposa, meus pais, minha família e meu agente vão me ajudar e fazer tudo o possível para eu entrar na liga. Mas eu tenho que ver a perspectiva maior, que se eu não conseguir jogar na NBA ano que vem, não é o fim do mundo. Há grandes equipes na Europa, e eu não tenho o menor problema em provar meu valor pouco a pouco. Foi assim com o Manu Ginóbili. Todos nós temos que começar do zero. Eu estou pronto pra qualquer desafio.
Você provavelmente terá de optar por disputar as ligas de verão ou se juntar à Seleção Brasileira para a disputa do Mundial. Qual deles você considera que pode te ajudar mais a chegar a NBA: um bom desempenho nas ligas de verão, ou um bom desempenho no Mundial?
(Risos) Felizmente, essa é uma decisão que eu não preciso fazer agora. Vou terminar as coisas aqui na BYU, depois me preparar para a minha carreira profissional. Até o Draft, tem muito chão ainda. E, antes do Mundial, temos o Sul-Americano. Eu não tive a chance de jogar em 2008 (nota do editor: Tavernari havia sido convocado, mas acabou sendo transferido para o grupo que disputaria o Pré-Olímpico Mundial de Atenas), e gostaria muito de fazer parte desse grupo. Eu não tenho a experiência que o Leandrinho, o Marcelinho e Alex têm. Eu sei que daqui a três ou quatro anos, talvez um pouco mais, eu vou ser o que eles hoje são para nosso país. Por isso, eu tenho que me preparar. E eu me espelho neles para melhorar.
O novo treinador da Seleção Brasileira, Rubén Magnano, esteve nos EUA para conversar com os três brasileiros da NBA. Ele te visitou na BYU também? Houve algum contato da CBB contigo desde a Copa América de Porto Rico?
Sim. Eu estou sempre falando com o Vanderlei e com o André Alves. Pessoalmente, nao falei com o Magnano, mas sei quem ele é, e o trabalho magnífico que ele fez e faz. Espero poder aprender muito com ele, assim como aprendi com o Moncho.
O que achou da contratação de Magnano e do sorteio das chaves do Mundial? Qual sua expectativa para a Seleção no Mundial, acha que chegaremos ao pódio?
Magnano é um campeão olímpico, medalhista mundial. Seu currículo é impressionante. Eu aprendi muito com o Moncho, e estou ansioso para aprender com ele. Para o Mundial, nós temos que ter em alvo o máximo. Não podemos entrar numa competição tendo em mente, “Vamos lutar pelo terceiro lugar.” Ou “Vamos lutar pela prata!” Temos que nos preparar para ganharmos todos os jogos. Temos muito talento em todas as posições para voltarmos à elite do basquete mundial. Mas para isso, todos temos que estar na mesma página.
Adriano Albuquerque
Está no BasketBrasil desde 2005 e escreve sobre basquete em geral.
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