Publicado por Paulo Roberto
A chegada do armador Chauncey Billups continua rendendo bons frutos para o Denver Nuggets. Com o astro trocado pelo Detroit Pistons distribuindo bem as jogadas e anotando 16 pontos e 10 assistências, o time do Colorado venceu em casa o Memphis Grizzlies por 100 a 90 (53 a 54 no intervalo) na noite de domingo. O ala campeão olímpico Carmelo Anthony comandou o Denver (3V-3D) com 24 pontos e oito rebotes, e o pivô brasileiro Nenê foi novamente o segundo cestinha da equipe, obtendo um duplo-duplo com 18 pontos e 12 rebotes, além de três passes para cesta, dois tocos e um roubo de bola. O armador novato terceiro escolhido no draft O.J. Mayo foi o cestinha da partida pelo Grizzlies (3V-4D) com um recorde pessoal de 31 tentos, mas apenas cinco deles no segundo tempo.
Em grande fase no Nuggets, Nenê converteu oito em 10 finalizações incluindo quatro enterradas, encestou dois em cinco lances livres, foi o maior reboteiro do jogo com 10 rebotes defensivos e dois ofensivos, fez passes para cestas de Linas Kleiza, Carmelo e Dahntay Jones, deu tocos em Kyle Lowry e Mike Conley, roubou uma bola de Marc Gasol, cometeu duas faltas e desperdiçou quatro posses de bola em 38min17s de ação como titular. No tempo de quadra do gigante paulista, o Denver marcou 19 pontos mais que o Grizzlies, o segundo maior diferencial positivo da partida atrás somente de Billups (+28). O brazuca sobrevivente do câncer foi dominante no duelo com o novato espanhol vice-campeão olímpico Marc Gasol, limitado a seis pontos, oito rebotes, uma assistência, uma roubada, um toco e três bolas perdidas em 38min56s.
No vídeo das melhores jogadas do confronto, o paulista de São Carlos mostra sua evolução defensiva dando um tocaço quando Lowry tentava uma enterrada e exibe sua boa forma nas cravadas, esta tem tudo para ser a melhor temporada individual de Nenê na NBA.
E o reforço de um armador puro como Billups só tem a ajudar os outros jogadores do Nuggets a se desenvolverem. Ele foi contratado na semana passada numa troca que mandou o armador mais pontuador que passador Allen Iverson para o Detroit, e está passando por um processo de aprendizado na prática, ainda se acostumando com os novos companheiros da equipe de sua cidade natal. Por isso acontecem com freqüência os passes errados, mas o duplo-duplo de ontem com 10 assistências e 16 pontos, embora ele tenha acertado só dois em 13 arremessos de quadra, prova que o armador já está desempenhando um papel fundamental, com essa segunda vitória consecutiva enquanto o Pistons vai sofrendo derrotas com A.I. O Denver teve um número alto de bolas desperdiçadas (22 no total contra 23 do Memphis), mas jogou duro na defesa no segundo tempo, segurando o cestinha Mayo e limitando o Memphis a 36 pontos depois do intervalo com um baixo aproveitamento de 28% nos arremessos.
“Isto é como uma mudança da noite para o dia com relação ao que eu estava acostumado a jogar em Detroit, e isso não é uma coisa ruim. Com a maneira que nossa tabela está lotada, nós não temos muito tempo para treinar. Nosso treino é no jogo. Isso pode ser difícil às vezes e pode levar a alguns erros feios”, afirmou Billups.
“Eles foram mais agressivos contra mim”, disse Mayo sobre o segundo tempo do jogo.
No primeiro tempo, Mayo foi quase imarcável, começou a partida acertando oito de seus nove primeiros arremessos de quadra incluindo todos os três chutes tentados da linha de três pontos. Mas depois de marcar 20 pontos no quarto inicial vencido pelo Memphis por 34 a 28, o armador novato ficou pendurado com faltas ao cometer sua terceira infração faltando 3min03s no segundo período.
“Eu não acho que eles levaram a sério os arremessos dele no primeiro tempo, pois deram-lhe alguns arremessos totalmente livres de marcação, com a visão aberta para a cesta, mas isso mudou depois”, comentou o técnico do Grizzlies, Marc Iavaroni.
Quando Mayo esfriou a mão, Billups começou a distribuir melhor a bola para o time e seis jogadores do Denver pontuaram em dígitos duplos, incluindo 12 pontos do ala lituano Linas Kleiza, 12 do ala reserva Renaldo Balkman e 11 do ala-armador Dahntay Jones. Com o Nuggets perdendo por 10 pontos, Chauncey voltou à quadra e deu seis assistências em um espaço de sete minutos, incluindo quatro consecutivas que renderam bandejas e enterradas em contra-ataques bem aproveitados por seus companheiros. Nessa altura faltavam três minutos para o intervalo e o time da casa já tinha virado o placar para 49 a 47, mas o Grizzlies ainda conseguiu fechar a parcial na frente por um ponto.
“Qualquer hora que você tem um general como Chauncey Billups na quadra, ele vai se certificar de que todos estejam envolvidos. Ele vai levar seus companheiros à maior força deles”, elogiou Mayo, que teve pouca ajuda de sua equipe, destacando-se apenas a colaboração de 16 pontos, sete rebotes e quatro assistências do ala Rudy Gay e os 10 tentos do novato Darrell Arthur.
O Memphis ainda liderava o placar por cinco pontos no terceiro período, antes de o Denver usar seu ataque balanceado para reagir e virar o placar definitivamente com uma parcial de 20 a 15. Uma bandeja de Anthony empatou o jogo em 58 a 58, depois uma jogada de três pontos de Jones e uma enterrada de Nenê deram ao Nuggets uma vantagem de 63 a 58 no meio do quarto, fechado em 73 a 69. Com os anfitriões na frente por 80 a 76 no último quarto, Carmelo converteu um lance livre de falta técnica e depois enterrou uma bola no rebote ampliando a diferença para sete pontos. Billups encestou mais quatro lances livres e Balkman adicionou mais três pontos e uma enterrada aumentando a vantagem denverista para 92 a 80 faltando 4min59s. O Grizzlies não conseguiu reduzir a diferença para menos de 10 pontos depois disso, numa partida bastante física que teve 61 faltas apitadas e 83 lances livres cobrados.
“É o caso de um bom time vencendo feio. Times ruins não ganham feio”, resumiu o técnico George Karl.
“Quando você tem tantas armas, acho que é duro carregar todo mundo. No passado, você simplesmente podia armar a defesa em cima de Melo e esperar que ele não fizesse mais de 30 pontos. Mas se você tem muitos caras pontuando, isso te faz um time melhor”, comentou Billups.
O Denver ontem sobreviveu ao desfalque do ala-pivô titular Kenyon Martin, que sofreu uma lesão no pulso esquerdo na vitória de sexta-feira sobre o Dallas Mavericks. O pivô reserva Steven Hunter vai passar por uma cirurgia no joelho direito nesta semana e pode ficar de molho por pelo menos dois meses. Para piorar os problemas médicos no garrafão do Nuggets, o ala-pivô reserva Chris Andersen fraturou uma costela ontem ao tentar forçar uma falta de ataque do Grizzlies durante o terceiro quarto. Nesta segunda-feira, o time de Nenê deve completar a negociação para rescindir o contrato do ala-pivô Antonio McDyess, adquirido na troca por Iverson junto com Billups e o jovem pivô senegalês Cheikh Samb. “Dice” declarou desde o início que não queria mais jogar pelo Denver, foi incluído no negócio para equilibrar as cifras financeiras e provavelmente vai voltar para o Pistons em dezembro. Por enquanto o brasileiro está segurando as pontas, mas ficar mais de 38 minutos em quadra é muita coisa, o técnico Karl precisa de outras opções de revezamento, ainda mais com Andersen desfalcando a equipe nos próximos jogos.
Nenê está com o moral em alta, até ganhou uma coluna no site do jornal Denver Post enchendo a bola dele com o título “Grande homem brasileiro florescendo”, confira a tradução do artigo de Benjamin Hochman abaixo:
Desde 2002, os fãs do Nuggets têm ouvido anualmente promessas sobre o grande homem Nenê. A cada outono, as mesmas histórias foram espalhadas nestas mesmas páginas – este é o ano para Nenê. O time estava convencido, Nenê estava convencido, os fãs estavam convencidos em acreditar que a potência potencial de Nenê iria emergir.
Mas depois de duas temporadas brotando, o pivô no sétimo ano de NBA jogou apenas 136 partidas nas quatro temporadas seguintes somadas. Mas agora a espera acabou (este repórter não sabe se deve seguir esta frase com um ponto final, ponto de exclamação ou ponto de interrogação).
Sim, Nenê é quase anualmente praguejado por lesões. Mas até agora nesta nova temporada, ele tem sido tudo que o Nuggets sonhou quando eles adquiriram Maybyner Rodney Hilário, vulgo Nenê, na noite do draft em 2002.
Entrando no jogo de domingo contra Memphis, o pivô Nenê tinha médias de 15,8 pontos e 8,4 rebotes. Ele era o sexto colocado na NBA em aproveitamento nos arremessos de quadra (63,8%), essencialmente por causa de seu incessante trabalho de pés, que o faz ter enterradas com uma freqüência típica de Dwight Howard.
Mais ainda, Nenê joga como se ele fosse ambidestro. O jogador destro muitas vezes se disfarça como um canhoto, encestando numerosas enterradas e bandejas com sua mão esquerda, surpreendendo os defensores, levantando os torcedores sentados.
“Sua combinação de mãos fortes e rapidez dentro do garrafão é única. A maioria dos jogadores tem tamanho, mas não tem velocidade. Alguns jogadores têm velocidade, mas não têm rapidez. Mas Nenê tem tudo isso, ele é rápido, é um grande corredor, tem alguma velocidade no seu jogo, ele pode explodir você, ele pode ganhar na velocidade (do marcador). E ele também é enorme”, disse o técnico George Karl.
Agora Nenê (2,11m, 113,4kg) está jogando com a maior confiança de sua carreira. Com Allen Iverson fora e Chauncey Billups em casa, o pivô está sendo recompensado por seu trabalho incansável no poste baixo ofensivo. E defensivamente, Nenê patrulha o garrafão como se tomasse de lavada um café expresso. Ele é destemido.
Numa seqüência no domingo à noite, Nenê soltou uma enterrada que tremeu o aro, então do outro lado desviou um arremesso, que se transformou em uma cesta na transição para o Denver. E depois, na posse de bola seguinte do Memphis, Nenê bloqueou um arremesso por boa medida. Seu jogo tem sido tão caloroso quanto um filé brasileiro.
“Nenê está em um ótimo lugar”, finalizou Karl. (ponto final).
Karl também está defendendo Nenê com unhas e dentes. No segundo quarto ontem, o brazuca pulou na frente de O.J. Mayo chamando uma falta de ataque, mas em vez disso foi apitado um bloqueio ilegal contra ele. O técnico do Denver ficou tão irado com a arbitragem na hora que deu um soco na mesa de cronometragem e derrubou uma bebida nas cadeiras, levando uma falta técnica em seguida. Mas no final ele foi só alegria e elogios principalmente para Billups.
“Ele pensa como eu penso. Chauncey é simplesmente tão sólido e confiante. Ele é um vencedor, não há muito brilho nisso, é apenas forte”, destacou Karl, que saiu preocupado com a costela quebrada que vai deixar Andersen fora de combate de duas a três semanas.
“Não posso nem respirar ou tossir direito”, disse o ala-pivô reserva de Nenê.
George Karl diz que o Nuggets sempre fica um pouco nervoso quando um de seus poucos grandalhões se machuca, agora o segundo pivô está na enfermaria depois de Steven Hunter. O Denver agora só tem três jogadores legítimos de garrafão (Nenê, K-Mart com o pulso machucado e o recém-chegado Samb, que só entrou poucos minutos em cinco partidas na NBA). Martin vai ser avaliado no dia-a-dia e é dúvida para o jogo de terça-feira no ginásio do Charlotte Bobcats. O ala de força Renaldo Balkman já está sendo improvisado no garrafão.
“Karl chamou meu número hoje, eu fui lá e mostrei o que posso fazer. Esse é o tipo de cara que eu sou – alta energia”, afirmou o ex-atleta do New York Knicks.
“Agora, quantos minutos você consegue se safar jogando com um time baixo? Você nunca sabe como os times irão atacar você. O.J. Mayo não joga como um novato. Ele está à frente de seu tempo”, concluiu o treinador do Denver.
Com mais um bom rendimento, Nenê já coleciona na nova edição da NBA a maior média de pontos (16,2) e de rebotes (9) por jogo desde que estreou na liga, em 2002. Antes de ter de passar por cirurgia para a retirada de um tumor cancerígeno no testículo, o brasileiro havia tido como melhor temporada a de 2006/07, quando manteve 12,2 pontos e sete rebotes a cada partida. Mostrando estar totalmente recuperado do momento difícil por que passou, o pivô tem auxiliado o Nuggets a se manter na zona de classificação aos playoffs da Conferência Oeste – ocupando atualmente a sétima posição.
Paulo Roberto
Fundou o BasketBrasil em 2004 e escreve sobre basquete em geral.
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